Lua Crescente - Blackswan escrita por Mandy


Capítulo 3
Em Pratos Limpos


Notas iniciais do capítulo

OMG, Andy, não existe leitora mais linda do que você, que amor saber que você me acompanha mesmo nas minhas outras FICs, mesmo que não seja do seu shipp hah s2 Obrigada pela primeiríssima recomendação maravilhosa e rapidíssima, lindona hah

Mas vamos à FIC, Bella vai esclarecer tudo para Jake, o que esperam?



Subi correndo as escadas, tentando prender as lágrimas que teimavam em descer. Ver Alice na minha sala de estar de surpresa não era algo fácil de esquecer. Quando cheguei no corredor, me encostei na parede pensando no que Alice dissera. Tentar viver uma vida longe dos Cullen. Eu mesma não havia pensado nisso menos de uma hora atrás? Então por que agora parecia tão complicado fazê-lo? Do que eu estava com medo?

Respirei fundo e caminhei até a porta do meu quarto. Demorei-me com a mão na maçaneta por alguns segundos considerando se Jake estaria realmente lá dentro. Por fim, abri a porta de uma só vez, dando de cara com meu sol particular sentado na poltrona ao lado da minha cama, olhando para as mãos distraidamente. Não pude evitar a comparação com as várias noites em que ele fazia o mesmo. Quantas vezes eu não acordara de madrugada achando que sonhara com a presença dele quando tudo era bem mais real do que isso? Meu coração doeu com a lembrança e obriguei-me a afastá-la da mente. Precisava me concentrar nas coisas que eu tinha a falar com Jacob sobre os danos que ele causara. Aquela não era hora para saudades.

– Oi... – falei timidamente, chamando sua atenção. Ele desviou o olhar das mãos e levantou a cabeça para me olhar, mas não disse nada – Alice já foi embora...

– Não ficou tentada a ir com ela? – ele perguntou com a voz dura. Estremeci com a frieza em suas palavras e encostei a porta atrás de mim, me recostando sobre ela enquanto tirava os olhos dele para encarar o chão. – Mais algum deles vai voltar? – ele perguntou com raiva. Neguei levemente com a cabeça e cruzei os braços na frente do corpo, machucada por sua frieza.

Que desastre! Como pude perdê-lo tão completamente em tão pouco tempo? Será que ele me perdoaria por ter preferido vir ver o Cullen que estava em minha casa ao invés de ficar com ele? E se não perdoasse?

Bati a cabeça de leve na porta e enterrei o rosto nas mãos. Como pudera criar essa confusão toda? Mas o que eu teria feito de diferente? Mesmo percebendo isso agora, eu não podia pensar numa maneira melhor, em nenhuma atitude melhor.

– Bella...? – perguntou Jacob numa voz trêmula.

Tirei o rosto das mãos ao ver Jacob hesitando de pé na frente da poltrona. Só quando vi as gotas claras cintilando em minhas mãos foi que percebi que estava chorando. Com um susto, percebi que o telefone começara a tocar. Abri a porta sem olhar para Jake e desci as escadas correndo, querendo alguns segundos para me recompor.

Quando cheguei à cozinha, segurei firme o fone antes de leva-lo ao ouvido, não sem antes ter certeza de que minha voz não me denunciaria.

– Alô? – falei ao atender. Não houve resposta. – Alô? Tudo bem? – perguntei de novo. Após alguns segundos de silêncio, a linha caiu. Fiquei olhando confusa para o telefone antes de devolvê-lo a base.

Apoiei-me na pia apenas para encontrar Jacob. Sua expressão irritada se fora; sua face era angustiada e insegura. Ele se colocou depressa na minha frente, baixando a cabeça para que seus olhos ficassem na altura dos meus.

– Eu fiz de novo, não foi?

– Fez o quê? – perguntei, a voz rouca.

– Quebrei minha promessa. Desculpe.

– Tudo bem – murmurei. – Desta vez quem começou fui eu.

Seu rosto se retorceu.

– Eu sabia como você se sentia com relação a isso. Não devia ter me surpreendido em nada.

Eu podia ver a revolta em seus olhos. E eu tinha tantas coisas para explicar...

– Você entrou na casa com a esperança de encontra-lo, não é? – ele perguntou, sorrindo tristemente. A dor em seus olhos era tão forte que considerei terminar com a distância entre nós e apenas o abraçar.

– Jacob, eu... Eu não sou como um carro que você pode consertar. Nunca vou funcionar direito. Eu estou completamente vazia, como... Como uma concha que você encontra na orla da praia, eu... – comecei a falar. Jacob tentou me interromper, mas agora que eu começara a falar, eu não conseguiria parar. Ergui uma mão em sinal para ele se calar e continuei sem pausas: - eu não pulei daquele penhasco porque queria me divertir. Não tive a ideia de consertar as motos porque eu de repente fiquei interessada por motociclismo. Eu fiz essas coisas porque descobri que era um modo de ver Edward. – parei por um momento e respirei fundo antes de continuar diante da dor que o nome e a falta dele me causaram – Eu escuto a voz dele quando me coloco em perigo. E apesar de saber que tudo isso é uma loucura total, eu precisava disso. E mesmo assim eu quero ficar com você, quero conseguir retribuir ao menos um pouco do amor que você sempre me deu. Quero que você esteja comigo e me ajude, mesmo que pareça ser uma total perda de tempo e que talvez não funcione. E eu prometi que te contaria toda a verdade antes de deixa-lo decidir se ainda ia me querer depois disso, se continuaria do meu lado como disse então eu o libero da sua promessa. – Fiz uma pausa sentindo um bolo se formar em minha garganta e meus olhos começarem a arder. – Eu vou entender se tudo isso for demais pra você, se você sentir que eu te dei falsas esperanças e...

– Bella... – ele me chamou dando um passo em minha direção e segurando meu rosto entre as mãos, me fazendo olhar para ele – Eu sei que você tem estado infeliz desde quando ele se foi. Eu sei todo o estrago que ele causou e odeio o que ele fez com você. Por Deus, só eu sei o quanto eu quero ser capaz de fazer toda a sua dor ir embora! – ele disse, agora muito perto de mim – Mas eu não pretendo quebrar minha promessa agora. E só irei embora se você quiser que eu vá. Kwop kilawtley¹.

Uma onda de alívio e felicidade se espalhou por mim e eu me surpreendi com a sinceridade com que eu fiquei feliz quando o ouvi dizer aquilo. Talvez fosse um erro o jeito que egoísta com o qual eu esperava retribuir o amor tão completo que eu sei que ele me daria, mas eu precisava de Jacob; precisava dele como de uma droga.

Eu o usara como muleta por muito tempo e fora mais fundo do que pretendia ir com qualquer outro. Agora não conseguia suportar que ficasse magoado, e ao mesmo tempo não podia impedir que eu o magoasse. Ele achava que tempo e paciência me fariam mudar, e embora eu soubesse que ele estava tremendamente errado, sabia também que o deixaria tentar.

Jacob levou uma das mãos para o meu pescoço, encostando levemente seus lábios nos meus e eu fechei meus olhos, imóvel. Senti quando sua boca quente e macia pressionou a minha com uma gentiliza que não combinava com seu tamanho. Muito calmamente, os lábios de Jake começaram a se movimentar contra os meus e eu retribui da mesma forma. Naquele beijo entreguei a ele todos os meus caquinhos, sabendo que, enquanto ele estivesse comigo eu seria capaz de não desmoronar de vez.

Mas, do contrário da forma suave em que começou, Jacob se afastou abruptamente, sentando-se em uma das cadeiras da mesa da cozinha.

Charlie abriu a porta um segundo depois.

– Todos estavam péssimos, Bells. Ninguém esperava que o velho Harry fosse embora tão cedo – ele disse guardando o casaco marrom no cabideiro ao lado da porta.

– Sinto muito, pai. – falei meio que no automático quando me recuperei da separação repentina de Jacob, indo até meu pai e o abraçando brevemente, ainda abalada por tudo o que acontecera. Pelo canto do olho, pude ver Jake nos observando com um sorriso mal disfarçado no rosto.

– Jake? – Charlie perguntou, finalmente percebendo Jacob sentado tranquilamente na cozinha. Meu pai revezava olhares entre ele e eu de forma curiosa e surpresa. – Que bom te ver aqui, garoto. Chegou há pouco tempo?

– Uma hora, mais ou menos. Estava com Bella na reserva e trouxe ela pra casa. – ele deu de ombros.

– Já vou arrumar seu jantar, pai. – eu disse, ansiosa para interromper o caminho que os pensamentos de Charlie poderia tomar. Fui em direção à pia e me abaixei para pegar uma panela, enchendo-a de água e colocando-a no fogão para ferver enquanto pegava o macarrão no armário, sem encará-los.

– Vai ficar para o jantar, garoto? – Charlie perguntou animadamente pegando uma cerveja na geladeira e sentando-se em uma cadeira perto de Jacob.

– Claro, Charlie. Vamos ver se a Bells já está pronta para casar – ele respondeu rindo com Charlie e eu deixei a embalagem com o macarrão cair ruidosamente na pia, fazendo-o rir ainda mais.

– Vai com calma, Jake. – Charlie o cortou ainda rindo de leve. Despejei o macarrão na água quente e fui pegar algumas frutas para fazer um suco. Jacob apareceu ao meu lado em poucos segundos.

– Deixa eu te ajudar. – disse pegando as frutas da minha mão e sorrindo. Mordo o lábio inferior olhando para Charlie, que nos observava em silêncio, e coloco uma mecha do meu cabelo atrás da orelha.

– Sue está arrasada. Não parava de abraçar o filho mais novo, 14 anos, não parava de chorar. A menina ficou o tempo todo distante, a mais forte dos três. – Charlie continuou. Tentei imaginar a cena. Podia ver Seth claramente péssimo e Leah guardando toda a dor para ela. Ela acabaria por se tornar a rocha do irmão e da mãe. – Como foi a tarde em La Push? – ele perguntou. Olhei de relance para Jacob e me senti aliviada ao ver que ninguém o avisara sobre o desastroso pulo do penhasco.

– Ótima, pai. Ficamos um pouco na praia e depois fomos para a casa do Jake – falei tentando soar convincente. Ficamos em um silêncio amigável por algum tempo até que, em alguns minutos, misturei o molho no macarrão e o servi para Jacob e Charlie, encostando-me na pia com os braços cruzados e esperando a reação do meu mais novo degustador.

Charlie comeu normalmente, mas Jake fez suspense, teatralmente colocando apenas um pouco do macarrão na boca e fazendo uma careta fingida antes de sorrir e comer mais, sem parar.

– Muito bom, Bells, já tem minha bênção. – ele falou com a boca cheia e eu ri apertando os olhos. O som da minha risada me pareceu estranha aos meus ouvidos, mas a sensação foi tão boa e já desconhecida que ri mais uma vez só para não perde-la. Depois de tudo o que acontecera desde o episódio no penhasco, com Alice e com Jake, a sensação fez com que eu me sentisse mais leve, aliviada. Como se eu estivesse com uma arma apontada para minha cabeça e, de repente, ela fosse afastada. – Cara, eu estava com fome!

– Você é um saco sem fundo, Jake, parece que fica maior a cada vez que eu te vejo! O que eles dão pros meninos da reserva? – Charlie resmungou, enfiando mais macarrão na boca. Jake apenas deu de ombros. - Jake, fica pra ver o final do jogo? – ele perguntou quando acabaram.

– Na verdade não. Vou voltar e ficar com o Billy um pouco. – Jacob respondeu se levantando e espreguiçando os braços acima da cabeça – Estava ótimo, Bells, obrigado. – ele disse me abraçando de lado e beijando o topo da minha cabeça. – Tchau, Charlie, Bells. – ele se despediu indo em direção à porta da sala, não sem antes me direcionar um sorriso brilhante. Sorri de canto e continuei olhando enquanto ele saia e Charlie ia para o sofá. Não seria fácil dedicar todos os meus pedaços a amar Jacob. Mas eu já não o entregara todos eles para que ele os juntasse para mim? Ele merecia aquilo. Era o certo. E eu estava disposta a fazê-lo.



Notas finais do capítulo

Como a Bella vai fazer agora pra conseguir se abrir de novo? Hm, cenas de um próximo capítulo, migoss.
Se inspirem na Andy e apareçam pra mim, vamos lá, obg s2



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