The Golden Rose - A Rosa Dourada escrita por goldenmoon


Capítulo 30
Capítulo 29


Notas iniciais do capítulo

Boa leitura! :)




A escuridão da noite começou a tomar forma nos céus e os grandes espetáculos começavam na cidade. Como era o último dia do festival, era o auge de movimentação e apresentações em Vistorius. No alto do seu castelo, encostado na sacada do quarto, Zeenon podia ver as luzes da cidade, brilhando como as estrelas que piscam na noite. Nas estradas, nas proximidades do seu castelo, viu as carruagens luxuosas dos reis que encontraria mais tarde, indo direto para Vistorius. Pensava em como seriam os seus rostos e como reagiriam ao vê-lo chegar à reunião anual dos reis, onde os monarcas dos sete reinos mais importantes da região se encontravam para discutirem questões amistosamente. Zeenon não sabia como aquela reunião acontecia, mas já conhecia o local onde ela ia ocorrer e como deveria entrar triunfante.

Distraído, o rei não percebeu quando Loki adentrou no aposento, de seu jeito sempre discreto. Deixou os outros garotos numa espaçosa sala de descanso, logo após a biblioteca e veio ver como estava seu mestre e avisá-lo que já trouxe os cavalos

– Não sabe como Ying ficou enciumada ao ver o Dolpper vindo para cá, fugiu de novo. –Disse, com sua voz suave, interrompendo os pensamentos do seu mestre.

Sorrindo, Zeenon virou-se para seu servo.

– Sei como ela gosta de ficar comigo, mas não posso andar pela cidade com uma pantera, por mais bela que seja.

As mãos hábeis do ruivo percorreram pelos bolsos do sobretudo que usa e, dali, retirou relógio de bolso e conferiu as horas.

– Já são sete e quarenta e cinco.

– Vamos às oito e meia para a cidade. O Dolpper é rápido, chegarei à cidade em instantes com o Freyr, que ficará por lá, junto a Heimdall. Os três cavalos estão quietos? – indagou.

– Sim, ficaram meio perturbados com o transporte do Submundo para cá, mas agora estão bem. Peguei Sev para mim e Andy, e Step para Mark e Link.

– Sev é mais tolerante a humanos... Boa escolha, Loki. – apertou o ombro do feiticeiro.

O ruivo encarou o seu mestre, prestando atenção nos olhos dele. Podia ver toda a confiança do rei em seus olhos. Tinha certeza do sucesso dos seus planos, o brilho voltou àquelas duas íris vermelhas, que durante muito tempo conviveram com a tristeza – Loki presenciou tudo aquilo. Não sabia exatamente o que sentia naquele momento, talvez fosse felicidade ao ver Zeenon tão bem. Ele pousou a mão sobre o ombro do rei, apertou-o levemente, sabia que tudo correria bem e seria resolvido em poucas horas.

– Estou contando com você, Loki. – murmurou.

– Sempre estive com você, Zeenon. E sempre estarei. – soltou um sorriu fraco, olhando fixamente para as esferas escarlates do rei.

– Eu sei. Nunca esquecerei disso.

Os dois sorriram, e, por um longo tempo, se abraçaram. Não como mestre e servo, mas como amigos, há décadas juntos naquela jornada.

Na sala espaçosa sala de descanso, do outro lado do castelo, os rapazes estavam sentados em um sofá negro, de costas para um grande luar da janela, ouvindo as histórias de Andy sobre os festivais que participara. Em seus vinte e seis anos de vida, já presenciou bastantes vezes as festas de Vistorius e adorava a animação do povo. Sempre que podia, a diretora do orfanato onde morava, levava as crianças para assistirem os espetáculos. Relatava os dançarinos e suas cores, as cirandas, as rodas de violões, decorações, teatros de máscaras, tudo no meio das ruas da cidade. Freyr incrementava com algumas poucas atrações que assistira quando mais jovem, tentou mostrar com clareza o que apreciou das festas. Morou em um bairro pobre, mas, mesmo em condições precárias e de exclusão, o bairro também tinha festas durante todo o inverno. Os dragões ouviam tudo muito curiosos. Apesar de gostarem das comemorações do Submundo, as festas dos humanos sempre os despertavam interesse. Eram coloridas e bem arquitetadas.

– Eu sempre quis frequentar os festivais do reino, mas papai nunca deixava eu ir. – disse Link, pegando um doce na mesa à frente do sofá.

– As de Ezra são muito divertidas, mas eu estou curioso para ver mais festas do Submundo.

Andy estava contente em saber que faria parte daquela família. Queria poder participar de mais comemorações como aquela do retorno de Zeenon.

– Você vai gostar! Tem de tudo! Os feiticeiros de tempos em tempos organizam algo por lá, às vezes sem razão aparente. – comentou Mark, divertindo-se por suas lembranças de Inshtarheim.

Enquanto os rapazes continuavam a conversar, Freyr olhou para trás e ficou a observar o grande luar da janela. Parecia que a lua vinha em sua direção de tanta intensidade de brilho e tamanho. O astro estava cada vez mais próximo da Terra, Freyr sentia sua aura pulsar com muito mais força. Enquanto o rapazinho permanecia desatento, olhando para a janela, Link sentado bem ao seu lado, chamava-o, sem muito sucesso. Somente após aumentar um pouco o tom de voz, que ele conseguiu despertá-lo.

– Freyr, onde você estava? – indagou.

– Eu... Só estava observando a lua. – disse Freyr, ainda com os olhos presos ao astro brilhante.

Seus olhos azuis reluziam aquela intensa luminosidade.

Os rapazes, sentados nos sofá negro, também se viraram para observá-la.

– Tem algo estranho nela. – comentou Andy, curioso pelo tamanho exorbitante da esfera prateada no céu.

– Ela está mais próxima da Terra. Enorme e emanado uma grande quantidade de energia. É o fenômeno da Superlua. – disse o dragão das sombras. – A lua cheia está em um ponto bem próximo à Terra. É lindo, não?

Link explicou um pouco mais sobre o fenômeno, tentando resumir o que sabia sobre o assunto, gostava de estudar sobre esses acontecimentos e suas relações com a magia.

Loki e seu mestre, abraçados, saíram do quarto. Atravessaram a sala de música e no final do outro corredor, encontraram a sala iluminada pela luz da lua que os garotos observavam.

– Então, garotos, vamos? – propôs o rei.

No mesmo instante, os rapazes levantaram-se para cumprir as ordens de Zeenon. O grupo se dispersou, cada um com seu parceiro, foram se preparar em seus aposentos. As capas longas que eles usariam durante o festival, serviriam para camuflar-se nas ruas mais afastadas da cidade, onde passariam sem serem muito percebidos, pois quase toda a população participava da festa. Andy conhecia uma rota mais esquecida que dava para os fundos do castelo de Simun, então guiaria o grupo junto a Loki.

Em seu quarto, após vestir a capa de um preto profundo, Zeenon arrumava o capuz. Ajeitou o broche de armação prateada e uma pedra ametista lapidada no centro, preso bem na altura do seu pescoço. Aquela pedra, diziam os mais sábios, dava equilíbrio e concentração, e era tudo o que ele precisaria durante a noite. Sua aura estava estável após os exercícios, mas sabia que sua reação ao ver Simun não seria das melhores. Precisava de ainda mais energia. Respirou fundo, treinando sua respiração.

Como uma sombra, Freyr surgiu detrás do rei, também vestindo uma longa capa, mas a sua era de um calmo cinza claro e um broche dourado, decorado com pequenos diamantes incolores. Veio chamar seu companheiro, a pedido de Loki.

– Loki disse que já está na hora. – murmurou.

– Certo. – assentiu com a cabeça.

O rapazinho não sentia mais medo da situação, sabia muito bem que Zeenon resolveria tudo em pouco tempo e a cidade estaria salva. Tinha que canalizar todas as suas energias positivas para ele. Freyr encostou seus dedos lentamente na mão de Zeenon e os dois entrelaçaram as mãos. O garoto sentiu seus nervos captarem toda a energia que o rei guardava dentro de si, os pelos eriçaram pelo calor que transbordou em seu corpo.

– Zeenon... – balbuciou.

O rei se virou para o rapaz, olhando-o, sereno.

– Sua aura está tão intensa... Tão forte. – ele ainda sentia as vibrações correrem por seus nervos.

– Minha aura não é mais forte que a sua...

Sempre carinhoso, Zeenon pousou a mão sobre os cabelos dourados de Freyr e escorregou-a até as bochechas do garoto. Percebeu o quanto ele estava calmo e isso o confortava de tal maneira que não conseguiu conter um sorriso.

– Nunca serei um guerreiro como você. – murmurou, pondo seus olhos azuis no semblante do rei.

– Pode sim, você só... – replicou,

– Não posso, Zeenon. – interrompeu Freyr. – Sua força não está apenas na aura. Está aqui também.

Ele direcionou sua destra ao peito de Zeenon, bem do lado esquerdo e fechou os olhos. A cada segundo, sentia as batidas intensas do coração guerreiro do rei, mais vivo do que nunca. Amava-o de todo jeito, sentia-o com todo o poder da aura, os sentimentos dele estavam tão intensos quanto sua energia. O rei estava pronto para enfrentar mais um inimigo e, Freyr sabia, não tinha mais nada a temer.

– Você é um guerreiro por dentro e por fora, Zeenon. Nunca serei mais forte que você. – sussurrou.

Freyr abriu os olhos, expandindo sua aura para passar ainda mais vigor para o seu amado. O guardião recebeu um abalo em sua aura, mas podia sentir todo o amor e ternura do garoto ali, manifestando-se em seu corpo.

Os pés de Freyr se moveram quase que automaticamente, indo em direção a Zeenon. Cuidadoso, o garoto deixou sua boca rosada encontrar os lábios do rei e beijou-os levemente.

– Vamos? – apertou a mão do rei.

– Depois disso, nunca estive mais confiante.

Zeenon sorriu, deixando a felicidade transbordar por sua face, por ter aquele garoto. As palavras dele ecoariam em sua mente durante toda a noite.

Em instantes os dois parceiros já estavam no jardim do castelo, onde seus companheiros de viagem prepararam os cavalos para a partida. Eram três belos cavalos com franjas na cabeça, a crina longa e pelos nas patas. Eram altos, corpos robustos. Dolpper era totalmente negro, a pelagem iluminada brilhante, batia um dos seus cascos no chão e relinchava como se estivesse impaciente para a corrida na floresta. Sev estava quieto em seu lugar, sem fazer muito barulho. Não ficou nem um pouco perturbado ao sentir as carícias de Andy em sua crina de cor dourada. Mark tentava preparar a sela de Step com certa dificuldade – o cavalo marchava, movendo suas patas para cima e para baixo, em ritmos perfeitos, sua pelagem era marrom.

Zeenon dirigiu-se a Dolpper. O cavalo logo ficou parado, manso como um animal bem treinado. Era acostumado às florestas do Submundo, ambiente selvagem, mas sabia muito bem como respeitar o seu mestre. O rei acariciou sua cabeça, parecia cumprimentar o equino.

– Ele é bastante veloz... – comentou, lembrando-se de ver as galopadas do cavalo por seu castelo. Ele passava com tal velocidade que nem se via sua silhueta.

– A pelagem dele brilha. É bem grande, forte. Difícil ver cavalos assim no reino. – disse Freyr, analisando a fisionomia de Dolpper.

– Cavalos do Submunndo são mais robustos e possuem muitas habilidades. A maioria vive nas florestas, em grupos e alguns, como esse aqui, sozinhos. – disse Zeenon, enquanto acariciava o animal.

Loki aproximou-se de Andy e estalou um beijo no pescoço do rapaz, assustando-o. Como estavam atrás do cavalo Sev, seus companheiros não perceberam a carícia. Segurando a sela do animal, perguntou:

– Qual caminho nós seguiremos?

– Saindo da floresta, entramos em um bairro pouco movimentado... – disse Andy, preparando-se para subir – de lá, entramos em algumas vielas até chegarmos aos fundos do castelo.

Andy pôs o pé direito no estribo e subiu sobre o cavalo, sentando no assento. Estendeu a mão, a fim de ajudar seu companheiro que logo aceitou a gentileza e, já acomodado, aconchegou-se perto do ex-soldado.

– Vamos, nosso guia.

– Claro. – respondeu Andy, com certo brilho nos olhos.

Aquela noite seria como um ritual de passagem e demonstração de confiança. Queria poder ficar mais perto de Loki e seu mundo.

Depois de todos prontos, partiram para a sua viagem pela floresta até a cidade.

Eram exatamente oito e meia da noite.

A beleza invernal da floresta passou despercebida aos olhos dos guerreiros que passavam montados em seus potentes cavalos, rumo à cidade de Vistorius. Naquela densa mata iluminada apenas pelo astro que tanto se apresentava na noite, a luz da lua trespassava os galhos das árvores. Loki e Andy iam à frente, guiando os outros quatro. Tamanha era a velocidade que eles galopavam, nem o frio do inverno afetava seus rostos descobertos, onde os ventos batiam com força.

Em pouco tempo seguindo a trilha, alcançaram a entrada da cidade. Eles diminuíram o galope para os cascos dos cavalos não chamarem muita atenção, o som nas ruas de pedras seria estrondoso. Todos estabilizaram a sua aura, inclusive Freyr, por caso algum feiticeiro estivesse procurando alguma ameaça pela festa. A entrada estava pouco movimentada, afinal as apresentações eram mais efusivas pelo centro e bairros próximos ao castelo. Dentro dos becos sombrios e emparedados da cidade ouviam-se apenas os sons que vinham das bandas e os gritos da multidão alegre.

Mark tinha certo medo de escuro e espaços fechados. Olhava para as largas paredes negras dos edifícios que atrapalhavam a luz da lua chegar ao beco, sentiu-se encurralado e agarrou seu parceiro, que guiava o cavalo. Quase tremia de tamanha aflição.

– Andy, já estamos chegando? – Perguntou. Sua voz estava um pouco abafada pelo medo.

– Sim, quase. – respondeu o rapaz, visualizando um pouco de luz à frente. Sentia certa aflição do escuro também, mas como estava com Loki ao seu lado e já chegavam a um ponto luminoso, conseguiu controlar o medo.

Freyr começou a captar a aura de Heimdall, e percebeu que o guardião estava bem próximo ao local por onde passavam. Com certeza, se desestabilizasse a aura, o rei da luz ficaria alerta à sua chegada.

– Zeenon, posso ficar por aqui? – indagou, encostando a cabeça no ombro do rei. – A aura do Heimdall está bem próxima.

– Assim que chegarmos àquele ponto de luz ali, você vai, tudo bem? – Disse, sem tirar os olhos do caminho.

– Certo... – O garoto aconchegou-se mais no corpo do rei.

Depois de cavalgarem alguns metros, finalmente chegaram à saída da viela. Cores, luzes coloridas, balões e bastante música despontavam de uma praça inundada de pessoas fantasiadas que dançavam ao redor de um coreto. Este estava totalmente decorado por fitas e cordões de diversas cores; uma banda tocava suas flautas, violinos e diversos outros instrumentos. Era uma verdadeira orquestra. Algumas pessoas usavam máscaras decoradas, vestiam fantasias ornamentadas de penas, plumas e paetês. Muitas mulheres usavam vestidos longos de cores vibrantes, destacando-se na multidão. As crianças corriam para todos os lados, divertiam-se carregando seus balões e brinquedos. Certamente, ali era um bairro mais nobre, por causa das vestes dos cidadãos e a riqueza da atração.

Dolpper parou, assim que o rei arriou a correia. Freyr beijou as bochechas de Zeenon e sussurrou um doce “boa sorte”, não podia encostar-se a seus lábios em público. Sorridente, o guardião olhou para ele e, murmurou, perto do ouvido de Freyr.

– A sorte sempre estará comigo, enquanto você estiver ao meu lado. – retribuiu o beijo na bochecha do garoto.

Os olhos azuis de Freyr marejaram ao ouvir aquelas palavras. Sentia o mesmo ao pensar em seu parceiro, a sorte sempre estaria ali, consigo, enquanto vivesse e amasse aquela criatura encantadora. Desmontou do cavalo e viu Zeenon piscar para ele, assim que partiu junto aos seus companheiros.

Freyr se concentrou em encontrar Heimdall, que não deveria estar muito longe dali. Atravessou a praça, desviando dos dançarinos e dos cidadãos que transitavam pela rua. Depois de passar pelo coreto, viu uma esquina e andou até àquela rua, a qual também estava cheia de pessoas fantasiadas, mas havia algumas barracas decoradas, onde vendiam guloseimas e máscaras. Logo ao final da rua, avistou uma grande tenda branca iluminada, as vibrações da aura de Heimdall vinham daquela direção. Correu para lá e conseguiu visualizá-lo sentado em uma poltrona, rodeado de crianças.

Atrás do rei da luz, Shigurd e alguns companheiros distribuíam doces para as crianças que chegavam para cumprimentar o rei e assistirem as demonstrações de magias celestes. O jovem chegou de mansinho, não tinha desestabilizado sua aura, apenas tirou o capuz da cabeça e mergulhou dentro da rua indo em direção à tenda.

O garoto, então, pode vislumbrar a tenda branca e decorada por fitas prateadas bem ao final da rua. O guardião da luz estava sentado à frente, rodeado de crianças, conversava e sorria o tempo inteiro ao lado delas, parecia se dar muito bem com os pequeninos. Logo atrás, alguns seres distribuíam guloseimas e outros mostravam suas magias aos visitantes.

– Heimdall! – Gritou, parando alguns metros antes do local.

O rei ouviu o som da voz do cunhado e respondeu ao chamado, desvendando um belo sorriso no rosto. Heimdall se levantou e pediu espaço às crianças, para passar e ir cumprimentá-lo. Os pequeninos acompanharam com os olhos os passos tranquilos do homem de cabelos prateados e se encantaram ainda mais quando viram a criatura que ele foi saudar.

– Que bom que está aqui, Freyr! – disse, agarrando a mão do rapaz – Foi uma boa escolha estabilizar sua aura, ela é muito intensa.

– Obrigada por me receber, Heimdall. Sua tenda é linda... – Disse, observando o espaço.

Freyr admirava a beleza da tenda onde Heimdall estava acomodado com seus companheiros. Era ornamentada de fitas prateadas que se enrolavam nas colunas que sustentavam o teto. Por dentro, havia algumas flores azuis que pareciam feitas de papel, enfeitavam as mesas recheadas de guloseimas oferecidas aos visitantes que passavam e paravam para admirar os feitiços das criaturas de luz.

Convidando-o para ir à tenda, o guardião estendeu o braço para Freyr, e este aceitou, acompanhou-o. Os companheiros do rei, competentes, puseram uma poltrona próxima a de Heimdall, para o outro se sentar e apreciar a festa. As criancinhas se dispersaram ao verem alguns animadores caracterizados de animais, distribuindo balões e máscaras infantis. Dali Freyr podia ver toda a festa na rua, era um local privilegiado.

– Zeenon e os meninos já foram para o castelo, não é? – indagou Heimdall, encarando o garoto.

– Sim, entraram numa rua escura ali próxima à praça.

– Andy deve estar guiando o grupo para o fundo do castelo. É bem perto de um bairro silencioso, com certeza não terá muito estrondo.

– Meu amor está confiante, estou tão feliz por ele. – a frase do rei ainda ecoava na mente de Freyr.

As mãos de Freyr correram para o seu coração, sentia intensas sensações em seu corpo.

– Eu também, Freyr. Não sabe quanto. – sorriu, torcendo fielmente para seu irmão, estava com suas energias todas direcionada a Zeenon.

Freyr percebeu uma leve pontada em sua aura, podia sentir que o outro emanava positividade.

– Você ficará aqui até tudo acabar? – indagou o rapaz loiro.

– Não... Vamos daqui a pouco para outro bairro. É mais carente, então distribuiremos utensílios por lá e também dá para assistir tudo, pois fica próximo ao castelo.

– Tudo bem.

Freyr aquiesceu e, depois desviou a atenção para a marchinha de uma banda que passava em frente à tenda. Estava ansioso pelos acontecimentos da noite, mas precisava ficar calmo, até que tudo estivesse completo. Sorriu e tentou aproveitar um pouco da festa. Se isso fosse possível.

Enquanto Freyr e Heimdall observavam a festa, esperando o momento das investidas dos rapazes, Zeenon e os seus companheiros, depois de caminharem por algumas vielas abandonadas da cidade perambulavam por um bairro silencioso, próximos a área dos fundos do castelo. Uma névoa negra assombrava as ruas daquele bairro, as casas de pedra e outras de madeira pareciam que cairiam aos pedaços à primeira chuva ou qualquer fenômeno natural. A estrada, completamente de areia, diferenciava-se das ruas pavimentadas de pedra do centro da cidade. Não se via nem uma viva alma por ali, mas Zeenon podia sentir alguns resquícios de magia humana pelo local, com certeza, feiticeiros se escondiam nas sombras.

– Esse bairro é abandonado pela administração do reino... – disse Zeenon, observando a hostilidade do local.

– Poucos moram por aqui... Só alguns feiticeiros que fazem tocas nessas casas. É afastado do centro, então pode ser bom para eles. – explicou Andy.

– Será que sentiram os níveis de magia da cidade? – perguntou Link, curioso.

– Se alguém sentiu, foi embora e não alertou a população do perigo, típico deles. – comentou Loki.

O ruivo tinha um bom conhecimento da índole dos feiticeiros humanos, afinal, foi criado por um durante vinte e oito anos de sua vida; chegavam a ser piores do que alguns dos seus companheiros das trevas.

O bairro ficava cada vez mais escuro à medida que mergulhavam em suas ruas. O ambiente fantasmagórico estava por todos os lados, até que finalmente conseguiram ver as torres vermelhas e redondas do castelo de Simun, que ficava no “coração” da cidade. Dava-se para perceber a silhueta dos soldados com suas fardas vermelhas, andando de um lado a outro no grande portão. Por dentro, homens conversavam despreocupadamente, sem ao menos saberem do risco que corriam.

Para não ser reconhecido, Andy pôs um lenço preto em volta de sua boca, assim que chegaram alguns metros próximos ao castelo, ainda sob a névoa fantasma do local.

Os três cavalos emergiram da escuridão e entraram em uma zona mais iluminada. Era uma rua estreita e, no final, podiam-se distinguir as faces dos soldados no portão. Um era alto, loiro e tinha o aspecto meio arrogante – o cenho franzido e a boca curvada para baixo denunciavam seu mau-humor. O outro, de pele negra, a barba um pouco mal feita, parecia até amigável, mesmo com seu corpo robusto e apoiando uma arma de cano longo em seu ombro. Cada um de um lado do portão - eram os guardas. Provavelmente, estavam entediados de ficarem ali, parados, enquanto uma grande festa ocorria na cidade. Quando viram o grupo vindo daquelas ruas esquisitas, logo espicharam suas armas para cima, claramente mostrando autoridade.

Mark e Link aceleraram o galope, assumindo o comando do grupo. Link começou a expandir sua aura, não podia acreditar que chegou a hora de agir, depois de tantos anos de treinamento e sem ter o poder de atuar no Submundo junto a Loki, por proibição do seu pai. Nunca entendia aquelas decisões, mas acatava, para não vê-lo chateado ou triste. Amava muito o seu pai estava disposto a tudo para vê-lo feliz. Apesar de tudo, o rapaz já estava experiente, com as lutas contra seu companheiro e, às vezes, o seu mestre e pai, Zeenon. Mark, que já havia atuado no Endymion, estava animado, já que poderia usar realmente o seu poder, toda agilidade do seu dragão celeste seria bastante eficaz nos ataques.

Pararam poucos metros antes do portão. Desmontando dos cavalos. Os outros pararam detrás, quietos, esperando os botes.

Sejam silenciosos, mas façam muito rebuliço entre eles.”

Essa era a ordem. E os meninos a cumpririam sem muitas cerimônias.





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