Apenas uma garota... escrita por Luana Nascimento


Capítulo 47
Capítulo 46 - Reencontro


Notas iniciais do capítulo

Oi!
Alguém ainda acompanha essa história?
Enfim, espero que gostem :)



 

Acordei sentindo-me ansiosa. O aniversário de Jaden era naquele dia. Ele dormia ao meu lado, cansado da rotina que se submetera. De manhã, aulas; de tarde, continuava com Mr. Wang; pela noite, dividia-se entre uma pesquisa na área de biologia com Ms. Cole, professora do último ano, nas segundas e quartas e as aulas de boxe nas terças e quintas. Sim, ele entrou em um projeto de pesquisa. Não sabia como ele conseguia lidar com tudo isso. 

— Eu me ocupo para não dar tempo de pensar —, ele me contara quando perguntei por que ele fazia aquilo. 

Eu ainda achava que era suicídio, mas ele parecia lidar bem com tudo isso. Acariciei seu rosto adormecido e ele quase sorriu, estremecendo suavemente. Sorri. O despertador começou a tocar e ele franziu o cenho. Desliguei e o chamei: 

— Bom dia. Hora de acordar, anjo xingador. 

Ele virou-se para o outro lado, murmurando alguma coisa incompreensível. Abafei uma risada e me aproximei ainda mais, beijando o seu pescoço e sussurrando: 

— Jaden, meu amor? 

— Hm. 

— Hoje é um dia especial... 

Ele inspirou profundamente, virando-se: 

— E eu já recebi o meu presente — ele me deu um selinho generoso, esfregando os olhos e sorrindo logo depois. — Tudo bem? 

— Claro! Feliz aniversário. — Beijei sua testa e seus lábios. 

— Sem presente de aniversário? — ele reclamou. 

— Você não acabou de dizer que já recebeu? Hein? — Comecei a fazer cócegas nele, que riu e o som das suas risadas preencheu o quarto. 

— Ok, ok. — ele pegou as minhas mãos e me puxou em direção ao seu corpo, me fazendo rir. — Temos que ir para a escola, certo? 

— Infelizmente. Por mim tiraríamos o dia de folga. É seu aniversário! As pessoas não deveriam trabalhar nem estudar no aniversário delas. 

Jaden riu, bem-humorado. 

— Se todo mundo seguisse a sua filosofia, o mercado mundial provavelmente iria falir em uma semana. 

Tive que rir com a afirmação. 

— Provavelmente, meu jovem namorado. 

Jaden se levantou, alongando-se. 

— Isso é injusto. Você sempre acorda tão linda — ele reclamou e eu ri. 

— Você sempre acorda sonhando? 

Ele deu uma gargalhada cristalina, a mesma que fazia meu coração sentir que o mundo girava para o lado certo, afinal. 

— Exagerada — ele beijou minha testa. — Vou para o meu quarto oficial tomar banho para acordar, então. 

— Ok. 

Assim que ele saiu do quarto, eu entrei no banheiro. Precisava fazer minhas necessidades básicas, afinal. Vesti um moletom rosa claro, uma calça preta, os tênis de corrida. Ri de mim mesma. Não era muito elegante, eles deixavam meus pés maiores do que eram, mas ao menos me deixavam um pouco mais alta. 

Saí do meu quarto e fui ao quarto de Jaden. Ele ainda colocava seus tênis, o torso nu definido e bonito. Me aproximei e dei uns beijinhos nele. 

— Nem comece ou realmente vamos passar a manhã aqui — ele pediu divertido. Sorri e me afastei. 

— Se você diz. 

Ele colocou uma camisa azul e me abraçou, me beijando. 

— Sim, realmente poderíamos passar o dia aqui — concordei quando ele me afastou. — Vamos tomar café? 

— Estou faminto. 

Descemos a escada e minha mãe nos esperava com um café da manhã legitimamente americano: café preto, leite, suco, bagel, muffins, ovos cozidos mexidos com bacon, waffles, pão torrado e manteiga de amendoim. 

— Um café da manhã estadunidense para o meu estadunidense favorito. — minha mãe afirmou. Jaden sorriu, sem saber exatamente o que fazer. 

— Poxa, eu nem sei como agradecer. 

Minha mãe o abraçou gentilmente. 

— Feliz aniversário, Jaden. 

— Obrigado. Muito obrigado, de verdade. 

Sentamo-nos à mesa e eu me permiti ter boas expectativas quanto àquele dia. 

******************** 

Pedi para Melinda adiantar os detalhes da festa surpresa de Jaden. Eu precisava saber como seria o encontro entre Mr. Lancaster e ele. Tudo bem, eu poderia dizer como foi o dia de aula, mas é algo que alguém realmente quer saber? O dia estava prestes a ficar bem mais interessante que uma aula de física — e olha que é algo difícil de acontecer, pelo menos para mim.  

Assim que deu 2:00 p.m., eu me tranquei no meu quarto e me preparei ao deitar na minha cama. 

— Elizabeth, você tem certeza de que isso vai dar certo? 

— Já deu certo uma vez, lembra? 

— Em um prédio fechado à noite — retruquei, ainda incerta. 

— Confie em mim, jovem vidente. Vai ser como um passeio no parque. 

Suspirei, reprimindo minha desconfiança. 

— Ok... vamos começar, então. 

Elizabeth me puxou suavemente, como se estivéssemos em uma superfície sem atrito. Logo estávamos no mercado do Mr. Wang no exato momento em que David Lancaster entrava lá e olhava para uma prateleira aleatória. 

— Vá atender o homem, Jaden. Da última vez que alguém com um terno tão caro entrou nessa loja, ele era da máfia italiana. 

Jaden olhou para o seu chefe: 

— Isso é sério? 

Eu tive que rir: 

Meu Deus, Elizabeth, ele foi ótimo!” 

Mr. Wang é um ancião rígido e bom ao mesmo tempo. Poucos conseguem essa proeza”. 

Eu havia falado com Mr. Wang em um dia que Jaden estava no boxe para nos ajudar com a reaproximação, mas não imaginei que ele teria essa criatividade.  

O idoso não respondeu, continuando a organizar o caixa. Jaden limitou-se a se dirigir para onde David estava e indagou: 

— Posso lhe ajudar, senhor? 

— Claro. Você é Jaden Pendlebury, certo? 

Jaden sobressaltou-se. 

— Sim, sou eu. 

— Meu nome é David Lancaster, Tommy trabalha comigo. 

— Oh. — Jaden pareceu lembrar quem era o patrão de Tommy: alguém extremamente rico. — Você pediu a Donald para ser meu advogado. 

— Sim. Prazer em conhece-lo. — ele estendeu a mão para Jaden, que a apertou, parecendo desconfiado. — Gostaria de ter lhe conhecido antes, mas eu sou um pouco ocupado. 

— O senhor veio me cobrar o favor que me fez? — Jaden indagou receoso. 

— De certa forma sim, mas não como você espera. Eu quero saber quem ajudei. Normalmente não concedo um favor para quem não conheço, mas Tommy é família. E ele disse que você é um bom garoto. 

Jaden sorriu, meneando a cabeça. 

— Isso é relativo.  

— Você pode sair agora do seu trabalho? 

— O senhor vai precisar convencer meu chefe antes. E ele disse que o último cara de terno caro que entrou aqui era da máfia italiana. 

David riu agradavelmente — provavelmente de nervoso — e Jaden sorriu também. Era insano ver dois sorrisos tão parecidos juntos. 

— Eu não sou da máfia italiana, isso eu posso garantir. Vou falar com o seu chefe. Espere aqui, por favor. 

David pagou $500 para que Jaden saísse do trabalho mais cedo, mas imaginei que fosse mais do que isso. Talvez Mr. Lancaster estivesse agradecendo ao Mr. Wang por ele ter aceitado Jaden na sua loja e no seu apartamento. Após isso, ambos saíram da loja. 

— Eu precisava sair daquele escritório. — David desabafou, a voz surpreendente espontânea. — O que está achando da sua folga? 

— Eu precisava sair daquele mercado. — Jaden constatou sorrindo. David sorriu também, encaminhando o assunto.  

— Enfim, Tommy não me deu muitos detalhes sobre você, a não ser que você tinha perdido os pais e que você foi adotado. 

— É, é bem isso mesmo. — Jaden contraiu sua expressão. 

— Mas pessoas são mais do que problemas, certo? 

— Acho que sim. 

David sorriu amistosamente para Jaden, tentando quebrar a tensão do seu ouvinte: 

— Eu sou só um cara aleatório querendo conversar, jovem Pendlebury. Ignore o que por acaso já ouviu falar sobre mim e não fique tão tenso. 

— Ok, posso tentar. — Ele pareceu sentir dificuldade em fazer isso.  

— O que o fez ficar em Vancouver? 

Ele não pensou nem um segundo antes de responder:  

— Meus amigos. Eles foram tudo o que me restou depois que meus pais adotivos faleceram. Eu já tinha me acostumado à cidade também, tinha começado com Mr. Wang há pouco tempo... e fiquei bastante atordoado. Foi muito súbito. 

— Mas você teve presença de espírito o suficiente para demonstrar e defender a sua vontade de ficar na cidade. Isso é admirável. 

— Obrigado. — Sua expressão lembrava alguém que comera algo amargo demais. 

— De qualquer maneira, você passou por algo que ninguém deveria passar na sua idade. Fico feliz pelo apoio que você recebeu. — Notando que Jaden ficou mais taciturno, David mudou de assunto: — Tommy também disse que você toca violino muito bem. 

A sombra de um sorriso passou pela expressão do meu namorado: 

— Não sei se toco muito bem, mas sim, é meu hobby. 

David sorriu junto: 

— Por que você diz isso? Muita gente lhe já afirmou que você toca muito bem? 

— Tipo isso. Meus amigos, minha namorada... 

— Já pensou na possibilidade de eles não estarem errados? 

O sorriso de Jaden efetivamente apareceu no rosto dele, como o sol despontando das nuvens de um dia nublado: 

— Posso tocar para o senhor algum dia, então o senhor pode tirar suas próprias conclusões. 

— Você fica mais à vontade me chamando de senhor ou de você? Pode me tratar por “você”, se preferir. 

Jaden pareceu pensar. Elizabeth se deslocou e sussurrou no ouvido dele: 

Pode chama-lo de você. Ele é confiável e você sente isso”. 

— Eu tentarei lhe tratar por você, mas é difícil, porque o s... você é um pouco intimidante. 

David suavizou a expressão e sorriu: 

— As pessoas se esquecem que todos nós somos humanos. Pense em mim do seu lado em um mictório e tudo ficará mais fácil. 

Jaden deu uma gargalhada tão agradável que eu sorri junto. David Lancaster realmente tinha um senso de humor torto. 

— Essa foi uma ótima analogia. 

— Ah, isso me ajudou bastante quando tive que começar a falar em público. De qualquer forma, seria ótimo você tocar para mim, mas gostaria de que a minha família estivesse presente também. Minha filha, Eleanor, quer aprender a tocar flauta. Ela tem seis anos e é um doce. Minha esposa adoraria lhe ouvir. Carter... bem, violino não faz muito o estilo dele, a não ser que você consiga tocar alguma música punk em um instrumento clássico. — Jaden sorriu e meneou a cabeça. — Enfim, acho que eles iriam gostar de você. 

— Bem, se você diz... É o mínimo que posso fazer pelo imenso favor que você me prestou. 

David sorriu e abaixou a cabeça, disfarçando sua comoção. 

— Tommy não estava errado, você é mesmo um bom garoto. 

Três segundos de silêncio e Jaden teve que perguntar: 

— Você foi o cara que Shelly entrevistou para o trabalho de química, não foi? 

O empresário nem se importou com a gíria no meio da frase. 

— Foi, foi mesmo. Tinha até me esquecido daquela entrevista. Ela é inteligente, determinada e insistente. 

— Ela é minha namorada. 

David simulou surpresa: 

— De verdade? 

— Sim. 

— Então você tem mais sorte do que admite, Jaden. 

Meu namorado sorriu, desviou o olhar e pigarreou, como se estivesse sem graça. 

— É, acho que tenho. Ela é muito gentil e incrível. Acho que foi a melhor coisa que me aconteceu nesses últimos tempos. Acho que está perto do nosso primeiro aniversário de namoro, o primeiro mês, mas não lembro a data. Espero que vocês não sejam muito próximos para que ela não saiba que me esqueci disso. 

David riu e eu sorri, sentindo o meu coração aquecido pelo que Jaden disse sobre mim. 

É daqui a quatro dias, anjo xingador”, respondi em pensamento. 

— Depois que você se casa, fica pior, porque é só de ano em ano, não de mês em mês, fica mais fácil esquecer. É difícil dizer algo sobre namoro nessa idade, mas espero que a relação de vocês dure e que seja boa. Que traga o melhor de vocês. 

— Obrigado, David. 

Mr. Lancaster pareceu se conter. Respirou fundo e finalmente encaminhou o assunto: 

— Você deve estar se perguntando porque eu saí do meu escritório hoje. 

— Talvez. 

— Quer saber o motivo? 

— Só se o senhor quiser falar. 

— Ontem fez catorze anos do desaparecimento do meu primogênito e hoje ele faria ou fará dezoito anos. 

Jaden se sobressaltou com aquela informação, mas aparentemente optou por não compartilhar que seu aniversário era naquele dia. 

— Caramba. 

— Ele se perdeu quando estava com Tommy em um parque de diversões em Boston um dia antes do aniversário dele de quatro anos. A ideia era passarmos o dia juntos e de noite realizarmos os últimos preparativos para a festa do dia seguinte, mas minha esposa e eu tivemos alguns contratempos e meu filho queria ir para o parque, então optamos por deixa-lo ir com Tommy. Mas alguns homens queriam mata-lo e causaram um tiroteio. Ele se perdeu de Tommy na confusão e quando tudo acabou, não o encontraram. Ninguém sabe o que aconteceu com ele. 

Jaden contraiu a expressão novamente: 

— Por que queriam mata-lo? 

— Rivalidade entre famílias. Os Lancaster têm uma rivalidade com os Stuart e vice-versa. Tentei apaziguar as coisas nesse tempo em que presido a empresa e a família ao mesmo tempo, mas eles não querem trégua. Historicamente, nós é quem deveríamos manter a rixa, mas não entrarei em detalhes. Nunca gostei da briga entre os dois clãs, mas foi um absurdo tentar assassinar uma criança de quatro anos por causa disso. 

— Concordo. — A voz de Jaden estava baixa naquele ponto e não soube dizer se era de raiva ou de choque. — O que houve depois? 

— Começamos a procurar o meu filho incessantemente. — Os olhos de David estavam perdidos no concreto da calçada enquanto sua mente vagava pelas lembranças. — Eu o procurei tanto, Jaden. Mais do que você possa imaginar. Delegacias, hospitais, casas de abrigo, mas nunca o encontrei. Parei as buscas há quase cinco anos. 

Jaden se sobressaltou, como se aquilo fosse inesperado. 

— Por quê? — Quase havia raiva em sua voz. 

— Era sofrimento demais para mim e para a minha esposa continuar uma busca que parecia tão infrutífera. 

— Você pensou em tudo antes de tomar essa decisão? 

— Sim. Pensei nos meus outros dois filhos, que sentiam a falta do irmão mais velho deles porque sempre os lembramos dele. Pensei na minha mulher, que sofria com a falta de resultados e que vivia depressiva. Pensei na minha casa, que tinha uma lacuna não preenchida. Pensei em mim, que me tornei uma pessoa amargurada ao longo dos anos. E pensei por fim no meu filho, que poderia estar com outra família, talvez nem sabendo o que se passava, ou que poderia estar... enfim, morto. 

O som do centro de Vancouver invadiu a conversa, mas logo David voltou a falar, a voz tentando se firmar e falhando pela primeira vez em muito tempo:  

— Eu o amava, Jaden, e ainda o amo. Primeiramente tudo o que eu queria era leva-lo para casa, são e salvo, retomar a criação que estávamos dando a ele, voltar a demonstrar todo o amor possível. Com o passar dos anos, passei a desejar apenas ter notícias dele, encontra-lo, conversar e oferecer a possibilidade de ele morar conosco, caso ele quisesse. Talvez ainda houvesse tempo, talvez ainda haja, mas o tempo apodrece sua esperança se você deixar. E eu deixei isso acontecer. Não sei como ou porque, mas deixei. Ao parar as buscas, abandonei a possibilidade de saber que fim meu filho teve. E acredite em mim, Jaden, essa foi a coisa mais difícil e dolorosa que eu já fiz. 

Os olhos dos dois estavam umedecidos. Lágrimas desciam pelo meu rosto e pelo de Elizabeth. 

— Estava desgastante. — Jaden constatou. — Eu entendo. Se eu soubesse que meus pais biológicos fizeram isso por mim, eu entenderia. Às vezes é preciso... — ele parou, respirou fundo. — É preciso deixar quem amamos ir embora para que coisas boas aconteçam. 

— É. Depois disso, comecei a planejar a mudança para cá, para Vancouver. Montar uma nova sede, sair de Boston. Deixei a esperança ir e aqui estamos nós, tendo essa conversa. Acho que foi algo bom. 

O silêncio se instalou entre os dois por uns dez segundos. 

— David? — a voz de Jaden soou rouca. 

— Sim? 

— Hoje é o meu aniversário. 

— Eu sei. 

Jaden o encarou, mas David apenas lhe passou o papel do resultado do exame de DNA. Meu namorado o leu e a surpresa foi evidente quando ele sussurrou: 

— Como... o quê? 

— Tommy me mostrou esse resultado há duas semanas. Ele teve ajuda de Shelly, que pegou alguns fios de cabelo seus. Eles consideraram a possibilidade e não nos disseram nada porque não queriam gerar expectativas falsas. Quando o resultado saiu, tentamos pensar em uma maneira não tão brusca de lhe dizer isso. 

Jaden olhou para o seu pai biológico, a expressão perplexa. 

Essa é a hora em que ele fica com raiva de mim?”, indaguei a Elizabeth. 

Só há uma forma de saber”, ela respondeu. 

— Eu não quero lhe forçar a nada, Jaden. Sua mãe e eu só queremos lhe conhecer. Saber quem você se tornou. E se você permitir, queremos ajudar você quando você precisar. Dar apoio e amor, dar o que não pudemos lhe dar em todos esses anos. Queremos fazer o que nos for possível. 

Jaden apoiou os cotovelos nos joelhos e baixou a cabeça, parecendo pensar. 

— Shelly é... surpreendente. Essa foi a última vez que eu duvidei dela —, ele sussurrou por fim. Depois, olhou para David, que o olhava em apreensão. — Meu Deus, você é meu pai biológico. É difícil de acreditar. 

— Eu imagino o que deva estar passando pela sua cabeça. Será que é mesmo a hora certa de se fazer isso? Entenderei se você não estiver pronto para nos conhecer agora, a morte dos seus pais adotivos é muito recente ainda. Eu só quero que você saiba que você não está sozinho. Tem uma família que ficaria muito feliz em lhe receber. 

Jaden meneou a cabeça, sorrindo com os olhos úmidos. 

— Meu Deus, eu tô nervoso pra caralho. 

— Eu também, e como! — David sorriu também, a custo se controlando. 

— Essa é a hora em que a gente se abraça? 

— Só se você quiser. 

Jaden abraçou David. 

É um ciclo que se fecha”, comentei com Elizabeth. 

E outro que se abre”, ela retrucou. 

Ela pegou o meu braço e eu acordei no meu quarto. Ok, nada com Elizabeth faz sentido. 

Sentei-me na cama, atordoada e satisfeita ao mesmo tempo. Meu celular tocou: 

— Jaden? 

— Shelly? 

— Oi, meu amor. Você não está no trabalho não? 

— Que presente você me arrumou, hein? 

— Eu lhe avisei, — respondi simplesmente, tentando controlar meu sorriso. — Como foi? 

— Fora de série. Ele foi pegar o carro e eu vou conhecer minha mãe biológica e meus irmãos! Deus, eu ainda não estou acreditando. 

— Mas você está bem? 

— Sim. É reconfortante ter uma família de novo, apesar de eu ter os snakes, que são como uma família para mim. 

— Que bom, meu amor. Você está chateado comigo? 

— De início fiquei, mas entendi que você queria me fazer uma surpresa e cumprir o que você me prometeu. Só não me esconda mais nada, ok? 

— Ok, prometo que não lhe esconderei mais nada. — Um gosto amargo veio à minha boca, o gosto de uma mentira que mantive, de algo que eu não conseguia falar. — Nos vemos mais tarde no seu apartamento? 

— Claro

— Prometo que o jantar será incrível. 

— Shelly

— Oi. 

— Estou nervoso

— Eles são boas pessoas. Angel está desesperada para lhe ver, mas acho que vai conseguir se conter. Eles te amam. Qualquer coisa ligue, ok? 

— Ok. Obrigado, Shelly

— Não por isso. 

— Caralho, Shelly, como eu vou retribuir tudo o que você está fazendo por mim? 

Sorri, expirando o ar rapidamente dos meus pulmões. 

— Você sabe que não precisa. 

— Terei que ir agora, David está voltando. Te vejo mais tarde? 

— Sim, você vai me encontrar mais tarde no seu apartamento. Vamos jantar juntos. 

— Perfeito. Tchau

— Tchau, até mais tarde. 

Desliguei e liguei para Melinda. 

— Alô? 

— Mel, deu tudo certo. Jaden conversou com David Lancaster. 

— Caramba! E os detalhes? O que ele vai fazer agora? 

— Ele está indo conhecer a mãe biológica dele agora. 

— Você está com ele? 

— Não. Eu só vi mesmo e Jaden me ligou. 

— Ah. Quer vir para cá, para o apartamento de Jaden? Não sabemos bem onde guardamos as coisas dele e precisamos de algumas coisas... 

— Ok, eu vou. Me diga o que vocês precisam e eu levarei, aproveito e conto todos os detalhes para vocês. 

É, o dia estava longe de acabar. 



Notas finais do capítulo

Vamos aos leitores que comentaram no último capítulo:
rili
Obrigada por não desistir disso aqui :)
Vou tentar postar com mais frequência, porém não garanto muita coisa.
Até mais o/



Hey! Que tal deixar um comentário na história?
Por não receberem novos comentários em suas histórias, muitos autores desanimam e param de postar. Não deixe a história "Apenas uma garota..." morrer!
Para comentar e incentivar o autor, cadastre-se ou entre em sua conta.