Bad Girl escrita por Lybruma


Capítulo 9
O rosto dele também era legal... NÃO! ESPERA!


Notas iniciais do capítulo

Pessoas, boa leitura! Vejo vocês no final



A maior surpresa daquela terça-feira foi ver Dominic entrando na sala de aula com um óculos. Um óculos de grau.

Ela estava com os olhos semicerrados, como se não estivesse acostumada à usá-los, e uma expressão muito estranha no rosto, como se estivesse prestes a cortar a garganta de alguém.

Engoli em seco, apenas pensando que ela não tinha treino das líderes e que a raiva dela seria toda redirecionada à minha pessoa.

Merda.

As pessoas pararam por alguns segundos de falar, apenas encarando a garota, mas rapidamente retornaram ao que estavam fazendo. E o meu rápido sentimento de medo se transformou em um largo sorriso.

Assim que ela se sentou — duas carteiras depois da minha — eu escrevi um pequeno bilhete, levantei (como se estivesse indo jogar fora um papel) e deixei o bilhete em cima de sua carteira.

Hey, quatro-olhos... hoje você tem treino? (:”

Fiz questão de colocar uma carinha feliz no final, representando toda a minha ironia.

Quando voltei para o meu lugar, consegui ouvir Dominic me xingando de nomes que fariam minha avó ter um ataque do coração. Resolvi apenas ignorar e prestar atenção na aula, o que deu muito certo.

...

— Se você fizer alguma piadinha, Miguel... eu juro que você nunca terá filhos! — Dominic falou, assim que se sentou na cadeira a minha frente.

Revirei os olhos, mas não pude evitar um sorrisinho.

— Eu não ia fazer nenhuma piadinha, mas... quantos dedos tem aqui? — perguntei, mostrando dois dedos. Depois dei risada.

Ela bufou.

— Beleza. Que página? Vamos, vamos! — me apressou, em um humor péssimo — e olha que ela era a Dominic!

— Página 75 de história. Hoje vamos entrar em um assunto novo. — respondi, deixando as brincadeiras de lado. — Começaremos a falar sobre a Segunda Guerra Mundial.

— Hum... — Dominic murmurou, abrindo a página do livro. — Legal.

...

Dominic

Assim que eu pisei na escola, todos olharam para mim.

Revirei os olhos e falei, bem alto:

— O que foi, idiotas? Nunca viram uma pessoa de óculos?

Depois daquilo todos voltaram a seus afazeres, alguns dando risadinhas, outros meio constrangidos e outros que nem ligaram para o que eu falei.

A verdade é que, bem, eu usava lentes de contato, mas elas simplesmente desapareceram! E, como eu não enxergava praticamente nada sem as lentes, tive que optar pelo óculos, que eu só usava em emergências (ou em casa).

A minha grande sorte era que o modelo do óculos era bonito, não era nada zoado. Mas, mesmo assim, usar óculos ia dar o que falar por, pelo menos, uma ou mais semanas.

Andei em direção a classe, com os olhos semicerrados.

Eu, definitivamente, não estava acostumada a usar óculos.

— Nossa, Domi... O que aconteceu com as suas lentes? — Duda perguntou, assim que me viu no corredor. Aparentemente ela havia me desculpado da briga do dia anterior.

— Perdi. — respondi, em um suspiro triste/bravo. — Elas simplesmente desapareceram! E agora eu tenho que usar esse óculos! Vou ficar com o nariz e a orelha doendo! — exclamei, irritada. Era como se, ao falar aqueles lados negativos do óculos, usar ele ficasse ainda pior.

— Hum... Bem, a Josefa já deve ter achado! Amanhã você já não vai mais precisar usá-lo! — Duda respondeu, cheia das positividades. Suspirei pela segundo vez.

— É, talvez você tenha razão. — murmurei. “Mas isso não me impede de querer cortar a garganta de alguém”, pensei em acrescentar, mas não deu tempo, já que enquanto conversávamos acabamos chegando na sala de artes — que era a única matéria na escola que eu não odiava, e também era a única na qual eu ficava com mais de cinco na média.

...

— Hum... — murmurei. — Legal.

Depois daquilo Miguel falou, por meia hora, sem parar, sobre a Segunda Guerra Mundial, enquanto eu ficava com o queixo apoiado na minha mão direita.

Naquele dia a aula estava especialmente chata, e eu estava com muito tédio. Tanto que, em vez de prestar atenção no que Miguel falava, comecei a prestar atenção na voz dele, que eu nunca havia reparado antes.

Era estranho, e difícil de descrever. Era um meio termo. Nem fina, nem grossa. Acho que normal.

Outra coisa legal era o rosto dele, mas, infelizmente, não consegui concluir o pensamento, já que quando eu percebi que referi a palavra “legal” a Miguel, tive vontade de me bater.

Olhei para o relógio, e ele já indicava que era hora de ir embora.

Me levantei da mesa, e fui embora, olhando no celular. Tinha uma mensagem de Duda.

Me liga!

Liguei para ela, e logo no segundo “tuu” ela atendeu.

— Domi! Você não acredita! — ela foi logo falando. A minha amiga estava muito animada naquele dia.

— Você está na TPM? — arrisquei, pois a TPM dela era bem estranha. Nos primeiros dias ela ficava mega feliz, rindo de tudo e achando tudo legal, e depois de um tempo ela ficava pior que um zumbi em termos de desanimação. Mulher é um bicho esquisito...

— Sim, mas isso não vem ao caso. — respondeu, normalmente. — O que vem ao caso é que sexta vai ter festa depois do jogo!

— Ah, é? Na casa de quem?

— Do Felipe. Os pais dele super liberaram o pessoal do time e as líderes de irem na casa deles, contanto que não tenha nada alcoólico.

— Hum... parece que vai ser legal. Estou dentro. Será necessário meu irmão levar a gente?

— Não, não. Meus pais te buscam e te levam.

— Então ok... — falei, ouvindo o meu celular apitar logo em seguida. Desliguei o mesmo e entrei na van, recebendo um olhar mortal de Rita.

Reprimi uma vontade enorme e mostrar o dedo do meio para ela, mas apenas revirei os olhos — o que geraria menos problemas. Bem menos.


Quando abri a porta, ouvi Josefa me chamar da cozinha.

— Oi, Zefa. O que aconteceu?

Ela apenas sorriu e me mostrou o potinho das lentes.

— Ai, meu Deus! Você achou! Josefa, você é incrível! — falei, indo na sua direção e pegando o potinho.

De repente, me lembrei de umas coisas.

— Ah, sexta-feira minha escola tem jogo, e depois do jogo vai ter uma festa na casa do Felipe. Só queria avisar. — falei, dando de ombros.

Ela estreitou os olhos.

— Hum... vai ter bebida?

— Não. Os pais dele vão estar lá, nada de bebida. Só refrigerante. Eu acho...

Ela deu de ombros.

— Então divirta-se sexta-feira!



Notas finais do capítulo

Desculpa a demora =3 mas acho que vocês já perceberam que o romance vai começar a começar, né? =3 hihi.
Beijinhos, boa noite!
P.s.: Mudei a capa =3 o que acharam? =D