Another Hermione escrita por Mrs Rainbow


Capítulo 1
Prólogo, The start or the end?


Notas iniciais do capítulo

Aye! Minha primeira fanfic da era dos Marotos!

Eu vou postar o segundo capítulo daqui a pouco ou então quarta, se tiver um bom número de reviews eu posto hoje ainda :D

Não, não estou fazendo uma fanfic movida a coments, é só que se eu ver que alguém se interessou...

Bem, boa leitura!



Faminta, cansada, machucada, humilhada... Era assim que Hermione Granger se sentia.

Mas mesmo sentindo isso e muito mais, ela fazia o possível para desviar e bloquear as maldições lançadas em sua direção.

Hermione estava consciente das dores no corpo, da fumaça invadindo e queimando seus pulmões, dos corpos espalhados pelo chão e enterrados pelos destroços. Ela sentia o cheiro de sangue, de cabelo e carne queimada, uma mistura que a fazia ter ânsia de vômito, uma mistura podre e doentia.

Hogwarts era um campo de batalha e mesmo sentindo alívio por ter Gina as suas costas lutando ao seu lado e sentindo seu coração se apertar a cada vez que via um rosto conhecido por entre os corpos, não pode deixar de notar que a cena mais parecia uma obra de arte. Uma obra de arte sombria e horripilante.

Os raios vermelhos sangue indicando um feitiço simples mas muito útil, o branco perolado jogando inimigos para longe, o verde doentio deixando claro o fim de uma vida.

Hermione tentava chegar a qualquer custo a Harry, o vira-tempo e a página rasgada de um livro pesavam em seu bolso junto com o frasco da poção com o sangue de Harry. Ela havia conseguido, achara uma forma de concertar tudo, e ela sabia que teria de se sacrificar para que o amigo pudesse ter uma nova chance.

Mas ainda sentia seu coração pesar e seus olhos queimarem com as lágrimas de ter perdido Ronald, ela viu, ela estava lá quando Bellatrix Lestrange matara e torturara Ron. Ela estava lá quando ele gritara para que fugisse, ela estava lá quando o ouviu gritar sua última frase, “Eu te amo”. E foi tudo que disse antes da cor sumir do seu rosto e seus olhos ficarem cegos em sua direção, era talvez uma das piores lembranças que tinha, tão ruim quanto ver Luna ser jogada do último andar de Hogwarts, tão ruim quanto ver os gêmeos Weasley e o senhor Weasley serem esmagados pelos destroços.

Hermione se permitira olhar para trás enquanto andava para Gina, uma mulher forte, que lutava com ferocidade tentando se livrar da dor das perdas de sua família. A única Weasley que restou, sua mãe havia morrido para proteger Gui de outro ataque de Greyback, não ouve nada que pudesse impedi-lo, Carlinhos havia sido morto na batalha junto com Percy, e agora seus corpos estava soterrados pelos destroços do que um dia, foi Hogwarts.

Hermione protegeu uma maldição lançada em sua direção e olhou para a pessoa que a mandou, sua mão apertou a varinha e ela estacou no lugar olhando com ódio para a mulher a sua frente.

- Ora, Ora. Se não é a puta sangue-ruim amiguinha do Potter. – Cuspiu Bellatrix de modo histérico, Gina parou ao ouvir a voz da mulher e ficou na retaguarda de Mione, sabendo que nada impediria a morena de matar a mulher. – Avada Kedavra! – Hermione desviou facilmente da maldição junto com Gina, ambas tomaram a poção que Harry havia lhes entregado. Tudo o que Hermione via era vermelho e os flashs das mortes que o monstro a sua frente causou, lhe deu náuseas junto com um ódio descomunal. Ela não odiava ninguém tanto quanto odiava Bellatrix, nem mesmo o próprio Voldemort tinha tanto ódio direcionado a ele pela morena. Hermione levantou a varinha de modo rápido e gritou.

- Crucio! – Bellatrix pega de surpresa caiu berrando pela intensidade do feitiço, tanto ódio acumulado que ela pensou que iria morrer ou até mesmo enlouquecer. Hermione sessou a maldição depois de um tempo e olhou com nojo para a mulher no chão.

- Vai me matar, sua putinha sangue-ruim? – Debochou arfante Lestrange, Hermione controlou a voz e mirou a varinha na mulher novamente.

- Mais uma na minha lista não faz diferença. – Falou de modo frio e Bellatrix arregalou os olhos. – Avada Kedavra.

Hermione continuou a marchar satisfeita com Gina quando ouviu um baque surdo atrás de si, ela virou com medo do que fosse e deixou um grito de horror finalmente lhe escapulir pelos lábios ao notar que era o corpo de sua melhor amiga ao seus pés, não foi a primeira amiga que viu morrer, mas foi a última além de Harry. Agora mais que nunca ela precisava achar Harry, com lágrimas nos olhos e prendendo soluços ela começou a correr desviando de maldições e lançando feitiços a cegas, a cada passo que dava, ela via rostos de conhecidos e amigos no chão, era apavorante. E mesmo assim ela continuou a correr, sentindo a fumaça queimar mais seu peito entre lufadas de ar.

Hermione chegou a tempo de ver a batalha de Harry contra Voldemort, os restos de Nagini estavam perto do corpo de Neville, que segurava a espada de Godric Gryffindor. A batalha era feroz, e mesmo Harry sendo quem era, o poder de Tom Riddle era grande demais para que o mesmo aguentasse.

Harry conseguira acertar um feitiço do Lorde das Trevas fazendo pequenos cortes se abrirem na pele pálida e cinzenta do homem cobra, o mesmo parou olhando com ódio e com os olhos vermelhos cintilantes para o garoto a sua frente e gritou feroz.

- Chega de brincadeiras, Potter! Avada Kedavra! – Hermione prendeu o grito ao ver o corpo de seu melhor amigo bater no chão, então veio o silêncio, apenas o crepitar das chamas e os rangidos do castelo. Ninguém fez sequem um ruído, os comensais da morte estavam imersos demais no estupor de felicidade ao notar que poderiam finalmente dominar o mundo bruxo e matar os trouxas, enquanto o lado do bem ainda parecia em choque por ver “o menino que sobreviveu” morto, Hermione em uma última ação e de desespero correu até o corpo de Harry o abraçando e apertando, não conseguindo chorar pelo choque.

Olhou lentamente para cima e viu Tom Riddle olhando desdenhoso para a multidão a sua frente, tão imerso em sua vitória que não lhe notou ali, Hermione nada via, nada sentia, ela não estava viva, a última parte que sobrara, Harry levou. Ela se sentia vazia e fria, como uma casca oca.

Ela sentiu o bolso ficar tão quente que teve certeza que queimara sua pele, ela saiu do estupor e tirou o vira-tempo enfeitiçado de lá junto com o frasquinho, haviam concertado alguns vira-tempos no ministério e quando fora lá para roubar o medalhão de Salazar Slytherin, pegara um para si, Hermione ouviu o estralo interno e sentiu uma pequena chama de esperança, e mesmo que desse errado, não havia mais nada a perder mesmo.

Ela não precisava do papel para recitar o feitiço ou para fazer o ritual, havia lido e relido o papel tantas vezes que poderia recitar cada palavra com cada pontuação de olhos fechados enquanto lhe jogavam um crucio, então simplesmente tirou os sapatos tentando ainda não chamar atenção e colocou o vira-tempo no pescoço depois de tirar o casaco e a calça, se escondendo atrás de uma pilastra e ficando apenas de camisa regata e calcinha.

- Meus irmãos, se lembrem deste dia! Hoje é o dia em que eu finalmente tenho poder total desse mundo! Ele está contaminado com trouxas, sangues-ruins e mestiços! Mas vamos deixa-lo como merece, Puro! – Hermione segurou a risada amarga ao notar a ironia de suas falas, o sujo falando do mal lavado, pensou enquanto pescava sua varinha e tentava se concentrar para começar o ritual. Abrindo o frasco ela o levou para os lábios, contudo não bebeu, apenas encostou o frasco nos lábios ponderando se podia abaixar pelo menos um pouco a bola do tal lorde. Ela saiu do transe ao escutar as ovações e as palmas excitadas, se levantando e ainda se mantendo atrás da pilastra ela esperou uma deixa. – Onde está Bellatrix? – E lá estava ela, com um sorriso maldoso ela saiu de trás da pilastra gritando.

- Eu a matei, Tom Riddle. – Voldemort se virou surpreso e seus olhos vibraram de raiva.

- Você o que?! Sua putinha Sangue-ruim! – Ele levantou a varinha, mas Hermione apenas riu começando a girar o vira tempo discretamente.

- O sujo falando do mal lavado, seu mestiço imundo. – Cuspiu com ódio, Voldemort arregalou os olhos em ódio e surpresa por alguém de fora saber seu nome e cerrou os dentes com a maldição na ponta da língua. – Sabe, ela também disse isso depois de eu a torturar e então finalmente mata-la. – Todos os outros estavam espantados demais que Bellatrix Lestrange tivesse sido morta por uma nascida trouxa e com a nova descoberta que seu lorde era mestiço. Hermione estralou a língua zombeteira e continuou. – Filho de Tom Riddle sr com Mérope Gaunt, uma bruxa que se apaixonou por um trouxa e lhe deu uma amortencia. – Ela estralou a língua novamente e quase sorriu ao ver Tom Riddle inflando de fúria, ele mal conseguia falar pelo ódio que sentia. – Que feio, não é?

- Mentirosa! – Gritou alguém da plateia e ela sorriu.

- Ora, se estou mentindo então porque o lorde de vocês está se importando? – Os burburinhos começaram e Hermione sorriu novamente. – Viveu num orfanato e blá, blá, blá. Tem uma história interessante, Tom.

- Não ouse falar esse nome! – Rugiu sentindo sua mão formigar e apontou a varinha para a mulher a sua frente, Hermione em um movimento rápido se escondeu novamente atrás da pilastra e bebeu a poção sentindo queimar seu corpo de dentro para fora. – Apareça covarde! Maldita grifinória! – Berrou sendo seguido por seus comensais, Hermione com o pouco de força que lhe restava saiu detrás da pilastra novamente com sua varinha e apontou para o próprio pescoço murmurando o feitiço de modo estrangulado. – Praesto erit pontifex maximus vitam sacrificium novum magicam multis pauca, a novus resurgam. – Ela soltou o vira tempo não sendo capaz de controlar mais seu corpo e começou a se desesperar, ainda faltavam algumas voltas, ela caiu de joelhos sentindo os cacos de vidro entrarem em seu joelho e caiu de peito no chão sentindo uma dor pior que a do cruciatus, berrando ela começou a se debater enquanto todos, até mesmo Voldemort, assistiam sem entender. Era um ritual simples, mas muito doloroso.

O ritual era preciso ser feito em um local onde houveram muitas mortes ou com sobrecarga de magia, as inúmeras e recentes mortes deixaram a transição tão poderosa com o excesso de magia que os corpos liberavam que a dor de cada morte lhe atingia como uma facada.

E o fato de que a poção foi preparada para Harry e não para Hermione, os danos são maiores, ela não sabia o que aconteceria, mas assim que sentiu a dormência do seu corpo e a paralisação do mundo, soube que havia dado certo. Hermione sentiu como se estivesse no olho de um furacão, ou melhor, o furacão era ela. Ela se sentia rodar e o tempo e o mundo a volta virar um borrão muito claro com várias luzes brilhantes que sussurravam para ela, e então simplesmente parou. Hermione se viu em um lugar preto, sem nada, era apenas tudo negro, mas não estava escuro já que ela se via perfeitamente, era apenas como se estivesse em um fundo negro sem sombras e formas.

Uma linha branca e brilhante apareceu pelo chão passando pelo meio de seus pés e seguindo a frente, Mione sabia que tinha que seguir a linha, e foi o que ela fez, a cada passo, ela escutava os sussurros ficarem mais altos, eles eram acolhedores e reconfortantes. Como uma brisa leve de verão.

Hermione piscou e se viu em um lugar branco, muito branco dessa vez. Ela rapidamente reconheceu como a estação de trem King Cross, e só então se notou sem roupa, pegando uma muda de roupa que estava em um dos bancos ela se vestiu olhando envolta.

- Olá? – Falou hesitante e então escutou, eram passos, vários passos, como se fosse uma multidão.

- Mione. – Ouviu os sussurros e se virou encarando emocionada todos os rostos dos seus entes queridos e amigos, seus pais, Dumbledore, Harry, Ron, Gina, Luna e muitos outros. O que a surpreendeu foi a calma em que eles estavam, com roupas brancas, os rostos serenos e sem nenhuma marca de preocupação.

- Mione, o que você fez, foi um ato de extrema coragem, mas foi imprudente. – Falou Dumbledore se pondo a frente de todos, sua voz era vaga e neutra, carinhosa e com um leve tom de repreensão. – Você tem a chance de mudar o passado e o futuro, então tome cuidado com suas escolhas.

Ele voltou um passo e Harry sussurrou.

- Hermione, você pode mudar tudo, sei que pode.

- Mas Harry, e-eu não sou você! Não sou corajosa nem poderosa o suficiente. –Falou e ele sorriu levemente.

- Já tens a minha magia e a de muitos outros, Hermione. Mas se quiseres, pegas o pouco que ainda me restou. – Ela o olhou sem entender e quando ia questionar, eles sussurraram em uníssono e de forma carinhosa

- Sempre estaremos zelando por você, Mione. Seja feliz. – E então ela apagou.

Uma nova vida irá se fazer presente, com o sacrifício de muitos e a magia de poucos. Uma nova pessoa irá ressurgir.



Notas finais do capítulo

É isso! Espero que tenham gostado. Qualquer erro me avisem!

PS: Nessa fanfic, o Harry morreu na primeira vez, ele não volta.