Another Hermione escrita por Mrs Rainbow


Capítulo 35
35 - Isso, é amor.


Notas iniciais do capítulo

SOCORRO?! SOCORRO.

Gente do céu, primeiro, cheguei em segurança, passei a virada do ano num carro ~literalmente~, segundo, BAHIA É QUENTE DEMAIS, COMO AS PESSOAS AGUENTAM?! Terceiro, eu queria postar esse capítulo desde do dia 4, que foi quando vieram instalar a internet, MAS A CARALHA NÃO FUNCIONA! Se ela simplesmente não funfasse o tempo todo, eu entenderia! Mas nããão! Ela dá alguns sinais de vida para simplesmente cair!

Essa página está aberta a dias! DIAS! EU TÔ ATUALIZANDO ISSO A FUNCKING DIAS!

Depois desse desabafo, eu quero agradecer a todas que comentaram! E eu vi alguns com o 3g do meu celular quando não tinha internet na casa da minha avó, mas não estou podendo respondê-los já que as páginas não abrem, mas assim que essa bosta de internet funcionar, irei respondê-los! :D

Agradeço especialmente a Sansa Malfoy pela recomendação linda! Muito obrigada mesmo! Veio em uma boa hora, pois eu estava deprê com a mudança, enfim... Muito obrigada mesmo.

Irei tentar postar o próximo capítulo, mas não prometo nada por causa da internet. ;-;

Ps: Esse capítulo pode parecer bobo, mas só parece mesmo, ele é capítulo ponte, mas o capítulo ponte mais importante que escrevi, vocês irão notar com o andar da fanfic. Falando nela, eu estou quase chegando na metade, 35 capítulos! Acreditam?! Não tenho muita certeza em quantos capítulos vai acabar, prevejo que no máximo, estourando, 70.

E também estou fazendo uma limpa em meu perfil, estou excluindo e reescrevendo algumas das minhas fanfics, Merida Malfoy, infelizmente MSSR não é uma delas ;-;, por enquanto pelo menos, é, eu leio todos os comentários, mas não consigo respondê-los.

Enfim, fiquem com o capítulo! ~ Esse foi o mais longo ~



Me enrolei mais em meu cobertor quentinho, meu casulo aquecido que não deixava o frio de fora entrar.

Suspirei em contentamento ao sentir meus pés aquecidos pelas várias meias, aquela manhã parecia em especial mais fria que o normal. Parecia ter uma aura alegre, que deveria significar algo...

Meus olhos se abriram rapidamente ao lembrar-me de que era natal. Meu sorriso foi de orelha a orelha quando eu joguei o cobertor para o lado e saltitei da cama em um só pé para pegar a muleta. Felizmente, ninguém podia me ajudar aqui.

You better watch out! You better not cry! You better not pound i’m telling you why! Santa Claus is coming, to town! – Cantarolei animada indo me arrumar, era cedo ainda, raios claros e cinzas de luz passavam pelas minhas janelas.

Eu coloquei o casaco de James por cima de mais muitas camisas de manga longe, calças com uma perna cortada e uma bota.

Tomei minhas poções e peguei minha varinha levitando os presentes dos meus amigos, fui até a escada do dormitório feminino e desci sentada. Humilhante? Meh, me acostumei.

Sorri larga e arfante quando finalmente consegui subir até o sétimo andar.

Potter, Potter. Procurando cair da escada novamente? – Gargalhou pirraça e eu o segui o fazendo me olhar confuso.

– Merlin, Pirraça! Claro que não! – Ri novamente e ele me seguiu enquanto eu andava mancando três vezes pelo corredor, quando a porta apareceu, eu sorri para Pirraça e desejei. – Feliz Natal, Pirraça! – Ele sorriu e tirou o chapéu voando para longe. Entrei e suspirei ao ver uma sala aconchegante com um tapete, poltronas, mantas, uma lareira e uma grande e robusta árvore de natal.

– Senhorita Potter! – Guinchou Pops, a elfa doméstica de casa, sorri para minha elfa e me curvei para abraça-la.

– Feliz Natal, Pops! – Ela sorriu com os olhos lacrimejando. – Eu adoraria te dar um presente, mas sei que provavelmente não aceitaria... – Fiz biquinho e Pops sorriu mostrando seus dentinhos faltando.

– Ser elfa Doméstica da família Potter já é um presente, senhorita! – Ri baixinho e ela continuou. – Trouxe o que pediu, senhorita. – Sorri larga e a Elfa colocou as comidas e doces na mesinha de centro.

– Obrigada, Pops! – Ela se curvou e saiu me deixando sozinha com os presentes, os coloquei cuidadosamente debaixo da árvore decorada e sorri quando James e Remus se atropelaram assustados entrando na Sala Precisa.

– Porque subiu sozinha?! – Guincharam em uníssono e eu ouvi a gargalhada de Sirius.

– Eu disse que ela ia arranjar um jeito. – Ele entrou fechando a porta e eu sorri larga me levantando com certa dificuldade e manquei até os meninos saltando em James e Sirius.

– Feliz natal! – Gargalhei os apertando contra mim cuidadosamente, eles sorriram e me abraçaram de volta, cada um beijou minha bochecha e eu me virei para Remus. Ele parecia ansioso, nenhuma vez nessas semanas eu o abracei ou beijei a bochecha como sempre faço, o tratei como um amigo conhecido. Me fiz de nervosa e respirei fundo mancando até ele, que deu um passo a frente para chegar mais perto, o abracei levemente cheirando seu pescoço discretamente.

Remus me envolveu em seus braços e eu segurei o suspiro, me senti confortável ali, mas logo o larguei lembrando do plano.

– Feliz natal, Mione. – Desejou com os olhos brilhando e eu sorri levemente.

– Feliz natal, Remus. – Ficamos nos encarando por alguns segundos intensos até James limpar a garganta.

– Então, por que não abrimos os presentes no salão comunal? – Perguntou confuso e eu sorri larga caminhando até Sirius, que estava no tapete.

– Por causa de Régulo, não passaremos o natal sem ele. – Sorri e me sentei entre as pernas de Sirius, que me envolveu em um abraço automático enquanto beliscava um dos doces.

– E por acaso ele sabe sobre a sala Precisa? – Me calei lembrando desse pequeno detalhe e James gargalhou junto a Sirius.

– Você se esqueceu de dizer a ele?! – James guinchou e eu fiz cara feia para o mesmo.

– Eu o disse para ir ao sétimo andar, encontre ele no corredor. – Ordenei e ele se calou me olhando pasmo.

– Porque eu?! – Gargalhei junto a Sirius e o olhei.

– Porque Sirius está me esquentando. – Dei de ombros e ele estreitou os olhos para mim.

– E Remus? – Olhei para o lobisomem que havia ficado quieto por um tempo e sorri para o mesmo.

– Não quero incomodá-lo. – James bufou e se levantou, depois de deixar os presentes embaixo da árvore, e caminhou resmungando até a porta. – Te amo!

– Sei. – Resmungou e eu senti minha costas tremerem com as gargalhadas de Sirius. Ele saiu deixando nós três sozinhos e eu me encolhi em Sirius o fazendo rir baixinho, ele chegou perto do meu ouvido e sussurrou.

– Pronta para continuar com a primeira fase? – Olhei com o canto do olho para Remus, que nos observava da poltrona mordiscando um lanche trouxa e sorri larga acenando levemente com a cabeça. – Ótimo, siga meus passos. – Mordi o lábio inferior para segurar o riso e ele beijou meu cabelo, então beijou minha orelha e então nuca. Me encolhi levemente pelo arrepio de ter um pescoço sensível e ele gargalhou. – Sério mesmo, isso? – Ri com ele e o mesmo entrelaçou nossa mão beijando os meus dedos.

Galanteador do caralho. Segurei o riso ao ver Remus comendo furiosamente, ele tinha uma carranca e a bochechas completamente cheias de comida, o fazendo parecer um esquilo muito zangado.

– Almofadinhas! – Ri quando ele mordiscou meu pescoço, o mesmo beijou minha bochecha e foi chegando perto de minha boca, quando ele iria me dar um estalinho de beijo, a porta apareceu e Régulo e James entraram rindo, provavelmente do fato de eu ter esquecido de avisar sobre a sala Precisa.

– Que lugar é esse? – Perguntou Régulo meio maravilhado depois de me dar um breve beijo na bochecha e se sentar em uma das poltronas.

– A sala Precisa, mas também é conhecida como a sala Vem e Vai. – Sorri e ele devolveu o sorriso depois de pegar uma caneca de chocolate quente. – Vamos abrir os presentes? – Perguntei animada e eles gargalharam.

– Porque essa animação toda? – James perguntou se arrumando em sua poltrona.

– Porque eu acho que escolhi os melhores presentes esse ano. – Quiquei em meu lugar fazendo Sirius chiar para mim, me soltei do mesmo e engatinhei até a árvore me sentando perto dos presentes. Tirei os que eu havia comprado e os flutuei para cada dono.

A caixa de James era grande, ele não estava tendo êxito para concluir os seus lougros, então dei uma ajudinha. Me custou algumas noites de sono, mas a caixa estava repleta de seus lougros funcionando e as formulas corretas. Sabia que ele ficaria maluco com aquilo.

A caixa de Régulo era a mais pesada, estava completa de livros sobre arte das trevas. Estudos, dessa vez. Também tinha alguns livros sorteados trouxas com capas enfeitiçadas para que os de fora apenas vissem livros de magia.

Remus talvez foi o mais difícil, sua caixas tinha variadas roupas que não rasgavam, eu mesma as enfeiticei e tentei cortá-las de todas as maneiras possíveis, tinha algumas poções que deixariam a mudança para lobisomem bem menos dolorosa, e como sempre, eu havia pego sua lista de livros e a comprado. Tive uma ajuda de Marlene nessa, já que não saí da ala hospitalar. Por sorte, tudo foi recebido por corujas.

Todos tinham caixas grandes, mas a menor caixa, uma do tamanho da palma de uma mão retangular, era talvez o melhor presente. Era a mini moto de Sirius.

– Abram! – Exclamei sorridente, James foi o primeiro, o mesmo franziu o cenho ao tirar primeiro as fórmulas, então engasgou com o nada ao ver o que tinha dentro.

– V-você conseguiu?! – Gaguejou e eu sorri larga acenando com a cabeça, ele me mirou com os olhos lacrimejando e pulou em mim em um abraço. Gargalhei animada e ele me deu um beijo estalado na bochecha voltando correndo para sua poltrona como uma criança.

Régulo abriu o dele, a caixa estava no chão enquanto ele estava curvado tirando boquiaberto muitos livros, eu realmente gostava do feitiço de extensão.

– Alguns livros trouxas só aparecem para você. – Sorri larga e fui abraçada e enchida de beijos, gargalhei e ele voltou ao seu lugar para continuar a tirar os livros.

Me virei para Sirius mais animada que o normal e ele puxou o lacinho azul estreitando os olhos para mim, meu sorriso era de rasgar o rosto quando ele puxou a caixinha branca.

Ele a abriu despreocupado e quando olhou dentro, paralisou com os olhos brilhando.

Sirius enfiou a mão tremendo na caixa e tirou a estatueta de sua moto de dentro, ele fungou choroso e me olhou maravilhado, ele engatinhou devagar para mim e me puxou no abraço mais apertado de todos.

– Como você sabe os melhores presentes? – Fungou e eu gargalhei lhe beijando a bochecha.

– Porque eu arrumo o quarto de vocês. – Eles gargalharam e eu sorri larga. Se bem que era verdade, eu achei a lista de livros de Remus em meio as cartas de Vance-vaca, achei o desenho da moto em uma das revistas de Sirius, as anotações dos lougros na bagunça de James. Menos a de Régulo, essa eu sabia pois o conhecia bem e sabia que ele não estava satisfeito com os livros da biblioteca. Além de que os que ele acharia seriam bem pesados, então é melhor que seja algo que sei do que aqueles que podem o levar para o lado das trevas.

O último foi Remus, ele abriu a boca com tantos presentes e eu sorri de leve.

– Bem, as roupas já estavam em meu quarto como presente para você, mas os livros e as poções não! – Sorri larga e ele arfou ao ver que tipo de poção era. – Lembro que enfeiticei as roupas para não rasgarem por nada, eu testei! Sempre que rasgam, elas voltam a se remendarem sozinhas. Olha só. – Ele ainda parecia chocado com os presentes quando eu puxei a varinha e apontei para as roupas. – Diffindo! – Normalmente causaria um rasgo do tamanho do mundo, mas apenas abriu-se um pequeno rasgo que logo se colou depois de segundos. Remus saltou do seu lugar e me deu um abraço apertado, ri baixinho e acariciei suas costas, ele me encheu de agradecimentos e eu apenas ri negando com a cabeça sentindo meu rosto corar gradativamente.

– Merlin, eu amo você! – Exclamou e nós nos calamos com sua confissão, Sirius tinha um sorriso de rasgar o rosto enquanto eu ainda estava chocada e boquiaberta. Ele corou ao notar o que falou e Sirius tossiu levemente sussurrando um “agora” estrangulado, pisquei forte tentando voltar a raciocinar e balancei a cabeça para voltar a realidade.

– Eu lembrei... – Sussurrei ainda assustada, eles se calaram e eu olhei para Remus como se tivesse descoberto a cura para a Varíola Dragonina. – Eu lembrei de você, Aluado! – Sorri larga e pude ver Sirius segurar o riso, Remus ainda estava petrificado quando eu pulei nele em um abraço, senti seus braços me envolverem pela cintura e fui apertada contra ele.

– É um milagre de natal! – Sirius debochou e nós gargalhamos do nosso amigo logo continuando a abrir os presentes.

Apertei os olhos para tentar ler as pequeninas letras de um cartão, mas elas continuavam borradas, bufei para isso e Régulo me estendeu algo. Levantei os olhos para sua mão e ele parecia tão confuso quando eu.

– Apareceu na mesa, acho que você desejou isso. – Peguei o óculos cuidadosamente e o estudei lentamente antes de dar de ombros e o colocar.

Arregalei a boca sentindo meu coração acelerar.

– O mundo tem cores! – Todos gargalharam quando eu olhei ao redor maravilhada. – E formas! Merlin! – Sorri e então olhei para James, que me encarava com os olhos arregalados. Também arregalei os meus quando o observei mais atentamente, ele chegou perto de mim me olhando de perto e então recuando assustado.

– Agora sim vocês são gêmeos. – Coloquei a mão na boca horrorizada ao me ver no reflexo de seus óculos e notar que eu era ele com os cabelos mais longos e de traços femininos. Arranquei o óculos na hora ofegante, me virei para os meninos, que gargalhavam quase chorando e ameacei.

– Vocês não viram absolutamente nada. – Eles gargalharam acenando com as cabeças e eu tremi levemente guardando os óculos, o usaria apenas quando necessário.

[...]

As férias estavam acabando e eu não sabia parar de correr, literalmente.

Depois que eu estava completamente curada, eu não fazia nada a não ser correr ao redor do gramado da escola e praticar quadribol com meu irmão.

Madame Pomfrey não mentiu quando disse que quando eu voltasse estaria melhor do que antes, eu conseguia jogar com mais força e habilidade concentrando tudo em meu ombro e pulso. E como eles estavam mais flexíveis, minhas jogadas se tornaram mais difíceis de desviar.

Recebi cartas de agradecimento por cada presente, eu havia comprado muitas coisas para Dora. Brinquedos mágicos, brinquedos trouxas, uma varinha de brinquedo...

É, eu estava a mimando de modo bruto.

Meus presentes também foram incríveis, amei todos.

Bem, agora que eu não precisava mais fingir não lembrar de Remus, eu é que não largava mais do seu pé. Eu sempre o provocava junto com Sirius, que se divertia muito em ver o amigo espumando de raiva e ciúmes, e como ele havia admitido que me amava, eu tirava vantagem disso.

O lembrava constantemente das próprias palavras, ele não negou, mas me ignorava e também ficava meio irritadiço, mas eu não desistia. Não desistia mesmo.

– Qual é, Aluado. – O segui pelos corredores saltitando, a neve havia derretido e uma chuva fina caía lá fora dando uma sensação de preguiça. – Você já admitiu, porque continua insistindo no erro? – Ri baixinho quando ele apertou a mão em punho ao notar que eu falei que o “erro” era a Vance. – Sabe que vai ser bem mais feliz comigo. – Dei de ombros um tanto convencida e continuei a segui-lo até a biblioteca, seus passos longos e duros. – Vai continuar a me ignorar?

– Vai continuar a ser chata? – Retrucou e eu ri fraquinho o fazendo bufar novamente. – Sinceramente, Neve. Você está parecendo com James! – Lhe mandei língua e entramos na biblioteca, ele se enfurnou em uma das seções e eu fui para a sessão do lado.

Olhei para os livros criticamente, procurava alguma coisa que me ajudasse em runas antigas, não que eu tivesse dificuldade, mas sentia uma necessidade de não precisar sempre de um livro quando tinha certas dúvidas.

Olhei por entre as brechas dos livros vendo-o dar uma olhada num livro de transfiguração.

– Eu sou tão horrível assim que você prefere a Vance? – Perguntei séria, ele fechou o livro em um baque seco e respirou fundo.

– Ela não é ruim. – E continuou a andar pelo corredor, fui o acompanhando na ponta dos pés para olhar entre as brechas.

– Qual é! Estamos falando da garota que fez piada da doença do pai de Lene! Da garota que trata todo mundo como lixo! – Ele fechou levemente a cara e suspirou.

– E eu estou falando da garota bonita e inteligente que me faz bem. – Rolei os olhos para isso.

– Fazer bem, sei. Ela está é envenenando essa sua cabecinha extraordinária. – Murmurei e ele me olhou por entre as brechas, aproveitei a deixa e continuei. – E eu também sou inteligente, mais que ela até... E... Até que eu não sou tão feia assim... Eu acho. – Murmurei franzindo o cenho, ele suspirou e pegou um livro falando.

– Mas você não é ela. – E saiu me deixando ali plantada no meio de livros empoeirados, suspirei me encostando na prateleira e escorregando até cair sentada.

Puxei meus joelhos para o peito e sussurrei.

– Mas eu não sou ela. – Ri fraquinho desanimada e passei a mão por meus cabelos os sentindo crescer, estavam chegando aos ombros e eu já pensava em cortá-los novamente. Ele crescia em uma velocidade anormal, parece que gostavam de ser longos, igualmente ao cabelo bagunçado de Harry e James, eles eram como queriam.

– Pensei que fosse parar de sofrer por ele. – Ouvi uma voz e olhei para o lado vendo Régulo de braços cruzados e encostado na prateleira, ri fraco novamente e dei de ombros.

– Eu também pensei isso, pensei que ele não tinha mais nada para me magoar, mas olha só! Ele conseguiu novamente. – Suspirei e ele caminhou até mim se sentando ao meu lado, o olhei vendo-o mais alto que eu e encostei minha cabeça em seu ombro. – Quando ficou tão alto?

Ele riu baixinho e continuou.

– Acho que não sou mais o pirralhinho que corava com tudo. – Neguei com a cabeça.

– Você ainda é o pirralhinho que cora com tudo, apenas é um pirralhinho alto. – Ele riu novamente e eu o segui logo suspirando no final. – Ás vezes eu me canso de só levar foras, queria que pelo menos uma vez ele me desse uma chance. Apenas uma.

– Mas... Você já tentou ver pelo lado dele? – Franzi o cenho e tirei minha cabeça de seu ombro para encará-lo.

– O que quer dizer? – Ele riu novamente e puxou minha cabeça para seu ombro novamente.

– Já tentou ver pelo lado de Lupin? Ele está feliz com ela, de algum modo, está. Imagine que você está namorando, então do nada, alguém aparece e sempre azara seu namorado, sempre tenta fazer de tudo para acabar o relacionamento... Ficaria feliz?

– Puta merda, não. – Chiei e ele riu.

– Daria uma chance para essa pessoa?

– Hm... Não? – Ele suspirou e beijou minha cabeça.

– Aí está sua resposta. – Ele se levantou sorrindo levemente e se virando, quando Régulo estava no final eu exclamei.

– Tem razão, você não é mais um pirralhinho. – Ele olhou sobre o ombro e sorriu levemente antes de sair de minha vista. Suspirei refletindo sobre o que Régulo falou, faz sentido, mas eu não tento estragar o relacionamento deles, apenas tento fazer Remus enxergar que seria mais feliz comigo do que com ela.

Suspirei e me levantei limpando minha calça, enfiei a minha mão em meus bolsos e sorri de leve ao lembrar que já havia feito todos os meus deveres de férias.

***

As aulas voltaram e eu estava no salão comunal esperando os meninos para irmos para o nosso primeiro dia de volta as aulas. Mal notei quando Wood se sentou ao meu lado me olhando com expectativa, o olhei com o canto dos olhos e arqueando uma sobrancelha.

Quando ele não falou nada eu suspirei me virando para ele sorrindo levemente.

– Sim, Wood? – Ele sorriu largo e perguntou.

– Eu ouvi pelas pessoas que ficaram nas férias que você está melhor do que antes, é verdade? – Ri baixinho e num gesto automático, estralei meu pulso num único girar – ele ficava estralando agora -, Wood prestou atenção nesse gesto e eu sorri fraca.

– Sim, é verdade. Duvido muito que no próximo jogo contra a Lufa-Lufa alguém consiga desviar. – Sorri maliciosa e ele sorriu largo.

– Muito bom! Eu estava preocupado que talvez perdêssemos nossa melhor batedora. – Ri fraquinho e ele se levantou jogando a bolsa sobre um ombro. – Então... Até o treino? – Perguntou e eu sorri de lado.

– Até, Wood. – Ele sorriu levemente e saiu do salão comunal me deixando com as poucas pessoas acordadas que ainda não haviam ido até o salão principal.

Bufei com a demora deles e subi em passos pesados a escada do dormitório masculino, abri a porta dos marotos bufando e respirei fundo furiosa ao vê-los ainda dormindo. Até mesmo Remus e Pedro, que normalmente acordaria para caminhar.

Pensei em gritar para acordá-los, mas um sorriso maldoso se formou em meu rosto quando eu tive uma ideia.

Deixei minha mochila no chão de modo silencioso e andei na ponta dos pés até o malão de James o abrindo e pegando uma das invenções barulhentas e com defeito. Segurei o riso e peguei um com cuidado para não estourar em minha mão, o deixei no meio do quarto junto a uma bomba de bosta e corri para pegar minha bolsa, segurei a maçaneta da porta e tirei minha varinha das vestes apontando para a bombinha.

Ela soltava uma fumaça roxa fedida e quando estourada fazia um som irritante de trinta buzinas, o som era o defeito. Devia apenas soltar a fumaça, mas James errou na formula então tive que consertar para o som soar apenas como um zumbido fraco.

– Incendio. – Sussurrei e fechei a porta rapidamente tapando os ouvidos e mordendo o lábios para não rir.

Uma barulheira alta se fez presente e eu ouvi os gritos dos outros marotos, gargalhei caindo ajoelhada e vi a fumaça sair por debaixo da porta, a mesma foi aberta de vez por James que se jogou no corredor tapando o nariz e com a cara amassada.

Segundos depois os outros marotos pularam para fora do quarto, tapei o nariz ao sentir o cheiro horrível, cheiro de bosta com lixo, mas não parei de rir. Eles me miraram assustados e surpresos logo ficando com carrancas horríveis.

– Você fez isso?! – James perguntou com a voz engraçada por tapar o nariz, sorri larga e acenei com a cabeça.

– Eu mesma!

– Oh, é mesmo, Potter? – Ouvi a voz irritante do nosso monitor e fiquei tensa virando lentamente, ele tapava o nariz e me olhava azedo como sempre.

Joshua Carter era um babaquinha do quinto ano metido a inteligente e Deus, sério, o garoto odiava os marotos, em especial, eu. Ele tinha essa raiva absurda por eu ser mais inteligente, ele era um saco.

– Se fodeu. – Sirius sussurrou e eu o olhei com raiva, ele riu baixo logo tapando novamente o nariz.

– Detenção. – Sorri e mandei uma piscadela para Carter.

– Só isso? – Debochei, seu rosto ficou corado de raiva e os outros marotos riram levemente fazendo uma veia pulsar em sua testa.

– No sábado. – Engasguei junto a James, era o dia do jogo.

– Mas vai ter o jogo contra a lufa-lufa! – Guinchei arregalando os olhos, ele me olhou debochado e satisfeito.

– Que pena, não é? – Rosnei para ele sentindo minha mão coçar para azará-lo. – Eu mesmo irei fazer questão de checar se limpou todas as prateleiras da sala de troféus. – Cerrei os dentes e ele sorriu cínico dando as costas e indo em direção as escadas, dei dedo para suas costas e quando ele olhou por cima do ombros eu fingi espantar uma mosca, Joshua estreitou os olhos e bufou descendo as escadas finalmente.

Levantei meus dois dedos médios e fiquei formando xingamentos em meus lábios, respirei fundo logo engasgando e espantando o cheiro com a mão.

– Bem feito. – Remus resmungou e eu estreitei os olhos para ele junto a James. – Que foi?! Quem mandou fazer isso?

– Certo, então da próxima vez deixo vocês dormindo no primeiro dia de aula. – E dei minha costas ouvindo eles correrem para dentro do quarto para se trocarem, fui para o salão principal bufando e me sentei perto de Lene, que comia seu mingau calmamente, Lils tirou os olhos de sua comida para me encarar.

– O que aconteceu agora? – Perguntou ao me ver triturando os ovos.

– Aquele babaca aconteceu. – Rosnei apontando na cara dura para Joshua, que levantou os olhos negros do livro para saber o porquê todos olhavam para ele, quando me viu apontando para ele, fechou a cara para mim. Abaixei o dedo bufando e comecei a comer furiosamente. – Ele me deu uma detenção no dia do jogo!

– O que?! – Marlene cuspiu o mingau para gritar, me sobressaltei com seu grito e suspirei acenando com a cabeça.

– Só porque eu acordei os idiotas.

– Huh, corrigindo, você estourou duas bombas fedidas no nossos quarto. – Pedro falou se sentando ao meu lado, franzi o nariz ao sentir o cheiro das bombinhas em suas roupas amassadas, todos estavam com as roupas desalinhadas, a gravata de Sirius estava torta enquanto James nem colocou a dele. Os botões nos lugares errados e as blusas para fora das calças, como sempre.

– Vocês estão fedendo. – Dorcas disse tapando o nariz, Sirius e James apontaram para mim enquanto eu ria.

– Culpa dela. – Gargalhei mais alto e eles bufaram.

– Onde está Remus? – Perguntei ao sentir falta do meu lobisomem, eles se entreolharam e James apontou com o garfo para trás de mim, olhei sobre o ombro deixando o queixo cair ao vê-lo sentado na mesa da corvinal entre as cobras vadias. – Mas. Que. Porra? – Sibilei e pude ver a expressão preocupada de Pedro.

– Acho que ela está o controlando, talvez amortência? – Suspirei e voltei meu olhar chateado ao prato.

– Não, acho que ele está gostando dela. – Murmurei e Lils me olhou com uma cara irônica.

– Só notou agora? – Falou sarcástica, bufei e continuei a comer tentando ignorar as risadas altas e histéricas de Emmeline que pareciam debochar de mim.

– Porque está tão estressada? – Perguntei dando uma garfada lenta em meu café da manhã, ela suspirou e Dorcas respondeu por ela.

– Ela deu um pé da bunda do Diggory. – James se sobressaltou batendo o joelho na mesa e me fazendo bater o garfo nos dentes. Dei uma exclamação de dor e senti minha gengiva sangrar.

– Foi mal, Mione. – Bufei para ele logo passando a língua pelos dentes para tirar o sangue que escorreu, sorri para Sirius e perguntei.

– Saiu? – Ele acenou com a cabeça e voltou a comer e a ignorar James flertando com Lílian, mas ele era veemente ignorado. – Como finalmente notou que ele é um babaca metido?

– Quando o vi dando em cima de Martinez. – Quase me engasguei de rir, Pedro deu tapinhas em minhas costas e ela me olhou indagadora. – O que foi?

– Nada... Só rindo da desgraça alheia. – Ri baixinho e ela me olhou insistente. – É que Diggory perdeu você para dar em cima de alguém que gosta de meninas. – Sirius se engasgou me olhando alerta.

– O que disse?!

– Que a Martinez gosta de meninas. – Ele choramingou e nós arqueamos as sobrancelhas. – Você gosta dela?

– Bem... Não. Só a acho bem gostosa. – Ele deu um suspiro dramático e completou. – Ela era a próxima da minha lista. – Neguei com a cabeça rindo fraquinho enquanto Lily fechava a cara para ele.

– Você tem uma lista de meninas com quem ficou ou que quer ficar?! – Chiou raivosa e eu sorri de lado vendo James recuar o tronco para que Lils pudesse ver Sirius.

– Sim, porque não teria? – Perguntou meio entediado, e todo o salão se calou com o som de um tapa alto estralado, nos viramos para o som do barulho e meu sangue ferveu ao ver que Emmeline bateu no rosto de Remus. O mesmo tinha a boca entreaberta em surpresa e a mão de Emmeline ainda estava levantada.

Pare de me comparar a ela. – Chiou e eu respirei pesadamente me levantando devagar, Pedro segurou meu pulso e eu rosnei para ele.

– Me solta agora, Pettigrew. – Ele negou com a cabeça e eu berrei. – Me solta que eu vou acabar com a raça daquela cachorra! – A atenção voltou para mim e eu já estava voando na mesa da Corvinal quando Marlene caiu comigo ao me segurar pela cintura.

Me desvencilhei dela e me levantei num pulo mirando raivosa Emmeline que me olhava borbulhando de raiva e já em pé, eu estava marchando até ela quando fui derrubada novamente, dessa vez por James, que pulou a mesa e se jogou sobre mim me mantendo presa.

– Se acalma, Mione. – Murmurou tentando fazer eu parar de me debater e eu respirei fundo irritada, a sirene tocou e as pessoas começaram a se dispersarem silenciosas, pelo braço de James, vi Emmeline arrastando Remus para fora. Suspirei ficando parada e ele me soltou se levantando e me levando junto.

– O que foi aquilo? – Sirius perguntou quando estávamos saindo, ele levava minha mochila enquanto eu andava calada e com uma carranca até a aula de Herbologia com a corvinal.

– Aquilo foi Remus sendo tratado como uma cadela. – Rosnei, eles seguraram os risos e eu completei. – E aquela era eu indo acabar com a raça de uma pu-

– Que show ridículo. – Ouvi Joshua alfinetar ao passar por mim trombando em meu ombro e eu sorri maldosa, corri para alcança-lo ouvindo os marotos me chamarem, em meio a multidão de alunos, eu o puxei pela parte detrás da gola de sua camisa para trás de uma armadura, o prensei na parede tapando sua boca e o olhei com raiva.

– Qual é seu problema comigo, huh? – Rosnei e ele respirou rapidamente, tirei a mão de sua boca e o segurei pela capa lisa. – Responde!

– Se não me soltar agora, a sua detenção vai ser pior. – Estufou o peito mostrando mais seu broxe de monitor. Ri sem humor e arranquei o broxe olhando-o debochada.

– Acha que me põe medo só por causa disso aqui? – Ele fechou a cara e tentou pegar da minha mão novamente, me esquivei jogando o broxe para a outra mão. – Vou perguntar apenas mais uma vez e é bom me responder se quiser isso de volta, qual é o seu problema comigo? – Ele bufou e me olhou com raiva.

– Meu problema com você, Potter, é a sua necessidade de chamar atenção. – O olhei irritada e ele continuou se desencostando da parede. – Sempre gritando pelos lugares, subindo para o dormitório masculino, se mostrando nos treinos... Hermione Potter, favoritinha de todos os professores, Oh, a senhorita Potter teria conseguido, oh, ela está apenas no terceiro ano e executou este feitiço nas horas vagas, oh, oh. – Debochou. – Mas eu sei que você é apenas uma problemática, igualzinha ao seu irmão.

– Não ouse soltar uma palavra contra meu irmão. – Sibilei o empurrando novamente para a parede, minha voz foi cortante o fazendo empalecer e arfar. – Se você soltar mais uma palavra contra meu irmão, eu não me farei de rogada e cortarei sua língua. E eu sei o porquê da sua raiva, deve ser frustrante ter alguém mais novo e mais inteligente que você roubando sua fama. Mas adivinha? Eu. Não. Me. Importo. – Sussurrei a última parte chegando perto, ele foi recuando e eu limpei sua capa em um gesto debochado logo colocando o broxe de volta. Ele engoliu seco e eu sorri azeda lhe mandando uma piscadela antes de lhe dar as costas e saltar em Sirius, que tomou um susto me fazendo gargalhar.

– O que você fez com o Carter? Ele parecia assustado. – Pedro perguntou ao se sentar ao lado de James na estufa, Sirius e eu estávamos sentados as suas frentes na mesa.

– Nada demais, apenas tivemos uma pequena conversa... – Murmurei apertando o lado da mesa com raiva olhando a algumas mesas, Remus sentado calado ao lado de Emmeline, que mantinha a cara fechada e os braços cruzados ignorando completamente o namorado.

– Você o ameaçou. – Concluiu James e eu voltei minha atenção a ele.

– Eu o ameacei. – Ri e os outros marotos nos seguiram, Remus olhou sobre o ombro para nós e Sirius o chamou com a mão, mas ele apertou os lábios em uma linha fina e olhou significativo para Vance.

Todos nós bufamos em uníssono quando ele se virou novamente com a entrada da professora.

– Desde quando Remus é um cachorrinho? – Sirius sussurrou e eu bufei pegando meu livro de herbologia.

– Exato, ele não é namorado dela, é escravo. – Chiei baixinho e os meninos concordaram acenando com as cabeças.

– Bom dia, alunos! – A professora exclamou nos tirando dos nossos pensamentos odiosos.

[...]

Cruzei os braços bufando quando sentei na mesa da grifinória e vi Emmeline ao lado de Remus ainda o ignorando.

– Decidiu dar o ar de sua graça? – Sibilei debochada para Aluado que levantou os olhos do seu almoço para me fitar confuso, Sirius riu me abraçando pela cintura de lado e Remus bufou voltando a comer.

Dorcas deslizou para meu outro lado, ficando de frente para Emmeline e as outras cachorras, sua voz era cortante quando ela sibilou.

– Desde quando temos que comer com os cachorros? – Sorri de lado maldosa e vi Emmeline apertar a mão em punho e serrar os dentes, Remus olhou Dorcas repreendedor, mas a mesma ignorou o olhar. – Cachorros raivosos ainda, sinceramente, Lupin, você é muito para se misturar com... Esse tipo de gente. – James gargalhou junto a Lily, que preferiu sentar ao seu lado do que perto de Vance e companhia.

– Sobre comer com os cachorros... – Rosnou de volta finalmente nos mirando. – Você come com o seu namorado, não é? Aquele seboso nojento. – Dorcas se levantou junto a mim, Sirius se afastou esperando a bomba.

– Aquele Seboso nojento, - Sibilei de volta me curvando sobre a mesa – tem mais classe e educação que você. Ele tem amigos melhores que você, tem uma personalidade melhor que você e merece a namorada que tem. – Ela chiou ficando vermelha de raiva e eu sorri maldosa continuando. – O que foi? Notou apenas agora que tem gente que ficaria bem melhor no seu lugar do que você? – Remus derrubou os talheres e apertou a ponte do nariz irritado.

– Hermione, está passando dos limites. – Sibilou abrindo os olhos para me mirar irritado, arqueei uma sobrancelha debochada.

– Estou apenas dizendo a verdade, um dia ela iria descobrir. – Sorri de lado e ele respirou fundo.

– Será que eu posso falar com você, Potter? – Falou entredentes e eu arqueei as sobrancelhas por ele me chamar pelo sobrenome.

– Já está falando. – Retruquei tentando ignorar e receio que cresceu em meu peito com o seu tom de voz. Remus se levantou e deu um selinho em Emmeline me fazendo ficar com a cara indiferente para não mostrar dor.

– A sós. – Dei de ombros e acenei para Dorcas, que rosnava ainda em pé, Sirius me olhou preocupado e eu sorri de leve para ele o empurrando levemente pelo ombro.

– Já volto. – Sussurrei e o mesmo sorriu acenando com a cabeça voltando a comer.

Segui Aluado tentando não mostrar o quanto estava tensa, observei suas costas, seus ombros largos estavam um pouco tensos, sua postura ereta e séria, seus braços imóveis ao lado do seu corpo.

Ele colocou o ouvido em uma porta e eu arqueei uma sobrancelha indagadora, ele então abriu a porta e apontou para dentro.

– Entra. – Arqueei as sobrancelhas cruzando os braços, ele suspirou e completou. – Por favor.

– Agora estamos falando a mesma língua. – Sorri e entrei lhe lançando uma piscadela, ele não fedia igual aos outros marotos, pelo contrário, ele estava com seu comum cheiro delicioso.

Olhei para a sala de aula vazia e me virei para Remus, que fechara a porta atrás de si e parecia nervoso, me sentei em cima da mesa do professor cruzando as pernas e o esperando começar. Ele olhou ao redor e finalmente me mirou suspirando.

– Você tem que parar. – Arqueei uma sobrancelha.

– Com o que?

– Com isso, Hermione! Não se faça de estúpida! – Rosnou de volta passando a mão pelo rosto cansado, cerrei os dentes e ele continuou. – Você está sempre tentando acabar com o que eu tenho com Emmeline, sempre azarando a minha namorada, irritando-a, xingando... Chega! Chega disso, Neve! Você está indo longe demais!

– Eu estou indo longe demais? – Sibilei fria e cruzei os braços estreitando os olhos. – Você que está indo longe demais com essa palhaçada de namoro. – Saltei da mesa e caminhei lentamente em sua direção continuando a falar. – Você é bom demais para ela, Remus. O que aconteceu hoje no café da manhã é o começo do que está prestes a acontecer, você quer ser namorado dela ou escravo? – Ele trincou os dentes e fechou as mãos em punho, cheguei perto e sibilei de modo lento e maldoso. – A cadelinha dela? Porque foi isso que você se tornou, a putinha particular da Vance.

– Cala a Boca. – Rosnou, mas eu o ignorei.

– Você tem que terminar com ela, nem quando eu namorava Rabastan eu lhe batia, ele era meu namorado, eu não o tratava menos do que merecia, eu o respeitava como homem. – Ele respirou fundo ficando vermelho de raiva.

– E olha o que aconteceu, não é? – Sibilou de volta, engoli seco sentindo meu coração se contrair. – Eu não tenho que fazer nada, Potter. Essa sua inveja e ciúmes bobo está começando a me irritar.

– Mas que merda, Aluado! – Berrei sentindo a minha mão formigar para socar algo. – Eu não estou falando isso porque te amo! Estou falando porque acima de tudo isso, eu sou sua amiga! O que vocês tem não é um relacionamento! Ela te usa como bem entende e você deixa por alguns beijos e amassos! – Chutei uma mesa ofegante. Aluado parecia surpreso, sua expressão ficou séria e ele continuou.

– Você não me ama. – Concluiu e eu o olhei brava.

– Não venha me dizer que eu não sei meus próprios sentimentos, Lupin. Eu te amo sim, tanto que chega a ser idiota.

– Amor, Potter, era o que eu sentia por você. – Engoli seco e ele chegou perto me empurrando lentamente. – Amor, era ficar feliz por ver você feliz, nem que seja nos braços de outro. Amor, era sofrer calado para continuar a ver um sorriso em seu rosto a cada palhaçada daquele filha da puta. – Falou duro e ele me encostou na mesa do professor novamente. – Se você estava feliz, eu estava feliz, quando você sofreu, eu sofri junto. Isso é amor, não tentar tomar algo que não é seu a força. Isso é ser mesquinha, não aceitar um não como resposta. – Arfei sentindo meus olhos embaçarem pelas lágrimas e ele continuou ignorando o detalhe. – Ela é tudo que eu quero, ela é divertida, ela me ajuda quando preciso, ela me faz rir, ela é inteligente, carinhosa e mesmo as vezes sendo malvada, ela me entende. – E então me soltou me dando as costas, engoli o choro e rosnei.

Ela te ajuda quando você precisa? Ela te entende? – Remus estacou no lugar ainda de costas, marchei até chegar perto e continuei a olhar as suas costas, embarguei-me, mas não deixei de falar. – Porque é ela que sempre soube o que você era e não abriu a boca para ninguém, porque é ela que mais o fez rir, não é? Porque é ela que fica acordada por dois dias seguidos para se certificar que você não está com dor, é ela que sempre faz anotações a mais, é ela que sabe seus segredos mais profundos, é ela que mesmo em seus piores dias o trata com mais carinho do que trata o próprio irmão, é ela que sofreu por anos sendo magoada, pisada e cuspida mas a cada dia, a cada dia ama mais você... Porque é ela, não é, Remus? – Ele estava em choque com as minhas palavras embargadas. – Isso, isso é amor. É cair da escada para se certificar que você estava bem, é aceitar ser tratada e rotulada como lixo e vadia para ter um pouco de atenção. – Ri sem humor e levei minha mão ao colar de lobo, ele já estava desgastado de eu nunca o tirar, mas ainda continha sua beleza, o puxei fazendo a corrente arrebentar. Fui para sua frente e o vi com lágrimas nos olhos, puxei sua mão com brutalidade e a abri enfiando o colar em sua palma, ele abaixou os olhos para a própria mão e eu conclui. – Remus, eu espero que um dia, note que você merece mais do que ela... E... Também espero que não note tarde demais que fui eu... Sempre fui eu. – Soltei sua mão e me senti nua sem o colar, mas lhe dei minhas costas marchando até a porta.

– Hermione... – Coloquei minha mão na maçaneta e falei com a voz tremendo.

– Mantenha com você até achar alguém que ame verdadeiramente, que você ame tanto quanto eu te amo, quando der isso para alguém, saberei que nunca tive uma chance, saberei, que é hora de parar. Mas se eu parar, Remus, eu não irei retomar mais tarde. – A sirene tocou e eu abri a porta correndo para fora contra a multidão de alunos, quando cheguei na sala precisa, respirei fundo sentindo as lágrimas grossas e quentes finalmente escorrerem por minhas bochechas.



Notas finais do capítulo

Espero que tenham gostado! Se eu não postar o capítulo é porque minha internet caiu, novamente.

E uma pergunta simples, de onde vocês são?! :D