A disputa pelo Grêmio Estudantil escrita por Lorde Barão


Capítulo 2
Reunião na casa do Lorenzo


Notas iniciais do capítulo

Alguém aí acabou de acordar?
Que tal começar o dia com mais um capítulo dessa fic super hilária?
A propósito, mais uma vez agradeço pelo comentário milagroso de Deschain.
Agora sim, vamos pro capítulo.



Diário de Lucas Monteiro

(continuação)

Mais tarde naquele mesmo dia — Após a escola, nós fomos almoçar na casa de Lorenzo. Durante a tarde, discutimos nossa estratégia para a disputa eleitoral. Estávamos na sala de estar; eu, Urbano e Lorenzo sentávamos no sofá enquanto Helena tava de pé, ao lado de um quadro com várias informações escritas. Ela olhou atentamente pra gente e com essas palavras disse:

— Bem meus caros, de acordo com o que estudamos em filosofia, a palavra política vem do termo grego polis, que significa “cidade”. A política é a arte de governar, de gerir os destinos da cidade. É a atividade por excelência que diz respeito à vida pública.

E a partir daí ela deu toda uma aula sobre filosofia. Confesso que me surpreendi com aquilo, afinal Helena sempre foi cabeça-dura, esquentada, violenta, impulsiva; e pela primeira vez ela tava arquitetando um plano com base em pesquisas sobre determinado assunto. Eu quase a parabenizei pela nobre atitude, mas de repente ela deu um soco potente no quadro. Em seguida, ela jogou o quadro no chão com grande brutalidade e berrou:

— Esqueçam toda essa baboseira! Nunca ganharemos essa eleição com esse lixo de informação!

Meus sonhos e esperanças se desmoronaram, e tudo graças a uma terrível bomba chamada Helena Guimarães. Ela prosseguiu:

— Seguinte galera, vamo precisar de uma estratégia monstro que nos garanta a vitória nessa corrida eleitoral. Vamos, quero sugestões! Não há respostas erradas!

— Ei, tenho uma sugestão — disse Lorenzo, erguendo a mão compulsivamente. — Eu tenho uma sugestão.

— Tá, Lorenzo, fala aê! — autorizou Helena.

— Eu acho — Lorenzo opinou —, que seria uma ótima ideia conquistar a confiança dos eleitores com bolos.

— Tá, e daí?

— Daí que daria cem porcento certo! Todo mundo gosta de bolo!

— Eu protesto! — exclamou Urbano. — Algumas pessoas preferem pudim.

— E que tal se pensássemos na propaganda? — eu sugeri. — Tenho certeza de que nossos concorrentes abusarão disso.

— Bem, eu acho que todas essas respostas tão erradas! — disse Helena, contradizendo aquilo que ela falou há pouco. — Já sei, temos que pensar na propaganda! — exclamou. — Tenho certeza de que nossos concorrentes abusarão disso.

— Uou, Helena, você é mesmo genial! — elogiou Lorenzo.

— Ei, eu falei isso antes! — eu protestei. Às vezes penso que essa brutamontes faz esse tipo de coisa de propósito só pra me incomodar.

— Lucas, cala a boca — ela mandou. — Cê tá atrapalhando nossa reunião.

— Que coisa feia, Lucas — Lorenzo me criticou.

Eu não sei como mas toda vez que fazemos reuniões como essa eu termino sendo o vilão da história. Mas tudo bem, eu meio que tô acostumado com isso. Permaneci sentado no sofá, com Lorenzo e Urbano ao meu lado. Helena continuou:

— Meus caros, para termos alguma chance nessa competição eleitoral, temos que reunir o máximo de informações a respeito desse tal de Gary sei lá das quantas.

— E o Marcos? — questionou Urbano. — Ele também tá concorrendo.

— Arfs, faça-me o favor — disse Helena, tapando o rosto com a mão direita. — Aquele tosco não representa ameaça alguma. Até porque, eu providenciei uma ajudinha extra.

— Ajudinha extra? — eu disse. — E quando exatamente você conseguiu essa ajudinha extra?

— Durante a aula de geografia — ela respondeu. — Fazer o que, aquele assunto tava chato mesmo! Mas enfim, resolvi pedir ajuda a um especialista em diversos assuntos. E creio que ele já esteja presente por aqui.

— Boa tarde a todos — cumprimentou a quinta pessoa presente na sala de estar.

Tomei um grande susto, e com Urbano e Lorenzo não foi muito diferente. Quando vi melhor, notei que havia um garoto vestindo um terno negro atrás do sofá. Seus cabelos pretos eram bem penteados, tinha olhos arroxeados, pele branca e uma voz ligeiramente mais grossa que o normal para a idade dele. Por fim eu o reconheci: Cosme Dvoretsky, um dos mais fortes e temidos estudantes do Centro de Ensino Professor Freitas. Ele se posicionou ao lado de Helena e falou:

— Acredito que todos aqui me conheçam bem, então dispensarei apresentações.

Para ser franco, não gostava muito da ideia do Cosme ajudando a gente. Ele sempre foi muito misterioso e a própria Helena já assumiu uma vez que ela o achava meio assustador. Todavia, devo confessar que, se fosse pra arrumar um aliado nesse período eleitoral, Cosme era a melhor escolha. O garoto é capaz de providenciar qualquer coisa dos bolsos do terno, qualquer coisa mesmo. Uma vez eu o vi tirar um pé-de-cabra de dentro do sapato. E não me pergunte o que raios ele iria fazer com um pé-de-cabra. Isso definitivamente não é do meu interesse.

De qualquer modo, Cosme estava lá com a gente, ao lado de Helena. Eu, Lorenzo e Urbano permanecíamos sentados no sofá, com os ouvidos atentos. O jovem de terno assim disse:

— Meus caros, eu mesmo não conheço direito esse Gary Evans Stewart Globes, mas conheço o tipo de gente que ele é. Um adolescente perfeito em todos os sentidos, atlético, inteligente, bonito, níveis de carisma acima da média. Todos gostam dele, mesmo quando ele age como um verdadeiro boçal. Derrotá-lo é possível, mas vai necessitar de muito esforço.

De um dos bolsos do terno, Cosme tirou um panfleto com uma imagem de Helena em uma armadura majoritariamente lilás, empunhando uma espada e ao lado de um dragão decapitado. Também havia no panfleto a seguinte legenda:

VOTE EM HELENA PARA PRESIDENTE DO GRÊMIO ESTUDANTIL

— Por enquanto — disse Cosme enquanto segurava o folheto — recomendo que colem isso nas paredes da escola. Cheguem lá mais cedo para executarem essa tarefa.

— Com licença! — opinei e me levantei do sofá. — Eu compreendo a importância de espalhar cartazes e panfletos a favor de nossa amiga aqui. Mas qual é o lance do dragão? O que isso tem a ver com o Grêmio Estudantil?

— Ora, Lucas — argumentou Cosme —, todo mundo gosta de heróis, principalmente de heróis que matam dragões.

— É, Lucas! — Helena me criticou. — Isso é tão óbvio, nem sei como você não enxergou isso!

Me estressei um pouco, só pra variar é claro, mas achei melhor permanecer quieto. Urbano se levantou do sofá e falou:

— Tá fera, propaganda é legal, mas cê não tem outra ideia aí não?

— Não se preocupe — respondeu Cosme. — Tenho um servicinho especial.

— Pra quem? — inquiriu Urbano.

Cosme mexeu os dedos indicadores, ora apontando pra mim ora pra Urbano. Por fim os dedos apontaram para Lorenzo.

— Tenho um serviço pra você, meu caro Lombello — confirmou o jovem de terno.

— Eu? — Lorenzo espantou-se.

Cosme o ajudou a se levantar do sofá e explicou:

— Vocês vão precisar coletar informações a respeito de Gary Evans Stewart Globes, e acredito que conheço a pessoa ideal pra isso: Barbara Van Schoorl.

— A chata da monitora? — disse Helena. — E por qual razão cê acha que ela tem informações a respeito dele?

— Elementar — respondeu Cosme. — Quando um novo aluno precisa se matricular na nossa escola, além do histórico de notas também é necessário ter em mãos a ficha escolar. Nas mãos do monitor essa ficha serve para prever os possíveis passos do infrator. Verificar se é preciso ficar de olho nele ou não, em casos extremos o candidato é impedido de se matricular se tiver feito um delito muito grave no passado. Então meu caro Lorenzo, amanhã você deve de conversar com a monitora Barbara e colher todas as informações que conseguir a respeito de Gary.

— Tá, eu entendi — disse Lorenzo. — Embora não saiba exatamente por que eu e não outra pessoa.

Claro que Lorenzo é o único que não percebeu. Praticamente todo mundo na escola sabe que a monitora Barbara se amarra nele. Uma vez estávamos correndo no corredor porque havíamos chegado atrasados para as aulas. A monitora nos pegou no flagra e botou a gente na sala da detenção. Eu, Helena e Urbano ficamos presos em uma jaula, aparentemente usada em um circo até pouco tempo atrás. Adivinha o que aconteceu com o Lorenzo? Pois é, ele e Barbara tomaram um refrescante chazinho, com direito a bolos de morango e uns móveis dignos de um restaurante cinco estrelas. E tudo aquilo aconteceu diante de nossos olhos!

Mas estou divagando de qualquer forma. De volta onde parei, Lorenzo teve uma vontade de tirar uma dúvida:

— Mas Cosme, como exatamente devo de conversar com ela?

— Relaxa meu bom rapaz — ele respondeu. — Você só precisa agir naturalmente, e também precisa vestir uma roupa de marinheiro.

— Tipo, que nem aquele uniforme que visto quando Helena faz as simulações de batalhas?

De um dos bolsos do terno, Cosme tirou um cabide, e nesse cabide havia pendurado um uniforme masculino de uma escola japonesa, mais especificamente para o ensino fundamental. Ele apontou para a vestimenta e disse:

— Na verdade, me referia a algo mais ou menos assim. Acredite em mim, as chances de Barbara abrir o bico a respeito de Gary serão maiores se você aparecer diante dela usando isso.

— Hmmm — Lorenzo pensava —, vou aceitar sua ideia, embora eu ainda não tenha entendido direito esse negócio da roupa de marinheiro.

E assim nosso amigo alegre recebeu a roupa. Para encerrar, Helena aproximou-se um pouco mais de nosso ilustre visitante e perguntou:

— Mas Cosme, me diga aí. Aquele tonto do Marcos tá crente e abafando de que vai ganhar essa joça de eleição, não tá?

— Não se preocupe — respondeu o elegante jovem. — Estou o mantendo na linha, como combinamos.

— Belezinha então — disse Helena. Ela voltou sua atenção pra gente e anunciou: — Então é isso cambada, termina aqui nossa primeira reunião. Então o esquema vai ser o seguinte: amanhã chegaremos na escola uma hora antes das aulas começarem. Colaremos nas paredes o maior número de cartazes que pudermos, e quando aquela chatonilda da Barbara chegar, enviaremos Lorenzo, que vai conversar com a monitora enquanto Lucas vai espiar tudinho. Aquele Gary não tem a menor chance.

Helena tentou cumprimentar Cosme uma última vez, mas para a surpresa dela o misterioso garoto havia sumido, deixando como rastro umas pilhas de panfletos.



Notas finais do capítulo

E surge Cosme, uma de minhas criações favoritas. Não, não tenho curiosidade alguma sobre ele. Sorry.
Até o próximo capítulo.



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