A Sangue Frio escrita por Bia Flor Escritora


Capítulo 9
O Último Suspeito: O Jardineiro


Notas iniciais do capítulo

Bem, chegamos ao depoimento do último suspeito. Espero que com ele vocês consigam chegar a conclusão de quem é o assassino. Nossa história já caminha para o fim, então espero que vocês goostem



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A tenente Joanna Reece sorriu triunfante ante a notícia que havia acabado de receber. Seu instinto de policial experiente não costumava falhar, pelo menos a maioria das vezes. Seguiu novamente para o quarto do sobrinho, de posse da nova informação. Não se deixaria enganar por aquele sorriso de anjo.

Bateu na porta e como da outra vez, não esperou muito para que esta pudesse ser aberta.

— Eu já disse que não quero ser incomodado por ninguém! – esbravejou Alex, pensando se tratar de um dos empregados da casa.

— Sinto muito contrariá-lo senhor Pratts – anunciou Joanna – Não disse que estaria de volta? Pois aqui estou! E preciso de explicações – arrematou firmemente.

Alex recuperou-se do susto que levou ao deparar-se com a tenente novamente diante da porta de seu quarto. Não esperava vê-la tão cedo. Aquilo beirava a perseguição.

— Devo lembrá-la tenente de que perseguição é crime – ele ironizou, com um sorriso meio cínico.

— Logo você perderá esse sorriso cínico – ela advertiu-o. Teria o maior prazer em prendê-lo e vê-lo mofar na cadeia, ou pelo menos saber que ele mofaria na prisão, já que não morava em Las Vegas. Aquele pensamento deixou-lhe em êxtase.

— O que a senhora deseja saber tenente? – indagou o sobrinho.

— O senhor pode me explicar como as digitais do seu tio, da senhora Vívian e as suas foram parar nas taças que encontramos escondidas no seu guarda – roupa?

— Claro que posso! – ele afirmou – Há três dias anunciei para meu tio e sua adorável esposa que havia ficado noivo. Eu pedi minha namorada em casamento depois de quatro longos anos de namoro. Eles ficaram muito felizes com a notícia. Disseram que aprovavam nossa união principalmente porque nosso matrimônio seria muito vantajoso para os negócios. Para comprovar sua aprovação, abriu o melhor vinho que tinha em sua adega e tomamos uma taça.

— Mas isso não explica porque as taças de vinho estavam escondidas, senhor Pratts... – ela insistiu.

Alex soltou um sonoro suspiro.

— Tenente, eu sou homem. E a senhora sabe que nós homens não somos conhecidos pela nossa organização – ele explicou naturalmente.

Ela tinha de concordar mesmo a contra gosto, embora conhecesse um homem que fugia àquela regra. No entanto não se daria por vencida. Ainda havia esperança para provar a culpa de Alex Pratts. Ainda havia o seu álibi para confirmar. Deixou o quarto do sobrinho um pouco decepcionada.

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Aquele caso estava fazendo-o sentir-se exausto psicologicamente. Toda a pressão que ele e sua equipe estavam enfrentando por parte dos governantes locais, da população e da imprensa devido a importância do caso, a visita de uma equipe de outro Estado cujo um dos membros também era suspeito – ainda que estivesse ajudando no caso, Henry Morgan ainda continuava sendo um suspeito – colaboravam ainda mais para aquela sensação de impotência.

Já estavam trabalhando a varias horas seguidas, já entravam no segundo dia sem descanso. Percebia o cansaço em seus companheiros de trabalho e quando pensavam que tinham um caso concreto, que estava a ponto de elucidá-lo, o mesmo esvaía-se como um sopro. Encontravam-se em meio a um labirinto cheio de caminhos emaranhados, no entanto não possuíam o *Fio de Ariadne que os levariam à saída.

Grissom e Henry encontravam-se na sala de convivência, à espera da chegada de seus companheiros com as novas evidências para que pudessem debater os resultados obtidos e assim chegar ao assassino de Richard Pratts.

Henry aproveitou que estavam sozinhos para poderem conversar mais a vontade.

— Parabéns senhor Grissom!

O entomologista franziu o cenho. Do que ele estaria falando?

— Parabéns pelo que? Hoje não é meu aniversário... – respondeu Grissom confuso. Onde aquele legista queria chegar?

— Não, não é. Eu lhe parabenizei pela linda namorada que o senhor tem – comentou Morgan.

Gilbert Grissom ficou pálido ante a descoberta do visitante. Como ele soubera? Ninguém no Laboratório tinha conhecimento. Pelo menos ele pensava dessa forma. Eles esconderam de todos, mas pelo visto não eram tão discretos assim.

Henry pareceu ler os pensamentos de Grissom porque respondeu:

— Não precisa fazer essa cara doutor Grissom. Ninguém me contou. Apenas estive observando o seu comportamento e o da senhorita Sara. As trocas de olhares, as carícias escondidas...

— Por favor, não comente isso com ninguém – ele suplicou – Nosso relacionamento é secreto, pois aqui no Departamento é proibido o relacionamento entre supervisor e subordinada.

— Não se preocupe! Não contarei seu segredo para ninguém. Pode confiar em mim! Sou especialista em manter segredos – ele assegurou.

Grissom respirou profundamente aliviado. Só então se deu conta de uma coisa: se ele sabia de seu relacionamento com Sara, Henry não tinha segundas intenções com a perita morena. Se não era em Sara que ele estava interessado, era então em outra pessoa e já fazia ideia de quem era. Era hora de se certificar se sua intuição estava certa.

— Doutor Morgan, permite-me dar-lhe um conselho? – Grissom perguntou educadamente.

— À vontade! – respondeu o legista.

— Não perca tempo e confesse seu amor pela linda detetive Martinez. Sei que você a ama.

Foi a vez de Morgan ficar lívido.

— É tão evidente assim? – quis saber Morgan.

— Não sei quanto aos outros, mas para mim é. Sou PhD nesse quesito – argumentou Grissom.

— Que quesito? – insistiu Morgan.

— Esconder sentimentos – Grissom informou.

— Mas o senhor namora a senhorita Sara. Conseguiu vencer esse obstáculo – retrucou Henry.

— Não foi mérito meu. Foi de Sara. Se dependesse de mim eu ainda seria um homem de meia idade, solitário e triste – Grissom confessou – Doutor Morgan, não deixe que a felicidade lhe escape pelos dedos.

— É que não é simples. Sou um homem complicado, senhor Grissom.

— Complicado ou não, a detetive Martinez não o esperará para sempre.

— Você acha que ela me ama? – perguntou Morgan sentindo uma chama de esperança se acender em seu coração.

Henry Morgan era tão bom observador em alguns aspectos, mas quando se tratava de sua vida sentimental era tão ignorante quanto qualquer outro homem.

— Tenho certeza – garantiu Grissom – Conheço aquele olhar que ela dirige a você. É o mesmo que Sara dirigia a mim antes de namorarmos.

Henry gostou realmente daquele conselho vindo de um homem tão experiente e decidiu pô-lo em prática, apenas não sabia quando. Ele sorriu timidamente.

— Obrigado – ele agradeceu – Tenho certeza de que conseguiremos descobrir quem matou Richard Pratts – ele completou tentando animá-lo.

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O último suspeito a ser interrogado foi o jardineiro. Como era de se supor, este se encontrava em seu local de trabalho.

Se a mansão de Richard Pratts era considerada uma obra prima, seu jardim era um verdadeiro espetáculo à vista. Toda a extensão do imenso jardim era rodeada por cerca viva bem alta. No centro havia uma enorme árvore frondosa com um balanço em um de seus galhos a qual revelava o desejo de filhos que nunca vieram.

Por todo o jardim se encontravam diversas pequenas árvores e flores, uma explosão de cores e formas. No canto esquerdo havia um pequeno lago onde as aves vinham beber água. O canto dos pássaros terminava de compor aquela paisagem digna de ser retratada por um artista.

Foi essa a sensação que Sara Sidle teve ao entrar no encantador jardim e aproximar-se da pessoa responsável pelo cuidado daquele ambiente que lhe trazia paz. Aquele espaço fazia-a lembrar-se de seu querido namorado. Com certeza ele adoraria e saberia apreciar aquele jardim como nenhuma outra pessoa o faria.

John Black, o responsável por aquela obra de arte magnífica em forma de jardim, era uma figura que parecia estar fora de lugar. Era um homem alto de 1,90m, com feições que não condiziam ao trabalho que exercia, ainda que trajasse uma camiseta branca e um macacão azul que lhe marcava o corpo másculo e portasse em uma de suas mãos uma tesoura de poda. Usava um par de luvas negras que lhe escondiam as mãos delicadas. No bolso traseiro do macacão, estava um lenço com o qual enxugava o suor que constantemente lhe caía pela face.

Não tinha mais que trinta anos. A pele era morena devido aos intensos raios solares. Era dono de profundos olhos negros que pareciam esconder algum segredo. Sob a cabeça, ocultando os cabelos negros sedosos bem cuidados, estava um chapéu de palha.

— Senhor Black? – Sara chamou-o.

— Sim sou eu! – ele respondeu abrindo um sorriso encantador que mostrava dentes branquíssimos e perfeitos.

— Sou Sara Sidle, da Polícia de Las Vegas – ela apresentou-se mostrando seu crachá – Gostaria de lhe fazer algumas perguntas sobre o assassinato do senhor Pratts.

— Estou a seu dispor senhorita! – ele prontificou-se encantadoramente – Fique a vontade para fazer as perguntas que quiser. Tudo que mais quero é ajudar a descobrir quem matou meu patrão – comentou Black tristemente.

— Há quanto tempo você trabalha aqui? – ela indagou.

— Há três anos – ele respondeu sem hesitar.

— Conhecia bem o senhor Pratts? – Sara questionou.

Um breve tremor percorreu o corpo do jardineiro o qual passou despercebido por Sara.

— Não. Não o conhecia muito bem – ele começou a responder – Apenas troquei umas quantas palavras com ele. Nada além do necessário e sempre a respeito do trabalho. Converso muito com a senhora Pratts. Ela é apaixonada por este lugar e sempre que pode vem aqui.

— O senhor tinha conhecimento que era um dos beneficiários do testamento do senhor Pratts? – quis saber Sara.

— Sim, sabia – ele confirmou – O senhor Pratts convocou uma reunião na qual informava a todos os funcionários de confiança, no caso o mordomo, a governanta e eu, que havia deixado uma parte da herança para nós.

— Isso me soa como um motivo razoável para o senhor querer matar seu patrão e receber sua parte na herança o quanto antes – ela comentou impassível.

Ele tornou-se lívido. Branco como uma cera.

— Não fui eu! Sou inocente! – ele falou quase em tom de súplica.

— Onde você estava na noite em que Richard Pratts morreu, entre as 20h00 e 00h00?

— Estava aqui no jardim cumprindo com minhas obrigações. Infelizmente não pude ouvir os gritos de socorro de meu patrão por culpa do escândalo que os cachorros estavam armando em suas casinhas – ele respondeu com um brilho indecifrável nos olhos – Talvez tenha entrado alguém na casa e o tenha matado, não acha senhorita Sidle? – ele sugeriu.

— Talvez – respondeu Sara descrente em tal sugestão – alguém pode confirmar sua história?

— Bem eu não saí daqui um minuto sequer. Vocês podem olhar nas câmeras de vigilância da casa – ele assegurou.

O interrogatório com o jardineiro parecia ter acabado. Não havia mais perguntas a se fazer, pelo menos por enquanto. A busca no quarto dele também se mostrou infrutífera. Nada foi encontrado lá.

O trabalho naquela casa estava encerrado. Agora era o momento de se juntarem aos demais e averiguarem tudo o que tinham levantado, todas as evidências que tinham descoberto e tentar elucidar aquele crime. Antes de deixarem a casa e deixarem em paz – brevemente – seus moradores, pegaram os vídeos de segurança que cobriam toda a mansão.


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Notas finais do capítulo

*N/A: Fio de Ariadne – Mitologia Grega: Fio que Ariadne entregou a Teseu, o qual guiou sua saída do Labirinto edificado por Dédalos, lugar no qual ele lutou e venceu Minotauro.

O que acharam? Mereço reviews? Sabem que necessito saber o que estão achando, né? Aguardando os comentários lindos de vocês! Bjinhos e até o próximo capítulo!



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