Príncipe Às Avessas escrita por G a b i


Capítulo 3
Acho que eu quero ficar doente mais vezes.


Notas iniciais do capítulo

Olá!
Sexta-feira chegou e... aqui está mais um capítulo :)
Boa leitura.
Nos vemos nas notas finais!



Dois dias.

Exatamente dois dias que Leo não aparecia na escola.

Calipso estava intrigada. Muito embora ela estivesse feliz por não ter que aturar Valdez a seguindo pelos corredores da escola, contando piadas sem graça e lançando suas cantadas baratas, ainda assim, ela achava estranho ele não ter dado as caras na escola por tanto tempo.

Não que ela estivesse preocupada com ele. Jamais. Era só que Valdez nunca havia ficado tanto tempo assim sem ir à escola. Aliás, o garoto sempre foi um bom aluno, até porque sua bolsa de estudos dependia disso.

Calipso tinha certeza que algo relativamente importante estava por trás do sumiço de Valdez. E, querendo ou não, a Half Blood High School* era muito estranha sem o garoto por lá.

Valdez era o único dos alunos que falava com Calipso. Ela não tinha um amigo sequer naquele lugar — não que Valdez fosse seu amigo, mas enfim. Os garotos nem ousavam chegar perto dela, afinal, para eles, Calipso era como se fosse a "garota inacessível". Linda, rica e extremamente exigente. Só o olhar de "nem pense em falar comigo" que ela lançava aos garotos, já era suficiente para mantê-los afastados. E quanto as garotas? Ah, elas simplesmente não faziam questão alguma de manter uma amizade com Calipso. Ela era do tipo linda até vestindo aquele uniforme escolar horroroso, não precisava usar maquiagem, ficava bem em qualquer penteado e, vamos combinar, esses motivos já eram suficientes para Calipso ser odiada por todas as meninas da HBHS*.

Isso tudo quer dizer que nesses dois dias na Half Blood High School, era apenas Calipso e sua própria sombra. Ou seja, ela não falava com ninguém — a não ser com algum professor, caso isso fosse realmente necessário.

Calipso sentia falta de insultar Valdez. "O que será que havia acontecido com aquele idiota?" E foi então que ela — contrariando seu próprio pensamento de "eu não estou preocupada com ele" — resolveu tirar o sumiço de Valdez à limpo.

— Para a Bunker 9 Oficina Automotiva*. Sem perguntas. E dirija rápido. — Foi o que Calipso falou para o seu motorista assim que entrou no carro, quando estava saindo da escola. O homem apenas assentiu.

Assim que o carro foi estacionado em frente ao local, Calipso começou a reconsiderar a ideia absurda que teve. "O que diabos eu estou fazendo aqui?" Foi o que ela pensou. Ficou por um tempo em silêncio. O motorista sequer ousou perguntar algo, ele conhecia muito bem o jeito amável de Calipso.

A garota respirou fundo. Pegou sua mochila e abriu a porta do carro.

— Pretendo não demorar. Espere aqui. — E bateu a porta do carro.

***

A oficina era incrivelmente lotada de peças. Peças e mais peças. Peças para todos os lados, de todos os tipos, formas e tamanhos. Peças que Calipso nem sabia que poderiam existir em qualquer tipo de automóvel. Havia vários carros; e pedaços de carros para todos os lados. E graxa. Muita graxa. Óleo era o que não faltava pelo chão.

Ela foi adentrando o local se socando mentalmente por estar ali — e pior, estar ali a procura do garoto dos reparos.

— No que posso ajudar esta linda dama? — Calipso juntou as sobrancelhas. "Linda dama? Fala sério!"

— Hm, meu nome é Calipso. Estou procurando o Valdez. Ele está? — A garota o fitou. O homem estava sujo de graxa praticamente da cabeça aos pés.

— Meu nome é Hefesto. Sou o pai do Leo. — O homem sorriu de lado enquanto limpava as mãos com um pano qualquer. — Ele está, sim. Nossa casa fica lá em cima. — Fez um sinal com a cabeça apontando para uma escada que havia na oficina. — Você pode subir. Algo me diz que ele ficará melhor assim que ver você, Calipso.

"Você não deveria ter vindo." Foi o que a garota pensou. Mas ela apenas sorriu sem mostrar os dentes e disse:

— Ok. Vou vê-lo. Obrigada. — E começou a subir as escadas.

***

— PAI, PAI! EU DISSE QUE NÃO ERA UMA FEBRE QUALQUER! PAI, VOCÊ TÁ ME OUVINDO? A FEBRE AUMENTOU! EU ESTOU TENDO ALUCINAÇÕES! PAI, EU ESTOU VENDO A CALIPSO BEM NA MINHA FRENTE! AI, MEUS DEUSES, TER ALUCINAÇÕES É PERIGOSO. SOCORRO, EU SOU MUITO JOVEM PARA MORRER!

— Acabou? — Foi o que Calipso perguntou assim que Valdez parou de gritar como um louco. Ela estava escorada no batente da porta do quarto do garoto, com sua mochila sobre o ombro direito e os braços cruzados.

— Você não é uma alucinação? Eu não vou morrer por causa da febre alta? — Ele perguntou da sua cama. Estava suando embaixo de um monte de cobertores.

— Valdez, você é ridículo! — Calipso riu pelo nariz. — É claro que eu não sou uma alucinação e infelizmente acho que você não vai morrer. — Ela se aproximou mais, ficando de pé aos pés da cama do garoto.

— Como você sabe?

— Você está suando como alguém que correu uma maratona. Está mais do que óbvio que sua febre está baixando. — Calipso revirou os olhos.

— Ah. — Foi tudo o que Valdez conseguiu dizer. Ele ainda estava confuso com o porquê de Calipso estar ali, na casa dele, no quarto dele.

— Então... — A garota começou. — Você não tem ido à escola por que está doente?

— Sim. Sabe, eu andei pegando uma chuva forte alguns dias atrás e de brinde ganhei um enorme resfriado. — Calipso ficou meio sem graça. E sentiu-se um pouco culpada por ter feito o garoto ir para casa sem ao menos ter dado a ele um guarda-chuva naquele dia.

— Bem, mas você já está melhor agora, não está? — A garota não olhava Valdez nos olhos, ela observava nos mínimos detalhes o quarto do garoto.

— É, estou melhor agora que você chegou. — Ele sorriu, tirando alguns dos cobertores de cima dele.

— Você é mesmo um idiota! — Calipso revirou os olhos.

— Mas você se preocupa com esse idiota aqui, senão não teria vindo. — Calipso ficou com a boca entreaberta. Dessa vez ela não sabia o que responder. — O que foi? Não vai me insultar?

— Eu te odeio. — Sorriu sem mostrar os dentes.

— É, eu sei. Você sempre me fala isso. Apesar de que eu acho que não é verdade.

— Você é irritante. E eu não deveria ter vindo. Espero te ver na escola amanhã. Não seria legal você perder a bolsa de estudos que o meu pai conseguiu para você. — Ela virou as costas e foi andando em direção a porta.

— Calipso, espera! — Valdez gritou. A garota bufou e parou no meio do caminho, voltando a sua atenção para ele.

— O que foi agora?

— Será que você poderia, pelo menos, fazer o favor de colocar o termômetro em mim? Já está na hora. E se eu estiver com febre ainda, preciso tomar outro remédio.

— Ok. Mas só porque você está doente. E não tente nenhuma gracinha, seu idiota. — Valdez assentiu com um sorrisinho nos lábios. Calipso largou sua mochila sobre a cama do garoto e foi pegar o termômetro que estava na escrivaninha. — Abra a boca. — E colocou o termômetro.

Enquanto Calipso esperava a hora de tirar o termômetro do garoto, ela caminhava pelo quarto, prestando atenção em cada detalhe.

Já Valdez... Bom, a única coisa, ou melhor, pessoa, para quem ele tinha olhos, era Calipso. Ele não sabia explicar como isso acontecia, mas ela não fazia esforço algum para ser linda. Ela simplesmente era linda e ponto final. Sem contar que o delicioso cheiro de canela da garota estava preenchendo todo o quarto conforme ela se movimentava. Calipso era perfeita.

Valdez parou de babar por Calipso assim que o termômetro apitou. Ela se aproximou dele, pegando o termômetro.

— 36.5°, ou seja, sem febre. — Valdez sorriu. Calipso guardou o termômetro. — Agora tchau.

— Hm, obrigado. — Ele disse enquanto Calipso pegava sua mochila e caminhava em direção a porta.

— Não se acostume, Valdez. Só sou legal assim com as pessoas quando elas estão doentes. — Ela deu de ombros e saiu do quarto.

— Acho que eu quero ficar doente mais vezes. — Foi o que ele disse. Mas Calipso já havia descido as escadas.



Notas finais do capítulo

*Half Blood High School (HBHS): É uma escola fictícia que eu criei para usar aqui na fic.
*Bunker 9 Oficina Automotiva: Oficina fictícia onde Hefesto, pai de Leo, trabalha.

Oi, novamente.
Obrigada se chegou até aqui.
Espero que tenha gostado do capítulo de hoje :)
Que tal deixar um comentário? Eu adoraria saber o que você achou!
Até sexta-feira que vem o/.
Xoxo,
G a b i.


(09/10/2015)