Loucamente Apaixonada escrita por Angie


Capítulo 28
SOS: Sintomas de Loucura




– O que está se passando por essa cabecinha? – a voz de Samuel tirou-me de meus pensamentos.

Estávamos em uma simpática lanchonete no aeroporto, onde tínhamos combinado de nos encontrar já que fomos em carros separados. Ele não foi o primeiro a notar meu silêncio já que Gavin, Gabriely e Achyle ficaram me olhando de esguelha o tempo inteiro no caminho até aqui. Tive vontade de mandar que Achyle parasse de olhar para mim e prestasse atenção no trânsito, mas preferi ficar calada.

– Ela está pensando em como vai poder viver sem você enquanto estiver fora. – Gabriely falou com malícia.

Eu não conseguia entender aquela garota. Ela e Samuel se deram bem de cara e agora falam sobre mim como se fossem amiguinhos de infância.

– Ela sobrevive. – Sammy falou sorrindo.

Me ergui sobre a mesa com os olhos estreitos e encarei cada um deles.

– Não falem de mim como se eu não estivesse aqui. Ok? Ok. E para a informação de vocês espertinhos, nunca gostei de despedidas...

– Ah, então era por isso que você sempre fugia da gente sem avisar quando ia. – Gavin falou me interrompendo. – Você devia ter pensado um pouquinho mais na gente, Heather. Deixar um bilhete com o nome "fui"não é lá muito específico.

Respire, Heather. Respire.

– Se você me irritar mais um pouquinho, dou um jeito de comprar uma passagem para Nova Iorque agora mesmo e vou embora com o Sammy, só com a roupa do corpo, estou avisando.

– E essa é a prova de que ela não te quer longe, Samuel. – disse Achyle. – Já está até cogitando a ideia de ir com você.

Oh, Deus.

Voltei a me sentar e dei um tapa na minha testa.

Meu rosto queimou quando percebi que Wendy e os pais de Sammy me olhavam com diversão.Justin não estava ali, o que era bom, ao menos assim havia uma pessoa a menos para rir da minha cara. Mas o modo como Samuel me olhava compensou. Eu não saberia dizer o que aquele olhar significava, era quase uma mistura de alegre e calculista.

– Não foi isso que eu quis dizer. – resmunguei. – Prossigam com a conversa. Finjam que não estou aqui.

– É um pouco impossível – Olavo falou. – quando vejo que meu filho está levando a sério o que você disse e até mesmo pensando se ele vai ter que te sequestrar para que isso aconteça.

Disparei meu olhar para Sammy.

– O que?!

– Nada, não. –replicou ilegível. – Afinal, eu não te sequestraria. Se você fosse, eu gostaria de que fosse por vontade própria, não que eu tivesse que te sequestrar para isso.

Um complô, isso é que é.

–Tudo bem, se divirtam as minhas custas, eu não ligo. – abaixei a cabeça recostando minha testa sobre o tampo da mesa.

Eu mereço.

***

Uma hora depois Sammy já tinha se despedido devidamente de todos, exceto eu e já havia acertado tudo para sua viagem, sendo assim os outros foram "dispensados" porque por algum motivo insano ele queria conversar a sós comigo. Em vez de pedir que me esperassem, disse a Achyle e meus primos que voltassem para casa, ou melhor, que ela os levasse e depois fosse para o estúdio. Eu tomaria um táxi assim que saísse daqui.

– Eu realmente vou sentir sua falta. – Samuel disse, seu olhar perscrutava meu rosto.

Ele mantinha um braço casualmente sobre meus ombros, o que fazia com que um lado do meu corpo ficasse grudado ao seu. Isso, somado a suas palavras não faziam o melhor para minha mente terrivelmente confusa,mas me forcei a pôr um leve sorriso no rosto e erguer a cabeça para olhar para ele.

– Me ligue assim que chegar lá. Falo sério, se você não fizer isso,vou ficar muito zangada e terei o prazer de pegar um avião para láapenas para arrancar sua cabeça.

– Suas palavras doces tocam meu coração, Little Witch. Se eu não te conhecesse bem, diria que as está usando para afastar a dor nesse momento de despedida.

Ha. Ele se achava muito engraçadinho as vezes com todo esse sarcasmo. Meu coração também devia estar achado graça de alguma coisa, ou então queria apenas tirar uma com a minha cara, porque ele batia como um louco, sem motivo aparente.

– Você é muito convencido.

– Sou seu melhor amigo. Sei que vai sentir tanta falta de mim quanto eu de você. Isso é um fato.

– E é modesto também. – revirei os olhos.

Samuel não disse nada por um momento, então me virou para ele. De repente minha respiração se tornou irregular, porque estávamos absurdamente próximos um do outro.

–Eu prometo que vou ligar para você assim que chegar, ok? E vou te atormentar todos os dias pela manhã.

–Ah, obrigada. – falei irônica. – Porque isso é o que todos os melhores amigos fazem, certo?

–Não, farei isso porque gosto de ouvir sua voz de sono pela manhã. O celular não vai ser um substituto justo, mais já é algo.

Ei, coração! Se aquieta um pouquinho aí, camarada, não quero ter um infarto no meio do aeroporto!

–Você não deveria dizer coisas assim. – falei baixinho. – Sabe muito bem como eu sou.

Instável,meio louca, inconstante, deprimida. E que tenho uma mania absurda de me apaixonar por alguém de repente.

– Uma garota maravilhosa que tem estado presente em meus pensamentos durante dias.Você é especial, Heather, não se deixe pensar o contrário. – ele riu, breve. – Essas três semanas serão insuportavelmente longas. – acrescentou, meio que para si mesmo.

Minha boca estava seca. Ele não estava querendo dizer o que eu achava que estava. Certo?

–Sammy...

–Amo quando você me chama assim. – comentou, como se fosse a coisa mais comum do mundo dizer coisas constrangedoras em meio a um aeroporto.

Pigarreei,um pouco constrangida. Tinha certeza de que meu rosto estava corando.

–Sammy, não faça isso.

–Isso o que?

Ele deve estar querendo me enlouquecer, só pode.

–Isso – gesticulei para ele. – Falar desse jeito. Não é justo,você não sabe o que está se passando pela minha cabeça.

–Tem certeza? – ele sorriu e se possível ficamos ainda mais próximos.

Wow, aquilo não era bom.

–Você é diferente. Se soubesse, não iria em frente.

–Se você pensa assim. – ele deu de ombros. – Não se preocupe,continuarei sendo seu amigo até o dia em que você se cansar de mim.Mas tenho que admitir que há uma coisa que venho desejando desde o momento em que te vi pela primeira vez.

Eu deveria ficar calada. Sério. Mas Heather Sharpe, sendo Heather Sharpe, nunca cala a boca quando deve.

– O que você poderia querer? – indaguei relembrando a primeira vezem que nos vimos. – Rir o um pouco mais da minha cara? Porque vou avisando, se for...

E nesse momento Samuel selou meus lábios com os seus. Arregalei os olhos confusa e fiquei sem ação por um instante, mas Samuel era paciente e não foi preciso muito para me persuadir a corresponder aquele beijo. Fechei os olhos e me deixei aproveitar o momento,mandando cada pensamento confuso que se passava na minha cabeça ir passear.

Samuel pôs uma mão na minha cintura, nos aproximando ainda mais e por conta própria as minhas prenderam cada lado de sua jaqueta aberta,puxando-o mais para perto. Eu poderia me viciar naquele sabor sutil de menta e em seu cheiro amadeirado, mas acreditei que não fosse muito saudável.

Amigos, pensei tentando firmar o pensamento em minha cabeça. Amigos que por acaso decidiram se agarrar no meio do aeroporto, absolutamente normal.

Só que não.

Depois de um espaço de tempo que pareciam ter sido horas ou segundos Sammy se afastou com a respiração tão irregular quanto a minha e vi um leve sorriso se insinuar no canto de seus lábios. Era fácil se perder nele.

– Seu gosto é ainda melhor do que eu poderia ter imaginado. – disse ele e me senti em brasas.

Ele pensava nisso?

Desviei o olhar e desenrosquei meus dedos de sua jaqueta, inexplicavelmente envergonhada.

Ele ergueu meu queixo e estudou meu rosto, parecendo preocupado. Após alguns segundos ele suspirou.

– Isso não muda nada entre nós, certo? Continuaremos como amigos, sei que é isso que ambos queremos. Não exigirei nada de você, então não precisa se preocupar.

Eu não tinha percebido o quanto estava tensa e não poderia dizer o alívio que senti ao ouvir aquelas palavras. E a tristeza. O que está acontecendo comigo? Estou enlouquecendo?

Claro que foi justo nesse momento que os alto-falantes anunciaram a última chamada para o voo dele. Sem aviso Samuel me abraçou apertado e beijou o topo da minha cabeça, então apoiou o queixo ali.

–Eu não quero que você se apaixone por mim agora, Heather. – ele disse baixinho e quase tentei me convencer de que tinha ouvido errado, mas fiz questão de sorrir quando ele se afastou e me olhou de novo. Não poderia me mostrar tão transparente assim. – Se cuida.

Pareciam haver um significado maior do que eu gostaria naquele pedido, mas me fiz assentir e disse:

– Eu vou.

Comum último aceno ele se encaminhou em direção a porta de embarque,deixando a mim e meus pensamentos caóticos para trás. Algo estava me dizendo que eu estava errando ali. Mas em que?

Que droga, Heather!, repreendi a mim mesma.O que foi que você fez?