The Golden Rose - A Rosa Dourada escrita por goldenmoon


Capítulo 9
Capítulo 08


Notas iniciais do capítulo

A questão deste capítulo foi: Reformulação! Precisei fazer isso e, sinceramente, demorou um pouquinho... Mas, está aí!
Boa leitura!! :)




Uma semana após o ataque aos súditos de Heimdall, Zeenon ainda estava inquieto com a movimentação do rei de Ezra. Não restava dúvidas que realmente fora plano dele aquele envenenamento e perguntava-se quando ele partiria para cima das trevas. Se Simun estava atrás dos seres de luz, não deixaria o oposto de lado. Não poderia atacar os feiticeiros, pois estes viviam no Submundo, dimensão inacessível aos humanos. Pensou em milhares de possibilidades, revirando-se no enorme sofá de uma salas de descanso do castelo. Parou para observar as janelas do salão, banhando-se com a luz fraca do sol que atravessava o vidro de coloração violeta. Depois de muito ponderar, não conseguiu ater a mais nenhuma possibilidade a não ser... Não, não poderia ser.

O rei decidiu levantar-se e conferir o horário. Quando olhou o relógio sobre a mesinha de madeira negra polida, percebeu que já passava do horário de ir buscar seu namorado. Hoje teria mais uma tarde agradável com ele, ali, no castelo.

A aproximação do inverno deixava Zeenon mais alerta. Gostava daquela época, apesar de lembrar que suas batalhas mais ardilosas aconteceram durantes densos invernos. Enquanto caminhava pelo bosque, observando os arbustos, lembrava-se nitidamente dos campos cercados de árvores, onde batalhara inúmeras vezes contra Heimdall. As feições tristes dos seres de luz, os piores feitiços a derrubá-los sobre a neve fria. E mesmo depois de tudo... O amor de Heimdall nunca apagava. Não sentiu nenhuma dor ao pensar naquilo, como era comum, apenas seguiu seu caminho pensando em Freyr.

Encontraria o garoto na gruta, e de lá voaria de volta para o castelo. Freyr adorava estar sobre os céus, no dorso do poderoso Midnight. Sabendo disso, Zeenon sempre o levava para o castelo na forma de Dragão.

Chegou à gruta espreitando por sua entrada, pretendia dar um susto no garoto. Porém, o plano falhou ao ver que ele não estava sentado entre as pedras do lago. Voltou-se rápido como uma raio para a floresta. O instinto de perigo do rei quase nunca falhava. Olhou para todos os lados, procurando alguma pista de magia humana ou indícios de pegadas. Nada encontrou pelos arredores da gruta. Pensou o que poderia ter de ameaçador por ali. Aquela floresta era sempre tão tranquila e feiticeiros humanos não tinham costume de passear por ali durante o dia.

Tentou se acalmar, talvez fosse apenas paranoia. Ainda mais que Freyr estava com o rubi. O rei parou em frente à entrada da gruta, esperando o garoto chegar. A floresta estava quieta, como de costume, apenas ouvia-se os sons dos pássaros e alguns pequenos animais que passeavam por ali. De repente, o guardião sentiu um cheiro característico inundando o caminho para gruta. O faro de Midnight sempre lhe era propício.

O rosto iluminado de Freyr apareceu dentre as árvores. O garoto sorriu, como um cumprimento ao seu namorado.

O rei não respondeu. Seus olhos vermelhos estavam fixos nos arbustos atrás de Freyr. Sacudiram durante alguns segundos, porém a visão apurada do dragão conseguiu captar a movimentação. Poderia até ser um animal de pequeno porte, como uma lebre ou um guaxinim, tentando alcançar Freyr. Mas, se fossem designados a esta função, até mesmo eles seriam espertos o suficiente para não aparecerem aos olhos do guardião das trevas.

O beijo doce do garoto despertou Zeenon de sua caçada.

– Zeenon...

Agoniado para proteger o garoto em seus braços, o guardião abraçou-o com toda força. Sabia que ele estava bem ali, porém não conseguia se desvencilhar de pensamentos ruins.

– Tome cuidado, Freyr... Venha.

Ele agarrou a cintura do garoto, levando-o a caminho do castelo. Deram alguns passos, e o rei constantemente olhava para trás, como se seus instintos ainda o denunciassem perigo. Percebeu que realmente não era paranoia, o perigo parecia real. Freyr não entendia muito bem o que estava acontecendo ao vê-lo tão inquieto, mas presumiu que algum inimigo deveria rondar a floresta. O garoto resolveu confirmar as suas suspeitas.

– O que houve? Algum inimigo por perto?

O rei tranquilizou-se ao ver que se aproximavam de uma clareira, ampla e um pouco iluminada. Ali, daria forma a Midnight e poderia voar para o Darkvallum.

– Quando chegarmos ao castelo, explicarei o que vi...

Eles prosseguiram por mais alguns metros e pararam no meio da clareira. Midnight apareceu e Freyr escalou o dorso do dragão sem muita dificuldade, já estava acostumado. Logo, eles cortavam os céus cinzentos rumo ao castelo.

Os grandes portões do Darkvallum se abriram e Freyr sempre sentia-se uma formiga perto da imensidão daquele castelo. Era uma sensação diferente a cada dia que pisava ali, ainda mais com o maravilhoso rei ao seu lado. Zeenon voltou à forma humana, aliviado por terem chegado ao castelo.

Freyr ainda estava curioso para saber o que aconteceu na floresta, mas esperaria entrar e se acomodar no castelo para conversar calmamente com seu companheiro. Os dois seguiam para a fachada, cortando o jardim, até que foram abordados por Mark e Link.

– Boa tarde, Freyr! – Disseram, sorrindo.

– Boa tarde, meninos. – sorriu de volta, certa intimidade já rondava a relação deles.

Finalmente, Zeenon percebeu que os garotos estiveram ausentes, pois dormiu a manhã inteira, sem ser importunado por eles.

– Onde vocês estavam hoje pela manhã? Não me acordaram...

– Fomos a Inshtarheim... Estávamos com saudades de lá. – respondeu Mark, feliz, depois de uma manhã maravilhosa entre os feiticeiros.

Os olhos azuis de Freyr brilharam ao ouvir o nome daquele lugar que tanto sonhava conhecer. Depois de ouvir relatos sobre Inshtarheim, seu desejo mais antigo apenas cresceu e Zeenon ainda não podia levá-lo até lá. Teve curiosidade de perguntar como foi o passeio dos garotos, mas, antes que pudesse se pronunciar, Link direcionou uma pergunta.

– Freyr.... Sabe de alguma informação sobre o rei de Ezra?

– Meu irmão Jimmy de vez em quando me falava algumas coisas, mas ele sumiu durantes semanas... Alguns dias atrás ele voltou e eu o perguntei onde estava, disse-me que permanecia em treinamentos. E não deu mais detalhes... Ainda tentei tirar alguma informação importante acerca dos planos do rei, mas eu vi claramente que estava me escondendo algo.

– Os ataques a Heimdall... – Disse Zeenon, um pouco pensativo. – E agora...

– O que, pai? – indagou Link.

– Alguém seguia o Freyr na floresta. Tentou se esconder por detrás dos arbustos, mas eu vi a capa verde, era uma cor bem semelhante às das folhas, mas a visão do Midnight não me engana.

Os garotos entreolhavam-se, assustados. Freyr confirmou suas suspeitas, mas não acreditava que pudesse ser o alvo.

– Porque você não o atacou? – Como Zeenon era impaciente, Mark pensou que ele acabaria com o indivíduo ali mesmo, na floresta.

– Não é o melhor momento, preciso descobrir quem é primeiro.

– Mas, pai... Se ele seguia, boa coisa não é! E o Freyr tem o rubi! Você tinha que ter exterminado ali mesmo. – Exclamou Link, enrubescendo o rosto, de tamanha impaciência.

– Eu sei, filho. Ele não tem como fazer algum mal ao Freyr. Mas, eu quero saber o que tramam. Tenho que descobrir o que é, primeiro. Não posso atacar... – ele encarou o rosto desconcertado do garoto e completou – Ainda.

Link deu as costas a seu pai, contrariado. Não aceitava esse “novo” jeito dele, mais manso e paciente. Mark acompanhou o parceiro, concordando com suas posições. Porém, sabia que Zeenon não era tão descuidado e deveria ter algum plano em mente.

Durante alguns segundos, Freyr observou os garotos se afastarem e voltou-se ao seu companheiro.

– Eu acho que você agiu certo. O plano com certeza não é somente comigo.

Zeenon piscou o olho, contente ao ser compreendido por ele. Começou a maquinar algumas coisas e, provavelmente, começaria a se estruturar, junto ao seu fiel servo, Loki. Porém, naquele momento, queria aproveitar a companhia de Freyr.

– Tenho uma coisa interessante para te mostrar...

– O que? – perguntou, interessado.

– Vem, está lá no meu quarto.

Freyr não mais se acanhava quando era convidado para os aposentos do rei. Durante suas idas ao castelo, frequentemente entrara ali para apreciar poesias e até já conhecia muito bem o caminho.

Adentraram no castelo e caminharam tranquilos até o quarto. Os garotos dragões, provavelmente, retiraram-se para o quarto e passariam o resto da tarde lá, como faziam na maioria das tardes. Freyr sempre se perguntava o que eles tanto faziam lá dentro, mas nunca perguntara a Zeenon, tinha vergonha.

– Os meninos sumiram... – comentou, receoso.

– Eles são mais ativos à noite, ou de madrugada. Durante às tardes dormem ou se trancam no quarto.

Após passarem pelo longo corredor de quadros fantasmagóricos, encontraram a grande porta de duas abas do quarto. Zeenon a abriu, dando espaço para Freyr entrar. Logo que o garoto pisou no carpete negro, adiantou-se à sacada. Amava contemplar a paisagem dali; montanhas cobertas de verde e, ao fundo, a imensidão cinza do céu anunciando o inverno, traziam tranquilidade a Freyr.

Sem querer atrapalhar a contemplação do namorado, Zeenon foi até a prateleira e pegou livro. Percebendo a movimentação, o jovem voltou-se para o dentro do quarto, despertando a curiosidade em ver o que seu companheiro tinha nas mãos.

– Aqui está. – disse, estendendo o livro.

Alcançou Zeenon, e recebeu o livro. Pôs-se a observá-lo, curioso. A capa era totalmente negra com alguns escritos em dourado. Era um volume relativamente leve e fino perto dos outros pertencentes à pequena biblioteca do quarto real. Enquanto Freyr apreciava o volume, o guardião acomodou-se em sua cama, espreguiçando-se como um gato terminando a sesta.

– Esse autor é famoso... Já li quase todos os livros de poesia dele...Mas desse aqui nunca ouvi falar – Disse, voltando-se ao rei.

– Só existem 10 exemplares dele. Custou-me caro...

O jovem loiro continuava de pé, a folhear o livro, bastante interessado.

Manhoso, Zeenon o chamou para acompanha-lo.

– Vem cá... Lê pra mim... – Ele fez um gesto para que deitasse ao seu lado.

Sem muitas cerimônias, Freyr andou até a cama, tirou os sapatos e deitou perto do parceiro. Aninhou-se em seus braços, feliz por receber todo aquele calor, tão amoroso. Não era um ser elementar, mas jurava que podia sentir a aura de Zeenon o invadir toda vez que sentia seu abraço. Estava sempre protegido e cheio de energia perto daquele guardião poderoso. Abriu o livro e fixou-se na primeira poesia. Chamava-se “Brilho Celestial”.

– O céu é onde há mais o teu sorriso...

Leu o primeiro verso e observou os olhos cintilantes do companheiro, ansiavam por mais. Partiu para o segundo, preparando para fazer uma voz mais melodiosa.

As nuvens, em formas no azul. – Fez uma pausa, para partir para o terceiro – Parecem mais pálidas sob essa tua luz

“estão tão brancas quanto a neve..." – Continuou o rei, sorrindo para o companheiro.

Freyr prosseguiu a ler a poesia, encarando os olhos ternos de Zeenon a cada verso. Pensava se o autor escrevera aquilo especialmente para os dois.

Passa-se a noite, e teu clarão/ Não se intimida / A lua esquece de se pôr, / Ao encontrar-te no fim das noites/ Admiram-se pela tua beleza / Tal qual a dos astros celestes/ Que rodopiam em torno / Destas tuas auras de magnificência.

– Gostou? – Perguntou o rei, afagando os fios loiros do jovem.

– Adorei... Gosto dessa referência a objetos celestes.

– Sabia que a energia da lua aumenta o poder da minha aura? Principalmente a lua cheia...

– Está em época de lua cheia! – respondeu, deixando o livro pender para seu torso.

Sentiu o braço do guardião passar pelos ombros e, quase automaticamente, o pescoço inclinou-se para o peito do companheiro.

– Zeenon, eu sei que pode parecer besteira, mas... – ele se fixou no olhos de Zeenon – eu acho que sinto sua aura... Não sei como.

– Você deve ter sensibilidade para magia... Se está assim ainda tão jovem e inexperiente, com certeza vai se dar bem em nosso mundo.

– A aura é a fonte de poder, não é? – perguntou, com os olhos faiscantes.

– Dela que extraímos a energia para feitiços... – encostou a face sobre os cabelos de Freyr, deliciando-se naquele cheirinho doce do garoto. – você sempre interessando em magia...

­– Eles não vão me pegar com o rubi, não é?

Freyr arrastou-se um pouco mais para cima, acomodando-se sobre as almofadas, seus rostos ficaram a centímetros de distância. Zeenon podia ver nos olhos do garoto que ele estava com medo daquilo. Sabia que uma hora ele correria perigo por se envolver naquele mundo.

– Eles não podem fazer nada, Freyr – envolveu seu companheiro entre os braços, do jeito que sempre fazia: com força, sem intenção de deixá-lo se desprender. – tenha certeza de que está protegido ao meu lado.

Seguro, Freyr assentiu com a cabeça. Fosse em seu trabalho, nas ruas de Vistorius, nos passeios do bosque, ou... No tormento da sua casa. De qualquer forma, em qualquer lugar, Zeenon se fazia presente para protege-lo e espantar todos os males que afligiam a vida do garoto. Aquele novo impasse era só mais um desafio e, estava certo que conseguiria passar sem arranhões. Sentiu o beijo doce do rei invadir os seus lábios e, como sempre, deixou os braços contornarem o pescoço do parceiro. Gostava de estar sobre os braços de Zeenon, apesar de sentir-se pequeno perto daquele corpo robusto. Não se importou em deixar ele acariciar seu corpo indiscretamente, enquanto era distraído com um beijo – percebeu as mãos hábeis do guardião passar por sua coxa, acariciar levemente a virilha e subir por dentro da blusa de manga longa que trajava; sentiu cócegas quando os dedos do rei brincaram em sua pele.

Assim que terminaram o beijo, Freyr teve de recuperar o fôlego. Zeenon não parecia muito alterado, apenas esperou para que ele pudesse falar.

– O livro...

Freyr olhou para baixo e viu o exemplar aberto, no pequeno espaço entre os dois parceiros. Por sorte, não havia amassado.

– Ainda bem que não amassou. – Ele pegou o volume e posicionou para voltar a leitura. – Vamos?

– Claro, meu amor... – sorriu, passando seus braços novamente pelos ombros de Freyr; alegre em ter aquela deliciosa companhia.

Já era noite quando Zeenon levou Freyr para Vistorius, após passarem uma tarde maravilhosa juntos. Voltou para o castelo e, observava o belo céu negro pela sacada, pensando em quem poderia seguir seu companheiro, e quais eram as intenções. Pensou também nos ataques a Heimdall; mais ferozes, sem alguma piedade por criaturas tão amáveis. Agora sim, preocupava-se de verdade. Tinha quase certeza que era algum plano ardiloso de Simun, porém precisava investigar mais a fundo. Para isso, primeiro iria ao Submundo.

O rei posicionou-se bem no meio do quarto, onde havia um espaço amplo. Fechou os olhos e juntou suas duas mãos, concentrou-se em sua aura. Após alguns segundos, ditou: “Abre-te, portão do mundo obscuro. Inshtar!”. O círculo roxo com inscrições mágicas surgiu lentamente no chão do quarto, iluminando-o. Era um portal para Inshtarheim. Zeenon encostou os pés sobre o círculo e rapidamente foi transportado para o Submundo.

Sentiu sua aura materializar-se junto ao corpo, pisou duro na terra fofa do denso bosque Despair, um dos pontos de convergência com o mundo humano. Avistou o céu de tons violeta, aprontando-se para a chegada do anoitecer. Um pequeno grupo de dragões reais passeavam tranquilamente naquela imensidão. Não avistou nenhuma criatura pelo bosque “do desespero”, recebia esse apelido por causa de seu grande canteiro de árvores de galhos secos, que mais pareciam mãos a pedirem socorro. Porém, logo atrás desse pequeno bosque nefasto, havia uma floresta de pinheiros e no, meio desta, o belo castelo negro Yamisin.

Zeenon se embrenhou na névoa do bosque, atravessando-o sem ser abordado por nenhum feiticeiro. Aquele horário, muitos deles já se retiravam para suas tocas. Finalmente alcançou a floresta de pinheiros, e enquanto caminhava rumo ao Yamisin, acabou por encontrar uma dupla de gêmeos conhecidos no Submundo, os Spectrun’s.

Os rapazes de estatura alta e cabelos loiros abordaram o rei com reverência.

– Sentimos sua falta, mestre! – disse Alberón, animado.

– Eu também, meninos – respondeu, sem esconder o pesar em sua voz.

– Veio nos visitar? – perguntou Matheo, extasiado com a presença do mestre.

– Preciso falar com o Loki, estou indo para o castelo.

Zeenon viu o brilho nos olhos dourados faiscantes dos garotos, e percebeu o quanto precisava voltar para aquele lugar. Os feiticeiros o amavam e respeitavam imensamente, queriam-no por perto. Seus anos longe não faziam bem tanto para ele quanto para suas criaturas.

– Importaria se acompanhássemos o senhor até lá?

Matheo olhou para as torres do castelo, torcendo para que o rei aceitasse o pedido. Com certeza, seu irmão estava de acordo. Sabia que a caminhada até lá seria um pouco longa e queria mais alguns minutos perto de Zeenon. De repente, sentiu um tecido aveludado roçar em seu antebraço, quando percebeu era o tecido da luva que o rei calçava.

– Vamos?

Zeenon encaixou o seus braços entre ombros dos garotos e recebeu de volta um abraço duplo e apertado dos dois. Então seguiram juntos, abraçados, para o Yamisin. Os gêmeos contaram novidades sobre as províncias, os clãs de feiticeiros e novos feitiços que aprendiam. Contaram também que um bom número de humanos-feiticeiros tinham interesse em passar por transições. O guardião ouviu tudo atentamente, fazendo perguntas quando julgava necessário. Os gêmeos eram antigos feiticeiros de Inshtarheim e sabiam de tudo o que se passava por ali. Viajavam pelo Submundo, compartilhando conhecimentos com seus companheiros, porém frequentemente ficavam algumas temporadas na província central Iriadur, onde todos os pontos daquela dimensão se conectavam. O Submundo era dividido em várias províncias, não muito grandes, separadas pelas afinidades dos seus habitantes. O tipo de magia, o jeito como se comportavam. Os feiticeiros eram unidos, mas algumas vezes se desentendiam. Mas, era como Zeenon dizia, “Nas melhores famílias, também há desavenças...”.

Chegaram ao castelo e despediram-se com fortes abraços. Quando os garotos se foram, Zeenon contemplou a beleza daquele Grande monumento à sua frente. Yamisin era um castelo tão bonito quanto o Darkvallum. Com grandes portões negros, o castelo era todo cercado por grades ornamentadas com plantas trepadeiras. Não era tão imenso em largura, porém suas grandes torres pontiagudas, erguiam-se majestosas sobre a floresta, a qual ficava no coração da Iriadur.

Zeenon encostou no portão e logo ele escancarou-se como se soubesse quem estava entrando. O céu já se encobria de escuridão, e uma névoa densa rondava os jardins escuros do castelo. O nobre rei atravessou o caminho de pedra que cortava os jardins de rosas violetas e conectava à fachada. Loki já estava de pé, próximo à porta. Sentiu a aura do rei adentrar no Submundo, sabia que em instantes ele estaria no Yamisin.

– Olha, Olha... Que ilustre visita – o feiticeiro de cabelo ruivo flamejante, sorriu, contente em ver seu mestre.

– Ah, Loki. Mesmo após algumas semanas, estava com muitas saudades do meu lugar.

Zeenon sorriu em resposta, enquanto adentrava à porta.

– Ultimamente as feras andam muito agitadas, acho que sentem falta da sua aura. Na verdade, todos aqui sentem sua falta.

Disse Loki, enquanto fechava a porta.

– Encontrei os Spectrun’s pela floresta... Eles me disseram a mesma coisa.

O rei descalçou as luvas e tirou o casaco cinza-escuro que usava; pensou brevemente no sorriso dos gêmeos. Loki prontamente pegou as peças das mãos de seu mestre, colocando-o em um porta casacos encostado na parede de pedra do Hall de entrada.

– Enfim... primeiro, vim de pedir favores.

– Ah! Claro! Se for relacionado a Simun, farei com todo prazer.

Sorriram juntos, já com seus pensamentos em conexão.

– Depois, quero saber algumas coisas sobre esta minha morada.

“Minha morada”. Era assim que Zeenon se referia ao Submundo, mesmo estando afastado dele. Muitos detalhes já soube através de Matheo e Alberón, porém detalhes administrativos eram com Loki.

– Tudo bem, meu mestre. Vamos para o escritório – curvou-se, apontando para o tapete vermelho estirado sobre o Hall.

Enquanto caminhavam para o escritório, Zeenon contou alguns detalhes sobre o seu outono para Loki, em como fora maravilhoso estar com Freyr. O feiticeiro percebeu a paixão na voz do rei e, presumiu que realmente ele estava a se relacionar com o garoto. Nunca imaginaria o rei vivendo aquela situação. Impressionou-se. Subiram para o primeiro andar e, rapidamente, chegaram ao escritório do rei. Zeenon atravessou o compartimento de pedra, contornou a mesa de madeira e sentou-se em uma poltrona vermelha acolchoada. Os seus olhos varreram a sala com certo remorso. Olhou a lareira, os quadros com enormes dragões, as estantes cheias de livros de magia. Passara muito tempo planejando batalhas naquele local. Depois, concentrou-se no seu amigo, que também contornara a mesa, e sentou sobre ela, cruzando as pernas.

– Então... Não te disse, mas... Acho que ficou claro. Eu e o Freyr estamos juntos.

– Sim, compreendi. – assentiu, sem expressar uma opinião.

Zeenon levantou uma de suas sobrancelhas, estranhando a reação de Loki.

– Não vai dizer nada? – inclinou-se, a fim de ficar mais perto dele.

– Só estou... Impressionado. Está evoluindo. – passou o olhar para a grande janela ogival à frente.

– Tudo bem... – ele se afundou na cadeira e começou o seu relato – hoje pela tarde vi alguém seguindo o Freyr na floresta. Tentou se camuflar com uma capa da mesma cor do arbusto, mas... Sumiu, logo depois.

Magia. – disse, certeiro.

– Sim... E eu tenho quase certeza que é coisa do Simun. E ainda tem o Heimdall.

– Fiquei sabendo do envenenamento por Sínora.

– Está a me entender... Loki? – fitou os olhos vívidos do feiticeiro, ele parecia compreender perfeitamente.

– Os dois casos envolvem magia. “Maho” humana. Acha mesmo que é o Simun? Sobre o Heimdall a certeza é absoluta, agora sobre o Freyr... – ele levou a mão ao queixo, pensando em possibilidades.

Zeenon endireitou-se na cadeira, e inflou o peito pronto para falar.

­– Heimdall está próximo do reino e todas as criaturas dele estão ali. Vocês estão todos enclausurados no Submundo, então...

– Freyr é o alvo. O que tem em mente?

– Quero que você vá até o castelo de Simun, descubra o seu fiel escudeiro e traga-o para mim. Sei que pode se esconder nas sombras e vigiar tudo por lá. Quero saber qual é o real plano dele para mim e Heimdall.

– Provavelmente, algum interesse territorial ou... – levantou-se da mesa e cruzou os braços.

Magia.

Zeenon pegou algumas guloseimas dentro de uma caixinha cristalina sobre a mesa. Pensando em tudo o que poderia vir. Depois de saber os planos, saberia muito bem como proceder.

– Enquanto vigiar Simun, acredito que Sirius pode te representar... Falarei com ele. Serão poucos dias, ele não deve ficar por muito tempo.

– Tudo bem, Sirius é um pouco exaltado e afastado de todos, mas acho que poderá segurar as pontas.

– Então, Loki... Vamos para o segundo ponto.

Zeenon aspirou o ar e sentiu um cheiro delicioso de pernil. Percebeu que estava faminto.

– Bom, parece que meninas preparam algo para você. No jantar, dou os detalhes.

Loki piscou para o rei, que no mesmo instante se levantou. Nada mudava naquele lugar. Era a mesma boa recepção, a mesma energia amorosa do seus feiticeiros, todo o calor que amava desfrutar.



Notas finais do capítulo

A poesia "Brilho Celestial" é minha e quem quiser vê-la completa, pode conferir neste link -> http://goldenmoon5.blogspot.com.br/2014/09/brilho-celestial.html



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