Príncipe Às Avessas escrita por G a b i


Capítulo 6
Finja que isso nunca aconteceu.


Notas iniciais do capítulo

Olá! :) Mais um capítulo novinho chegando!
Só para vocês saberem, nós já estamos na metade da fic. E isso quer dizer que algumas coisinhas vão começar a mudar. Capítulo de hoje, inclusive, já mostra algumas dessas mudanças.
É provável que vocês gostem e não gostem ao mesmo tempo *risos*
Enfim, chega de enrolar. Vai ter algo que algumas pessoinhas já estavam querendo faz algum tempo.
Então... Boa leitura! Até as notas finais ;)



Serem amigos.

Isso foi o que Calipso propôs a Leo antes dela sair do hospital.

Ele prontamente aceitou.

Tudo bem que Leo queria ser muito mais do que apenas amigo da garota, mas essa amizade já era um bom começo aos olhos dele.

E Leo cumpriu com o que tinha falado no hospital àquela vez. Ele não deixou Calipso sozinha nenhum dia sequer durante a recuperação dela.

Nos primeiros dias, enquanto Calipso ainda não podia escrever nos livros e cadernos da escola por causa das mãos queimadas, quem fazia isso por ela era Leo.

E claro que isso gerava discussões.

Calipso reclamava que a letra de Leo era feia e que ele estava estragando os cadernos dela. Leo debochava de Calipso dizendo que ou ela se acostumava com a letra rústica dele, ou ficava sem a matéria.

Calipso o chamava de idiota.

Leo pedia para ela o amar menos.

E tudo acabava com Calipso o socando no braço.

Simples assim.

Uma amizade perfeita. Ou não.

Já estava fazendo duas semanas que Calipso havia deixado o hospital e estava praticamente recuperada. O galo na testa desapareceu logo nos primeiros dias e suas mãos agora já não estavam mais com ataduras. Havia só umas pequenas manchas rosadas, mas que logo sumiriam devido a pomada que ela ainda usava.

Mesmo com a crescente melhora da garota, Leo ainda continuava indo todos os dias na casa de Calipso para ajudá-la com os trabalhos de jardinagem na estufa.

Eles se divertiam juntos.

E brigavam.

E se divertiam.

Era uma relação nada comum, mas nenhum dos dois parecia se importar com isso. E ambos já nem ligavam mais para o que os outros pensavam. Principalmente Calipso.

***

Leo estava subindo as escadas da mansão em direção ao quarto de Calipso enquanto ela trabalhava em um projeto.

Na verdade, era um desenho. Um desenho que ela começou a fazer desde aquela vez que havia estado na casa de Leo.

Um dragão de bronze.

Calipso havia ficado tão impressionada com aquela miniatura que Leo possuía em cima da escrivaninha do quarto, que a primeira coisa em que ela pensou foi "eu tenho que fazer um desenho disso".

A miniatura era perfeita. E Calipso nem precisou perguntar para ter certeza que havia sido Leo quem tinha construído.

E desde aquela vez a garota estava trabalhando naquele desenho do dragão de bronze. Ela não sabia exatamente o que faria com aquilo no início, mas agora ela não tinha mais dúvidas: O desenho seria um presente dela para Leo.

Calipso estava terminando de retocar algumas coisas no desenho, quando Leo parou em frente à porta do quarto dela.

— E aí, babe. Vamos plantar algumas flores juntos? — Ele se escorou no batente da porta. Aquele sorriso travesso nos lábios.

Calipso deu um pulo da cadeira que estava sentada. E logo se apressou em virar o desenho de cabeça para baixo sobre a mesa para que Leo não o visse.

— Você me assustou, seu idiota.

— Foi mal, babe. — Leo deu de ombros.

— E não me chame de babe. Você sabe que eu detesto. — Calipso revirou os olhos.

— Desculpa, força do hábito. — Ele riu. — Não sabia que você desenhava...

— Pois agora você já sabe. — Calipso respondeu enquanto guardava seus lápis e o desenho dentro de um armário. Ainda tomando todo o cuidado para que Leo não visse.

— O que você estava desenhando?

— Não é da sua conta. — Calipso sempre tão adorável.

Ela terminou de guardar as coisas e foi saindo do quarto.

Antes, pegou um elástico de cabelo e o amarrou em um rabo de cavalo.

— Agora vamos. Tem uns vasos muito pesados que eu quero que você mude de lugar para mim.

— Tudo que você quiser, babe. — Foi o que Leo respondeu. Ele adorava implicar com Calipso. Aos olhos do garoto, ela conseguia ficar ainda mais bonita quando irritada.

— Cale a boca. — E lá estava o bom e velho soco no braço de sempre.

***

Leo estava sentado no chão da estufa. A expressão "morto de cansado" cabia perfeitamente para ele naquele momento.

Aqueles vasos eram tão pesados que pareciam pesar mais do que Calipso e ele juntos.

Até que enfim o seu serviço já tinha acabado.

— Eu deveria ter imaginado que aqueles vasos seriam muito pesados para você carregar. — Calipso disse enquanto plantava algumas mudas de violetas em um dos canteiros. — Você é mesmo um fracote, Valdez. — A garota riu.

— Vou me lembrar disso quando precisar de ajuda outra vez. — Leo respondeu, rindo também.

— Até parece. Agora levanta daí e venha me ajudar com isso. Não queria plantar algumas flores? Pois venha logo.

E assim eles ficaram por algum tempo. Calipso cavava um buraco na terra e Leo colocava as mudas de violeta dentro. Ele segurava as mudas e ela cobria os buracos com terra. Depois Leo regava as mudinhas usando um regador lilás com estampa de florezinhas. Calipso ria da situação.

Eles estavam quase terminando quando Leo resolveu perguntar sobre o segundo andar da estufa. Desde o incêndio ele nunca mais havia subido lá.

— Então, você não tinha falado que iriam reformar o segundo andar? — Ele ainda regava algumas mudas enquanto Calipso dava atenção ao canteiro ao lado.

— Falei outro dia com meu pai ao telefone. Ele disse que só vai autorizar uma reforma depois que ele ver com os próprios olhos o que aconteceu lá.

— Que pena. E seu pai vai demorar muito para voltar da viagem?

— Pelo menos mais um mês. — Calipso estava bem chateada. Até por que ela praticamente morava no segundo andar daquela estufa. — Se ele tivesse feito aquela casa na árvore que eu tanto pedi...

— Casa na árvore? — Leo imediatamente lembrou daquele pedaço da página do diário que ele havia guardado.

— É. Um sonho bobo de quando eu era criança. — Respondeu meio sem graça. — Esquece.

— Não, eu entendo. Se você tivesse essa tal casa, podia usar ela enquanto a reforma da estufa não estivesse pronta.

— Foi nisso que eu tinha pensado. — Calipso sorriu.

E Leo havia acabado de entender uma das frases incompletas do diário.

Calipso tinha o sonho de ter uma casa na árvore.

E foi como se uma lâmpada tivesse sido acesa em cima da cabeça de Leo.

— E só por curiosidade... — Ele acabou de regar a última muda de violeta. — Em qual lugar seria construída essa casa na árvore? — Leo guardou o regador no lugar.

— Você quer ver? — O garoto assentiu. — Vou te levar até lá. — Calipso sorriu.

Ela ainda estava com as mãos um pouco sujas de terra. Passou as mãos uma na outra e depois desamassou um pouco o short jeans.

Isso era uma das coisas que Leo mais gostava em Calipso. Ela não dava a mínima para a aparência. Não se importava em sujar as mãos. Pelo contrário, ela gostava disso.

A garota vestia apenas um short, uma blusa branca e All Star preto. O cabelo preso em um rabo de cavalo agora já possuía alguns fios soltos. Mas Calipso parecia não se importar. E Leo muito menos. Ela parecia perfeita.

***

O lugar em que Calipso levou Leo ficava bem ao fundo do condomínio. O garoto nunca tinha estado lá antes. Era uma área razoavelmente grande. Seria a área verde do condomínio, mas o projeto não foi adiante. E sendo assim, era basicamente um gramado bem verde com uma árvore no meio. Nenhum dos moradores dava atenção ao lugar. O local era afastado das casas.

— Se isso pertence ao condomínio, como você pretendia construir uma casa na árvore aqui? — Foi o que Leo perguntou.

Então Calipso explicou que os administradores do condomínio haviam dado permissão para que a casa fosse construída, mas, em troca, Atlas teria que assumir total responsabilidade sobre aquela área verde. Teria que construir um jardim para o lazer dos moradores.

E foi por isso que Atlas acabou desistindo da ideia.

E Calipso acabou ficando sem a sua casa na árvore.

— Vamos subir? É bem legal a vista lá de cima. — Calipso se referia a árvore. Leo concordou.

A árvore não era muito alta, mas tinha um tronco bastante grosso. A copa era arredondada, mas não totalmente coberta de folhas. Os galhos eram bem compridos; e Leo percebeu que seria uma ótima árvore para se construir uma casa em cima.

O sol já estava se pondo quando Calipso e Leo sentaram cada um em um galho da árvore. Um de frente para o outro.

— Você tinha razão. — Leo começou. — Daqui de cima a vista fica muito mais legal.

— Muito. — Calipso balançava os pés para frente e para trás.

— Hm, você acha que se outra pessoa se responsabilizasse por esse lugar, os administradores do condomínio ainda deixariam que sua casa fosse construída?

— Provavelmente sim. — Calipso se acomodou melhor sobre o galho. — Desde que eles mesmos não tenham que investir nesse lugar, a proposta ainda está valendo. — Leo sorriu. — Mas por que a pergunta?

— Por nada. — Leo não conseguia parar quieto sobre o seu galho. A ideia que ele teve devia estar fazendo ele parecer mais hiperativo do que o normal. — É só por curiosidade mesmo. — Ele se mexeu novamente sobre o galho da árvore, que com um estalo se quebrou, fazendo Leo despencar em direção ao chão.

— Ah, meus deuses! — Calipso gritou. — Leo, você está bem? — Ela começou a descer da árvore em direção ao lugar que o garoto estava caído.

— Ai. Eu acho que sim. — Leo respondeu com um gemido. Ele ainda estava deitado no chão quando Calipso estendeu a mão para ajudá-lo a levantar.

Leo segurou a mão da garota e se pôs de pé, esfregando o ombro esquerdo.

— Tem certeza de que está bem? — Calipso insistiu.

— Tenho. Além do mais, eu caí com estilo. — Leo sorriu de lado, fazendo Calipso revirar os olhos.

— Só se for no estilo comedor de grama. — A garota gargalhou.

— O quê? Por quê?

— Seu cabelo e sua cara tem grama por toda a parte. — Ela se aproximou de Leo e começou a tirar a grama do cabelo dele.

— Acho que tem alguém aqui se aproveitando da situação. — Murmurou o garoto.

— Cale a boca, Valdez. — Calipso riu pelo nariz. — Agora só falta aqui. — Ela tirou um pouco de grama que havia na bochecha de Leo.

Os olhares deles se encontraram e Leo sorriu para Calipso.

— Obrigado. — Disse o garoto.

Eles estavam ainda bem próximos um do outro.

— De nada. — Respondeu Calipso. E continuou com os olhos fixos nos olhos de Leo.

E, pelos deuses, ela deveria estar ficando louca! Mas mesmo assim não hesitou.

Calipso puxou Leo pela camiseta o trazendo para mais perto dela e colou seus lábios aos dele.

No início Leo não sabia muito bem o que fazer, afinal, assim como Calipso, era a primeira vez que ele beijava alguém.

Mas quando Calipso passou as mãos dela pelo pescoço dele, Leo reagiu automaticamente. Ele passou as mãos pela cintura da garota, apertando levemente. Seus corpos só não estavam mais colados porque não era possível.

Aprofundaram o beijo. E quando Leo pediu passagem com a língua, Calipso prontamente concedeu.

Era um beijo calmo, mas ao mesmo tempo muito intenso.

Até que Calipso afastou Leo com um empurrão.

E ainda ofegante por causa do beijo ela disse:

— Finja que isso nunca aconteceu.

Calipso deu as costas ao garoto, que ficou lá, parado, sem entender nada do que havia acontecido.

Leo ainda podia sentir o gosto de Calipso em seus lábios. E estava meio atordoado com tudo o que havia acontecido. Não conseguiu pronunciar qualquer palavra antes que Calipso deixasse o lugar.

A garota seguiu correndo em direção a sua casa.

O rabo de cavalo balançando de um lado para o outro por causa do vento.

E em seus olhos, lágrimas que só ela entendia o significado.



Notas finais do capítulo

Hey!
Alguém aqui pronto para me ameaçar de morte nos comentários? hahah Espero que não! Pensem pelo lado bom... pelo menos teve beijo!
Estou curiosa para saber a opinião de vocês. Por isso, não esqueça de deixar o seu comentário, hein!?
Ah, quem quiser favoritar a fic, recomendar, ou fazer as duas coisas... fique à vontade! #MovimentoFaçaUmaAutoraFeliz *risos*
Bom, era isso.
Nos vemos na próxima sexta ;)
Xoxo,
G a b i.



(30/10/2015)