Kitty's Pride escrita por Bree


Capítulo 2
Um bilhete reconfortante


Notas iniciais do capítulo

Depois de um longo hiato...



Ottercrow era uma soberba propriedade que fazia fronteiras com Goldenshaw e, não fosse pela vaidade do proprietário, estaria locada por todas as temporadas. Kitty tinha estado no lugar por uma ou duas vezes, quando caminhava com o sobrinho, e tinha uma opinião muito favorável sobre o terreno. Jane mal pôde esconder o contentamento por receber novos vizinhos.


— Isso é maravilhoso! – Começou ela. – Como chegou aos seus ouvidos?


— Harry e eu cavalgamos pela cerca ao sul daqui e tivemos o prazer de encontrar Sir. Nichols em sua inspeção pelos campos de Ottercrow. Ele mesmo me deu a notícia. – Disse Bingley, que parecia nutrir os mesmos sentimentos que a esposa. Kitty se orgulhava do gênio amável dos dois, mesmo admirando muito mais o poder de julgamento dos Darcy.


— Pensei que Sir. Nichols havia desistido da locação. – Observou Kitty, um pouco desatenta, remexendo sua refeição. Se recordava apenas de um encontro com Sir. Nichols em um jantar em Pemberley, e das palavras dele a respeito do ‘‘inquilino ideal’’.


— Ele me confidenciou que estava tendo problemas quanto ao valor, já que Ottercrow precisa de muitas libras para ser mantida, mas isso não é um estorvo para os Höwedes. – Informou Bingley.


— São estrangeiros? – Quis saber Jane, que tinha ligeira fascinação por sotaques.


— Descendentes. Viveram fora do país por um ano ou mais. São em quatro e devem chegar amanhã mesmo, pelo fim da tarde.


— Mal posso esperar para conhecê-los – Declarou Jane. – Não que os Walter não sejam uma companhia agradável, e até mesmo os Bolton. Não me entendam mal. Mas é agradável conhecer novos perfis. – Continuou ela, falando dos vizinhos mais próximos. Kitty sufocou uma expressão de desdém ao ouvir o sobrenome de Amélia, Lara e Susan Bolton, senhoritas tão esnobes quanto tolas, crentes de possuírem uma superioridade que claramente lhes faltava. O lado mais desagradável do clã Bolton, admitiu Kitty para si mesma, era a mãe: Lucille, que tinha como principal ocupação movimentar os mexericos do condado e importunar Kitty em todos os bailes possíveis.


— Eu não tentarei disfarçar, caro Bingley, serei eternamente apaixonada pelos Höwedes se eles afastarem as Bolton em todas as reuniões. – Observou Kitty, sendo repreendida suavemente pela irmã. O cunhado se limitou a rir, ajeitou-se na sua cadeira para partilhar todas as informações que conseguisse.


— Há um casal, Sr. e Sra. Höwedes, ele é um comerciante de tecidos muito respeitado, fornece para quase todo o continente. – Começou Bingley, enquanto a criada lhe entupia o prato com cordeiro assado. – Eles tem uma filha solteira, de aproximadamente dezenove anos e um sobrinho que mora com eles, um jovem com reputação questionável mas muito inteligente. Possuem um filho casado que permaneceu no exterior, mas sobre ele Sir. Nichols sabe pouco.


— Estranho se mudarem tão perto do inverno. – Observou Kitty, que apesar da pouca experiência, sabia que nessa época do ano as pessoas preferiam as cidades. A jovem deixou passar propositalmente o assunto da ''reputação questionável'', sabendo que o cunhado não lhe daria detalhes suficientes, mas fez uma nota mental para extrair o que pudesse de Sir. Nichols e até mesmo Georgiana Darcy.


— Talvez tenham se cansado do ritmo urbano. Céus, há tanto barulho e tantos compromissos. – Justificou Jane. Kitty não teceu outro comentário de imediato e prosseguiu sua refeição.


— Veja, cunhada, nós mesmo temos evitado Londres. – Lembrou Charles.


— Fico muito impressionada com a energia que gastam defendendo as outras pessoas. – Brincou, Kitty. A jovem tinha certeza de que quando o assunto fosse levado até os Darcy, esses seriam mais racionais e com certeza a divertiriam muitíssimo.


— Está ficando tão amarga quanto Mary. – Alertou Jane, entre uma colherada e outra.


— Não me condene assim! Não sou tão pouco compreensiva quanto minha amada irmã. – Disse Kitty. – O que quero dizer é que não posso formar uma opinião imparcial diante desse comportamento. A neve deveria afugentá-los.


— Talvez gostem dos campos nevados. E Ottercrow conta com um aquecimento impecável. – Lembrou Charles novamente.


— Nem todas as lareiras do mundo dariam razão a escolha de Derbyshire em relação a Alemanha em épocas frias. – Disse Kitty, que se tornara tão desconfiada quanto um coelho na temporada de caça.


— Não acredito que o frio vindouro seja sua preocupação ao julgar os novos vizinhos, Kitty. Está ansiosa para numerar seus deslizes como faz com Amélie e Susan Bolton. – Disse Jane, acenando para que lhe fosse servida mais uma taça de vinho. Ao mesmo tempo, um criado acendia mais velas pelo ambiente, a fim de dar mais conforto aos patrões.


— Amélie e Susan são casos específicos, Jane. Sabe muito bem que elas querem me incluir em uma disputa infundada para sabermos quem se casará primeiro. É deprimente. – Lembrou Kitty, com certo amargor na boca.


— Bom, de uma coisa podemos ter certeza. – Começou Charles, muito divertido com a sinceridade da cunhada. – Eles são uma família muito mais tranquila que os Bolton. Seja lá qual for a estação.


— Viu? Até Charles admite, mesmo não expressamente, que elas são pouco recomendáveis. – Disse Kitty.


— Ei, eu não sugeri isso! – Se apressou Bingley em se retratar.


— Não dê atenção, Charles. – Jane disse. – Kitty recebeu uma carta de nossa mãe, está mais irritável.


— Isso não é verdade. Não me deixei afetar. – Garantiu Kitty, sabendo em seu íntimo que era mentira. Muitas teorias a respeito dos futuros vizinhos foram formuladas no decorrer da noite, e quando todos se recolheram para dormir, Kitty estava farta de todos os Höwedes do mundo. Ela usou alguns minutos de insônia debruçada sobre a mesinha de seu belo quarto, escrevendo algumas linhas para a mãe.


Querida Mamãe;
Espero que ao ler meu bilhete tanto a senhora quanto minha irmã e meu pai estejam bem e gozando de plena saúde. Transmitirei seu carinho e notícias a minhas irmãs, e sei que Lizzie ficará muito feliz. Quanto ao motivo de ter me escrito, posso assegurar que Lady Lucas e a senhora não deveriam gastar tanto tempo pensando nisso. Estou ciente da brevidade da juventude e dos predicados passageiros que me recomendam para um bom casamento, mas lhe asseguro que estou bem. Estou verdadeiramente bem.


Com todo o amor do mundo;


Sua Kitty.





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