Conspiração escrita por Lura


Capítulo 11
Busca e Iniciativa


Notas iniciais do capítulo

Olá!

Logo quando eu estava tão orgulhosa da regularidade das postagens, acabo passando uma semana sem atualizar.

Foi mal, gente. Se alguém se interessa pelo motivo do atraso, é porque semana passada foi minha colação de grau e, juntando isso a um período agitado no trabalho, realmente, os últimos dias foram uma loucura.

Além disso, este capítulo nem ia existir, para começo de conversa. O próximo seria outro (que inclusive, já está escrito) mas, lendo os comentários de alguns leitores, percebi que ficaria vago se não adicionasse este. Por isso, escrevi este capítulo todinho apenas hoje, do zero. Assim, espero que compreendam eventuais erros.

Como eu atrasei a postagem e o próximo capítulo está praticamente pronto, dependendo da recepção dos leitores, posso adiantar a próxima atualização. Mas, para isso, digam-se o que acharam deste, e se querem isso, ok?

Como sempre, um agradecimento especial aos leitores que comentaram o capítulo anterior: Peter Flach, Giu Bloodie S2, Vicky Scarlet, GabbySaku, Ren, Happy Reader e Rora chan. Abração para vocês!

Sem mais delongas, espero que curtam o capítulo.



 

Capítulo X - Busca e Iniciativa

 

22 de dezembro de x791

Tal como esperado, os magos da Fairy Tail que estavam em Osimiri¹ só conseguiram deixar a cidade na tarde do dia seguinte. Mesmo assim, por muito pouco não perderam o trem, já que a Guarda Civil só pôde colher o depoimento de Lisanna no período vespertino.

Assim que a albina foi liberada, o grupo seguiu viagem. Aparentemente, a linha ferroviária havia voltado a funcionar normalmente, sem interferência da Guarda Mágica, para alívio de todos.

A viagem deveria ser teoricamente tranquila, contudo, para total confusão de Erza e Gray, Natsu insistia em procurar por Lucy. Os magos não tinham visto a companheira de equipe na hospedaria, e muito menos sonhavam com o que tinha acontecido, razão pela qual estranharam a fuga repentina da loira. Ainda assim, não entendiam o desespero do rosado. No fim, acabaram concluindo que Natsu temia deixar a garota sozinha - o que não era mentira - e por isso sentia-se tão desesperado para achá-la.

Porém, em um último contato antes de retornarem a Magnólia, Makarov havia sido claro e taxativo: Todos os magos que estavam em Osimiri deveriam retornar imediatamente a Fairy Tail. Quando indagado sobre a maga estelar, o mestre respondeu já ter tomado suas providências.

É claro que o dragon slayer do fogo discordou da ordem, e protestou veementemente, garantindo que desceria na primeira parada do trem, e procuraria Heartfilia nem que tivesse que parar em estação por estação. Apesar da grande revolta, sua animação diminuiu drasticamente graças aos enjoos que sentiu na viagem. Assim, Erza decidiu por mantê-lo desacordado, usando para isso métodos nada delicados, a fim de que a ordem de Makarov fosse cumprida.

Assim a viagem seguiu. A cada parada, quando Salamander dava sinais de despertamento, Titânia o socava para que continuasse dormindo.

Fora isso, ninguém falava nada. A atmosfera entre os magos era bem incômoda, dado os acontecimentos da noite anterior. Laxus e Gray mantinham-se mudos, Happy dormia sobre as costas do rosado, que estava desfalecido no colo da maga de armadura.

Mas o que mais incomodava a ruiva era o comportamento de Lisanna. A albina viajava completamente separada dos demais. Sentada sozinha no final do vagão, a Strauss contemplava a janela com os olhos desfocados, evidenciando o quão longe seus pensamentos estavam.

Além disso, parecia extremamente constrangida. Mais que isso: sua expressão era de desolação.

Claro que a situação pela qual Lisanna passara era por demais vexatória. Tanto que o mestre fora bem claro ao determinar que eles não revelassem o acontecido para ninguém, nem aos demais membros da guilda. Ainda assim, ver a companheira de guilda daquela forma fazia com que um sentimento de inutilidade se instalasse no peito de Erza. E pior: a ruiva não fazia ideia do que fazer para melhorar a situação.

Quase oito horas depois, chegaram a Magnolia, e um Natsu extremamente furioso - para não usar palavras de baixo calão que o descreveriam melhor -, despertou.

E ali, começou um novo desafio: Arrastar o dragon slayer de fogo, que tentava a qualquer custo tomar o trem novamente para procurar Lucy, para a sede da Fairy Tail.

 

• •  

 

Lucy caminhava pelo centro comercial de Datra, tomando o caminho de volta para o hotel em que estava hospedada.

A maga chegara tão tarde na noite anterior, que se instalou no primeiro lugar que encontrou, certificando-se apenas que o quarto possuía grossos cobertores e um aquecedor, para protegê-la do frio invernal.

Assim como Osimiri, Datra² tinha sido atingida por uma tempestade de neve no dia anterior. Associando a baixa temperatura ao seu mal estar, a maga estelar acabou por dormir pesadamente, emendando a noite com o dia e despertando apenas naquela tarde. E quando acordou, uma única certeza ela tinha: Não pretendia voltar para Magnolia nos próximos dias.

Decisão tomada, precisava preparar-se para passar os próximos dias ali. Como sua mala havia ficado para trás, a jovem inevitavelmente teria que sair para comprar itens indispensáveis, como objetos para higiene pessoal e alguns agasalhos.

Contrariando o desejo de seu corpo, que era retornar para a cama e dormir até o dia seguinte, a loira apanhou a sua bolsa e seguiu em direção a um dos pontos comerciais da cidade. O frio que sentia por estar despreparada era tanto que ela mal reparava nas decorações natalinas que enfeitavam todos os cantos.

O mais depressa que pôde, entrou em uma das primeiras lojas que viu e, certificando-se dos preços acessíveis, adquiriu alguns pesados conjuntos de frio, inclusive deixando a loja equipada de um deles. Em seguida, passou a procurar um mercado, para adquirir os demais itens necessários.

Quando finalmente comprou tudo o que precisava, decidiu voltar rapidamente ao hotel. Agora, com o corpo razoavelmente aquecido, finalmente contemplou com calma as luzes decorativas. E, naquele momento, sentiu-se incrivelmente miserável. Certamente, seria terrível passar o natal sozinha, mas de forma alguma queria voltar para casa e encarar o dragon slayer do fogo. Não depois de tudo o que ele fizera.

Abraçando-se ao tecido azul acolchoado de sua parca, seguiu caminho, tentando ao máximo conter a ardência de seus olhos. Não queria chorar em público.

Mesmo apressando os passos, decidida unicamente a retornar ao conforto de seu quarto e ceder a incrivel sonolência que sentia, a loira começou a incomodar-se com a sensação de estar sendo observada. Levemente temerosa, começou a caminhar o mais rápido que a neve acumulada e suas muitas sacolas de compras permitiam.

Mesmo avançando uma distância considerável, a sensação desconfortável não a abandonou e, algumas quadras depois, ao passar na entrada de um beco, podia jurar ter visto um vulto negro perambular por ali.

Assustada, derrubou suas sacolas e encarou o local, agora vazio.

— Olá?! - Parada na entrada, gritou para o vazio, recebendo de volta o leve eco provocado por um local apertado. - O sono está me fazendo alucinar. - Concluiu, divagando sozinha.

Heartfilia terminou de recolher as compras derrubadas calmamente, preparando-se para retomar seu caminho. Contudo, ao virar-se novamente em direção a rua, tomou um susto tão grande que caiu sentada na neve fofa.

Parada, a sua frente, estava uma velha, envolta em um manto preto, apresentando a típica característica das bruxas de contos infantis.

— Eu… - Apavorada, Lucy gaguejou. A senhora, de face extremamente enrugada e olhos esbugalhados, a encarava como se fosse o próprio demônio. - Eu posso ajudar? - Resolveu ser educada, quando na verdade temia pela própria vida.

— O fruto! - A senhora bradou, encarando-a de forma feroz.

— O quê? - Desentendida, a loira indagou, tentando se levantar. Contudo, foi impedida, pois a velha agachou-se e debruçou sobre ela, puxando as golas da parca azul em direção ao próprio corpo.

— O fruto! - Gritou novamente. - O fruto maligno deve ser eliminado, assim como todos os sinais flamejantes que empesteiam essa terra! - Anunciou, revirando os olhos.

— ME LARGA! - A maga da Fairy Tail gritou, tentando se livrar do aperto de ferro da senhora, que era incrivelmente forte para sua idade.

— Devem ser eliminados! - Continuou, claramente alucinando. - Devem ser varridos desse mundo como a praga que são! - Declarou, sacudindo a loira.

— Me solta, por favor! - Lucy pediu, tentando alcançar suas chaves. Porém, elas estavam presas ao seu cinto, sob o pesado sobretudo que usava. Com a velha acima de si, a tarefa tornava-se um tanto dificultosa. 

— DEVEM SUMIR! - Berrou a anciã, erguendo uma das mãos como uma garra. Inesperadamente, suas unhas começaram a crescer de forma monstruosa,  deixando-a equipada com cinco longos dedos incrivelmente pontiagudos e extremamente perigosos.

Vendo a velha projetar as garras em sua direção, Lucy gritou e cerrou os olhos, certa de que ela entranharia as unhas em seu abdômen. De fato, não estava errada, e uma tragédia teria acontecido, se seu corpo não tivesse sido arrastado para trás com violência.

— Você está bem, Lucy? - Uma voz masculina, estranhamente familiar, perguntou, exalando preocupação.

Abrindo os olhos com cautela, a loira constatou que estava recostada sobre um tecido preto. Afastando-se um pouco, reconheceu as vestes de Mystogan, constatando imediatamente quem estava por baixo delas.

— Jellal! - Exclamou, surpresa e aliviada, ao perceber-se sob a proteção do foragido.

— Mystogan, Lucy! - Corrigiu o mago. - Agora sou Mystogan. - Reforçou. - Mas isso não vem ao caso no momento. - Completou, olhando para a entrada do beco. Heartifilia acompanhou o olhar de Fernandez, deparando-se com a velha, ainda parada na abertura, com a expressão contorcida em desvairo. Deixando o cenário ainda mais assustador, a anciã iniciou uma gargalhada insana.

Preocupado, Mystogan pôs-se de pé, preparado para lutar e guardar a vida da loira. Entretanto, frustrando seus planos, uma quarta pessoa apareceu, quebrando o clima tenso do ambiente.

— Vovó!!! - Um jovem loiro, extremamente esbaforido, alcançou a entrada do beco, agarrando a velha em um abraço. - Graças aos céus te encontrei! - Exclamou. - Estava tão preocupado! - Desabafou.

— Essa senhora é sua avó? - Aproximando-se em passos lentos, Jellal questionou.

— Hai!!! - O jovem respondeu, de forma animada e sorridente. De perto, seus olhos esmeraldas, que combinavam perfeitamente com a capa verde que usava, tornaram-se visíveis. Se fosse para chutar, o mago de cabelos azuis diria que ele não tinha mais que quinze anos. - Ela causou problemas a vocês? - Indagou o garoto, aparentemente preocupado.

— Ela assustou a minha amiga. - Respondeu Mystogan, indicando a loira, que estava um pouco atrás.

— Me desculpa!!! - Assumindo uma feição desesperada, o jovem pediu. - Mil desculpas! - Insistiu, inclinando-se. - Minha avó não é lúcida, então sempre fala e faz coisas sem sentido. - Contou. - Mesmo sem ter grande percepção das coisas, eu queria que ela visse as luzes de natal. Mas foi só eu me descuidar um minuto que ela sumiu! - Explicou. - Me desculpem, de verdade! - Completou.

— Tudo bem. - Respondeu Jellal.

— Cara, meus pais vão me matar por isso. - Lamentou o garoto.

— Arrume suas coisas, devemos ir. - Direcionando-se a Lucy, o mago mascarado pediu.

— Hai. - Ela concordou de imediato, juntando novamente as compras caídas.

— Nós também, vovó! - Chamou o menino, tomando a velha pelas mãos. - Temos que voltar para casa antes que mamãe perceba que saímos. - Lembrou.

— Mas o fruto! - A velha, que até então parecia ter entrado em transe, voltou-se para o menino. - Não podemos! O fruto! - Continuou.

— Hai, hai. - O menino fez pouco caso. - é a quinta vez que você delira com esse fruto só essa semana. - Reclamou, deixando o local.

Os dois magos da Fairy Tail observaram o estranho par sumir entre a multidão que voltava para casa, após mais um dia de trabalho.

— Lucy. - Chamou Jellal.

— O quê? - Ainda assustada, Heartfilia perguntou.

— Vamos para o hotel pegar suas coisas. - Avisou. - Precisamos voltar para Magnolia imediatamente. - Determinou.

 

• •  

 

Natsu estava extremamente frustrado. Ele tinha sido arrastado para a sede da guilda e obrigado a comparecer na sala do mestre, quando tudo o que ele queria era virar Fiore de cabeça para baixo e encontrar Lucy, para explicar a situação.

Mesmo já estando ante ao velho, indisposto a cumprir ordens, teve que ser literalmente amarrado em uma das cadeiras, para que pudesse conversar com o mestre. Claro que ele debatia-se e sacudia-se, tentando se livrar das amarras, mas os nós de Titânia eram incrivelmente resistentes.

— Será que você pode se acalmar para conversarmos, Natsu? - Perguntou o velho que, na tentativa de parecer mais informal, estava sentado sobre a mesa.

— Eu preciso sair daqui velhote! - Com toda a sua irreverência, Dragneel respondeu, sem nem encarar o mestre. - Me solta senão eu vou incendiar o local! - Avisou.

— E eu vou nocautear você. - Devolveu Makarov.

— Você não entende? - Insistiu Salamander. - Lucy pode estar correndo perigo! - Tentou. - Preciso encontrá-la logo! - Exclamou, exasperado.

— Se você sair de Magnolia agora, a única coisa que conseguirá é se desencontrar de Heartfilia. - Contou o mestre. - Lucy já está a caminho daqui, acompanhada de alguém da minha extrema confiança, por isso, garanto que chegará a salvo. - Anunciou. Mesmo irritado, Natsu não conseguiu evitar de respirar aliviado.

— Onde ela estava? - Indagou.

— Datra. - O velho respondeu.

— Com quem ela está agora? - Seguiu o questionário.

— Isso eu não vou te falar. - Disse o mestre.

— Por que não? - Insistiu o mago do fogo. - Como terei certeza de que ela realmente está segura? - Perguntou.

— Você poderia confiar mais em mim Natsu. - Makarov orientou, parecendo levemente decepcionado. - A segurança de minha família sempre foi minha prioridade. Tanto que, assim que soube da travessura de sua companheira de equipe, tratei de enviar alguém para protegê-la. - Contou. Levemente envergonhado, o rosado virou a cara, fitando a janela.

— Desculpa. - Pediu por fim.

— Claro. - Assentiu o velho. - Sei que quando Lucy chegar, vocês poderão resolver o que quer que tenha acontecido. - Declarou, astucioso, fazendo o mago corar. - Entretanto, não é apenas por isso que precisava falar com você. - Continuou.

— E o que mais seria? - Novamente encarando o mestre,  dragon slayer perguntou.

— Laxus, Gray e Erza já foram avisados. - Começou o pequeno homem. - O que aconteceu com Lisanna deve ser mantido em extremo sigilo. - Determinou. -  A situação é vergonhosa demais para ser comentada, mesmo com os demais membros da guilda. - Justificou. - Por isso, a menos que ela própria decida compartilhar a situação com seus colegas, você não deve comentar nada sobre isso com ninguém, nem mesmo com os que estavam presentes em Osimiri. - Ordenou, por fim, fazendo o mago empalidecer.

— Nem mesmo com a Lucy? - Tentou, sentindo suas chances de desfazer o mal entendido irem embora.

— Apenas se Lisanna permitir. - Concluiu Makarov.

Logo, Natsu foi liberado e, desolado, seguiu para o primeiro andar da guilda. Para não contrariar as ordens de Makarov, teria que conversar com Lisanna antes de esclarecer as coisas com Lucy, e ele não fazia nem ideia de como abordar o assunto. Desorientado, seguiu em direção ao bar, sentando-se ao lado de Erza.

— Onde está Lisanna? - Perguntou, olhando em volta.

— Foi para casa com Mirajane. - A ruiva respondeu.

— Como ela está? - Indagou o rosado.

— Péssima Natsu. - Contou Titânia, pesarosa. - Caiu em uma crise de choro assim que viu a irmã. - Narrou.

— Está tão mal assim? - Surpreendeu-se o mago. - Ela parecia melhor hoje cedo. - Lembrou.

— Você não viu pois estava passando mal, mas ela parecia fora de si. Esteve aéria durante toda a viagem. - Afirmou. - Também, pudera. Eu nem consigo imaginar como deve ser terrível passar pelo que ela passou. - Imaginou. - Você sabe, ser tocada de forma tão íntima contra a própria vontate. - Completou, em voz baixa, fazendo o mago arregalar os olhos.

Curiosa, Erza arqueou as sobrancelhas. A reação que esperava ao contar o estado da albina caçula para o companheiro de equipe era raiva, talvez tristeza e revolta. Mas nunca, em sua vida, imaginaria que Natsu empalideceria ante suas palavras.

— Natsu? - Chamou, preocupada, pois o colega parecia ter visto um fantasma. Entretanto, sem respondê-la, o dragon slayer apenas deu-lhe as costas e deixou a guilda.

 

• •  

 

A carruagem sacolejava sem dó pelas estradas esburacadas, fazendo Jellal entender porque Lucy se sentia tão mal durante a viagem. Mesmo que ela tivesse começado a reclamar de mal-estar tão logo adentraram o veículo, antes mesmo de deixarem Datra. Por um longo tempo, a loira lamentou o fato de não poderem viajar de trem, fazendo o mago mascarado sentir-se ligeiramente culpado.

Em razão de proteger a guilda e sua identidade, Mystogan não podia viajar de formas convencionais. Geralmente, ele andava a pé, mas como tinha recebido de Makarov a missão de levar a loira de volta em segurança para Magnolia, inevitavelmente teve que arriscar-se em uma viagem de carruagem.

Depois de muito reclamar, a maga finalmente adormeceu. E só então, Jellal pôde refletir sobre os acontecimentos daquele dia.

A velha que atacara Lucy mais cedo era incontestavelmente uma maga. De igual forma, o mago de cabelos azuis estava certo de que seu suposto neto, o garoto de cabelos loiros, também praticava magia, já que pôde sentir a aura mágica que ambos emanavam. Corroborando suas suspeitas, tão logo adentraram a multidão, o rastro mágico de ambos simplesmente desapareceu, sem deixar vestígios.

Makarov e Natsu estavam extremamente certos em temer pela segurança da maga celestial. De fato, ante a morte forjada da loira, era previsível a ocorrência de um novo ataque. Mas a circunstância em que ele ocorreu, sendo que Lucy tinha mudado sua rota inesperadamente, fazia o mago presumir que ela vinha sendo monitorada a muito tempo. Possivelmente, outros magos da Fairy Tail também estariam sendo vigiados.

Com seus pensamentos e conclusões, as horas se arrastaram, conforme eles se aproximavam de Magnolia. E então, apenas de madrugada, as luzes da dita cidade apontaram no horizonte, fazendo o mago mascarado respirar aliviado, por eles terem alcançado seu destino sem mais contratempos.

Em pouco tempo, a rústica carruagem transitava entre os casebres antigos, chegando logo a rua ladeada pelo rio, em que Lucy residia. Quando o veículo finalmente parou, o mago precisou sacudir a loira brevemente, para que despertasse.

— Lucy! - Chamou. - Chegamos. - Anunciou.

Com um murmúrio manhoso, a maga abriu os olhos brevemente, dando de cara com a velha construção em que morava. A visão foi o suficiente para que despertasse completamente.

Não era exatamente felicidade que sentia. Ela realmente não queria ter voltado, pois dividia a casa com Natsu. Uma hora ou outra, iam se encontrar, e Lucy definitivamente não queria isso.

— Finalmente em casa. - Suspirou, resignada.

— Não está aliviada? - Indagou o foragido.

— Um pouco. - Mentiu Lucy. - Obrigada por ter me salvado. - Agradeceu. - Na hora, estava tão perturbada com o ataque, que nem lhe agradeci. - Lembrou, envergonhada.

— Não foi nada. - Respondeu Myatogan. - Mas agora, por favor, não se aventure mais sozinha. - Alertou o mago.

— Eu me sinto uma inútil por todos ficarem repetindo isso o tempo todo. - Confessou a loira.

— Essas recomendações não são apenas para você. - Contou o mago de cabelos azuis. - Amanhã mesmo Makarov fará um anúncio na guilda, proibindo missões solo por algum tempo e orientando os membros da Fairy Tail que sempre andem acompanhados. - Completou. - Estamos para viver tempos complicados, Lucy. - Finalizou, fazendo o estômago da maga gelar.

— Isso é um tanto assustador. - Respondeu, tristonha.

— Mas é real. - Continuou o mago. - Por isso, creio que o Mestre deve ter enviado alguém para lhe fazer companhia durante a noite. - Informou, fazendo Heartfilia arregalar os olhos. Ela sinceramente esperava que Makarov não tivesse enviado quem ela pensava, mas já que dividia apartamento com o dito-cujo, não era difícil compreender a escolha do velho.

Despedindo-se de Mystogan, Lucy deixou a carruagem, carregando sua bagagem. Apanhando a chave em sua bolsa, começou a subir os degraus em direção a porta, quando foi interrompida.

— Lucy! - Chamou  mago mascarado.

— Sim? - Respondeu ela, curiosa.

— Será que você poderia ocultar de Erza que fui eu quem a trouxe até aqui? - Pediu. - Eu preciso deixar Magnolia imediatamente para terminar minha missão. Não quero que ela se irrite por não ter aparecido. - Admitiu.

— Tudo bem. - Concordou a loira. - Mas você devia voltar logo. Erza sente a sua falta. - Contou.

— Pretendo voltar em breve. - Respondeu Jellal.

Heartfilia despediu-se novamente, mas apenas quando adentrou a velha casa, a carruagem partiu. Exausta, seguiu em direção ao próprio apartamento, temendo o possível reencontro. Estava cansada demais para discutir qualquer coisa, com quem quer que fosse.

Quando finalmente chegou, percebeu o ambiente estranhamente silencioso e organizado. Caminhando até o próprio quarto, acendeu a luz, surpreendendo-se ao perceber uma pessoa dormindo em sua cama.

— Erza? - Desentendida, chamou, vento a ruiva despertar pela claridade.

— Oi, Lucy. - Sonolenta, mas estranhamente gentil, a maga respondeu. - O mestre me pediu para dormir com você esta noite. - Contou. - Parece que o Natsu não está muito bem.

 

• •  

 

¹Osimiri: Cidade criada pela autora para esta história. Vide mapa dos capítulos anteriores.

²Datra: Cidade criada pela autora onde parte dos eventos da fanfic Vínculo Mágico se desenrolaram. Vide mapa dos capítulos anteriores.

 



Notas finais do capítulo

Eu seeeei, que todos queriam o reencontro de Lucy e Natsu, mas não me matem. O momento em que as coisas serão esclarecidas já foi escrito e ocorrerá em breve.

Sobre este capítulo, um pouco de ação, para animar as coisas. Estou curiosa para saber se os leitores estão pegando as dicas espalhadas até agora e unindo as pecinhas do quebra-cabeça. xD

Conforme eu disse nas notas iniciais, dependendo da recepção dos leitores, eu posso tentar adiantar o próximo capítulo, já que ele está pronto. Então, digam se querem isso.

No próximo capítulo teremos festa, yay!!!

Espero que vocês tenham curtido o capítulo. Vejo vocês em breve!

Até mais!



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