A Sangue Frio escrita por Bia Flor Escritora


Capítulo 8
O Primo de Richard Pratts


Notas iniciais do capítulo

Dedico esse capítulo à minha mais nova amiga Liz ( Eli Diva Escritora) Obrigada por acompanhar a fic minha querida :)



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Joanna requisitou que um dos peritos que também estavam na casa, viesse até o quarto de Alex Pratts para que recolhesse devidamente a possível nova evidência. Com muito cuidado e esmero, Warrick fotografou as taças, embalou-as e colocou a embalagem em um compartimento seguro de seu Kit. Cada vez aquele caso ficava mais intrigante e ele já podia prever uma trabalhosa dobra de turno. Retirou-se para que a tenente pudesse continuar a tomar o depoimento do sobrinho ainda que informalmente. Consciente da importância de cada evidência decidiu levar o conteúdo que recolhera o quanto antes para o Laboratório.

— Muito bem senhor Pratts, onde estávamos? – perguntou Joanna retoricamente assim que Warrick deixou o ambiente – Antes de o senhor me explicar a razão de estas taças estarem escondidas, poderia me informar onde o senhor esteve na noite de ontem entre às 20h00min e a meia noite? Teremos muito tempo para a explicação sobre as taças – frisou a tenente sarcasticamente. Além disso, precisava saber se as taças eram realmente evidências, e isso só aconteceria depois que elas passassem pela análise.

Alex suspirou aliviado. Havia ganhado um pouco de tempo para organizar as informações que daria à intimidadora tenente Reece que estava à sua frente.

— Isso é fácil! Nesse horário eu estava no cinema – ele respondeu seguro.

— Alguém pode confirmar seu álibi? – Joanna indagou com suspeitas.

— Sim. É claro que sim! Eu não me encontrava sozinho no cinema. Estava na companhia de minha noiva Hellen e de sua mãe, minha futura sogra, a senhora Irene Simpson, esposa do candidato à presidência Timothy Simpson.

Joanna arqueou as sobrancelhas. Ainda que não morasse no estado de Nevada, conhecia muito bem aquele nome. Sua foto estava estampada em praticamente todo prédio do país. Esse povo estava rodeado de gente importante, daí a importância e a repercussão do caso.

— Ainda tenho o ingresso. Se a tenente quiser, posso entregá-lo – comentou com voz de triunfo.

Ela pegou um lencinho que sempre mantinha guardado no bolso interno de seu terno para possível emergência e recebeu o ingresso um pouco contrariada. Guardou-o com muito cuidado. Seu instinto lhe dizia que ele era o culpado, pois tinha vários motivos para matar Richard Pratts. Uma fortuna era razão mais que suficiente.

— É só isso? – perguntou o sobrinho divertido.

— Por enquanto é só. Mas não saia da casa, porque a qualquer momento posso ter que falar com o senhor novamente – ela o advertiu.

Joanna deixou o quarto de Alex e como já estava ali, resolveu conversar com o primo de Richard Pratts.

–o-

O quarto de Paul ficava ao lado do de Richard. Não se sabe se por honra ou apenas para que o primo pudesse ser vigiado.

Joanna postou-se diante do quarto e bateu na porta, porém dessa vez esperou por muito tempo. Impaciente, bateu novamente sem obter resposta. Teria a governanta se enganado e Paul não estaria em casa? Estava a ponto de desistir quando a pesada porta de madeira foi aberta por um homenzinho trajando um pijama ridículo de motivos infantis com cara de quem havia acabado de acordar. E de fato havia.

Paul bocejou e perguntou com voz de sono:

— Quem é você, gostosa?

Se o sobrinho de Richard parecia um anjo, seu primo assemelhava-se a um sapo. Paul Pratts era um homem baixo, na casa dos quarenta anos, sua volumosa barriga dava mostras de que não era adepto aos exercícios físicos e que tinha o costume de beber. Seus cabelos castanhos claro começavam a ficar grisalhos. Solteiro convicto gostava de paquerar as mulheres, como acabara de fazer com a tenente Joanna Reece.

— Tenente Joanna Reece – ela respondeu de cenho franzido, fazendo questão de dizer sua patente, mostrando-lhe o distintivo.

Paul Pratts ficou envergonhado.

— Perdoe-me tenente! – ele desculpou-se – A que devo a honra de tão encantadora visita? Não me lembro de ter me metido em alguma encrenca...

— Senhor Pratts, preciso que o senhor responda algumas perguntas sobre a morte de seu primo.

As palavras de Joanna foram como um borrifo de água fria em seu rosto, pois logo estava desperto. Abriu totalmente a porta para que ela pudesse entrar.

Reece entrou e ficou admirada com tanto luxo. O quarto de Paul assemelhava-se ao de Alex no tamanho e na disposição dos móveis. O dormitório era decorado com um elegante papel de parede com tema masculino. A única diferença que aquele ambiente possuía com o do sobrinho de Richard, era que no canto esquerdo do quarto de Paul havia um pequeno bar com diversas bebidas, taças e copos de cristal.

Ele aproximou-se do bar, pegou um copo, serviu-se de uma dose generosa de Whisky puro, virou-se para Joanna e ofereceu:

— Está servida? Aceita uma dose?

— Não obrigada! – ela recusou – não bebo em serviço.

Ele sorveu a bebida quase que de um gole somente sem demonstrar qualquer incômodo com a bebida que descia queimando pela garganta.

— Pronto! Agora estou pronto para qualquer coisa. Pode mandar as perguntas tenente...

— Muito bem, senhor Pratts – ela começou tranquilamente – podemos começar por seu relacionamento com o seu primo Richard.

Paul Pratts quase perdeu a cor.

— Pelo visto precisarei de mais uma dose de bebida – ele disse indo para o bar e servindo-se novamente – O que precisamente a senhora quer saber?

— Fiquei sabendo pela governanta Mary White, que seu relacionamento com seu primo não eram dos melhores... – informou Joanna impassível.

— Aquela velha fofoqueira! – bradou Paul irritado para logo depois recompor-se. Não seria prudente mostrar-se tão irritado com a rabugenta White – Como em toda família, meu primo e eu tínhamos nossos desentendimentos, mas isso não quer dizer que vivíamos sempre em pé de guerra. Nós até trabalhávamos juntos... – ele concluiu.

— Quanto a isso... – iniciou a tenente com muita curiosidade – fiquei sabendo também que o senhor tem problemas com jogos, que suas finanças não vão bem e que só não está na miséria devido à ajuda de seu primo. Isso me parece um excelente motivo para o senhor querer ver seu benevolente primo morto.

Dessa vez o sangue de Paul Pratts pareceu fugir de suas veias. Estava mais pálido que anteriormente.

— E – Eu... Eu... – Paul gaguejou – Eu não matei meu primo! Confesso que minha vida financeira não vai bem. O vício é mais forte que eu, e trabalhar em um cassino não ajuda muito, no entanto, eu não tinha razão para assassinar a quem me estendeu a mão quando eu mais precisei.

— Ah, por favor! Não seja melodramático! Olha, o senhor está no trabalho errado. Pode trabalhar como ator! – ironizou Reece – O senhor poderia sim, tê-lo matado para poder receber sua parte na herança o quanto antes e assim pagar suas dívidas de jogo.

— Mas eu não fiz isso! – ele insistiu à beira do choro.

— Onde o senhor estava na noite em que Richard Pratts, seu primo, foi morto, entre as 20h00min e 00h00min? – indagou a tenente.

— Estava onde sempre estou todos os dias: no Cassino Royale – ele afirmou com total segurança.

— E alguém pode confirmar isso? – ela tornou a perguntar.

— Somente todos os empregados de lá e as câmeras de segurança – ele assegurou.

O toque do telefone celular da tenente Joanna pôs fim na conversa.

— Reece! – ela atendeu sem hesitar.

— Tenente Reece – uma voz conhecida falava do outro lado da linha – Sou eu, Warrick Brown. O senhor Morgan me passou seu número – Warrick explicou antes que ela perguntasse como ele havia conseguido aquele número – Só liguei porque tenho novidades sobre o caso.

— Certo, senhor Brown. Pode dizer – ela respondeu.

— Sabe aquelas taças que recolhi no quarto do sobrinho do senhor Pratts? – ele indagou.

— Sim – ela confirmou.

— Encontramos três digitais: uma do próprio Alex, uma da viúva e a última do senhor Pratss – informou Warrick.

— Obrigada pela informação senhor Brown. Foi muito gentil, de sua parte – ela agradeceu e logo desligou o telefone.

Sentia-se revigorada. Precisava conversar novamente com o sobrinho. Ele tinha que dar algumas explicações.


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Notas finais do capítulo

O próximo tem o último depoimento.
Nem preciso dizer que aguardo a opinião de vocês, né? É muito importante para mim saber o que vocês estão achando da história.
Até o próximo capítulo!
Bjussss da Bia Sidle Evil Grissom kkkkkkkkk ( gostou Liz?)



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