SeuSegredo. Com escrita por Panda Chan


Capítulo 18
Procura-se


Notas iniciais do capítulo

Olá bolinhos, tudo bem com vocês?
Estou me sentindo um pouco culpada por ter matado a pobre Beth, mas bem pouco mesmo. HAHAHA PANDA AMA VOCÊS ♥
Gostaria de deixar avisado que nesse capítulo vão ter cenas com internetês, é proposital.
Boa leitura



“Duas pessoas só guardam um segredo se uma delas estiver morta.

Elizabeth Wellis era um número invisível, o que significa que não era convidada para festas na piscina e sempre que alguém esbarrava nela no corredor não se desculpava porque nem percebia.

Talvez ela tenha pedido por socorro para alguém, mas essa pessoa também não a enxergou o suficiente para ver que era um pedido.

Sinto muito por não ter enxergado seu sofrimento, Elizabeth.

Entretanto, sempre a vi.

Elizabeth, Jeremy e eu compartilhamos um segredo. Surpreso, Jeremy? Não deveria.

Acontece que a pobre Beth descobriu aquilo que o nosso garotão não queria que ninguém soubesse e passou a ser ameaçada por ele como punição. Alguém ousa defende-lo e dizer que não percebeu como ele a maltratava, mandava bilhetes maldosos e humilhava sempre que possível? Creio que essas foram as poucas vezes em que Beth se tornou totalmente “visível”.

Eu guardei o seu segredo pela Beth, Jeremy. Infelizmente, sempre tive consciência de que ela era a única pessoa que sabia e quando descobri – sozinha, diga-se de passagem – não revelei para ela não ser afetada. Isso acaba agora.

Duas pessoas só guardam um segredo se uma delas estiver morta, eu estou viva e te denunciando.

Jeremy gosta de garotos e ouso dizer que como ele te, tanto “asco” disso deve ser o passivo da relação.

Sejam venenosos e rezem pela alma da pobre Beth.

Beijinhos, Secret.”

O diretor Gregory concedeu a todos os alunos dois dias de folga – um quando encontraram o corpo da pobre Beth e outro no enterro dela. Não fiquei surpresa ao ver que Lucca e eu éramos os únicos alunos do Saintine presentes e confirmei tudo que estava na carta de suicídio dela pessoalmente ao ver seus pais.

A polícia de Oasis acompanha o blog, eles viram a carta no bolso da garota e mesmo assim não investigaram o caso ou tentaram afastar o pai dela da mãe. Vê-los ignorar a morte dela e a razão pela qual cometeu tal ato só me faz querer vomitar.

Ver os familiares dela chorando enquanto velavam seu corpo só serviu para criar questionamentos em mim. Será que ela alguma vez fez de uma daquelas pessoas sua confidente? Pediu por ajuda e foi ignorada? Quantos dos presentes realmente se importavam com ela e quantos vieram apenas para não parecer feio?

— Nana Banana? – Lucca me acorda do meu devaneio com um milk-shake de morango em mãos.

— Obrigada – pego o copo das mãos dele e fico grata pelo frio que emana dele diretamente para meus dedos.

Lucca fecha a porta do carro e deixa o saco pardo do fast-food em meu colo. Não demora muito para que o motor ganhe vida e ele comece a dirigir em direção a trilha tão familiar.

— Sinto que você precisa de mais do que apenas milk-shake e batatas-fritas, mas não quer assumir.

Ele está certo, fui tola se acreditei por cinco segundos que meu silêncio e cara de desanimo passariam despercebidos para meu melhor amigo.

— Só não estou lidando bem com toda essa situação – suspiro – Conversei com a Beth algumas veze e ela nunca me pediu ajuda, eu só...

Desisto de falar e tomo um grande gole do meu milk-shake. Lucca não precisa das palavras não ditas para compreender o que quero dizer.

— Ninguém tem culpa pelo suicídio dela, não adianta pensar em nada que comece com “e se”. Ela teria pedido ajuda pra você se desejasse.

— Eu deveria saber.  A Beth era um número invisível, minha responsabilidade.

Lucca estaciona o carro perto da margem do rio onde brincávamos quando crianças ao mesmo tempo em que lágrimas ameaçam sair dos meus olhos para desbravar o rosto.

— Sua responsabilidade? – ele olha em meus olhos, sinto um calor súbito que percorre meu rosto – Anna, você não tem culpa pelos problemas do mundo inteiro.

— A Secret deveria ter desmascarado o Jeremy e exposto o bullyng quando ainda havia algo a se fazer.

— Jeremy não deveria ter iniciado o bullyng, só pra começar. Ninguém tem culpa pelo que ela decidiu.

Tudo que consigo pensar é que Jeremy tem culpa, ele pode não ter empurrado ela do telhado da escola, mas foi quem a jogou no abismo. O pai dela também tem culpa por ter esgotado o psicológico dela e a mãe por não ter a ajudado.

Quantas pessoas têm culpa indiretamente pela morte de alguém e não percebe? Existe algum tipo de aviso que você está ultrapassando os limites? Como saber qual é o limite de alguém?

É possível viver sem machucar ninguém?

Lucca fica em silêncio tomando milk-shake e comendo batata-frita comigo até o milk-shake acabar e só restar sal no fundo da embalagem.

Ele nunca me deixa só.

Acordei com braços fortes rodeando minha cintura como um cinto de segurança que me impede de cair de vez no lado negro da força e sei que realmente são. Dormir na casa do Lucca traz paz.

O celular da Secret vibra no criado-mudo, me desvencilho dos braços do meu melhor amigo e o pego.

Fiquei surpresa com a quantidade de imagens do corpo da Beth que foram enviadas para o blog e me vi obrigada a pedir que parassem de manda-las.

A mensagem que recebi na verdade é um e-mail do Gustavo com os últimos comentários que o blog recebeu. É vergonhoso assumir, mas nem a Secret está preparada para lidar com os comentários sobre o suicido.

Não sei o que me motiva a abrir o e-mail e começar a ler, mas quando dou por mim já passaram vinte minutos e muitos e-mails lidos.

XoxoCat: Eu vi esa garota algumas vezes pelo corredor da iscola, paresia infeliz.

Fico realmente supresa que a XoxoCat frequente a escola com um português como esse.

Jojoe: Acredito que o Jeremy tenha culpa nisso, o cara vive desmerecendo os homossexuais pra esconder que é um. Sempre soube! #SaiDoArmárioJeremy  #SeJogaNosBoyViado

Kellylicious: Esperava mais de você, Secret. O Jeremy é muito homem e como namorada dele posso garantir muito bem.

Mamah em resposta ao comentário de Kellycious: Eu também posso e nem sou namorada.

PatriciaF em resposta ao comentário de Kellycious: Eu também posso e nem sou namorada/ 2.

Steph em resposta ao comentário de Kellycious: Eu também posso e nem sou namorada/ 3.

Lari em resposta ao comentário de Kellycious: Eu também posso e nem sou namorada/ 4.

Havia outros quinze comentários com a mesma mensagem em resposta ao da Kelly. Fiquei com um pouco de pena dela por isso, mas bem pouco mesmo.

Os e-mails me mostraram que as pessoas estão realmente divididas nesse assuntos. Alguns acham que eu fiz mal ao expor Jeremy como se o bullyng dele não estivesse estampado para todos verem, outros acham que ninguém tem culpa e que precisamos de um projeto anti-bullyng no Saintine enquanto um pequeno grupo diz que inventei toda a história sobre Jeremy.

Li também algumas mensagens com fofocas e descobri que Jeremy se isolou em casa desde a quinta-feira.

“Procura-se  Jeremy Hevis.

Testemunhas relataram que a última aparição pública do senhor Hevis foi na quinta-feira pela manhã quando ele foi até os portões do Colégio Católico Saintine Marie e os encontrou fechados graças a investigação da polícia sobre o suicídio de Elizabeth Wellis.

Como a grande investigadora que sou, formada em dois tipos diferentes de CSI – Las Vegas e Miami -, e estudante exemplar no CSI New York criei a seguinte teoria: nosso recém-assumido por livre e espontânea pressão está envergonhado.

Parece que a fama de garanhão traz muitas vantagens, mas se livrar do julgamento por ter sido um babaca que faz bullyng não é uma delas.

Saia do armário, Jeremy. Ops! Da porta de casa.

Sejam venenosos.

Beijinhos, Secret.”

— Anna, o que faz acordada? – Lucca esfrega os olhos com as mãos e olha pra mim sentada no chão com o celular em mãos.

— Postagem da madrugada, nada de importante.

— Então vem pra cama – a voz dele está rouca de sono, o rosto inchado e os cabelos bagunçados.

Essa é uma visão do Lucca que não gostaria de dividir com ninguém e graças aos namoros relâmpagos dele nunca precisei.

Algo em mim se contrai quando me lembro das namoradas que ele teve e de como elas poderiam ter roubado esse momento de mim.

— Claro, já vou.

Deixo o celular plugado no carregador e vou até a cama deitar ao seu lado.

— Muito bem, Nana Banana.

Ele não reclama quando puxo uma parte do cobertor e deixo seus pés de fora, apenas passa os braços pela minha cintura e volta a dormir calmamente.

Mabel: A Secret não devia se envolver com o Jeremy, ela é uma vaca.

Clarissa: Anna me segura antes que eu arranque os cabelos da Mabel!

Clarissa: Se o Jeremy não queria ser julgado não devia ter feito o que fez com a Beth. VC viu como ele a maltratou pros amigos rirem.

Anna: Aqui é o Lucca, a Anna está dormindo e vcs têm que parar de enviar mensagem porque o toque do cel dela está me enlouquecendo.

Clarissa: LUCCA???? VC E A ANNA DORMIRAM JUNTOS? COMO ASSIM?

Clarissa: QTS ANOS EU DORMI?

Mabel: Você e a Anna estão namorando?

Anna: Não estamos e eu vou sair do grupo, vocês colocam a Anna de volta depois.

Você saiu do grupo.

Clarissa te adicionou.

Clarissa: MEU QUERIDO, UMA VEZ NA MÁFIA NÃO SE SAI DELA. O MSM VALE PRA GRUPO!

— Desisto – Lucca me entrega o celular – Elas não calam a boca.

— Deixe-as de lado – desligo o aparelho e deito com a cabeça no peito dele.

— O que vamos fazer hoje? – ele pergunta.

Pensei muito durante a madrugada e realmente não pude fazer nada pela Beth, porém ainda posso fazer algo pelos outros invisíveis denunciando os valentões e dando uma noite onde eles não serão excluídos.

— Temos que planejar um baile.



Notas finais do capítulo

A Anna supera o luto pensando em vingança, mas alguém acha que esse não é um bom método?
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Obrigada por ler a fic, aguardo seu comentário :D
Beijos de coca-cola jovem bolinho de amora.