Príncipe Às Avessas escrita por G a b i


Capítulo 10
Nossa casa na árvore.


Notas iniciais do capítulo

Oi.
Queria muito ter postado na terça-feira, sério. Mas não tive os 7 comentários :( Achei até injusto com as meninas lindas que estão sempre aqui comentando. MAS... eu também achei injusto - ainda acho - ver que agora tem 30 pessoas acompanhando a fic, mas nem a metade se dá ao trabalho de comentar sequer UMA vez que seja. Isso também pesou muito na minha decisão. Por isso não postei.
Bom, hoje é sexta. E como eu não sou o tipo de pessoa que não cumpre prazos... aqui está o capítulo que fez algumas de vocês quase quererem me matar para tê-lo antes.
Capítulo grandão, me amem u.u
Até as notas finais. Boa leitura!



A parte mais fácil foi explicar a Hefesto o motivo pelo qual ele, Leo, teria que sair àquela hora da noite para ir à mansão de Atlas. Seu pai concordou com tudo e ainda disse que daria o dinheiro para que Leo pegasse um táxi.

A parte difícil estava sendo encontrar as lanternas.

Está certo que o condomínio possuía postes que iluminavam o local à noite, mas o problema era que a área verde do condomínio ficava mais afastada das casas, e isso significava que àquela hora estaria bem escuro por lá.

Leo procurou as lanternas pelo quarto inteiro. Caixa de ferramentas; nada. Caixa de "coisas que eu ainda posso precisar"; nada. Caixa de "coisas que precisam de pilhas"... E nada também. Nem sinal das lanternas.

Leo procurou até dentro da "gaveta de meias". Mas ao invés de encontrar o que ele procurava, acabou encontrando aqueles pequenos pedaços de folhas velhas daquele diário de Calipso que já nem existia mais.

O garoto sorriu assim que pegou os papéis na mão. Engraçado como agora cada palavra daquilo fazia sentido. Guardou-os no bolso da calça jeans (Leo já havia colocado outra roupa), e sentou-se sobre a cama.

Em que lugar daquele quarto ele ainda não havia procurado aquelas malditas lanternas?

Foi então que ele se lembrou: "A caixa das coisas importantes".

Ajoelhou-se no chão e puxou uma caixa em forma de baú que ficava embaixo da cama.

Abriu.

E lá estavam elas... Duas lanternas grandes e ainda por cima funcionando! O porquê de tê-las guardado ali nem mesmo Leo lembrava. Estavam guardadas entre fotos e outras coisas da época em que Leo ainda era criança.

Colocou as lanternas sobre a cama e empurrou a caixa de volta para o lugar.

Depois de pegar sua mochila e colocar tudo o que precisava dentro (carteira, chaves da casa, carregador de celular e as lanternas), Leo desceu até o andar de baixo para esperar o táxi que havia chamado.

No caminho para a casa de Calipso, recebeu uma mensagem da garota. Ela perguntava o que havia acontecido com aquele "te ligo mais tarde". Leo riu e respondeu "estou ocupado, babe. Daqui a pouco a gente se fala." Calipso respondeu apenas um "ok".

O garoto voltou a rir no banco traseiro do táxi. Podia imaginar Calipso revirando os olhos por estar sendo "ignorada".

Quase meia hora depois, o táxi estacionou em frente ao condomínio que Calipso morava. Leo pagou o motorista e desceu do carro carregando a mochila nas costas.

Por volta das 10h30 da noite, o garoto tocou a campainha da casa. A própria Calipso, que àquela hora da noite já vestia uma camisola, foi quem abriu a porta para Leo, após ter se certificado de quem era através do "olho mágico".

— O que está fazendo aqui a essa hora, Valdez?

— Nós vamos sair. — O garoto respondeu, adentrando a casa. — E a propósito, bela camisola do Mickey.

— Idiota. — Calipso revirou os olhos e fechou a porta, trancando-a. — Você atrapalhou o filme que eu estava assistindo. E além do mais, o que te faz pensar que eu vou aceitar sair com você a essa hora? — Cruzou os braços e encarou Leo com uma das sobrancelhas arqueada.

— Você me ama, babe. Claro que vai aceitar. — Sorriu de lado, debochando.

— Eu odeio você! — Calipso retrucou. E começou a subir as escadas em direção ao seu quarto.

Leo a seguiu.

— O que você vai fazer? — Questionou.

— Não sei aonde vamos, mas acho que você não vai querer sair com uma garota que está vestindo uma camisola do Mickey. Estou certa? — Leo riu e Calipso continuou. — Anda, escolhe uma roupa para mim. — Falou, abrindo o guarda-roupa.

— Eu?

— Sim, você. Ou tem mais alguém além de nós dois aqui? — Ironizou.

— Tudo bem, tudo bem.

Leo foi em direção ao guarda-roupa de Calipso. Mexeu por alguns segundos em algumas peças, até que escolheu um look: Uma legging preta e uma blusinha larga, cinza e com a estampa do Mickey. Leo adorava mesmo implicar com Calipso!

Quando o garoto se virou em direção a ela para entregar-lhe as peças de roupa, quase caiu para trás. Os olhos de Leo quase saíram das órbitas quando ele viu Calipso apenas de calcinha e sutiã na frente dele.

A garota sorriu, divertindo-se com a cara de espanto de Leo, e o encarou dizendo:

— O que foi, Valdez? Algum problema para escolher as roupas?

— N-Não. — Gaguejou. — Eu já escolhi. — Leo tentava manter os olhos fixos no rosto de Calipso, mas estava sendo praticamente impossível não olhar para o corpo quase nu da garota a sua frente.

— O que foi? Eu precisava tirar a camisola para vestir a roupa, não precisava? — Falou, estendendo a mão para que Leo lhe entregasse as roupas.

— Eu pensei que você fosse esperar eu sair para se trocar.

— Só se eu fosse ficar nua, o que não é o caso. — Disse, vestindo a calça.

— Você poderia fazer isso mais vezes. Eu não ia me importar. — Propôs. Aquele sorriso travesso nos lábios.

— Desse jeito até parece que você nunca viu uma garota de biquíni na sua frente, Valdez. — Calipso riu.

— Você não está de biquíni. — Retrucou.

— Dá no mesmo. — A garota respondeu enquanto vestia a blusa. — Só o tipo de tecido que é diferente.

— Ah, tanto faz. Na verdade, quanto menos tecido estiver em você, melhor. — Se aproximou de Calipso, mas antes que ele fosse beijá-la, a garota o empurrou.

— Que cantada mais ridícula, Valdez. E eu não vou beijar você. — Disse, indo em direção ao armário onde guardava os calçados.

Colocou seu All Star preto e soltou os cabelos.

— Pronta? — Leo perguntou, tirando as lanternas de dentro da mochila. Calipso assentiu. — Pegue isso. — Falou, entregando uma lanterna para ela.

— Eu realmente espero que você não esteja me levando para assaltar casas. — Riu.

— Relaxa, babe. É uma surpresa pra você. E nem vamos sair aqui do condomínio.

***

Quando Calipso percebeu que o caminho que estavam seguindo era em direção à — até então inutilizada — área verde do condomínio, a garota se agarrou ainda mais ao braço de Leo devido ao escuro. O garoto, obviamente, não reclamou.

Calipso estava curiosa quanto a tal surpresa, mas parou de questionar Leo quando o garoto respondeu pela terceira vez seguida "espere e verá".

Quando chegaram ao local, até Leo se surpreendeu ao ver que o mesmo ainda estava cercado por madeiras que formavam uma espécie de paredes rosadas.

Ao lado esquerdo havia uma porta.

Iluminando o local com suas lanternas, Leo e Calipso perceberam uma corrente e um cadeado grande.

— Eu não esperava por esse pequeno atraso. — Leo murmurou.

— Você pretende que nós entremos aí? Está trancada, gênio. — Calipso ironizou.

— Um simples cadeado não vai parar Leo Valdez. — Se gabou.

Leo tirou um canivete suíço de dentro da sua mochila e começou a "trabalhar".

— Você sabe que arrombar isso é tecnicamente uma invasão, não sabe? — Calipso questionou.

— Não quando a filha de Atlas é a mais nova dona de uma coisa que está por detrás dessa porta. — Ela o olhou meio desconfiada. Leo sorriu e mostrou o cadeado e a corrente em suas mãos. — Primeiro as damas com medo de escuro. — Fez uma reverência para que Calipso seguisse adiante.

Calipso passou pela porta e ficou ao lado direito da mesma, esperando que Leo colocasse a corrente e o cadeado novamente no lugar pelo lado de dentro do local.

Depois de trancar a porta novamente, Leo entrelaçou sua mão a de Calipso. A garota não reclamou.

— Mantenha a luz da sua lanterna o mais perto possível do chão para não tropeçar. E não se preocupe, logo já teremos luz.

— Tudo bem. — A garota assentiu, e eles começaram a seguir uma trilha de pedras que havia por entre o jardim.

Caminharam poucos minutos pelo lugar, somente à luz de suas próprias lanternas, mas esse pouco tempo foi o suficiente para que Calipso notasse uma mudança no que antes era uma simples área verde inutilizada.

— Não deveríamos estar aqui. — Calipso disse. — Parece que estão fazendo algumas mudanças. Uma obra, talvez. — Deduziu. — Você notou a diferença desde a última vez que estivemos aqui? Estiveram plantando.

— Eu sei. — Leo respondeu. — E a construção já está pronta.

— Como você sabe disso? — Questionou, parando no meio do caminho e apontando sua lanterna para o rosto de Leo.

— Porque eu mesmo construí. — Respondeu, apertando os olhos por causa da luz da lanterna de Calipso. — Com a ajuda de algumas pessoas, é claro.

— E o que é? — A garota indagou, curiosa.

— A sua surpresa. — Disse simplesmente. — Mais cinco passos à frente. Vamos apontar as lanternas juntos, na direção à altura de nossas cabeças, e você verá. — Leo explicou. — Pronta?

Calipso assentiu.

Eles deram mais cincos passos e Leo contou até três. Então apontaram suas lanternas na direção que o garoto havia mencionado.

Um silêncio dominou o local.

Leo esperava ansiosamente uma reação por parte de Calipso.

— Aquilo é... — A garota hesitou por um instante. — Construíram uma casa na árvore aqui?

— Essa é a sua surpresa. — Leo afirmou.

— Você está me dizendo que aquela casa é minha? — Perguntou como se ainda quisesse ter certeza do que estava acontecendo.

— Aquela casa na árvore é toda sua. — Confirmou.

E bastou o garoto terminar a frase para que fosse surpreendido pelo o que ele pensou ser o abraço mais forte que já havia ganhado em toda a sua vida.

Calipso o envolveu em um abraço tão apertado, que parecia que os ossos de Leo iriam se quebrar.

Àquela hora não havia mais escuro que amedrontasse a garota. Era só ela e Leo no meio de um jardim escondido pela noite, e um sentimento que apenas um simples "obrigada" não poderia descrever.

— Isso foi a melhor surpresa que você poderia ter feito. — Foi tudo o que Calipso disse.

Leo sorriu e depositou um beijo na testa da garota.

— Vamos. — Ele disse, pegando a mão de Calipso novamente. — Vamos subir até lá.

Ainda de mãos dadas e com suas lanternas ligadas, Calipso e Leo subiram uma das escadas da casa na árvore.

— Espero que não esteja trancada. Eu ainda não tive tempo de pegar a chave. — Foi o que garoto disse enquanto girava a maçaneta da porta e torcia para que a mesma não estivesse trancada. — Pronto. — Falou assim que a porta, feita de uma espécie de madeira rústica, se abriu.

Leo esticou seu braço em direção ao interruptor que ficava ao lado direito da parede de dentro da casa.

As luzes se acenderam e ele falou:

— Entre, a casa é sua.

Calipso sorriu e fez o que o garoto havia pedido.

A casa era minúscula se comparada ao segundo andar da estufa de flores que pertencia à Calipso. A garota nem havia voltado lá desde aquele incêndio. O lugar ainda estava para ser reformado.

A mais nova surpresa que a garota tinha acabado de ganhar não possuía mais do que 11 metros quadrados, mas a decoração era incrivelmente parecida com a do antigo segundo andar daquela estufa.

Calipso andava pela casa, maravilhada. Um sorriso enorme no rosto. Atenta a cada pequeno detalhe do seu novo lugar favorito.

Leo havia largado sua mochila em um canto qualquer do lugar e fechado a porta atrás de si. Agora ele observava Calipso tocar com delicadeza cada objeto que decorava a casa.

Era tudo exatamente como a garota gostava. Vasinhos de flores espalhados por prateleiras e até mesmo suspensos por correntes no teto. Nas paredes, de um marrom-amadeirado, quadros com várias paisagens naturais. Uma mesa com todos os materiais que Calipso usava para desenhar e pintar, juntamente com uma tela e duas cadeiras. Havia também uma pequena estante para que a garota pudesse guardar seus livros favoritos.

Mas o que mais chamou a atenção de Calipso foi um mural de fotos.

Ela se aproximou do mesmo e tocou a única polaroid que estava presa ao mural até então.

Uma foto de Leo.

— Juro para você que eu não coloquei isso aí. Você pode tirar, se quiser. — Leo falou, ficando ao lado da garota e encarando o mural. Podia apostar que aquilo tinha sido ideia de Piper.

— Eu não quero tirar. Gostei dessa foto. — A garota buscou os olhos de Leo e sorriu. — Acho que dizer obrigada não é o suficiente, mas, obrigada, Leo. Eu amei cada detalhe desse lugar.

E novamente lá estava aquele abraço gostoso. O melhor abraço do mundo. Aquele cheiro delicioso de canela que só Calipso tinha, invadindo as narinas do garoto.

Leo pensou que gostaria de congelar aquele momento. Ou, talvez, tirar uma foto e colocar naquele mural.

Como ele gostava de ficar assim, junto daquela garota, vendo-a feliz e sorrindo.

Depois de soltar-se de Leo, a garota o beijou carinhosamente na bochecha.

— Você não precisa agradecer. Eu não fiz nada disso sozinho. — Segurou a mão de Calipso e a puxou para sentar-se sobre um enorme puff verde que ficava no cantinho da casa.

Leo envolveu seus braços em volta de Calipso, que estava sentada entre as pernas dele.

— Eu ainda vou querer que me conte como fez tudo isso e quem foi que te ajudou.

— É meio que uma longa história, mas vamos ter tempo para falar sobre isso, amanhã.

— Tudo bem. — Calipso concordou.

— Hm, posso te pedir uma coisa?

— O que você quiser. — Leo riu. — Quer dizer, tome cuidado com o que vai pedir, Valdez. — A garota o advertiu.

Leo Valdez podia ter ideias bem esquisitas, às vezes.

— Posso ter mais fotos minhas no mural da sua casa? — Pediu.

— Não.

— O quê? Por quê? Isso é injusto. — Protestou.

— Fotos nossas. — Calipso riu.

— Hey, quem faz piadinhas aqui sou eu. Não tente roubar o meu posto.

— Você não pode estar falando sério. — Virou-se de lado para que, ainda sentada entre as pernas de Leo, pudesse ver o rosto do garoto. — Suas piadas nunca têm graça. — Alfinetou.

— A sua também não teve. — Leo provocou, fazendo Calipso revirar os olhos.

— Idiota.

— Ok. Já que você me ama tanto desse jeito... — Calipso socou de leve o ombro do garoto. Como podia ser tão convencido? — Fotos nossas no mural da sua casa na árvore.

Calipso fez que não com a cabeça.

— Fotos nossas no mural da nossa casa na árvore. — Corrigiu, puxando Leo para um beijo.



Notas finais do capítulo

Oi, de novo :)
Então... o que acharam?
Se fossem usar uma única palavra para definir esse capítulo, qual palavra seria? Comentem! Quero muito saber a opinião de vocês.
A fic está chegando ao fim (por isso o termo "short fic" lá no disclaimer). Terá mais 2 capítulos pela frente e também o Epílogo. Ou seja, mais 3 semanas e a história acaba.
Espero que vocês tenham gostado. E também espero que alguns fantasmas deixem de ser fantasmas pelo menos uma única vez que seja.
Bem, era isso.
Xoxo,
G a b i.



(27/11/2015)