The Golden Rose - A Rosa Dourada escrita por goldenmoon


Capítulo 33
Capítulo 32


Notas iniciais do capítulo

Boa leitura!
A história realmente está terminando, entretanto tenho novidade para depois! Aguardem :)




Dentro do castelo, Loki ouviu um estrondo vir da torre mais alta do castelo. Estendeu suas sombras, mas já presumia o que deveria ter acontecido. E... Suas previsões estavam corretas. As paredes do salão ruíram e seu mestre precisaria de ajuda para sair de lá. Andou até a porta do Hall de entrada e, assim, resolveu finalmente destravar o castelo. “Acabou tudo mesmo...” Ao verem as abas da porta se escancarem à frente e o clarão da lua invadir a sala, os reis saíram em disparada e suavam de medo pela possibilidade de ter o mesmo fim que o seu ex-companheiro, Simun. Assim que saíram, o feiticeiro ruivo e seu companheiro Andy sumiram dentro do castelo. Foram para a torre, ajudar Zeenon.

“Zeenon estava lá... Os escombros...” Depois de tomar um susto ao ver as paredes de pedra ruir no pico da torre, Freyr não parava de pensar em seu amado rei. Sentiu algumas lágrimas caírem em seu rosto. Sabia que o namorado estava bem, mas um aperto surgia em seu peito ao pensar em Zeenon preso dentro daquela sala, sob escombros de pedra. Provavelmente, desacordado embaixo das paredes. Heimdall observava, quieto, os reis brigarem com Mark e Link para que pudessem passar pelos grandes portões da frente, trancados desde que chegaram ali. Em poucos segundos de discussão, Mark já apresentava seus punhos cerrados e Link segurava-se para não avançar sobre os homens. Os rapazes ficaram furiosos por causa da insistência irritante, não podiam abrir até receber alguma ordem concreta de Loki, que comandava o grupo, depois de Zeenon. Heimdall permanecia calado, o rosto virado para o jardim, quando sentiu alguém cutucar o seu braço.

Ao sentir o toque, o guardião da luz virou e deu de cara com o irmão de Freyr, vermelho de raiva.

– O que aconteceu ali? Diga! – disse, rispidamente.

Não tem outro jeito... Heimdall meneou a cabeça para os lados, sabia que sua forma de guardião acalmaria os ânimos. E, então, decidiu desestabilizar a sua aura. Fechou os olhos e seus cabelos saíram do profundo negro natural e descoloriram para o cinza, a cor de guardião. Os cidadãos olharam-no assustados, eram muitas surpresas naquela noite. Freyr voltou-se para Heimdall, já com os cabelos descoloridos, brilhando. A imponência de guardião respeitado despontou sobre os cidadãos e todos baixaram os olhos, em respeito.

– Heimdall não...! – Freyr segurou o braço do companheiro, aumentando um pouco seu tom de voz.

Os olhos cinzentos do guardião encontraram as esferas azuis de Freyr, e o rapazinho entendeu o recado. Era o melhor para controlar a situação.

– A situação já está sob controle, não temam. – sua voz branda soou pela multidão.

Algumas pessoas se entreolhavam, surpresas e cheias de dúvidas. “Como ele fez aquilo?” Jimmy não conseguia acreditar que era Heimdall ali, e logo arrumou uma explicação para tudo aquilo.

Não se enganem! Ele está disfarçado! – Convencido, gritou para a multidão.

As pessoas ficaram indecisas, sem saber em quem acreditar.

Um burburinho intenso invadiu a rua e as pessoas falavam todas ao mesmo tempo. Alguns acreditavam ser Heimdall o homem à frente, e argumentavam que, se fosse o “ser maligno” todos já estariam mortos. Já outros diziam e bradavam que Zeenon podia se disfarçar do que quisesse e poderia muito bem se passar de guardião da luz. A confusão era certa. Jimmy olhou, satisfeito, para o grande grupo que apoiava as suas idéias, pensou até que seu protesto podia dar certo.

Freyr, inquieto por tudo que aconteciam ao mesmo tempo, observou o semblante de Heimdall e viu uma expressão decepcionada. O rei tinha as mãos pousadas sobre o peito, e olhava para um lado ao outro, tentando encontrar uma solução para aquele estardalhaço. Sem muito sucesso. Então, o garoto respirou fundo e pensou em uma alternativa. Deveria ajudar, para ir logo ver seu amado. De olhos fechados, expandiu a sua aura dourada e, sem poder analisar cada pessoa, tentou passar um pouco de calma ao grupo. Como era o único que podia sentir o poder, Heimdall olhou para o lado, espantado pelas emanações que sentia. Eram brandas, mas, ao mesmo tempo, agressivas em sua força. O guardião da luz percebeu que, através da sua aura, o companheiro tentava apaziguar os ânimos do povo. Viu os olhos de Freyr cintilarem, enquanto ele fixava-se no grupo – o menino estava completamente absorto em sua aura. As pessoas, em instantes, pararam as discussões e olharam para Freyr, pareciam hipnotizados. Inclusive Jimmy, que estava ao lado do meio-irmão.

O guardião dourado respirou fundo e virou-se para o companheiro. Terminou seu trabalho. As pessoas voltaram à consciência, sentiam-se leves, como plumas. Não poderiam mais brigar. E, diante toda aquela calma, não haveria como não ser Heimdall, o homem à frente. A presença dele sempre trazia algo de mágico para aquelas pessoas.

– Obrigado, Freyr. – sussurrou para o cunhado.

Então, vendo a oportunidade de explicar o ocorrido, Heimdall começou,

– Zeenon estava lá dentro. – apontou para a grande torre, destruída no topo. – Aquela barreira negra, foi ele quem projetou. Foram salvos por ele. Quem estava disfarçado era eu, com os cabelos negros, minha forma humana... Havia um grande perigo nessa cidade e nós os defendemos em conjunto.

Como estavam sob efeito, as pessoas apenas se entreolharam, tentando entender as palavras do rei. Não ficaram alarmadas, mas podia-se perceber algumas expressões de dúvida. Toda a festa estava segurança de todos.

Então, uma voz surgiu na multidão.

– Por que não nos avisou antes, Senhor Heimdall?

– Não podíamos alarmar toda a população e Zeenon precisava resolver tudo em silêncio... – Respondeu, tranquilo.

– Vocês poderiam me explicar o que ocorreu aqui? – a voz de Jimmy saiu tão fraca que os guardiões quase não conseguiram escutar.

Freyr observou o irmão, o qual estava de cabeça baixa, visivelmente constrangido pela situação. Apesar de estar impaciente para ver Zeenon, sentiu um pouco de compaixão pelo rapaz. Deveria explicá-lo melhor os acontecimentos. Heimdall compartilhava os mesmos sentimentos.

– Está tudo bem... Vamos explicá-lo tudo. – disse Heimdall, decidido.

O novo guardião apenas aquiesceu e decidiu que, realmente, deveria revelar algumas coisas a Jimmy.

Destruição e vitória. Era o cenário grotesco da sala de reuniões de Simun. Escombros de pedra, vidros espalhados. Apenas a estátua da guerreira, cujo nome era Valky, erguia-se majestosa e seu receptáculo apagado, em uma das mãos estendidas. Tudo aquilo por causa de uma vingança estúpida de um lunático. Mas, estava acabado. E, no meio daquela cena, Zeenon caído ao chão, desacordado, com seus cabelos negros estendidos sobre as pedras. Assim que o viu, Loki correu até seu corpo, agachando-se, pronto para socorrê-lo. Apesar de saber que seu mestre não podia morrer, não gostava de vê-lo daquela forma tão vulnerável. Andy seguiu ao lado do ruivo, também pronto para socorrer seu novo mestre.

Tapeou o rosto do guardião, na tentativa de acordá-lo.

– Zeenon, acorde... Acorde!

Os farelos de cimento e cacos de vidro caíram escorregaram do rosto de Zeenon, quando este mexeu a cabeça um pouco para os lados. Os olhos vermelhos viram os cabelos ruivos do assistente. E, depois, os olhos arregalados dele. Levou uma das mãos ao rosto de Loki e sorriu, achava engraçada a preocupação extrema dele. Escorreu a mão para o ombro do feiticeiro e apoiou-se, a fim de sentar-se sobre os escombros.

– Sempre descuidado, hein... – Loki sorriu, feliz em ver a vitória.

– Não tive culpa... – disse o rei, retirando a poeira da capa negra e dos cabelos.

– Quanta destruição... – disse Andy, agachado próximo aos companheiros.

Zeenon observou o ex-soldado ao seu lado, o rapaz não parecia ter nenhum remorso de ter participado daquilo. Pelo contrário, exibia um brilho nos olhos negros que deixou o rei aliviado.

– A magia realmente era muito intensa... Mas – olhou para o céu, a lua ainda insinuava-se no horizonte – Acho que conseguimos, não?

Os três riram juntos, felizes por aquela vitória. Então, Zeenon, levantou-se com a ajuda do feiticeiro ruivo e Andy partiu pela sala, à procura do corpo de Simun. Queria ter o prazer de vê-lo morto, antes de sair dali com seus novos companheiros. No meio de alguns escombros de pedra e vidros escarlates, viu uma calça azul royal e uma mão ensanguentada.

– Achei! – Gritou.

Loki e Zeenon voltaram sua atenção para o rapaz, que já cavava para tirar o corpo do rei dali. Acharam estranha aquela decisão dele, mas esperaram para ver. O rapaz apresentava uma animação assustadora no rosto. Seria um prazer ver o antigo rei humano derrotado. Sua vontade era de ter presenciado a hora da morte, mas não podia ficar com Zeenon dentro da sala de reuniões.

– Ele deve estar grotesco, Andy... Deixe-o aí... – disse o rei.

– Eu preciso ver isso!

Depois de muito esforço, Andy conseguiu ver o corpo do seu ex-rei. Se não soubesse o que acontecera por ali, ele nunca reconheceria aquela criatura. O rosto estava totalmente desfigurado, cheio de cortes, fraturas e contusões. A roupa fina e azul completamente rasgada, os membros com fraturas expostas e dois buracos roxos profundos em sua garganta. Andy levou a mão à boca, enojado da cena que via. Arrependeu-se da decisão.

– Várias coisas caíram sobre ele... Então... Meu estrago maior foi na garganta. – Zeenon se aproximou do corpo, olhando a face desfigurada do homem.

O rapaz sentiu o estômago embrulhar-se e, então, andou a passos largos para porta, estava a ponto de vomitar ali mesmo.

– Que foi, é nojinho? – provocou Loki, enquanto ajudava Zeenon a seguir até a porta. O corpo do rei ainda se recuperava. Sua aura enfraqueceu um pouco depois de tanto esforço.

– Vamos logo...

Já na soleira da porta, Andy fez um sinal para os outros o seguirem, ainda nauseado pela situação horrenda de Simun. Os três deixaram aquele ambiente hostil, abandonado o corpo do lunático para trás.

Parados no portão do castelo, Freyr olhava para Jimmy, e possuía certa cólera nos olhos. Ouviu um relato cínico do seu irmão e, se fosse alguém violento, teria o atacado ali mesmo, na frente de todas àquelas pessoas. Seu irmão explicara que viu o começo dos ataques, em um bairro próximo aos fundos do castelo e resolveu avisar à população do que acontecia, pensando que Simun poderia ajudá-los de algum jeito. Se tivessem vindo antes, atrapalhariam os planos.

– Eu só queria ajudar a todos... – baixou os olhos, fingindo estar arrependido.

– Eu sei que você ficou desconfiado de algo quando me viu hoje. – disse Freyr, quase se inclinado para o irmão mais velho.

– Mas ele queria nos atacar! Eu fiz o certo!

O rapaz perdeu a paciência e gritou com o meio-irmão. Estava convicto que seu protesto poderia ter feito alguma diferença, se Simun tivesse visto e ajudado. Entretanto mal sabia que, enquanto protestava para proteger o reino, seu monarca planejara destruir a cidade, por vingança.

Heimdall, que observava os dois discutirem, pousou a mão no ombro de Freyr e pediu que se acalmassem. Não precisavam brigar daquela maneira, o perigo já passou.

– Meninos, esperem... – dirigiu-se ao rapaz e continuou, tinha a voz branda – Simun queria destruir essa cidade. Ele era o inimigo... Zeenon quis ajudar, foi isso...

Ao ouvir a revelação de Heimdall o garoto abriu a boca e arregalou os olhos, vislumbrado. Não podia imaginar que aquilo era verdade, mesmo que a informação vinha de Heimdall, um guardião tão respeitado dentro do reino.

– Mas... – a expressão dele demonstrava sua dúvida. Era leal a Simun, e não conseguia crer que ele desejava ver a cidade destruída.

– Sim, ele ficou com raiva por não conseguir controlar o reino de luz, por ter ficado sozinho, sem os outros reis... E queria mostrar a sua força para eles. – explicou Freyr, olhando os reis ainda tentarem convencer Mark e Link no jardim.

Olhou para baixo e, percebeu que realmente fazia sentido. Jimmy finalmente entendeu a situação.

– Simun.... – murmurou, decepcionado.

Estava no exército, então viu tudo aquilo acontecer. Pouquíssimo tempo antes dos ataques viu as tropas irem embora, a decisão do rei... Simun parecia tão convicto da vitória. Acreditou fielmente naquilo, até mesmo conseguiu fugir do ataque junto a seus companheiros do exército. E, depois, viu seus sonhos serem quebrados quando foi demitido. O quartel vazio deixava-o com ânsias no peito. Agora, parecia tudo mais claro.

Mas, ainda tinha uma dúvida a tirar.

– Freyr... E você? Ainda não me explicou...

O guardião dourado quase saltitou ao ouvir aquela pergunta. Heimdall percebeu a instabilidade da aura de Freyr. Viu-o gaguejar, desviar o olhar, mas, depois, conseguiu encarar seu irmão e encontrou uma explicação.

– Estive com o Zeenon por muitos meses. Acompanhei tudo e... Sabia da situação.

Jimmy deu um passo para trás, olhou Freyr de cima a baixo, desdenhoso. Parecia enojar-se daquela declaração.

– Você estava do lado desse homem? – rosnou. Mesmo sabendo que foi salvo por Zeenon, ele ainda não gostava de ouvir aquele nome.

O menino odiava que falassem daquele modo sobre alguém que amava tanto. O rei das trevas era seu namorado, amigo e companheiro e, além de tudo, presenteou-o com uma família amorosa. Não merecia aquele tipo de julgamento.

– Não fale assim dele! É uma pessoa muito importante para mim! Você não o conhece. – disse, cheio de certeza em suas palavras.

A tez do novo guardião endureceu e, não tanto quanto Jimmy, até Heimdall impressionou-se pelo tom de voz dele. O rei da luz acreditava que não deveria se intrometer tanto na conversa dos dois irmãos, então, aguardava quieto, próximo a Freyr. Porém, quando ouviu aquela última frase, olhou para o companheiro, impressionado pelo seu amadurecimento. O meio-irmão do guardião dourado balançou a cabeça para os lados, completamente confuso. Queria ir embora e sumir depois de todos aqueles acontecimentos. Partiu em disparada pelo grupo de pessoas, queria afastar-se daquela confusão.

Mark apareceu no portão e cutucou Heimdall, chamando-o. O guardião atendeu e escutou o dragão celeste cochichar algo em seu ouvido. De repente, Mark pegou o cadeado e o apertou. Sua mão soltou um brilho prateado, e o elo do objeto se quebrou, destravando o portão.

Antes de adentrar, Heimdall viu um grupo de seres de luz chegar à cavalo para averiguar a situação. Era Marín e Shigurd, seus fiéis companheiros, acompanhados de duas belas moças, uma muito ruiva e outra de cabelos crespos cacheados, armadas de arco e flechas nas costas, agiam como seguranças dos dois seres. Enquanto Mark esperava, Heimdall e Freyr foram até o grupo e pediram que ajudassem as pessoas à frente, explicando-os com mais detalhes a situação. Os quatro agiram prontamente as ordens do mestre.

Então, os dois partiram para o castelo, ansiosos para ver Zeenon. Depois que entraram, Heimdall restaurou o cadeado, trancando novamente o portão. Jimmy, longe da multidão, ficou a observar seu irmão correr para o castelo, ainda sem entender o porquê de todo o apreço pelo guardião da escuridão.

Freyr passou de raspão pelos dragões e os reis no jardim, seus pés quase não tocavam no chão enquanto corria. Não podia segurar a ansiedade, nem mais esperar para ver o namorado. Sabia que ele estava bem e seguro, mas o seu coração pulsava intensamente, e só se acalmaria depois de vê-lo. Em seu passo tranquilo e cheio de leveza, Heimdall se aproximou dos sobrinhos e observou o semblante dos garotos. Permaneciam impacientes com aqueles reis, e não sabiam se eles podiam sair dali ou não.

– Meninos, o que aconteceu?

– Esses homens aqui! Enchendo nossa paciência! – respondeu Link, o rosto quase vermelho de raiva.

– Senhor Heimdall, aquele ruivo nos deixou sair! – o mais assustado do grupo, tremia de tamanho medo. Sua roupa roxa já estava encharcada de suor.

– Senhor Tom, use seus poderes de feiticeiro e saia por si só... – disse Heimdall, encarando o rei em seu aspecto tão calmo, que chegava a ser desafiador.

O homem olhou seu anel cor púrpura e vasculhou em sua mente algum feitiço forte o bastante para usar. Porém, seu limitado poder de feiticeiro humano não conseguiria ultrapassar aquele portão de grades de ferro. A “Maho” guardada nos anéis de feiticeiros humanos era inofensiva diante de alguma batalha ou situações extremas. Ele meneou a cabeça, chateado. Aquilo tudo deveria ser algum tipo de provação.

– Guardião Heimdall... O que faz aqui? – Ao lado de Tom, Hexyl um rei ardiloso e metido a poderoso, tentava decifrar o porquê nunca descobrira o parentesco entre Zeenon e Heimdall. Para ele, os dois eram muito diferentes.

Apertou seus olhos caramelados, crente que poderia desafiar o guardião.

– Estou a cooperar com meu irmão... Se não fosse por ele, estariam mortos agora. Vocês e metade desta cidade. – respondeu Heimdall, sério.

– Você também ajudou bastante, tio... – disse Mark, aproximando-se do guardião, ciente da grande ajuda daquele mestre.

– Não sabíamos que eram irmãos. – disse Luffon, sem a prepotência dos outros reis.

– Eu sei. Nossa história mais remota não é contada nos livros que vocês lêem. E, através da nossa aparência, vocês não percebem tanto que somos gêmeos. A minha forma de guardião altera alguns traços. – sorriu, ciente que causaria uma sustos nos reis; e assim se sucedeu.

– Gêmeos? – disseram, uníssono.

Poderia ser irmãos, mas gêmeos era forte demais. Heimdall percebeu o quanto estavam descrente daquilo e, sem avisar, estabilizou a aura. Então, os reis puderam ver claramente a semelhança entre os dois. Perceberam que Zeenon não mudavam tanto, apenas alguns traços mais duros e os olhos de íris vermelha. Os reis analisavam os cabelos muito escuros do guardião e seus olhos verdes brilhantes. Os traços não mudavam tanto, apenas parecia um pouco mais jovem, entretanto, antes a diferença era mais gritante. Pareciam encantados pela revelação, bobos.

Leigh permanecia sentado na escadaria de mármore, observando a conversa do grupo, calado, sentia-se pesado por dentro. Gostava tanto da sua cidade, da bondade das criaturas de luz. No dia do ataque ao castelo, afastou-se, não conseguiu ajudar seus colegas. O soldado viu alguns deles serem carregados para o Submundo, de longe. Achou aquelas criaturas grotescas, porém não entendeu porque eles protegiam o castelo Endymion, já que eles eram o oposto da luz. Foi embora, viu a fuga de sorte dos seus companheiros. Ficou feliz, acreditando que Simun poderia deixar aquele plano de lado, mas foi enganado. Leigh se levantou e andou até Heimdall, que já como guardião, estava a conversar algo com os dragões. Assim que terminaram, o garoto pode proferir algo,

– Senhor Heimdall... – sussurrou.

Heimdall virou e fitou os olhos castanhos do garoto. Estavam abatidos, sem brilho.

– Sim, rapaz? – disse, gentilmente.

– Eu... – não conseguia encarar os olhos poderosos do rei, olhou para cima, para baixo, sem fixar sua atenção. – Gostaria de pedir...

Ao perceber o desconforto do garoto,

– Olhe pra mim.

Terno, o rei da luz inclinou-se um pouco mais para frente, a fim de se aproximar do rapaz.

Algumas lágrimas saltitaram dos olhos de Leigh, apertou-os, como se não quisesse demonstrar sua fraqueza diante de alguém tão eminente como Heimdall.

– Não chore... O perigo já passou. – pousou a mão no rosto do menino.

Ainda mais fragilizado, Leigh soluçou, sem mais conseguir esconder seu sofrimento. Não queria compactuar com aquilo. Sentia-se uma criatura enganada, mas, ao mesmo tempo, terrível por não desconfiar das investidas de Simun. Era apenas mais uma peça daquele joguinho; ele e seus companheiros do exército. Tentou controlar o choro e, assim que as lágrimas apaziguaram um pouco, levantou o rosto,

– Desculpe... Eu não sabia das coisas ruins que Simun fazia... Eu não o apoiarei mais, desculpe senhor.

Abaixou a cabeça e, se não fossem os braços rápidos do rei da luz, teria agachado ao chão, implorando o perdão daquele ser que tanto prezava, desde pequeno. Leigh viu-se sob o acalento do rei da luz, bem aconchegado no calor aprazível o qual era natural dele. Devolveu o abraço, sem saber como agradecê-lo pelo perdão.

– Não se preocupe tudo bem... Tudo bem... – dizia Heimdall, enquanto tinha o menino em seus braços.

“Posso sentir a aura dele...” pensava Freyr enquanto disparava pelos corredores, seguindo os impulsos da aura do rei. Dali, podia perceber que a aura dele estava um pouco mais fraca, o que não o preocupou tanto, dada a grande força da magia da lua. Sabia que ele já estava perto, mas corria tão rapidamente, que um observador de longe não conseguiria ver sua silhueta. Então, em uma pequena câmara, próxima à escadaria da torre, viu Zeenon sentado em uma das poltronas do local, enquanto conversava com Andy e Loki. O compartimento era feito de ladrilho branco, o qual se transformava em amarelo claro por conta da iluminação dourada do local.

Freyr diminuiu o passo pelo corredor, andando cauteloso até lá. Zeenon logo virou o rosto para observá-lo, deixou um sorriso fraco correr por seus lábios. Seu corpo continuava mole, cansado, usar tanto poder exauriu suas forças, mas ver o semblante iluminado do menino revivia-o. Viu os lábios do menino se curvarem em um sorriso tímido, natural quando um encontrava o outro.

Sem querer esperar nem mais um minuto, Freyr aumentou os passos até os três rapazes, que agora, o observavam chegar à Câmara. Ainda mais perto do amado, o garoto percebeu o quanto as pulsações da aura de Zeenon diminuíam... Ele precisava de vigor. Cumprimentou os meninos com um sorriso e partiu para curar seu guardião.

Agachando-se ao lado do seu companheiro, Freyr pousou as mãos sobre as do rei. Expandiu sua aura, fechou os olhos e ditou, com uma voz suave: Aureate, seu brilho flavo inundará esta alma e curará esta dor, Rosen... Suas emanações fluíram pelo corpo fatigado do rei, toda a brandura do menino revigorou totalmente a aura. Zeenon respirou fundo, absorvendo a energia captada, e levantou-se, acompanhado de seu guardião loiro.

– Muito obrigado, Freyr... Sabia que seria um grande esforço... – Sorriu, lembrando-se da força aplicada para conter os raios.

Estalou um beijo nas bochechas do novo guardião, e este corou pela presença de Loki e Andy. Freyr sabia que eles precisavam de descanso, mas não poderia deixar de mencionar o que acontecia lá fora. Então, sem delongas, disse,

– Há uma multidão lá fora... Achavam que estávamos atacando o reino – começou a tomar a culpa do seu irmão para si, abaixou a cabeça, em sinal de desculpas...

Todos se voltaram para o garoto.

– Como assim? – indagou Loki.

– Meu irmão... Jimmy. Ele viu vocês por aqui e avisou à população. Eles se reuniram nos portões, para pedirem ajuda a Simun... Porém, Heimdall e eu conseguimos contornar a situação.

– Se o medo geral já passou... Não há o que nos preocupar! – o guardião sombrio deu de ombros, não importava nem um pouco aquele protesto.

– Pois é, só precisamos dispersar as pessoas e dizer que o perigo já passou. – disse Andy, concordando com as posições do rei.

Loki piscou para Freyr, como se pedisse para ele não se preocupar tanto.

– Preciso ir a um lavabo... Lavar o rosto. – disse Zeeenon.

Pousou a mão sobre o próprio rosto, ainda podia sentir que estava sujo da poeira.

– Eu sei onde fica um... Vamos. – disse Andy, era conhecedor do castelo, então poderia guiá-los.

O grupo seguiu até o lavabo e, depois de prontos, percorreram os corredores do castelo, até chegarem ao Hall de entrada.

Zeenon olhou para cima e viu um enorme quadro decorado no teto do salão, um belo afresco exibindo criaturas híbridas, portando asas, cabelos loiros e corpos humanos. Uma extravagância. Não sabia como ficaria o reino depois de toda aquela turbulência, Simun estava morto, a cidade, livrara-se da destruição. O povo merecia alguém melhor para governar, tomar novos rumos. Entretanto, essas decisões não o cabiam. Já tinha feito sua parte, agora precisava cuidar de suas novas eras. No jardim à frente, estava Heimdall. Iluminado, sorrindo, a aura feliz por ver os queridos cidadãos de Vistorius salvos. Zeenon sentia uma enorme vibração fluir pelo corpo ao ver o irmão... Podia sentir tudo o que ele guardava naquela aura branda. Seu oposto se unia ao seu corpo.

O rei da luz de imediato percebeu a presença de seu irmão. Tomado por uma ansiedade fora do seu estado normal, ele andou rapidamente até o grupo que se aproximava da fachada do castelo. Nem olhou para os lados, apenas esticou os braços e agarrou o seu irmão, com todo o carinho que podia demonstrar.

– Obrigado, meu amado! – disse ele, a voz abafada pelos cabelos negros do irmão.

Zeenon retribuiu o abraço, e apertou os lábios na bochecha dele.

– Não há o que agradecer...

Heimdall se desprendeu dos braços do irmão, acariciando seu rosto. Ele apresentava uma aparência ótima, apesar de toda a destruição no alto da torre. Deduziu que Freyr havia agido sobre o corpo do rei.

– Simun...? – Perguntou, com um pouco de receio.

– Não verá mais a luz do sol... – sorriu, malicioso. Sabia que seu irmão não gostava de mortes, mas, aquele antigo rei de Ezra merecera a vingança.

Não havia alternativa e o Heimdall sabia disso. Então, apenas assentiu com a cabeça. Não sentiu nenhum remorso em sua consciência. Estava aliviado, pensando em um novo futuro para aquele reino. Pegou a mão do seu irmão e de Freyr, que permanecia ao lado dos dois, e foram juntos para o jardim, onde os garotos dragões já bombardeavam Loki e Andy sobre a situação da sala de reuniões do castelo.

– Só sobrou a estátua... O corpo de Simun parecia um monstro desfigurado. – disse Andy, com ar de enojado na voz.

– Andy ficou com nojinho... Mas ficou feio mesmo... – Loki já percebia, que Andy, apesar de ser grande, forte, às vezes não poderia deixar de mostrar suas fraquezas.

– Queria tanto ter entrado lá, deve ter sido incrível. – murmurou Mark, sem esconder certo vislumbre.

Mark observava Zeenon e Heimdall, junto ao mais novo guardião. Estampou um belo sorriso no rosto ao ver a grandeza de seu ‘pai’ e ‘tio’ e o companheiro poderoso deles.

Inflando o seu peito, na tentativa de parecer mais forte, Zeenon brincou:

– Simun caiu como peixe em minha rede. Inocente, não teve chances contra alguém como eu. – disse, sarcástico, mas preservava certo tom verdadeiro.

– Já está se vangloriando, não é pai? – denunciou Link, sorrindo, assim como seus companheiros.

Os sorrisos dos rapazes estavam mais vívidos, depois de todo aquele estardalhaço. Finalmente acabou. E a noite arrastava-se, indo embora, assim como todos os medos que permeavam aquela cidade estonteante.





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