Loucamente Apaixonada escrita por Angie


Capítulo 45
Bônus - Ariela - Mudando de Lado


Notas iniciais do capítulo

Agora vocês vão ver que a vadia mão é tão vadia assim. Mais ainda é.



—- Qual é o seu pedido dessa vez? -- indagou Leandro, prestando atenção em qualquer lugar, menos em mim.

Era bonitinho o modo como ele sempre desviava o olhar quando eu estava por perto. O nervosismo dele era até sexy. Mas um pouquinho irritante.

Perscrutei cada cantinho do rosto dele; os olhos amendoados, a pele morena, o nariz aristocrático, os lábios extremamente beijáveis, onde pairava um sorriso tímido, simpático e a barba rala.

Oh, Deus. Eu poderia passar horas beijando esse cara. Será que ele beija bem? O quanto ele será bom em... outras coisas?

—- Um refrigerante está bom. -- eu disse me debruçando um pouco em cima do balcão. Ele voltou seu olhar para mim e logo abri um sorriso. -- Diet. -- completei.

Eu tenho quase cem por cento de certeza de que ele me deu uma checada; passando o olhar do meu rosto apoiado em uma das mãos, ao meu decote e um pouco mais abaixo. Era tudo que ele podia ver, considerando que estávamos em lados opostos do balcão do bar que fazia parte so salão de refeições. Foi muito rápido e não ter certeza me fez franzir os lábios em desagrado. O olhar dele parou em minha boca, então ele pigarreou e me passou o refrigerante com um canudo.

—- Obrigada. -- voltei a sorrir e tomei um pouco do refrigerante.

Ele desviou o olhar de novo e começou a organizar as coisas sobre o balcão, apenas como se estivesse querendo se distrair, mas aparentemente percebeu que já estava tudo arrumado, então pegou um notebook que presumi ser dele, sentou-se numa banqueta que havia ali para ele e começou a digitar, dessa vez conseguindo me ignorar com cem por cento de sucesso.

Sério, eu vinha tentando fazer esse cara me notar a um bom tempo, agora que isso havia acontecido, parecia ainda mais difícil aplicar meus metódos para que ele me chamasse para sair.

O quê? Eu deveria tentar ser menos direta?

Ele gosta de santinhas?

Ele é gay e não sabe como me dizer que gosta da fruta?

Ou ele simplesmente não percebe nada? O quão tapado um homem pode ser?

—- Você não tem jeito mesmo. -- alguém disse, próximo a mim e me virei na banqueta sorrindo.

Coloquei um dedo de frente aos lábios, num gesto de silêncio.

—- Não, não tenho. -- pisquei para ela. -- Agora sente aqui e me diga como você está.

—- Você me pergunta isso todo dia. -- ela disse, mas, mesmo assim, sentou.

—- Mikaelle, você ficou um caco assim que descobriu a traição daquele babaca, é normal que eu me preocupe com a minha irmãzinha.

—- Seria bom que você se preocupasse com outras pessoas além de mim também, talvez eles percebessem que você é uma garota legal e não uma...

—- Vadia? Qual é, Mika. Ninguém se importa com o que eu sinto e eu não me importo com o que eles pensem de mim. Se eu puder me divertir e proteger você, o mundo é um lugar ótimo para se viver, se alguém quiser me julgar por causa disso, fodam-se eles. -- levantei meu refrigerante, como se estivesse oferecendo um brinde silencioso.

—- Você tem uma personalidade horrível. -- Mika disse, como se estivesse brava e pegou o refrigerante da minha mão. -- Lidar com você é impossível. -- ela tomou um gole e pela sua cara vi que teve vontade de cuspi-lo. -- Essa droga é diet?

Dei de ombros e o tomei de volta.

—- Agora voltemos ao assunto que envolve o seu emocional. - falei.

Ela revirou os olhos.

—- Eu estou bem. Muito bem, na verdade. Achyle, Heather e Gabriely são ótimas pessoas. Elas me fazem rir e esquecer. Esquecer ao ponto de que isso nem me incomoda tanto assim mais. Sinceramente, estar com elas é melhor do que com qualquer uma das minhas outras amigas, que me olham com pena.

Eu tinha que dar crédito a Heather por isso. Ela nem se incomodou com o fato de não gostarmos nada uma da outra e logo acolheu minha irmã em seu círculo, ou ao menos foi isso que Mikaelle fez questão de me dizer. Acho que minha irmãzinha pensou que ao ouvir algo do tipo eu ia pedir desculpas a Heather e nós nos tornaríamos as melhores amigas no mundo.

Credo.

Tudo bem que eu exagerei no dia em que ela e eu brigamos, mas fora o grande alarmante de Justin ter terminado comigo -- e não eu com ele, que é como as coisas deveriam ter acontecido. --, eu estava guardando raiva de outras coisas e aquela minha explosãozinha foi só um modo de extravasar. E outra, não é porque eu mereça ser xingada que eu goste disso.

Mas, bem, o fato é que eu não vou ficar mais torcendo para Justin conseguir conquistar a garota para depois quebrar o coração dela. Apesar de que eu tenho quase certeza de que ele não vai conseguir.

—- Isso é ótimo. -- falei.

—- Mas, Ari, tem uma coisinha me incomodando.

—- O quê?

—- Você disse que ia se vingar do...

—- Nem pensar que você vai dizer o nome daquele desgraçado! -- a interrompi e ela arregalou os olhoa um pouco. Sem nem mesmo me dar conta eu tinha batido a garrafinha de refrigerante no balcão, derramando um pouco dele. -- Ele te traiu, então não merece nem isso.

Eu tinha perdido a vontade de beber aquilo. Limpei minha mão com guardanapos, levantei e caminhei até o lixeiro mais próximo. Estava vazio. O pessoal daqui é tão eficiente que até o lixo parece sumir feito mágica.

—- Tudo bem. -- Mika disse, enquanto eu voltava a me a
sentar. Leandro já estava limpando o balcão e parecia aliviado por poder se concentrar em algo. -- Mas o que você fez com ele? -- fiquei em silêncio. -- Ariela!

—- Digamos que eu tenha quebrado o brinquedinho dele e agora ele vai ter que passar um tempo sem se divertir. -- falei seriamente.

Sem aviso nenhum Leandro começou a rir e um pouco fascinada me prendi a esse som, ignorando o olhar incrédulo da minha irmã. Então ele pareceu perceber que eu prestava atenção e me olhou. Ele ergueu as mãos, segurando a toalhinha com que tinha limpado o balcão e disse:

—- Me desculpe. -- ainda sorria. Fiquei sem dizer nada, consciente de que minha irmã estava me fitando. -- E com licença.

Se virou e passou por uma porta que levava para a cozinha, fechando-a atrás de si.

—- Você fez o quê?! -- minha irmã explodiu, quando enfim parei de olhar para a porta fechada.

Olhei rapidamente para a mesa onde alguns dos meus amigos estavam, e notei que nos encaravam. Franzi o cenho e eles riram, então desviaram o olhar.

—- Olha, eu usei uma analogia para proteger sua inocência, mas se quiser que eu entre em detalhes...

—- Ariela!

—- Qual é, eu não arranquei pedaço nem nada, mas ele merecia ser machucado para sofrer como você sofreu. A culpa não é minha se ele baixa a guarda perto de qualquer mulher bonita que possua uma vagina. Ele cai em qualquer conversinha.

—- Você deu em cima dele? -- ela não parecia estar se sentindo traída, só curiosa.

Assenti.

—- Aquele idiota acha que qualquer mulher vai abrir as pernas para ele, só porque é bonitinho, faça-me o favor.

O rosto de Mikaelle estava muito corado.

—- Você não presta. -- ela disse emburrada. -- Mas eu sei que ele mereceu.

—- As duas afirmações são óbvias, querida. -- apontei.

Ela me mostrou a língua

—- Mas é por isso que você me ama. -- falei e peguei a mão dela, que não negou. -- Agora vamos para aquela mesa. -- indiquei meus amigos. -- Vamos pegar um cineminha hoje e quero que você vá com a gente.

—- Ari, eu não devo fazer isso. Não sou amiga deles e você não pode me convidar assim em cima da hora.

—- Mika, a Heather também vai, o Justin a chamou. -- minha irmã pareceu surpresa. -- Além disso, eu me convidei em cima da hora. Porque não poderia convidar você?