A Raposa escrita por Miss Weirdo


Capítulo 7
Capítulo 7


Notas iniciais do capítulo

OI GENTE!
Primeiro de tudo, esse capítulo é dedicado ao Sr Burritolandia, que me deu um maravilhoso milkshake de presente! E desculpe, eu não posso me casar por você, já estou comprometida com Leo Valdez/Dipper Pines. Obrigada mesmo assim kkkkkk
Espero que gostem do capítulo, me deu um pouco de trabalho pra escrever, e teve o atraso de um dia. Ele está sem revisão adequada, então qualquer coisa que vocês encontrarem podem me avisar nos reviews, ok?
Essa fanart que vocês vão ver é uma que eu encontrei um tempo atrás e surtei, porque é o Tomeh gente, é ele mesmo desenhado, meu homem dlc.
Boa leitura!



— Segure isso - Bat me jogou uma espada, colocando a sua por cima dos ombros, - sua primeira lição para aprender a lutar decentemente, além de não morrer, que é o básico, é usar seus sentidos.

— Como um morcego? - eu perguntei, tirando o cabelo dos olhos.

— Exatamente - ele sorriu, satisfeito.

Eu havia pedido ajuda a ele para me ensinar a lutar, já que eu era um belo desastre. Era por volta das cinco da tarde, o sol estava quente, porém não insuportável, e a maioria dos marujos tinha ido tirar um cochilo.

Sentia como se eu fosse um peso extra, e aquilo precisava mudar. Eu estava entre bons lutadores, homens de coragem, e tudo o que eu tinha era boa lábia. Naquele navio, força era o poder.

— Audição - ele apontou para os ouvidos - é importante. Visão… Bem, não é algo que eu uso com frequência - e deu de ombros, enquanto eu ria.

— Mas e o seu sonar? Ele não funciona como… olhos? - indaguei.

— Mais ou menos - começou a mexer a espada devagar, apontando-a para os lados, como se fizesse golpes de luta em movimento desacelerado - eu só acabo por saber se vou trombar em um dos mastros ou não.

— Está bem - concordei - e como você quer que eu aperfeiçoe minha audição?

— Achei que estava óbvio - ele torceu a boca - vou vendar você.

Engoli em seco.

— Não vai funcionar - mordi o lábio - eu vou acabar com uma espada cruzando minha barriga.

— Ah, por favor, eu sobrevivi assim por anos - ele ironizou, e calei-me enquanto Bat se aproximava com um pedaço de tecido e para cegar-me - viu só? Você nem parece tão mal.

— Obrigado… - então me dei conta da piada - otário.

— Agora rode, Tomeh - e, ao sentir que eu o questionaria, sibilou - sem perguntas.

Eu me senti como um idiota, rodopiando lá no meio, as cegas, e ao já não sentir mais a diferença entre o balanço do mar e das voltas que eu dava, parei, cambaleei, mas permaneci em pé.

Ouvi passos rápidos vindos da minha direita e desviei. O convés rangeu novamente, e eu levantei a espada, que chocou-se com a de Bat. O impacto me fez dar dois passos para traz, e eu ainda me encontrava desnorteado. Instintivamente levantei a espada para proteger meu peito, e fui para o lado apenas para não ser atingido. Eu achava a todo segundo que já estava na borda do Metal Curse e que despencaria em direção ao mar, tateava as cegas esticando meus braços, e ainda estava com a paranoia de que Bat estava em todos os lugares ao mesmo tempo.

O silêncio se estabeleceu, e eu fiquei completamente parado, procurando por resquícios do Sailor, mas nada ocorreu. O único som audível era o da minha respiração pesada.

Então eu ouvi outra respiração. Foi tão rápido, eu não pude ter certeza, mas era minha chance. Virei-me rapidamente e ergui a espada, dando passos largos. Ela se chocou com a do marujo, e eu investi rapidamente para qualquer outro lugar que eu pudesse, e ele continuou se defendendo. Logo desapareceu pelo navio, mais uma vez.

— O que está acontecendo aqui? - era a voz de… Tubarão, pensei.

— Estou treinando Tomeh - Bat falou, e ao identifica-lo, investi contra ele, que saiu de onde estava e me fez apenas ir em direção ao nada.
— Com uma venda? - o marujo disse - todos sabemos que ele tem que aguçar a visão.

— Eu nunca precisei da visão - Bat sibilou.

— Ora essa, Tomeh, tire este trapo dos olhos - Tubarão disse, e eu o fiz. A claridade me fez sibilar - vamos fazer algo mais simples com você, treinar seus olhos.

Com isso sentou-se no chão, e eu o imitei. Ficamos de frente um para o outro, ele de costas para a lança e eu de costas para a cozinha.

— Olhe para trás por um segundo - me disse. Vi a estrutura do leme, a pequena escada a esquerda por onde Fox subia para ir ao corredor que levava a seu quarto, a prancha mais atrás… - olhe para mim novamente.

— O que eu faço agora? - questionei.

— Quantos degraus tem a escada? - perguntou.

— Como? - estreitei os olhos.

— Acho que fui claro - ele ironizou - e não pode olhar atrás de si novamente, faça isso e te jogo para fora do navio.

Parei por uns instantes, tentando forçar minha memória, mas eu apenas nunca tinha notado, não era algo relevante.

— Quatro? - perguntei, inseguro.

— Seis - ele revirou os olhos.

— O que isso quer provar? - arqueei as sobrancelhas.

— Que você não prestou atenção o suficiente. Se estivesse lutando, estaria morto por agora. Tudo tem importância no campo de batalha, está certo? Quando você menos espera, uma maçã pode te fazer perder - e deu uma piscadinha que eu retribui com um sorriso.

Entendi o que ele quis dizer. Eu tinha que prestar atenção a tudo durante a luta, não apenas a meu foco, mas o que o rodeava também. Basicamente era a junção com o que Bat tinha me explicado de maneira um pouco mais… literal. Ouvir tudo, ver tudo.

— Agora vamos tentar lutar um pouco - e se levantou - Bat, você me ajuda?

— Sempre um prazer - e sorriu sarcasticamente. Eu peguei a espada que estava no chão e me preparei.

Tubarão veio para cima de mim sem avisar, mas eu já tinha ouvido seus passos antes, e logo me virei para ataca-lo, a lâmina passando de raspão por perto de sua orelha. Bat surgiu também, e eu logo rodopiei e desferi um golpe, que ele conseguiu segurar.

Eu mais desviava do que lutava, mas pelo menos não tinha me machucado - ou morrido, graças aos deuses - até o presente momento. De repente ouvi altas risadas, e observei enquanto Sequela puxava uma espada de um caixote e se aproximava com olhos sagazes para cima de mim:

— Já perdi de você uma vez e não pretendo que ocorra novamente.

Então era aquilo, três Sailors contra um Tomeh. Deu para sentir o peso da diferença.

Sequela veio rindo, levantando a espada, e Bat veio do outro lado ao mesmo tempo. Não pude ver Tubarão em lugar nenhum, e aquilo me preocupou.

Tentei defender-me o máximo que pude dos golpes desferidos, mas já tinha um corte no rosto. Eu havia deixado um rasgo na calça de Bat, e um pedaço da blusa de Sequela encontrava-se perdido pelo convés. De repente, quando os dois marujos vieram para cima de mim partindo de pontos opostos, eu me joguei no chão e deixei que eles se chocassem. Saí engatinhando do local de risco, e vi quando um deles perdeu a espada. A peguei imediatamente.

Levantei-me, segurando ambas e apontando para os dois. Como tinha mais facilidade com a mão esquerda, a espada na direita pesava mais, e sentia-me tolo ao empunha-la.

Quando ameacei investir em Bat, desarmado, pude ver um vulto de meu lado esquerdo e ouvir o convés rangendo suavemente, apesar da mistura de nossas respirações ecoando. Virei-me, assumindo ser Tubarão, já pronto para desferir um golpe, quando a exclamação de susto me fez baquear, porém a parte plana da espada já havia atingido sua boca.

Ela cuspiu o sangue no meu rosto.

No que você estava pensando? - Fox sibilou, irritada, os olhos em uma mistura de incredulidade e indignação.

— Perdão, Fox - sussurrei, os olhos arregalados - eu achei que fosse Tubarão.

— Cuidado - ela sussurrou lentamente, os olhos ameaçadores, a voz perigosa - marujos lentos não costumam ficar aqui por muito tempo, por alguma razão eles sempre acabam caindo amarrados da prancha no meio da noite - e abriu um sorriso que me deu um arrepio na espinha. Virou-se, como se nada tivesse acontecido, a caminho da cozinha.

Demorei alguns segundos para virar e encarar Bat e Sequela. Assim que o fiz, percebi que me fitavam, e não pude decidir se era um olhar de pena ou de comédia.

Tubarão apareceu, saindo do alojamento, assobiando. Ele caminhou até nós, e eu explodi.

— Onde você estava? - gritei, indignado.

— Eu? - colocou suas mãos no peito, me olhando assustado - eu fui aliviar aquela dor no estômago, se é que você me entende.

— No meio da luta? - Sequela questionou, irritado.

— A gente não escolhe quando essas coisas acontecem - deu de ombros - por quê? O que aconteceu?

Joguei as duas espadas em seus pés, revirando os olhos. Os deixei ali e fui tirar um cochilo.

.

Foi tortuoso, isso sim, lembrar da entonação daquela frase misturado com o sorriso que me deu calafrios - e ainda dava, bastava relembrar - que Fox havia proferido. Encara-la no jantar, que me lançava olhares ameaçadores, e ter que aguentar aquele peso nas costas de ter acertado um golpe na capitã do navio, que com certeza só estava esperando uma brecha para me matar.

Fora os olhares, ela me ignorou completamente. Foi para o quarto cedo, e eu caminhei até a lança para deixar alguns respingos de água do mar refrescarem o meu rosto. A lua estava grande e brilhante, mas as velas acesas deixavam tudo com uma tonalidade laranja.

Aos poucos, os Sailors foram voltando para as camas. Eu ainda ficaria ali um pouco, sentia falta de permanecer em silêncio e pensar. O tempo inteiro as vozes daqueles homens entravam em minha cabeça na forma de mais histórias trágicas e algumas obscenidades. Pensar com clareza era algo que não fazia há tempos.

O tempo passou, e as memórias ainda eram nítidas. Por mais que tentasse evitar, os gritos da minha mãe eram o que mais ecoavam em minha mente, ainda vívidos, como se ela estivesse bem atrás de mim. A culpa pesou sobre meus ombros, e, infelizmente, ao tentar esquecer-me dos terríveis ocorridos da minha infância, o que me perturbava era Fox. Ela ter dito que era o Diabo, fazendo o brinde para minha provável morte, me chamando de covarde, sibilando que não havia honra no mar, seu olhar incrédulo de quando venci Sequela, assumindo que tinha seus segredos, mexendo no meu cabelo, me olhando daquele jeito… De repente, alguém cutucou meu ombro. Eu me virei assustado, como quando alguém faz algo errado e é pego em flagrante, e logo ergui os braços sem jeito, tentando me proteger de seja lá o que fosse.

— Cuidado, Tomeh - ela sussurrou o famoso “Tomei”, e apontou para uma pequena cicatriz acima do lábio superior - não quero um olho roxo para combinar.

— O que está fazendo aqui? - perguntei surpreso, tentando esconder que estava pensando nela apenas alguns segundos atrás, como se estivesse visível.

— Pelos Deuses, eu já te disse que ando por onde quero quando quero - ela revirou os olhos - de qualquer jeito, vim te ajudar com seu problema na hora de lutar. Era o que estava fazendo mais cedo, correto? - e, assim que assenti, ela gesticulou com a cabeça para o meio do convés, e eu a segui.Puxou sua espada da bainha.

— Para começar, a espada é uma extensão do seu braço, entende? - olhou para mim - não existe um Tomeh segurando uma espada, existe apenas um Tomeh. Você deve lutar como se não houvesse arma em mãos. Ao contrário do que muitos pensam, lutar não é apenas sobrevivência - ela começou a rodar devagar, realizando movimentos com precisão absoluta, porém de maneira encantadora - é também uma arte.

A cena era quase mágica. As velas tinham sido todas apagadas, e a única iluminação era a luz da lua, que estava grande e bem acima de nossas cabeças, quase como se eu pudesse toca-la. Inundava o navio de prateado e realçava o ruivo dos cabelos de Fox, que tinha os olhos fechados e um sorriso suave em seu rosto. Sua saia rodopiava junto com ela, que movia a espada por todos os lados. Pendi a cabeça para o lado, e senti a minha lâmina tocar o chão, já que por algum motivo eu não conseguia segura-la mais ao alto. A única coisa que eu podia fazer era vê-la.

A capitã parou abruptamente, e o sorriso em seu rosto se desfez. Ela cruzou os braços, sem graça, e perguntou:

— Por que está me olhando assim?

Percebi que devia estar parecendo um idiota. Balancei a cabeça e me recompus, porém senti o rosto esquentar. Minha pele escura pode disfarçar o vermelho que deveria ter se formado.

— Bem - ela arrumou a postura - vamos lutar.

E sem nenhum aviso, partiu para cima de mim. Não era bruto como o ataque de qualquer um dos outros marujos, era de uma leveza e agilidade inquietantes. Quase não pude ouvir seus pés chocando-se com a madeira do convés. Quando fui defender seu ataque, ela mudou de tática e me atacou pelo lado.

Virei-me rapidamente, e consegui interceptar sua espada, mas não durou mais que um segundo, ela já rodopiava novamente, pronta para me atingir. Estávamos em uma espécie de dança, pois Fox não parava um segundo sequer, vindo de todos os lados de uma vez, e eu apenas rodava no meio, sendo um fantoche em seu jogo, tentando adivinhar de onde viria o próximo ataque.

Assim que a vi correndo, passando bem atrás de mim, movi meu corpo e alcancei seu braço, a puxando com força para perto, e com isso derrubei-a no chão, enquanto sua espada deslizava para longe. Fiquei de joelhos, mas ela me deu um empurrão, que fez-me cair a seu lado.

Mais rápido do que pude prever, Fox levantou-se, roubou a espada de minha mão e ficou em cima de mim, com a lâmina sobre meu pescoço.

— Acho que venci - sussurrou, o rosto quase colado no meu. Eu pude ver seus olhos cor de mel bem de perto, e apesar do olhar de contentamento, a interrompi:

— Pense de novo - e sorri ironicamente. Enquanto ela se movimentava para me imobilizar, eu havia puxado sua faca da bainha, e a tinha pressionada em suas costas naquele exato momento.

— Onde está sua honra? - ela arqueou as sobrancelhas, impressionada, não contendo um pequeno sorriso de aprovação.

— Mas capitã, não há honra no mar - sibilei, os olhos sagazes.

Ela ficou de pé e estendeu sua mão, me oferecendo ajuda.

— Você percebe o que tem que fazer? - ela disse.

— Eu devo te atacar? - questionei,sem entender bem o que ela procurava me dizer.

— Pense - ela sussurrou, e começou a dar um passo de cada vez ao meu redor, e eu permaneci parado - como Garra luta?

— Com a agilidade - eu comentei, lembrando que ele estava sempre mudando de posição ao golpear o inimigo.

— E Mohra? - perguntou.

— Com a força - pendi a cabeça, lembrando que suas armas não passavam de seus punhos.

— E eu? - estava atrás de mim, e ficou na ponta dos pés para alcançar meus ouvidos e sussurrar - como eu luto?

Parei por uns instantes, até ela ficar de frente para mim.

— Com a graça de uma raposa.

Ela assentiu com a cabeça, dando um sorriso de canto de boca.

— E como você luta? - levantou a cabeça, fitando-me.

— Eu não sei - murmurei.

— Cabe a você descobrir.



Notas finais do capítulo

E aí? O que acharam? Eu estou com medo de vocês não terem curtido muito, já que eu não me senti muito segura sobre ele, mas é isso, eu não teria feito nada melhor.
Até segunda!



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