The Golden Rose - A Rosa Dourada escrita por goldenmoon


Capítulo 5
Capítulo 04


Notas iniciais do capítulo

Sim, acho que dá para perceber... Alguns personagens meus recebem nomes de seres da mitologia nórdica. Na época em que fiz, estava fascinada pelas histórias (ainda gosto muito) e quis nomear meus personagens assim :D Alguns exemplos;
Freyr - deus patrono da fertilidade, mas também é deus da alegria, paz...
Heimdall - o deus que protege a ponte do arco-íris (Bifrost), a qual leva até Asgard. Conhecido também como o "mais iluminado dos deuses".
Loki - deus do fogo, das travessuras.

;)




No raiar do sol no dia seguinte, Zeenon já estava de pé na varanda do quarto, olhando o brilho alaranjado do amanhecer. Pensava na visita que Freyr faria ao seu castelo. Não estava tão focado nas possíveis invasões do Reino Ezra, para ele aquilo não era tão importante quanto ter aquele garoto mais próximo de seu mundo. Suas relações com humanos jamais foram amistosas, mas não por causa dele. Apesar de guerrear contra os seres de luz, não atingia os reinos humanos. Sempre se manterá longe daqueles seres, afinal, gostavam de maldizer o seu nome. Queria distância de quem o queria mal.

Mas, Freyr... Ele parecia tão diferente. Conhecera o garoto durante tão pouco tempo, mas parecia que o sentia há anos. Não ouvia insultos, nem olhares feios. Pelo contrário, via os olhos azuis cristalinos do garoto brilharem enquanto conversavam. Percebia que ele se interessa por sua história, e queria mais daquela companhia. Há quanto tempo não passava um tempo com alguém diferente? Era sempre tão focado em permanecer no Darkvallum, junto aos garotos dragões, que sempre traziam alegrias. Sentia certa falta do Submundo, dos feiticeiros. Jamais os abandonara totalmente, mas nos últimos tempos estivera afastado de Inshtarheim. As ordens que assegurava eram feitas por intermédio de Loki, um dos feiticeiros mais poderosos do Submundo. Era um leal amigo e o braço direito no comando do seu reino. Voltaria com mais calma para lá, mais algo o segurava ali no mundo humano, e precisava combater. Porém, ainda não sabia como.

Apertou-se no robe que cobria seu corpo nu, sentindo aperto no peito.

De repente, ele sentiu a brisa do vento. Os cabelos negros voaram, e o rosto límpido sentiu os ventos lamberem a pele. Observava as aves voarem majestosas por entre as árvores, lembrou-se de uma época que não voltara mais, quando seu passado era lívido e a mente era despreocupada. Ele era livre como aquelas aves... Volte...Eu te amo...” Som doce de uma voz soou em suas lembranças.

Os brilhantes olhos de vermelho sangue esmoreceram de repente, mergulhou em profundo arrependimento, mas agora sentia que poderia consertar seu passado.

Enquanto estava imerso em seus pensamentos, Link entrava silencioso no quarto. Planejava dar um susto em seu pai, mas, antes que ele chegasse, Zeenon virou e falou com uma voz doce,

– Bom dia, meu filho.

O rapazinho tomou um susto e saltou para trás e tropeçou. Caiu exatamente na cama do pai. O nobre rei foi ao seu encontrou e sentou-se perto da cabeceira.

– O que faz aqui a essa hora da manhã?

– Nada... – Ele deitou de bruços na cama, e enfiou a cabeça na almofada.

– Eu te conheço Link. – Bagunçou o cabelo do jovem dragão – Você não acorda tão cedo assim, o que quer de mim?

– Pai... – Link hesitou por um instante, mas voltou a falar – Como é esse Freyr?

Ele se sentou na cama e encarou o pai.

Os olhos de Zeenon perderam a morbidez de antes e brilharam como rubis.

– É um garoto bem alegre, apaixonado por leitura, interessa-se por magia...

– Sério que ele virá aqui hoje?

– Sim, ele virá. Já que gosta de ler, vou levá-lo à biblioteca do castelo. Mas, qual é o teu interesse?

– Nenhum... Eu só quero conhecer esse garoto que te fisgou assim. Nunca pensei que algum dia traria um humano aqui... Ou tentaria fazer amizade com eles... Que ficaria tão encantado por um humano desse jeito.

– Eu também não imaginei que você se apaixonaria pelo Mark, quando o tirei da floresta e trouxe-o para o castelo.

Link sorriu e pegou na mão de seu pai, lembrando-se da primeira vez que viu Mark: totalmente ferido, sujo e, ainda assim, cheio de coragem.

– Eu sou imensamente grato ao Senhor por isso, salvou a vida dele.

– Quando eu vi aquele garoto magro e aparentemente fraco tentando resistir àqueles nojentos soldados do Reino de Ezra eu tive que resgatá-lo. Ele tem um espírito forte, de guerreiro. Ter superado àquela invasão na vila onde morava, a morte dos pais, ficado só no mundo... Os humanos ainda preservam certa coragem... Bondade. E eu quero ajudá-lo a se vingar um dia.

– Forte... Corajoso. Essas são algumas das inúmeras razões por eu amar tanto ele.

Zeenon o abraçou, aconchegando o amado filho em seus braços.

– Você faria de tudo para protegê-lo, é como se ele fosse a sua fraqueza... Não é?

– Às vezes sim, mas... Ao mesmo tempo quero ser cada vez mais forte para protegê-lo. – Link se agarrou mais ao pai, apertando-o contra si.

– Bela resposta, continue assim.

De repente, Mark bateu na porta, perguntando,

– Senhor Zeenon, desculpe incomodá-lo tão cedo, mas o Link está ai?

A voz dele parecia assustada. Não gostava de ficar sozinho, sentia-se desolado assim como ficou quando perdeu a família.

– Estou aqui Mark, pode entrar. – Link soltou lentamente seu pai e virou-se para a porta.

Mark entrou no quarto, correu até a cama e puxou Link pelo braço.

– Por que não me chamou na hora que saiu? Você sabe que eu não gosto de ficar só!

– Desculpa... Eu só queria conversar um pouco com meu pai. Mas eu já estava voltando, vou dormir de novo, ok? Nunca vou te deixar só no mundo, você sabe disso.

Zeenon observava os dois, feliz por seu filho ter um companheiro que o amava verdadeiramente.

– Tudo bem, desculpe-me... Vamos para o quarto... Vamos... – Mark puxava seu parceiro pelo braço, tentando tirá-lo da cama.

– Calma, já estou levantando. – Link levantou, obedecendo o seu companheiro. – Não se preocupe pai, prometo que ele terá uma boa recepção no castelo. Estou muito ansioso.

– Obrigado, Link.

O nobre rei sentia-se totalmente aliviado por seu filho lhe compreender e apoiar. Agora estava mais seguro em sua relação com Freyr.

– Vocês estavam falando sobre o garotinho que Zeenon está apaixonado? – Mark soltou a mão do seu companheiro e cruzou os braço, ironicamente – Já vai arrastar o garoto para a ca...

–Ei, Mark! – Link o olhou com reprovação.

–Ok, parei com a brincadeira, tenha um bom dia!

– Tenham um bom dia, vocês também. – disse, rindo da brincadeira do rapaz.

O jovem dragão celeste desatou a rir e andou até a porta, Link deu bom dia ao seu pai e seguiu o parceiro, rumo ao quarto.

Logo que os garotos saíram, o rei levantou e foi até o quarto onde guardava suas roupas. A esquerda e direita da sala, viam-se compartimentos recheados de roupas, principalmente pretas e violetas. No fundo, havia uma pequena porta, a qual dava passagem para uma saleta onde guardava suas joias mais preciosas. Uma pequena caixa preta ornamentada com diamantes, repousava sobre uma estante negra. Ele pegou a caixa e com muita cautela a abriu. Um brilho vermelho ofuscante emergiu da caixinha, cintilante como seus olhos.

Pegou o pequeno rubi, admirando a frágil pedrinha vermelha. Há tempos guardava-a naquela caixinha, mas agora pensava em dar um destino para ela. Aquela pedra guardava um enorme poder de proteção, era perfeita para defender o garoto loiro de qualquer perigo. Sabia que Freyr correria riscos estando perto dele. Não queria perder seu mais novo amigo.

Nesse dia, Freyr chegou um pouco mais cedo ao ponto de encontro. Roía as unhas, imaginando milhares de coisas. Sentado em uma das pedras da gruta, suas pernas balançavam furiosas, enquanto esperavam o seu amigo.

Só acalmou, quando viu a figura de Zeenon aparecer na entrada.

– Zeenon! – Ele correu ao encontro do nobre rei – Estava muito ansioso para vê-lo!

Nunca ouvira aquilo de um humano.

Ter aquelas palavras vindo de alguém tão novo, que já o conhecia por estórias de lendas, passava absoluta calmaria aos sentimentos do rei. Freyr parecia alguém especial. O rei sentia vibrações intensas invadirem seu corpo, era uma sensação que nunca havia sentido antes, parecia algo como tranquilidade, que sua alma não tinha há tempos. Queria que aqueles momentos durassem uma eternidade.

– Sim, sim eu também estava impaciente para vê-lo. Então, vamos para meu castelo? – Feliz e impaciente para ver um humano... Aquilo era bastante incomum para o rei.

– Antes de partirmos... Eu gostaria de te falar algo, Zeenon. É importante.

– Aconteceu alguma coisa?

– É sobre os planos do Rei Simun... – Freyr falava vagarosamente, com algum tipo de receio – É que... Meu irmão foi convocado para o Exército Real e disse que o Rei Simun está convocando grande parte dos garotos, eles estão recebendo treinamentos para futuras conquistas territoriais... E-Eu lembrei logo da carta que você recebeu do Guardião da Luz.

– Ontem quando eu e meus garotos fomos até o Reino da Luz, alguns deles foram atacados por humanos armados... Esses covardes...

– Nossa! Eles estão bem? – Disse Freyr, arregalando seus belos olhos azuis.

– Com certeza, ficaram sobre os cuidados de Heimdall... Com certeza eles estão a salvo. Não se preocupe com isso, ok? – Zeenon o puxou pela mão, andando em direção à floresta – Vamos logo, pois tenho dois garotos ansiosos para conhecê-lo!

– Zeenon? – Freyr baixou os olhos.

O garoto estava preocupado, pensava em como iria se comportar quando chegasse ao castelo. Era um plebeu, não possuía de hábitos de nobreza. E ainda tinha o filho do rei. Pensava se o garoto simpatizaria com ele.

– E se seu filho não gostar da minha presença?

– Eu tranco ele em um quarto e só tiro de lá quando você sair.

Os dois sorriram juntos, pareciam amigos de longa data.

O rei ditou os encantamentos que despertavam o seu grande Dragão Midnight, quase sussurrando: “Dragni Inshtar” - Começou a transformar-se na bela criatura das trevas.

O dragão fez um sinal com a cabeça para Freyr subir em suas costas. Animado, o jovem começou a escalar a enorme asa, o corpo robusto era todo coberto por escamas. Subiu lentamente, escorando-se nas escamas negras da criatura, com um pouco de medo de cair. Assim que conseguiu chegar ao topo, se acomodou nas costas do bicho, viu as asas se posicionarem para o voo repentinamente. As grandes asas pontudas começaram a bater, formando uma ventania tão forte que seus cabelos loiros lhe cobriram a vista.

Poderia aquilo ser um sonho? Todo o mundo estava bem debaixo de seus pés, podia ver todo o reino de Ezra dali de cima. Sentia-se livre ali no céu, como se fizesse parte dele há muito tempo. O vento, o azul celeste, as nuvens, tudo estava perfeito.

No meio das nuvens em uma grande montanha, viu um colossal castelo, cercado por muralhas de pedras. Olhando dali, assemelhava-se mais a uma prisão. O Dragão da meia-noite fez seu pouso em frente ao portão de entrada do Castelo. Alguns homens que estavam na torre, ao verem Zeenon que chegar, logo se posicionaram e abriram os portões.

À medida que os portões desciam, revelava um magnífico jardim de rosas negras e vermelhas, o cheiro delas era extremamente adocicado.

Assim que Freyr desceu de Midnight, Zeenon voltou à forma humana, disse,

– Seja bem-vindo ao meu castelo. Fique à vontade.

– S-sim. – Quase que o “sim” não sai de sua boca. Nervoso, chegava a gaguejar.

Zeenon pegou o rosto do garoto entre as mãos, queria deixá-lo confortável em seu castelo.

– Não precisa ter medo, Link e Mark são dragões domesticados. – Sorriu de forma amigável.

Freyr retribuiu o sorriso timidamente, e tentou relaxar um pouco.

Zeenon pegou sua mão e levou-o para dentro, os portões se fecharam. Eles seguiram o caminho de pedregulhos que levava à fachada do castelo. Freyr olhava curioso tudo ao seu redor, as lindas flores negras e vermelhas;o coreto, no meio do jardim, branco e coberto por rosas; na lateral esquerda do castelo, um enorme campo rodeado por árvores. Não imaginara que aquela “prisão” era tão linda por dentro.

– Será que meu pai já chegou? – Perguntou Link.

Andava de um lado a outro dentro do quarto, impaciente, esperando a chegada do seu pai junto ao tão falado visitante. Mark que estava deitado na cama lendo um livro, irritou-se com a movimentação do seu parceiro e reclamou:

– Se aquieta Link! Já, já eles chegam!

– Não consigo! Vou olhar a sacada. – Ele andou em direção à sacada da janela.

– Vai, vai! E me deixa em paz.

Link passou o olho pelo jardim, quando avistou Zeenon e um garoto de cabelos longos loiros que reluziam a luz do sol. Ele trajava roupas simples, de plebeu.

– Olha lá! Eles chegaram!

Ele chamou seu companheiro, que pulou da cama e correu em sua direção.

– Onde, onde?!

– Ali – Link sinalizou com a cabeça o lugar onde os dois estavam.

Ansioso, Link puxou o braço de seu parceiro e o arrastou até a porta do quarto.

Zeenon e Freyr atravessaram o jardim, onde belas rosas vermelhas e negras, estiravam-se no caminho dos portões até a fachada. O rei avistou os seus dragões sorridentes chegarem à porta, prontos para recebê-los.

– Seja bem-vindo, Freyr.

Link caminhou ao encontro do rapazinho loiro.

Com muita atenção no olhar, Freyr encarou Link e depois observou o rosto do homem ao seu lado. Realmente eram muito parecidos! Olhos vermelhos, cabelos negros, a áurea misteriosa... A semelhança entre eles era incrível.

Link parou a sua frente e estendeu a mão, educado.

– É um prazer conhecê-lo, sou o Link, filho de Zeenon.

Freyr olhou o companheiro mais uma vez, como se estivesse com receio. Porém, não queria dar impressão de que estava com medo deles, então, timidamente, pegou a mão de Link e a apertou.

– O-Obrigada... É um prazer conhecê-lo também...

Mark, como não queria ficar de fora, também foi cumprimentar o visitante.

– Bem-vindo, sou o Mark. Sabia que Zeenon fala muito de você?

O rei olhou o jovem dragão, repreendendo-o. Entendendo o olhar, recuou acuado.

– Hm... Você vai mostrar o castelo ao Freyr? – Disse, saltitando seus olhos negros.

– Sim, quero mostrar todo o castelo para ele. Mas, sei que o lugar que ele mais quer conhecer é a biblioteca, não é? – Zeenon o olhou com ternura.

– Ah, sim, sim! Quero muito!

Freyr retribuiu o olhar, estava feliz em ser bem recebido pelos dragões. A tensão de antes passara, sentia-se um pouco mais à vontade ali.

– Então, garotos, nos deem licença, pois guiarei nosso convidado pelo castelo. Vamos?

Zeenon fez um sinal para que Freyr o seguisse. O garoto aceitou e, então, eles se dirigiram à escadaria, indo para o Hall de entrada.

Link e Mark acenaram para os dois.

– Ok, divirtam-se. – Disseram, uníssono.

– Espero que isso dê certo!

– Acredito que sim. Meu pai está feliz, para mim isso é o que importa.

– Sim, sim. Dá pra ver o brilho nos olhos dele. E esse Freyr é até bonitinho...

– Como é?

O ciúme bateu à sua porta. Link não gostava que seu companheiro desviasse o olhar para outra pessoa.

– Ah, vai dizer que ele é feio?!

Link lhe lançou um olhar seco, fazendo seu parceiro estremecer dos pés à cabeça.

– Er... Voltarei para o nosso quarto, tudo bem? – Ele recuou aos poucos, e correu em direção à escadaria.

– Volta aqui, Mark!

Seguiu o dragão celeste, correndo. Planejava fazer o seu companheiro esquecer tudo o que dissera e voltar somente para ele.

Freyr estava fascinado com a Beleza do castelo. Ao adentrarem o hall de entrada, sentiu-se pequeno diante daquele local. As paredes erguiam-se majestosas em seu tom escuro, negro, e nelas haviam grandes vitrais coloridos, banhando o salão com longos feixes de luz.
Passaram para o outro espaçoso salão. À frente, uma enorme escadaria levava para o primeiro andar, onde encontrariam salões e os aposentos dos moradores. Ao leste, um corredor para a sala de jantar; o que mais chamou a atenção do jovem, foi um deslumbrante lustre de cristais, produzindo arco-íris sobre a grande mesa da sala. A oeste, uma saleta de recepções e suas prateleiras ornamentadas por estátuas sinistras, o divã roxo destacando-se no aposento.

Existia muito do enigmático Zeenon naquele Lugar. O que deixava Freyr cada vez mais encantado.

Após apresentar adequadamente os salões de sua "toca", Zeenon chamou o jovem a acompanhá-lo à escadaria. Pé ante pé, Freyr subia cada degrau observando as enormes paredes do castelo, e imaginava o que encontraria mais à frente. Subiram e encontraram um grande cômodo de pedra, onde, ao fundo, via-se um estreito caminho para a sala de música. O nobre rei parou e encarou o companheiro.

– A biblioteca fica logo ali – Zeenon indicou o corredor leste do local – Quer ir logo até lá, ou conhecer mais o castelo?

Freyr estava admirando um belo piano negro plantado bem no meio da sala de música.

– Gostou do piano? – indagou.

O jovem loiro virou-se para Zeenon, envergonhado.

– Ah, desculpe-me.. – Disse, despertando. – É um lindo instrumento. Você toca?

– Sim, de vez em quando... É bom para relaxar...

Às vezes durante suas noites solitárias, o rei gostava de espantar pensamentos ruins com o soar doce do piano.

– Eu adoraria vê-lo tocar.

Freyr piscou os olhos brilhantes. Aquele lado sensível e adorável de Zeenon lhe tocava bastante.

– Vamos para a biblioteca agora?

– Sim, vamos! – Respondeu, animado.

Assim, partiram para a corredor leste. Zeenon o conduzia, mostrando as salas e os belos quadros pintados por feiticeiros, adorava-os. Sempre exibiam o ambiente sombrio, mas belo de Inshtarheim. Freyr apreciava as obras, sentindo um gostinho daquele mundo que sempre sonhara visitar. Pelos quadros, via que realmente não era o mundo conhecido pelos humanos. Belos dragões, florestas, cachoeiras cristalinas, animais híbridos. Lindos, exóticos.

Após caminharem um pouco, o rei estacou, anunciando que haviam chegado à tão esperada biblioteca. Abriu as duas abas da porta.

– Sinta-se em casa, Freyr.

Quando o loiro pôs seus pés naquele recinto, sentiu que Zeenon o revelava um mundo fantástico. Ficou boquiaberto percorreu seus olhos pelo local.

– Esse lugar é... Incrível!

Estava emocionado olhando a imensa biblioteca e seus vários andares recheados de livros.

As estantes negras, no fundo e nas laterais da sala, estendiam-se até o teto. No meio do aposento, encontravam-se duas poltronas acolchoadas vermelhas e uma mesinha de madeira, para descanso e estudos.

– Venha, entre. – Guardião convidou e o jovem seguiu, fascinado. – Você disse que gosta de livros fantásticos, não é? Dê uma olhada ali.

Zeenon apontou a sessão oeste da biblioteca, enquanto seguia para uma das poltronas.

– Tem ótimos livros sobre dragões, monstros e várias outras criaturas...

Sem timidez, o garoto correu e subiu a extensa escada que dava acesso aos livros. Começou a vasculhar os volumes, como uma criança boba. Confortável com a presença do menino, o guardião olhava-o com certo apreço. Deixou-se relaxar em sua poltrona, pensando na ótima tarde que passaria ali.

– Você tem todos os volumes de “O labirinto da Escuridão” ?! Lá na Biblioteca da cidade só tinha o primeiro volume, eu li e me apaixonei pela série!

– Se quiser pode levá-los para casa... Já li todos eles. Também gosto dessa série.

– Sério? Muito obrigado! – Freyr juntou os livros e deixou-os na prateleira.

Olhou a magnífica biblioteca ao seu redor, e perguntou a seu companheiro.

– Esses livros... Você já leu todos eles?

– Todos? – O nobre rei sorriu, de forma cordial – Todos, não. Mas muitos deles...Quando levantei a bandeira branca entre eu e Heimdall, fiquei dias e dias, trancado aqui, devorando vários livros, dia e noite... Queria esquecer tudo...

– Os livros são bons para esquecer o mundo. Perfeitos companheiros. É por isso que eu os amo. – Ele exalava paixão em suas palavras. Freyr era um leitor ávido por aventuras e mundos novos. – Poesias, odisseias, contos... Sempre nos fazem navegar por águas incríveis e surpreendentes...

– Concordo plenamente.

– Hm... O que tem naquela sessão ali?

Apontou a sessão norte, curioso para encontrar mais livros interessantes.

– São livros de magia. – Respondeu, seco.

O poderoso rei ficou sério, pois esse era um assunto que ele não gostava de discutir.

– Eu posso vê-los? – Freyr o olhou, esperançoso.

– Desculpe-me, Freyr. Mas é melhor que não os veja.

– Tudo bem.

Zeenon se levantou, andou até a porta.

– Pode ficar aqui por uns instantes? Vou pedir para as criadas prepararem um chá da tarde para nós, ok?

Freyr aquiesceu, balançando a cabeça, e voltou aos livros.

Alguns instantes depois que o rei cruzou a porta, outra pessoa entrou na biblioteca. Em seus passos silenciosos, Link adentrou no salão e parou para observar o convidado. Olhou para cima e o viu totalmente entretido entre os volumes.

Estava intrigado com aquele garoto.

Nunca um humano havia conquistado seu pai daquele jeito. Ele cruzou os braços, observou o garoto a divertir-se como uma criança e seus brinquedos favoritos.

– Explique-me como você conseguiu. – Disse Link, a voz cortante.

O garoto loiro assustou-se com a voz e quase se desequilibrou na escada. Quando olhou para baixo, viu o filho do anfitrião, Link, a observá-lo com seus olhos vermelhos faiscantes.

Poderia jurar que, somente o olhar do dragão, iria matá-lo ali mesmo, se assim ele quisesse.





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