Dear God, I'm Alone escrita por Joke


Capítulo 1
Primeira Noite


Notas iniciais do capítulo

Oi povo bonito, como estão?
Aqui estou eu com mais uma fic sobre o casal mais insano de todos os tempos, porque amor de OTP a gente tem que compartilhar com o mundo ♥
Boa leitura!




Harley Quinn olhava fixamente para a parede paralela à cama. Abraçava as pernas com força, buscando nelas algum consolo em meio ao lugar pouco receptivo onde se encontrava. O vento ao lado de fora do prédio fazia um assobio baixo e irritantemente persistente.

— Por que você não cala a boca, droga?! – Tapou os ouvidos com violência exagerada, tombando o corpo para o lado esquerdo a fim de se encolher no colchão fino e desconfortável. – Apenas me deixe em paz... – A loira choramingou, sentindo uma lágrima rolar pelo canto do rosto.

Eu também nunca gostei desse barulho, sempre me atrapalhava enquanto fazia os relatórios.

Surpresa, Quinn saltou da cama num pulo, estendendo ambos os punhos sobre o rosto em posição defensiva.

— Quem está aí? – Demandou em tom incerto. Suas mãos doíam tamanha a força com que cerrava os dedos, que adquiriam aos poucos uma coloração avermelhada. – Pudinzinho? – Arriscou, depois de não obter uma resposta.

Acha que sou ele? Céus, Harley, olhe no que você me transformou...

A voz a repreendia em tom irritadiço. Harley era até mesmo capaz de sentir a ira naquelas palavras, como se fossem mãos se fechando em seu pescoço violentamente. Analisou cuidadosamente toda a cela, mas não tinha como mais alguém estar lá. O portão de aço do pequeno cubículo não tinha nada além de uma pequena janela de vidro blindado. As paredes então... Apenas aço e concreto.

Quem a estava provocando daquela maneira? E como? Seria seu pudinzinho que brincava novamente com ela, querendo tortura-la um pouco antes de vir diretamente ao seu resgate?

Dificilmente.

Foi então que compreendeu...

Sentiu minha falta?

— Harleen... – as palavras saíram involuntariamente pelos lábios de Quinn, que imediatamente fechou os olhos e começou a forçar outros pensamentos para tomarem o lugar da voz da médica. – Não é real, ela se foi, não é real! Você a expulsou da última vez que esteve aqui... Ela se foi!

Sinto muito, mas continuo aqui. Quando fugiu com aquele psicopata, tudo o que você fez foi me bloquear junto a todas as suas memórias sobre o Arkham. Agora que está aqui de novo, eu também estou.

— NÃO! – o urro de raiva veio rasgando a garganta da palhaça. Aquilo não poderia estar acontecendo... Precisava sair daquele lugar o quanto antes, senão temia por coisa pior. – Sai da minha cabeça!

Não, Harley, pois é VOCÊ quem invadiu minha cabeça, e agora que recuperei minha voz, vou lutar por ela!

De repente, Harley sentiu as pontas dos dedos formigarem. Ela observou, curiosa, o dedo médio da mão esquerda se contrair involuntariamente. Logo em seguida, os outros dedos acompanharam o primeiro, parecendo terem se rebelado contra o resto do corpo.

­— O que você está fazendo? – Indagou Harley, perdendo a voz com a cena. – C-como...?

Está surpresa? Pois espero que se acostume, já que isso é só o começo. Aqui no Arkham, sozinha e longe daquele palhaço sádico, você é fraca, enquanto eu me fortaleço com todas as lembranças que tenho daqui.

— Não vou deixar que faça isso, doc – as palavras eram duras e frias, saindo esganiçadas da boca da paciente. – Vou destruí-la primeiro! – Assegurou firmemente.

A voz de Harleen Quinzel soltou uma risada de desdém, irritando ainda mais Quinn.

Ah, Harley, não me admira que o Joker tenha te largado aqui... Você é tão estúpida.

— CALA A PORRA DA BOCA! – Ordenou Harley à voz. Sua cabeça latejava, resultando numa incômoda dor de cabeça. Os olhos pesavam, querendo fechar contra a vontade da palhaça. – Pudinzinho, por favor, me tire daqui!

Chame o seu “pudinzinho” o quanto quiser, mas ele não vai vir aqui te resgatar, sua tola. Aquele louco não liga pra mais ninguém além dele mesmo.

— Está mentindo! – Protestou Harley de maneira infantil, batendo o pé no chão como uma criança faria num berreiro. – Meu pudim se importa comigo! E ele virá!

Ficar repetindo isso pra você mesma não vai tornar esse delírio em algo verídico.

Os gritos de Harley Quinn eram tão altos, que muitos pacientes acordaram com o barulho, ocasionando num grande tumulto na ala do Tratamento Intensivo. Enfermeiros plantonistas acompanhados de alguns guardas do hospício adentraram pelos corredores à passos largos.

­— O que raios está acontecendo aqui? – Quis saber um dos guardas, perguntando diretamente ao enfermeiro chefe.

—É Quinn, parece que está tendo um primeiro dia agitado.

— Agitado o bastante para usar isto? – Questionou novamente o homem, pegando o porrete do cinto. - Não sou a favor da violência gratuita.

— Não subestime Harley Quinn, pode ser o último erro que cometerá na vida.

Mesmo o som dos passos ecoando alto ao longo do corredor principal, Harley foi incapaz de ouvi-lo. Sua voz estridente cobria com extrema facilidade qualquer ruído próximo de sua cela.

É o fim pra você, Harley. A partir de hoje, quem assume o controle sou eu.

—Você não é nada, Quinzel! – Rebateu a palhaça, sorrindo pela primeira vez desde que teve inicio seu ataque histérico. – Eu já te calei uma vez, posso muito bem fazer de novo!

— Quinn! Pare já com esse berreiro! – Um dos enfermeiros exigiu, mas sem se atrever a abrir o portão de ferro logo de imediato.

Olha só, parece que você tem companhia.

— Fiquem longe de mim! – Harley advertiu os homens que começavam a adentrar em sua pequena cela. Conforme iam se aproximando, a paciente recuava, até deparar-se com a extremidade mais distante de onde se encontrava o portão. – Se encostarem um dedo em mim, vão se ver com o meu Mr.J!

Acho que eles vão arriscar.

E Harleen estava certa... Mesmo com as ameaças de Quinn envolvendo o temido Príncipe do Crime, ninguém pareceu acreditar em suas palavras. Eles avançavam devagar de maneira contínua.

—Fique como está, Quinn, assim não precisaremos mudar o clima amistoso que estamos agora, certo? – O enfermeiro principal tentou persuadir Harley, distraindo-a na esperança de esta não perceber o guarda que se aproximava preparado para imobilizá-la.

Porém, ao contrário do previsto, a paciente estava ciente da aproximação do homem fardado, e, propositalmente, deixou que continuasse avançando para perto de si. No momento em que estavam separados por mínimos centímetros, Harley socou o rosto do homem, seguido de um chute forte no peito. Antes que tivesse alguma chance de reagir, Quinn deu uma pirueta e envolveu ambas as pernas no pescoço do guarda, virando-o bruscamente com um movimento apenas.

O homem caiu morto em questão de segundos.

— O próximo que tentar encostar em mim fará companhia pra ele.

Você matou o Jason! Sua assassina miserável, ele era meu amigo!

— Que pena.

— Imobilizem-na imediatamente! – O enfermeiro demandou ao novo grupo composto por seis guardas, todos munidos com porretes em mãos.

Por mais feroz que estivesse naquele momento, Harley não foi capaz de se safar. Foram necessários três guardas para conseguir segurá-la de maneira efetiva; dois segurando seus braços e um imobilizando suas pernas. Quando perceberam que a paciente estava impossibilitada de fazer qualquer movimento danoso, um dos enfermeiros se aproximou da palhaça com uma enorme seringa em mãos.

— Vocês vão se arrepender por isso! – Garantiu a jovem insana, tentando desesperadamente se soltar do aperto de ferro dos guardas. – Meu Mr.J vai acabar com todos vocês quando vier aqui me buscar!

Ele não vai vir buscar você! Harley Quinn não significa absolutamente NADA pra ele! Você é só mais uma piada de mau gosto!

Assim que o conteúdo da agulha entrou no organismo de Harley, essa começou a sentir os efeitos do sonífero querendo derrubá-la.

Sabia que não podia lutar contra o medicamento, e, antes de perder os sentidos, Harley Quinn não conseguiu evitar um último pensamento de assombrá-la:

“Meu deus, será que estou mesmo sozinha?”



Notas finais do capítulo

Legenda:
itálico - falas da Dra. Harleen Quinzel

—x-

É isso, meus queridos, espero do fundo do coração que tenham gostado! Por favor, não se esqueçam de deixar um comentário sobre a opinião de vocês! É muito importante pra mim!