Praça escrita por Tachibana Aoi


Capítulo 1
Praça e Corpo


Notas iniciais do capítulo

Se chegou até aqui... Bom, não se surpreenda com minha escalafobetisse. Acho que foi um dos melhores temas que eu poderia ter pego.
Se gosta dos gêneros, espero que aprecie. Se está iniciando e não gostar, não me mate, por favor.



Numa cidade, interligavam-se quatro ruas em frente às lojas, formando um trapézio irregular e quatro cruzamentos individuais. Não era como se fossem próximas uma da outra, pois haviam de formar a área da figura.

No centro desse quadrilátero, havia um corpo maior do que o normal. Ele ficava esticado no chão, repousando em ambages, como se morto eternamente fosse jazer. Servia para ocupar espaço, impedir que os carros saíssem das ruas e também para que as pessoas pudessem pisar nele. Sem dor, sem amor. Restava-lhe o destino de ser um pedaço de chão. Feliz ou triste nem estava, incapaz de sentir se capacitava.

Aquele corpo ficou ali por anos, sendo pisoteado, sobrevoado por passarinhos tão belos e com chicletes entalados nos esôfagos de desespero, que clamavam pelo partir da terra. Guardava estrumes e enxúndia, trazia a difteria vulgar para quem herdava da diátese. Guarnecia o guenzo do que fazia-se banal e permanecia inquieto, apodrecendo. Sua pele ficara deformada e arranhada, não obstante era este fato destinado; apatia. Outrem nunca se importou.

Depois dalguns anos, os magníficos asnos enojaram-se de pisar em tão decomposto ser, portador da feiura e anorexia. Logo com o dinheiro do povo, iniciaram a tortura – por mais que não fosse aparente, o corpo permanecia com vida; alma intacta –, envolveram por latão o trapézio irregular, sangraram os blocos com madeira, e ficaram por mais de um mês arrancando a pele do corpo e fazendo-lhe transplantes de aparência. No ultimato, arrancaram quatro dos membros, deixando de sobra apenas a cabeça, com a esperança de ainda conseguir grudar o espírito no físico. A modernidade estragou.

De resultado, as pessoas pisam num corpo morto, todavia, bonito.

Não faz tanta diferença, não é mesmo?



Notas finais do capítulo

That's all.



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