A Espera escrita por Andy


Capítulo 1
Capítulo Único


Notas iniciais do capítulo

Olá, todo mundo! Esta é só uma oneshot bem curtinha e simples, que eu escrevi como um desafio a mim mesma. Nunca tinha escrito nada de Harry Potter antes, apesar de ser fã da série desde que eu me entendo por gente, haha! Espero que gostem!




Ronald Weasley suava da ponta dos cabelos ruivos à ponta do dedão do pé. O terno herdado de Jorge, um pouco largo demais, parecia colado a seu corpo. Cada músculo em seu estava tenso e ele parecia um boneco de Lego, parado ali com os braços rigidamente esticados ao lado do corpo. Todos comentavam sobre como ele parecia estranho. Ele mudava de cor constantemente — do vermelho para o branco para o verde.

— Relaxa, cara! — A voz de Harry o fez saltar a quase um metro de distância, e ele voltou para o lugar em dois passos rápido, torcendo para que ninguém tivesse visto. A julgar pela risada alta de Jorge, não deu certo.

— Caracas, Harry!

— As pessoas estão começando a notar. Para de dar uma de esquisito. — O padrinho sussurrou, tentando segurar o riso.

— É, quero ver quando for a sua vez! — Rony respondeu entredentes.

O sorriso desapareceu do rosto de Harry ao pensar naquilo. Faltava pouco agora. Logo após o casamento de Rony, era a hora de eles trocarem de papel. Ele apenas engoliu em seco e se afastou, dando um tapinha amigável no ombro do amigo.

Rony olhou ao redor, tentando evitar os olhos do monte de familiares e amigos que estavam reunidos ali. Molly olhava dele para o Harry e de volta a ele, com um sorriso que parecia permanentemente marcado em seu rosto. Ele só sumira dali uma vez, há alguns minutos atrás, quando ela teve que dar um tapa na orelha de Jorge, que estava cochilando, ameaçando arrancar-lhe a outra orelha desta vez, se ele não se comportasse.

A larga tenda, armada no quintal da velha Toca, exatamente como tinha sido para o casamento de Gui, estava completamente decorada com flores; Hermione e Gina quiseram investir no tom primaveril, aproveitando a chegada da estação. Rony tinha sido contra — as flores o faziam espirrar — e Harry tinha ficado “em cima do muro”, como se diz. Então, é claro, as noivas ganharam.

Rony podia jurar que ouvia o tique-taque do relógio, embora não houvesse nenhum relógio para fazer tique-taque por perto. Mais de uma vez, ele arregaçou as mangas do terno para olhar o pulso, só para descobrir que não estava usando relógio nenhum, como aliás nunca usava mesmo, por mais que Hermione tivesse insistido durante algum tempo. Ele começou a bater o pé direito no chão, um tique nervoso sobre o qual ele não tinha nenhum controle. Ele espiou o altar atrás de si por sobre os ombros e voltou a cabeça para frente rapidamente, apertando os olhos.

“Ela não vem, ela não vem, ela não vem.... Ela desistiu, ela não me quer mais, ela não vem... Maldita ideia da minha mãe de fazer elas se arrumarem longe daqui, na casa da Fleur, para eu não poder ir lá espiar, ela não vem, eu tenho certeza de que ela não vem; a uma hora dessas ela já deve ter aparatado para bem longe, ela já deve estar com o Krum. É eu tenho certeza de que ela está com o Krum, sempre foi o Krum. Ela não...”

Naquele momento, a música começou a tocar, e Ronald arregalou os olhos, o coração saltando no peito e expulsando qualquer visão de Vítor Krum que ainda resistisse em seus pensamentos. As pernas dele começaram a tremer. Muito. Incontrolavelmente.

E então ele a viu.

Hermione Granger entrou de braços dados com Arthur Weasley, já que o pai dela não pôde estar presente, porque nem se lembrava que era o pai dela. Ela tinha lágrimas nos olhos e estava absolutamente linda, com seu vestido rosa claro, quase branco e o cabelo comprido decorado com flores. Ela riu de leve ao ver o estado em que Rony se encontrava, parecendo prestes a desmaiar. Ela mesma se sentia fora de si de felicidade e procurou olhar os rostos de todos os presentes enquanto andava lentamente em direção ao noivo. Todos os amigos estavam ali; era tudo o que ela sonhara.

Rony não conseguia tirar os olhos dela. Ele sentiu os olhos se encherem de lágrimas e não fez esforço nenhum para contê-las. Jorge resmungou alguma coisa sobre ser a Hermione quem devia estar chorando, ganhando uma cotovelada da mãe, cujo rosto já estava vermelho de tanto chorar. Ele quase caiu em cima da Luna, e se desculpou rapidamente. Ao seu lado, Angelina enxugava as lágrimas o tempo todo.

Harry sorriu para Hermione quando ela olhou para ele. Ela fez uma breve careta, como se disse “Quem diria, não é?”, e Harry riu de leve. Ele olhou para Rony; podia jurar que nunca havia visto as orelhas do amigo tão vermelhas antes. Ele tratou de ficar preparado caso precisasse se deslocar de seu lugar de padrinho e socorrer o noivo, se ele ameaçasse desmaiar.

Quando finalmente a noiva chegou até Rony, Arthur sussurrou:

— Você fez uma ótima escolha, meu filho. Eu tenho certeza de que vocês serão muito felizes.

Hermione corou, sorriu e disse um “obrigada” baixo. Rony arregalou os olhos para o pai, parecendo apavorado. Arthur ignorou o pedido de socorro no rosto do filho e se virou para se juntar a Molly, que o agarrou num abraço úmido de lágrimas, quase partindo-o ao meio.

Rony não ouviu nada que o bruxo que conduzia a cerimônia dizia, e Harry teve que pigarrear alto para chamar a atenção dele na hora de dizer “Eu aceito” — o que ele fez aos berros, provocando o riso de todos. Quando o bruxo disse “Pode beijar a noiva”, foi Hermione quem teve que puxá-lo, porque ele continuava não reagindo, como se não estivesse ali. Só depois disso foi que ele entendeu o que estava acontecendo. Estava casado!

— Hermione... — Ele sussurrou, abrindo o maior sorriso do mundo para ela.

— Bem-vindo ao seu casamento, Sr. Weasley! — Ela lhe deu um beliscão de leve no braço (talvez não tão de leve assim), antes de se voltar sorrindo para as pessoas que aplaudiam.

— Por um momento, eu pensei que você não vinha!

Ela olhou para ele, e ele deu uma risada nervosa. Ela revirou os olhos e o puxou para um beijo rápido:

— O que seria sinal de que eu teria recobrado meu bom senso, não é? — Ela riu de leve quando ele arregalou os olhos. — Você é mesmo um idiota. — Ela o puxou, enroscando o braço no dele. — Mas é o meu idiota.

Rony deixou que ela o arrastasse pelo tapete vermelho, sorrindo como um bobo-alegre. Ele mal ouvia os cumprimentos que as pessoas gritavam. Nunca antes na vida se sentira tão feliz por ser um idiota.





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