The Golden Rose - A Rosa Dourada escrita por goldenmoon


Capítulo 22
Capítulo 21


Notas iniciais do capítulo

Eu disse antes sobre a pausa, entretanto não declarei o hiato definitivamente... Decidi continuar a postar, porém os capítulos sairão com menos frequência que antes, afinal será mais difícil. Foram duas semanas duras para mim, mas sinto falta, então vou prosseguir. Os capítulos não estão totalmente em estado bruto.. ;)

*Segunda fase




A situação já se acalmava e, Heimdall pediu, encarecidamente, que os soldados fossem transportados para a cidade, e Zeenon aceitou o pedido, convocando um grupo de feiticeiros para leva-los. O clima de alegria contagiava o castelo Endymion. As desavenças passadas pareciam ter simplesmente sumido da lembrança de todos. E, não pareciam ter saído de uma ‘batalha’. Sentados no chão do pátio, curtiam a presença dos mestres, assim como estavam curioso para saber sobre nova aura que o rondavam. Freyr era bombardeado por perguntas de vários seres.

Loki, apesar de estar muito feliz, não tinha boas notícias a dar ao seu mestre. Após toda a folia da chegada dos guardiões, os gêmeos Spectruns chegaram desesperados, falando sobre o sumiço de Simun. O ruivo não sabia o que dizer ao seu mestre. Não podia mentir, então decidiu falar a verdade a sós com ele. Timidamente – o que não era do seu feitio – chamou Zeenon para conversarem em privacidade pelos jardins do castelo.

O rei aceitou o convite, porém quando se deparou com o olhar sem vida do seu companheiro de longa data, começou a se preocupar.

Enquanto andavam pelo jardim de flores, contornando o castelo em direção aos fundos, Loki observou a neve espessa sobre a grama.

– Zeenon, desculpe-me. Cometi um erro grave. – a sua voz estava pesarosa.

– O que houve, Loki? – Zeenon já previa a noticia, mas esperou.

– O Simun... – abaixou a cabeça e encarou as rosas brancas do jardim. – Eu o deixei sobre a guarda dos Spectrun’s, mas ele... – Loki deu uma pausa, sem conseguir continuar.

– Ele fugiu, não foi?

Pela expressão e o inicio da história, a previsão era correta. Zeenon parou, e observou o companheiro. Percebeu que seu fiel servo culpava-se por aquilo, mas sabia que em algum momento de desatenção, Simun poderia fazer alguma artimanha e fugir. Era um homem esperto e precisava de muito cuidado.

– Sim, Senhor. – pousou a mão sobre o ombro do rei e, triste, continuou – Desculpe-me, Zeenon. Eu... Nunca deixo uma coisa dessas acontecer e..

– Não precisa você se explicar, Loki. – disse, interrompendo-o. – Todos nós somos passíveis de erros. Não precisa você se culpar por isso. Ainda mais que a desatenção foi dos garotos...

– Tudo bem, Senhor... Mas...

– Mas nada, e estamos sozinhos aqui, não precisa me chamar de Senhor. – sorriu afavelmente para o outro que retribuiu com o mesmo gesto.

Amigos de muitos anos, sempre quando se encontravam sozinhos, Zeenon e Loki conversavam sem muitas cerimônias. O feiticeiro, companheiro de muitas décadas de Zeenon, tinha laços fortes de união com o mestre. Entediam um ao outro como ninguém.

– Os gêmeos não sabem como ele fez isso, mas acreditam que foi algum feitiço de teletransporte.

– Não precisa se preocupar... Ele não escapa mais.. – Zeenon observou os fracos raios de sol no horizonte – Talvez... No grande dia do Festival de Inverno de Vistorius.

– O dia em que a neve está mais alta.... O perigeu. A maior lua do ano. Temos alguns dias ainda.

Loki coçou o queixo, tentava adivinhar o que Zeenon faria.

– Quero fazer uma surpresa pra ele... E em seu quartel general. Entretanto, essa segunda parte, deixarei para meus filhos. Sei que é arriscado, mas esses dias precisamos de preparação.

Já maquinava planos em sua mente, mas sabia que agora Simun não teria escapatória. Zeenon encarou Loki e segurando seu rosto em ambas mãos, disse,

– Você fez muito bem em tomar o castelo, está de parabéns, Loki. Obrigada por ajudar meu irmão.

– Não há de quê.

O feiticeiro ruivo estendeu os braços e abraçou seu mestre. Sentia a poderosa aura diferente, parecia mais quente, envolvia-o por todos os lados. Aos poucos, soltou-o e, mais tranquilo, disse

– Agora vejo que sua aura está realmente mais forte, Zeenon. Passou-me mais tranquilidade.

– Freyr... Não sei o que eu fiz para merecê-lo. – sorriu timidamente, pensava em seu amado parceiro.

– Arrependimento, Perdão e o Amor ferido. Você merece sim, Zeenon. Há tempos sentia sua aura turbulenta e confusa, mas depois que ele entrou em sua vida...

Sabia quão bem Freyr era para vida do mestre. Primeiro, desconfiou daquela relação, mas ao ver a evolução de Zeenon, não podia negar que era algo bom para ele.

– Eu nunca pensei que um dia amaria um humano assim. A raça que eu mais odiava. Mas, Freyr foi diferente desde o começo. Não sei se foi paixão à primeira vista, ou apenas um encanto inicial que se transformou em amor. Ele sempre me tocou de um jeito estranho e extraordinário.

Loki estava muito satisfeito por seu mestre. Todos aqueles anos, pesarosos anos, que Zeenon passou sofrendo por seus arrependimentos, o ruivo esteve ao lado dele, sempre com seu ombro amigo, sustentando o rei.

– Eu fico muito feliz por você. Merece tudo que tem agora. É bom saber que uma pessoa tão importante para mim tem alguém tão bom como companhia – retirou os pequenos flocos de neve que pousaram em seus cabelos de fogo.

– Falta você agora. – o rei sorriu e deu uma batidinha no ombro de Loki, despretensioso. Sempre quis que ele tivesse alguém, achava-o muito sozinho e compenetrado em seus serviços.

– Ah, não, Zeenon! – Reclamou Loki, batendo o pé no chão. – Vamos voltar para os jardins, vamos. – Ele deu uma palmada nas costas do rei, e seguiu o caminho de volta para a entrada do castelo.

– Por que não Loki? Qual o problema? – Zeenon seguiu-o, divertia-se com a irritação do seu amigo.

– Não falamos mais disso, ok?

Eles chegaram aos jardins e não havia mais ninguém por lá, decidiram entrar no castelo. Quando entraram ao grande salão principal iluminado por uma luz fraca do amanhecer, encontraram uma bela refeição, a qual todos já desfrutavam, sentados às duas grandes mesas. Zeenon observou a cena, perguntando-se como arrumaram tudo em tão pouco tempo. Loki parecia perguntar-se o mesmo. Então Heimdall apareceu sorridente:

– Zeenon, Loki, onde estavam? Queríamos esperar vocês para o café, mas... – olhou as criaturas deliciando-se com as iguarias. – Eles estavam bem famintos.

– Como vocês arrumaram isso tudo com tanta rapidez? – perguntou Loki, curioso.

– Temos bons estoques e todos ajudaram a arrumar. Seus feiticeiros têm muita agilidade, Zeenon.

– Ah, sim, é mesmo.

Ele sorriu amigavelmente para o irmão e depois passou o olhar pelas mesas, procurava Freyr. O jovem estava bem na ponta da mesa à sua frente, comendo ao lado do seus filhos e de Andy.

– Por que não vão comer ali com os meninos? Aposto que estão esperando por vocês. – Heimdall indicou os dois assentos que os esperavam e continuou – Estou indo, se precisarem de algo, estarei nos meus aposentos.

– Tudo bem, irmão. Obrigado.

Zeenon acariciou os fios prateados de Heimdall e depois saiu junto a Loki para encontrarem os garotos. Freyr iluminou-se ao ver que Zeenon vinha em sua direção. O garoto se levantou e correu até o rei, enroscou os braços no pescoço dele.

– Esperávamos vocês. Olhem, separamos dois assentos.

Mark e Link acenaram indicando os dois assentos ao lado deles. Andy, que estava de costas para os três, sentado ao lado do assento de Freyr, virou-se, propondo:

– Senhor Zeenon, sente-se aqui para ficar ao lado de Freyr. Eu vou para o outro lado. – levantou-se e ajeitou a cadeira para Zeenon se sentar.

– Ah, obrigada, Andy.

Zeenon se acomodou no assento, Freyr sentou-se ao seu lado e continuou a tomar o café da manhã. Loki e Andy sentaram-se do outro lado, juntos. O feiticeiro ruivo percebeu que estava realmente faminto e serviu-se de frutas e pães. Link, já ciente da má noticia, dirigiu-se a Loki e perguntou:

– Loki, você já falou com meu pai...?

– Sim, já falei. O Senhor fará outros planos, não é? – Loki voltou-se para Zeenon.

– Não adianta ele fugir. Está tudo bem, ele não me escapa mais.

– Senhor Zeenon, já pensou em atacar o quartel general também? – Disse Andy, intrometendo-se na conversa.

– Esse é um dos meus planos, Andy. E quero saber onde fica a sala de reuniões do Simun naquele castelo enorme. Você sabe, não é? – Cerrou os olhos, como se o desafiasse.

– Ah, Senhor. O Simun tem umas manias de grandeza. A sala dele fica logo na maior torre do Castelo, bem no alto. Aquela do meio. É chamativa, odiava entrar ali, tinha muito dourado. – Disse Andy, com certo desprezo.

O castelo no meio da cidade de Vistorius, a capital do reino de Ezra, era repleto de adornos e tecidos dourados. A sala de reuniões do lunático Simun, era no mesmo estilo, só que mais decorado e cheio de quadros e relíquias antigas que ele gostava de colecionar e exibir para seus convidados.

– Essa lugar perderá esse brilho. – Zeenon ficou pensativo por alguns instantes e, depois falou – Que tal todos passarmos o dia hoje no Submundo?

– Ah, eu quero! Nunca mais fui lá! – respondeu Mark, já animado com a proposta.

– Submundo? – os olhos azuis do garoto arregalaram-se.

Freyr espantou-se ao ouvir a ideia e lembrou de quando Zeenon disse que ele não poderia ir lá, era um lugar perigoso.

– Freyr, nossos maiores feiticeiros já te conhecem, não preciso mais me preocupar com o perigo.

O rei passou as mãos sobre os fios dourados do garoto, percebeu o susto, mas agora não tinha mais que se preocupar. Se Freyr ainda fosse humano, seria bastante imprudente leva-lo, porém, agora ele era um guardião, tinha sua aura, poder, não era mais um simples garoto.

– Não acredito que poderei ir lá. – o menino sorriu e encostou a cabeça no ombro de Zeenon.

– Não tem nada de muito impressionante... – afirmou Loki, com uma expressão desanimadora.

Andy fitou seu companheiro, sem entender muito bem a afirmação dele. O Submundo era incrível, talvez Loki não soubesse apreciar a beleza do lugar.

– Ah não? Aqueles dragões enormes, as feras, montanhas, o céu avermelhado? É lindo e sinistro! – mostrava-se encantado com o lugar. Era tudo diferente do que ele sempre imaginava.

Os gêmeos Spectrun’s, aproximaram-se do grupo e, recatados, pediram licença. Matheo tomou a frente,

– Senhor Zeenon, podemos falar com o senhor um instante.

O rei se levantou, já sabia o que eles iriam falar.

– Não tem problema, meninos. – ele pousou as mãos sobre os ombros do rapaz, em um sinônimo de confiança.

– Fizemos uma vistoria pela floresta... Não o encontramos. – disse Alberón.

– Tudo bem, já temos outros planos. – Ele baixou os braços e observou os rostos dos componentes do seu grupo; não tinha preocupação.

– Obrigado, Mestre. – curvaram-se, em respeito. – Nós e os outros podemos nos retirar?

– Sim, podem.

Os gêmeos, como líderes, sinalizaram para que os outros de levantassem e, aos poucos os feiticeiros começaram as despedidas e saíram ordenados do castelo.

Zeenon se levantou, queria cumprimentar o seu irmão antes de sair.

– Vou falar com Heimdall, para depois partirmos, ok?

– Tudo bem. Já, já terminamos. – Freyr piscou para o rei e continuou a tomar seu suco.

O nobre guardião atravessou o grande salão e subiu as escadarias para a torre central do castelo, onde ficava o quarto do guardião da luz. A passos largos, Zeenon seguiu o corredor branco e, no final, encontrou a grande porta que dava acesso ao quarto de Heimdall. Deu umas batidinhas fracas na porta, chamou o seu irmão duas vezes, mas não obteve resposta.

Sem poder mais esperar, entrou no aposento. Novamente, chamou Heimdall. Ele ouviu a voz abafada do irmão vinda do toalete, provavelmente ele estava no banho. Andou até a porta do banheiro, nos fundos do quarto, e com um tom brincalhão, disse:

– Eu posso entrar, Senhor?

– Claro, por que não?

Ele escutou o riso abafado de Heimdall e lentamente abriu a aba. O rei da luz estava imerso na banheira, de formato cúbico e feita de mármore branco, plantada no meio do toalete. Permanecia com a cabeça arqueada para trás e os cabelos presos, parecia apreciar o banho. A espuma cobria todo o seu corpo, o local exalava um perfume de rosas. Zeenon sentou-se na borda de mármore da banheira e começou a brincar com as bolhas de sabão.

– Vim aqui só para falar do Simun... – iniciou, enquanto passava a mão sobre a espuma.

– Eu já sei... O Andy me contou... – Heimdall ajeitou a cabeça para frente e encarou o rei das trevas – Está chateado, meu irmão?

– Ah, não. Pode ter sido imprudência, mas tudo bem. Vou passar o dia no Submundo hoje para pensar um pouco sobre isso.

– Você andava afastado de lá, não é? Está com saudades? – deslizou para perto de Zeenon, pondo a cabeça junto a perna do irmão.

– Sim, sim... E também quero que Freyr conheça um pouco de lá. Ele sempre foi muito curioso para conhecer o Submundo. – Zeenon soprou a espuma da sua mão para o rosto de Heimdall.

O rei da luz sorriu e tirou a espuma do rosto. Então, lembrou-se da sua breve visita a Inshtarheim.

– Realmente, aquele é um lugar intrigante... Aquela única vez que fui lá, fiquei maravilhado. Apesar de que não fui muito bem recebido. – afastou a cabeça da perna do outro e se levantou lentamente – Zeenon pode pegar aquele roupão para mim?

Ele indicou o roupão dobrado sobre a bancada do banheiro e sentou na borda de mármore. Obediente, Zeenon levantou-se e pegou o roupão, ajudou Heimdall a vesti-lo.

– Eu agradeço.

– Achei que não ia querer ficar nu na minha frente. – Zeenon sorriu e ajudou-o a sair.

– Por que não? Quantas vezes já tomamos banhos juntos quando éramos mais jovens? – Heimdall apoiou-se no braço do rei, tinha vagas lembranças da sua juventude.

– Às vezes eu penso nessas épocas. Vontade de reviver tudo com mais intensidade. – Sua voz denunciava um tom nostálgico. Zeenon gostava dos seus tempos de infância, sentia-se arrependido de não ter aproveitado mais aqueles dias.

Enquanto andavam para o quarto, Zeenon abraçava forte o seu irmão, sentia o cheiro doce de rosas do corpo de Heimdall. O rei da luz apoiava-se no ombro do companheiro, aconchegado nos braços dele, feliz por estarem tão próximos e mais íntimos.

– Você era muito quieto, Zeenon. Nós brincávamos no lago, mas você não aproveitava o bastante...

– Eu sei, sempre fiquei imerso demais em meus pensamentos... Mas, hoje eu aprendi a minha lição. –parou de repente e segurou o rosto de Heimdall. – Quero aproveitar o máximo dessa nossa nova relação.

– Eu também. Assim faremos.

Após um beijo singelo na testa de Heimdall, Zeenon o abraçou. Envolvia-o com cuidado, agora podia sentir toda as emanações da aura de seu irmão. Trazia uma sensação maravilhosa de conforto. Despediu-se, deixando o guardião da luz a aprontar-se para dormir.

Assim que chegou ao final da escadaria do castelo, seus companheiros já o esperavam para a partida. Zeenon agarrou a mão de Freyr e, saíram do castelo, todos juntos. A floresta estava tranquila e enquanto andavam, permaneciam calados, como se apreciassem a natureza coberta de neve. Incomodado com tamanho silêncio, Loki o rompeu e, perguntou:

– Senhor, abrirá o portal aqui na floresta?

– Sim, pretendo ir logo para lá.

Zeenon parou subitamente, avistando um campo aberto na floresta.

– Aquele local ali está bom. Vamos?

Observou os seus companheiros, que assentiram, sinalizando com a cabeça. Somente Andy, que deu passo para trás... Sentia que era hora de partir.

– Hm... Eu acho que já vou, então. – Disse o rapaz, tristonho.

Loki o fuzilou com os olhos. Não sabia o que o rapaz pretendia fazer, sozinho.

– Para onde? – deu um passo à frente, a fim de ficar mais perto do jovem homem.

– Acho que vocês não vão precisar mais de mim, não é?

Amedrontado com a expressão do ruivo, Andy recuou mais uma vez. O resto do grupo observava a conversa, sem entender muito bem o porquê o ex-soldado queria ir embora.

– Você não pode sair ainda. Simun está à solta, esqueceu? – o ruivo continuou, insistente.

– Eu irei para o reino vizinho. De lá posso me transportar com tranquilidade.

Esforçava-se para mostrar calma, mas era em vão. Algo ainda o dizia que não precisava ir, e deveria ficar ali.

– Ainda não. – os olhos dourados de Loki, ganharam mais vida. Virou-se para Zeenon e disse – Senhor, pode ir, eu irei depois.

– Tudo bem, resolvam isso. – disse o rei, convicto de que Loki conseguira convencê-lo.

Saíram para o campo aberto, deixando os dois as sós.

Loki voltou-se para o rapaz, seus olhos ainda brilhavam como fogo. Andy deu um passo para trás, e deparou-se o tronco de uma árvore. Tinha medo da fúria do feiticeiro. Não conseguia entender por que ele estava daquele jeito.

– Por que está tão furioso?

– Para você ser pego é rapidinho. Todos já sabem da sua traição. – Loki deixou-se acalmar um pouco, mais ainda tinha certo nervosismo. – Você ainda precisa da nossa proteção.

– Eu conheço atalhos, sairia já no outro reino. Eu posso me defender. – afirmou, categórico.

– Andy, me escute, por favor.

Já controlado, seu tom parecia um apelo. O feiticeiro deu mais alguns passos para frente e encarou-o mais perto.

– E.. Como vai recomeçar sua vida? O que você tem?

Andy abaixou a cabeça, um pouco ressentido. Nunca teve alguém para se preocupar com ele, a não ser as boas senhoras do orfanato que tentavam passar-lhe algum carinho, assim como às outras crianças. Andy nunca teve família unida, o amor verdadeiro de mãe e pai que sempre ouvira falar. Seus olhos marejavam, não sabia o que seria tão bem acolhido.

– Loki... Eu nunca precisei de ninguém, para nada. Sempre fiz tudo sozinho, sempre estive sozinho. E... Eu estou vivo... Por causa de vocês. Muito obrigada pela proteção, mas agora eu preciso seguir em frente. Quando tudo acabar, será assim, Loki. Estarei em perigo de qualquer jeito. E... Não poderei ficar com vocês o tempo todo.

Não queria ser um fardo para eles, pretendia sumir assim que pudesse, apesar de que sentia um aperto ao cogitar isso. Foi maravilhoso cooperar junto aos feiticeiros e o rei das trevas, Andy teve vontade de fazer parte daquela enorme família.

– Por que não, Andy? Você já está aqui...Conosco. É aceito por todos. Não há problema algum em ficar no Submundo.

Loki não entendia sua própria insistência. Queria de todo jeito proteger Andy, sabia que ele saísse das suas vistas, poderia ser morto a qualquer momento por algum soldado. E, definitivamente, o feiticeiro ruivo não queria que isso acontecesse.

– Ficar no Submundo? – perguntou, incrédulo.

– Você pode até se tornar um feiticeiro. E... – Loki deu um passo à frente, seus rostos ficaram a centímetros de distância.

– O que?

– Você nos tem agora... Não precisa se preocupar. – A voz do feiticeiro soou suave, como um sussurro.

Correu os dedos levemente por um dos braços de Andy, que estremeceu ao sentir o toque suave do feiticeiro. Nunca imaginou que ele faria aquilo, ou demonstraria algum tipo de interesse. As esferas douradas de Loki o encaravam, cada vez mais vividas.

Andy não conseguia falar.

– Tenha certeza que não ficará mais sozinho.

Lentamente, o feiticeiro mordiscou o lábio inferior do jovem, este suava frio, as mãos tremiam, visivelmente nervoso com a aproximação... Loki segurou o rosto do companheiro e continuou a carícia. Já cansado de resistir, Andy envolveu o feiticeiro em seus braços, rápido e beijou-o como uma fera. Os braços do feiticeiro, na mesma hora agarraram as costas do moreno, respondendo ao beijo, na mesma intensidade. Conseguia acompanhar sem muito esforço as investidas dos lábios do rapaz, que parecia querer cada vez mais os seus. Queriam apenas descarregar os desejos e disputavam-se, como duas feras. Andy o apertava cada vez mais, enquanto Loki respondia, puxando os cabelos morenos do rapaz.

Pararam, tentavam recuperar o fôlego. Então, Andy encostou o corpo do feiticeiro no tronco de uma da árvore e cercou-o com seus braços. Loki agarrou-se no tronco, um pouco surpreendido pela ousadia do rapaz.

– Como ousa? – sorria, satisfeito com o beijo.

– Está tudo bem mesmo, Loki? Posso ficar com vocês? – Andy ainda custava a acreditar nas palavras dele.

– O Senhor Zeenon não me negaria este pedido. – Ele se afastou da árvore e pousou a mão no rosto do jovem.

– Você mora no castelo dele, não é?

Andy baixou os braços, dando algum espaço para o companheiro.

– Sim... Hm... Tecnicamente Sim... Moro em uma casa nos fundos do castelo. Zeenon me presenteou.

Mestre como Zeenon era difícil de encontrar. Simun dava algumas regalias para Andy, mas o encarregava com muitos serviços. O rapaz atendia pois não tinha outro jeito; precisava do emprego, e, como Simun havia visto nele algum potencial, ele jurou lealdade ao rei. Porém, após todos os acontecimentos, o rapaz seduziu-se com a proposta do ruivo; tornar-se feiticeiro.

– Ah sim... Você tem um bom mestre... E sobre eu me tornar um feiticeiro?

– Eu posso lhe treinar. Eu tenho permissão para transformar humanos em seres das trevas. –parecia contente com a ideia. Deu um beijo de leve em Andy e continuou – Vou conversar com ele hoje. Tudo bem?

– Ok, obrigado, Loki. – sentia um pouco de vergonha com a aproximação do outro, a presença dele era intimidadora.

Porém, logo depois eles estavam imersos em outro beijo. Loki abriu o portal e os dois caíram juntos no Submundo.

Zeenon e os garotos estavam na floresta a cumprimentarem suas criaturas. Alguns feiticeiros vinham e o reverenciavam, junto às feras. Freyr jamais imaginava o Submundo como ele era realmente. Sua mente projetava feras indomáveis, fogo, caos. Porém, ao cair naquela encantadora floresta de pinheiros, recheada de pequenos animais estranhamente fofos e híbridos, percebeu que estava inteiramente enganado com sua visão do local. Encantou-se por aquele mundo; via smilodon’s, criaturas híbridas e enormes dragões voando pelos céus de um tom manchado de vermelho alaranjado. Ele não entendia o porquê dos seres das trevas também se curvarem para ele, até mesmo as feras que não estavam no castelo de Heimdall.

Intrigado, perguntou:

– Zeenon... Por que eles também se curvam para mim?

– Sua aura... Como eles sentem o poder dela, têm respeito por você.

Zeenon agarrou a mão do jovem e puxou-o mais para perto de si.

– Que legal... Eu adorei esse lugar, é tudo tão... Fantástico.

Os olhos brilhantes do menino admiravam o céu avermelhado, impressionado. As flores de formatos cônicos e cores vibrantes, diferentes; os animais mansos, os feiticeiros hospitaleiros. O Submundo era diferente das lendas contadas. Era um mundo vasto e cheio de fantasia. Parecia que realizava um sonho.

– Vamos, Senhor?

Loki se aproximou acompanhado de Andy, exibia um belo sorriso no rosto. O rei virou-se para ele e encarou Andy ao fundo, satisfeito pela vinda do rapaz.

– Ah, então você decidiu vir...

– Sim, Loki me convenceu...

Visivelmente acanhando, Andy coçou o pescoço, olhando para o feiticeiro ruivo.

– Preciso conversar com o Senhor sobre isso mais tarde, tudo bem?

Loki encarou o mestre, olhou-o profundamente, tentava passar-lhe alguma mensagem. Mark e Link cochichavam um com outro, já imaginavam o que acontecia.

– Sim, Loki. Falaremos mais tarde.

Zeenon percebeu um leve contentamento no olhar do seu servo e começou a sentir que havia algo entre os dois.

– Tudo bem, vamos para o castelo.

Andaram em grupo pela floresta de pinheiros, na trilha, rumo ao Yamisin, o grande castelo negro do Submundo. Enquanto caminhavam, Freyr olhava tudo com tom curioso. Às vezes parava para observar os diferentes tipos de plantas e animais habitantes do local.

O Yamisin estava com seus jardins vazios, só os pássaros passeavam tranquilos por seus arbustos baixos e rosas vermelhas, quando o grupo atravessou os portões. Freyr arregalou os olhos ao ver as grandes torres pontudas do castelo negro, o castelo conseguia ser mais impressionante do que o Darkvallum. Não era tão enorme horizontalmente, mas suas torres o destacavam.

Dirigiram-se para o interior do local. Entraram no hall de entrada, totalmente iluminado por suas enormes janelas ogivais. Curioso, o jovem guardião observava o grande tapete vermelho estirar-se até o outro salão e as esculturas de dragões, entre as janelas, perfeitamente desenhadas nas paredes de pedra. Eles atravessaram os arcos em ogivas que levavam ao segundo salão do castelo. À frente via-se um belo pátio interior, totalmente claro. A luz atravessava a claraboia de vidro do teto, e, no centro, havia uma bela fonte de mármore branco, onde uma água cristalina despontava calmamente.

Maravilhado com a beleza do castelo, Freyr estava atento a todos os detalhes do local. Assim que chegou ao pátio, olhou para cima e conseguiu ver pela claraboia, a torre central. Bem no alto desta, havia um aposento com uma grande janela redonda colorida.

– Zeenon... Ali é o seu quarto?

– É sim... Quer ir até lá agora?

– Acho que hoje vamos ter bastante comemoração por aqui. – disse uma voz ao fundo, interrompendo a conversa.

O homem de fraque azul marinho apareceu por detrás da fonte. Seus cabelos ondulados ciano destacavam-se sobre roupa e os olhos cor de ametista brilhavam, como pedras preciosas. Era Claudius, o único serviçal do castelo.

Curvou-se em honra a seu mestre. Zeenon sorriu em resposta, feliz em vê-lo.

– Hoje à noite vamos à Square Iron. Todos devem estar por lá... É um grande dia. – completou a frase do serviçal;

A aura de Zeenon emanava vibrações bastante positivas, o que deixou Freyr um pouco mais confortável por ali. Fazia certo tempo desde que o rei socializara com seus companheiros.

– Quer que o Freyr conheça seu templo?

Loki sorriu, sabia que quando Zeenon ia ao templo, havia uma movimentação na província central.

– Templo? O que é?

O loiro olhou para seu companheiro, estava um pouco desorientado diante todas àquelas informações vindo de uma vez só.

– É o lugar onde o Mestre foi coroado rei, onde está o seu trono. Tem muito significado para nós. – Respondeu Loki, em um tom apaixonado.

As mãos do ruivo correram para o coração, lembrava-se do dia da grande festa de coroação do seu mestre. Fogueiras, danças e cânticos, o Submundo nunca viu tanta alegria.

– Você deve conhecer lá logo, Freyr, é um lugar tão bonito! – Mark, junto ao dragão das sombras, aproximou-se do grupo.

– Nossa, é tanta coisa nova... Preciso absorver tudo isso.

Todo aquele mundo era encantador, mas Freyr estava cheio de informações novas na sua mente, precisava de tempo para assimilar tudo. O baque de descobrir-se um “filho bastardo” ainda pesava em sua mente, mas, o jovem rapaz tentava esconder sua angustia, a todo custo.

– Você ainda não viu nem a metade do Submundo. Tem muita coisa legal por aqui.

Link encostou a cabeça no ombro do seu companheiro e sorriu para o garoto.

– Por enquanto, vai conhecer os principais lugares daqui. Primeiro, a província central, depois conhecerá as demais. – Zeenon dirigiu-se a Loki e prosseguiu – Loki, Andy, nós precisamos conversar um pouco sobre Simun.

– Sim, Senhor. – Disse Andy, aproximando-se dos mestres.

– Meninos, podem mostrar ao Freyr um pouco do nosso castelo?

O rei virou-se para os garotos e piscou os olhos, sabia que poderia contar com a colaboração dos seus filhos.

– Sim, Pai. Podemos... – Link correu até o jovem e agarrou a sua mão – Vamos, Freyr? Tem muita coisa para visitar.

Antes que Freyr pudesse falar algo, já estava sendo puxado pelos dragões para fora do salão. O nobre rei observou os três sumirem para o interior do Yamisin, e então se virou para Loki, com uma postura mais séria.

– Então... Andy, Loki precisamos discutir algumas coisas...

– Senhor, já, já chega o principal dia do festival de inverno, o que tem em mente? – Disse Loki, assumindo extrema concentração em seu mestre.

– Quero dar o troco no Simun, talvez ele tenha outros planos. E para isso, preciso entrar no castelo, sem que ninguém perceba, à noite.

– O castelo fica rodeado de soldados à noite... Mas, acho que para o senhor não será um problema. – Andy cruzou os braços e encarou o rei.

– Não... Do jeito que estou penso aqui, não será mesmo... Não quero que ninguém me atrapalhe enquanto estiver na mesa redonda dele junto com seus outros parceiros... Na reunião anual dos reis...

Zeenon pensava em invadir a reunião e acabar com Simun na frente de seus parceiros da região. Como um último aviso para que ninguém se atrevesse a enfrentar os guardiões elementares. Era seu dever mostrar a consequência da loucura de enfrentar as criaturas mais poderosas que já existiram.





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