The Golden Rose - A Rosa Dourada escrita por goldenmoon


Capítulo 12
Capítulo 11


Notas iniciais do capítulo

Enfim, esse capítulo é muito, muito importante! Adicionei muitas coisas, mas a essência dele está aí... Espero que fique tudo bem claro....

Boa leitura! :)




Assim que pousou na calmaria dos jardins do castelo, Zeenon percebeu que Heimdall não estava lá e quase nenhum ser de luz transitava pelo pátio. Achou estranho, pois sempre encontrava o guardião da luz rodeado por suas criaturas.

Após concentra-se um pouco, pode sentir aura do guardião dentro do castelo, mais precisamente em uma das torres... Era provável que estivesse descansando. Para passar despercebido, estabilizou sua aura e escondeu-se nas sombras, perpassando alguns aposentos, até chegar ao quarto. O quarto real era totalmente alvo, como a neve que caía lá fora. Zeenon sempre sentia-se incomodado quando entrava ali, era branco demais para o seus olhos; móveis, cortinas, peças tudo era branco com alguns detalhes prateados ou cinzas. A cama se destacava dos demais por ter a cabeceira e os pés prateados.

O doce rei da luz encontrava-se debruçado sobre a sua cama de lençóis brancos, dormindo tranquilamente. Os seus belos cabelos, totalmente soltos, esparramados pelo colchão. Estava descoberto, vestindo um roupão largo de seda azul-turquesa.

Em passos cautelosos, pé-ante-pé, o rei sombrio aproximou-se da cama... O lindo semblante de Heimdall permanecia quieto... Tão vulnerável. Acariciou aquele belo rosto, com cuidado, para não acordá-lo. O outro, sentindo o toque de Zeenon, abriu os seus olhos cinzentos.

– Suas mãos são tão macias...

O rei da escuridão surpreendeu-se ao ver as pálpebras dele se levantarem lentamente. Afastou a mão com rapidez, mas logo sorriu amigavelmente e sentou-se na cama, ao lado de Heimdall.

– Pensei que estivesse dormindo.

– Não...Descansava depois de uma reunião com feiticeiros humanos... – Ele esticou os braços, espreguiçando-se. – Estou surpreso de vê-lo aqui. Como invadiu o meu quarto?

– Sabe que tenho minhas táticas... – sorriram juntos – Apenas me escondi nas sombras e passei tranquilamente.

– Você e suas artimanhas... – Heimdall o olhou carinhosamente, pegou a mão dele e continuou – O que veio fazer aqui? Tem algum recado importante?

– Amanhã já teremos o homem... E, parece que o rei tem planos para você.

– Obrigado. Eu não entendo o que pretendem conosco. Porém, vamos nos prevenir.

O tom de tristeza era perceptível na voz de Heimdall, entretanto ele tentou esconder mostrando um sorriso tímido. Porém, seu companheiro sabia muito bem o quanto toda aquela situação trazia tristezas e lembranças dolorosas. O sorriso não o convenceu.

– Estou preocupado com sua sensibilidade. Não quero que os ataques dele te afetem... Se seus seres forem atingidos em massa, a ligação entre vocês... Sua magia ficará debilitada. Como aquela vez!

Zeenon falava eloquentemente, gesticulando muito, lembrando-se, a cada palavra, de quando Heimdall ficara debilitado por causa de seus ataques em massa. Sabia que se ocorresse alguma coisa às criaturas de luz a aura do rei enfraqueceria. Não queria vê-lo daquela maneira, Heimdall era muito amoroso e paciente com os humanos. O rei da luz não parecia prever algo de grandes proporções, acreditava que Simun não era tão poderoso para isso. Olhava o rosto preocupado de Zeenon, agradecido por toda a parceria.

– Estou grato pela preocupação, Zeenon... E por sua ajuda também, não ficarei daquele jeito novamente... Você está do meu lado agora, não é? – apertou a mão do nobre rei da escuridão, procurando confiança.

– Não há de quê... – suspendeu a mão do guardião da luz e a beijou delicadamente.

– Dê-me um abraço, Zeenon. – Estendeu os braços, sorrindo.

Apesar de hesitar por uns instantes, Zeenon acatou o pedido. Apertaram-se com força, com se quisessem unir suas auras em um único corpo. Aquele momento deixou o rei das trevas desconcertado, sua aura desestabilizou. Foram anos guardando sentimentos, e momentos como aquele para ele, ainda eram um pouco difíceis, tentava se acostumar. Heimdall era muito importante na sua vida, mas o remorso era muito forte. A voz, o cheiro, todo o carisma e amor daquele guardião iluminado o deixava sem reação. As poderosas auras dos guardiões colidiram por alguns instantes, porém a harmonização veio... Tranquila, paciente.

Um burburinho começou do lado de fora do quarto, e Heimdall logo previu o que poderia ser. As criaturas eram silenciosas, quase nunca incomodavam o seu mestre. Soltou-se de Zeenon e levantou rápido para ter alguma notícia.

– Espere aqui, vou ver o que está acontecendo.

Heimdall foi até a porta do quarto e perguntou o motivo da movimentação a um rapaz baixinho e de cabelos esverdeado que passava, agoniado, pelo corredor.

Quase sem fôlego, respondeu:

– Mestre, há um novo ataque na floresta!

Aquela notícia soou pesada na mente de Heimdall, novamente Simun o desafiava, tentou se acalmar.

– Dê ordem para nossas equipes de defesa irem para lá, irei logo em seguida.

O criado correu, pronto para cumprir as ordens.

Zeenon continuava sentado sobre a cama e escutou toda a notícia dada a Heimdall. O guardião da luz fechou os olhos, precisava de calma e prudência para agir, suspirou fundo e virou-se para seu companheiro.

– Eu preciso ir. Não os deixarei sozinhos. – Disse, contendo sua agonia.

– Eu também irei.

O guardião de cabelos prateados não imaginava que aquele orgulhoso rei poderia estar disposto a ajuda-lo. Não queria incomodá-lo, então, nem ousou pedir por ajuda.

– Mas, Zeenon, não precisa, eu irei sozinho com meus cavaleiros. – contestou.

– Mesmo que diga para eu não ir, assim mesmo, eu irei. – Disse Zeenon, sério, encarando o belo rei.

Com a convicção de que não poderia segurá-lo, Heimdall decidiu acatar a decisão;

– Tudo bem...Tudo bem... Contanto que você se controle.

– Se quiser, cuido de tudo sozinho. – sorriu maliciosamente, pensando nos venenos que poderia usar.

Em instantes, Heimdall já estava pronto para a partida e saiu do seu quarto, acompanhado de Zeenon. O rei das trevas era observado de cima a baixo pelos transeuntes dos corredores, apesar da reaproximação, ainda estranhavam a presença dele. Entretanto, a cada dia, ficava evidente a evolução da relação entre os guardiões.

Destiny já esperava o seu mestre no pátio, totalmente equipado com sela e armadura. Assim que montou no animal, Heimdall ordenou:

– Tragam outro cavalo!

Zeenon o interrompeu; Com toda certeza, não precisaria ir a cavalo.

– Não será necessário, Heimdall. Seguirei vocês de outra maneira. – arregaçou as mangas de seu casaco negro, aprontando-se para aparição do Midnight.

Convencido, Heimdall suspirou e balançou a cabeça negativamente presumindo o modo de como Zeenon iria. Midnight apareceu majestoso, sua cor negra destacou-se na brancura do pátio do castelo. Toda vez que ele aparecia, arrancava olhares assustados e gritos dos companheiros de Heimdall. O guardião da luz partiu, junto aos seus cavaleiros e o Dragão levantou voo seguindo-os rumo à densa floresta do norte. Dos céus, conseguia ver a enorme clareira onde guerreiros de luz e humanos armados - que estavam em grande número - lutavam entre si. Os homens atacavam sem piedade, atiravam com armas de fogo, lançavam bombas e alguns agrediam fisicamente as inocentes criaturas. Apesar de atacarem com magia, muitos caíam ao chão após serem atingidos pelas armas, eles não usavam de força, não eram tão habilidosos nisso. O que deixava os soldados de Ezra mais confiantes e desumanos.

Vendo a situação, Zeenon acelerou o voo. Contornou o campo, produzindo uma ventania forte, chegou a derrubar alguns homens. Vendo a imprudência do Guardião da escuridão, Heimdall galopou em direção ao campo aberto.

– Acalme-se! Por favor!

Contrariado, o furioso dragão soltou um grunhido mostrando suas presas pontiagudas, não gostava de que pedissem “calma” em uma batalha. Ele pousou em frente a um pequeno grupo de seres de luz e agachou-se, pronto para atacar qualquer humano que tentasse se aproximar.

De início, as criaturas agarraram-se umas às outras, sentindo enorme pavor da criatura. Porém, depois perceberam que o grande dragão-negro os protegia. Heimdall e seus cavaleiros aproximaram-se da clareira. O rei desceu do seu cavalo e partiu, silencioso, para o local onde os homens ainda maltratavam suas criaturas. Estava totalmente desprotegido. Zeenon lançou um olhar de cautela, mas, com um gesto, pediu novamente que se acalmasse. O guardião da luz agiu de tal modo que todos pararam para o observar. Fechou os olhos e abaixou a cabeça, concentrava-se em sua aura. Começou a expandi-la, cada vez mais, aprontando-se para lançar um poderoso feitiço.

Baixinho, ele ditou seus encantamentos “Kiteiru, destruam tudo que causa o mal. Luzin!”. Feixes prateados surgiram ao seu redor e rapidamente eram lançados direto para as armas e as transformavam em pó. O doce rei da luz continuava inerte, não se movia nem abria os olhos. Os soldados olhavam uns aos outros, vendo suas armas desaparecerem em instantes. Lentamente, Heimdall abriu os seus olhos prateados, preservando uma tranquilidade quase impossível em uma situação como aquela.

– Rendam-se, guerras só levam à destruição e ódio. Não encham seus corações com esses sentimentos.

Todos os aliados de Heimdall observavam atentos os soldados ainda desorientados. Pareciam esperar alguém se mobilizar para prosseguir os ataques. Até que os capitães, tomaram frente e gritaram:

– Ataquem-no!

Totalmente enfurecidos, os homens gritaram em resposta, pareciam selvagens prontos para abater uma presa. Os soldados correram em direção a Heimdall que continuou firme em sua posição.

Antes que os guerreiros de luz pudessem agir e impaciente diante de tamanha repugnância, Zeenon pulou no espaço vazio entre Heimdall e os soldados e, com um único sopro, lançou um veneno poderoso. Os homens caíram por terra. Todos os aliados ficaram paralisados ao final do ataque do dragão, somente o rei da luz correu em direção ao seu defensor.

– Você os matou? Mesmo? Não consigo prever os ataques na sua forma de dragão. – a voz trêmula denunciava a preocupação.

Zeenon voltou à sua forma de guardião e, tranquilamente, respondeu:

– Não, eles estão apenas desacordados. Talvez amanhã despertem. Mas, eu realmente queria ter usado um veneno mortal, eles mereciam.

Emocionado com a ajuda do rei das trevas, Heimdall segurou o rosto dele e, quase como um sussurro, agradeceu um singelo “Obrigado”.

Voltou-se ao seus companheiros.

– Vamos recuar. Daqui a pouco estarão recuperados. Nossas feridas cicatrizam em instantes.

Ainda atônitos depois da esplêndida defesa, eles tentavam se recompor e executar os pedidos do seu mestre, não conseguiam digerir o quão rápido foi aquela batalha.

Algumas lágrimas já teimavam escapar do rosto de Heimdall, encarou o homem a sua frente, procurando forças para prosseguir.

– A única coisa que eu poderia fazer naquele momento era usar um encantamento que detecta e destrói instrumentos que ameacem humanos e seres de luz... Tentei acalmá-los... – soluçou, tentando subjugar as lágrimas – Eles estão cegos, Zeenon! Cegos pelo ódio, poder! Eles não eram assim!

Não queria acreditar naquelas palavras, como amava profundamente os humanos, toda a situação o deixava muito triste.

– Simun está manipulando todos eles. Está com seus soldados nas mãos. Mas, se depender de mim, ele não conseguirá...

Ver o semblante de Heimdall desfazer-se em lágrimas, deixava o rei bastante apiedado por ele. Zeenon tirou as lágrimas daquele delicado rosto, com um dos dedos e, abraçou-o, envolvendo o rei da luz em seus braços. Sabia que o coração dele estava frustrado, machucado com as ações dos homens, pois sempre acreditou que com palavras doces e brandura poderia aplacar a ira humana. Mas, o rei das trevas tinha consciência que as coisas nem sempre funcionavam assim. Por experiência própria.

Novamente, o manso guardião segurou-se forte nas vestes de Zeenon e encostou a cabeça em seu ombro. Todo o calor que recebia trazia uma sensação de conforto, proteção. Podia sentir as batidas aceleradas do coração de Zeenon, percebia que ele estava nervoso, aquele comportamento não era típico dele. A situação entre os dois guardiões melhorava bastante, porém, Heimdall sentia que ainda não era o suficiente, precisava mostrar um pouco mais de carinho... Afeto.

Zeenon precisava de tudo isso.

Lentamente, Heimdall se afastou e olhou-o, carinhosamente.

– Obrigada por estar ao meu lado. Sinto-me mais aliviado.

O guardião sombrio sorriu timidamente em resposta, ainda nervoso com aquele momento. Queria ficar um pouco mais perto da companhia de Heimdall.

As doces criaturas de Heimdall já se retiravam da clareira. Shigurd, um dos grandes mestres do reino de luz, acompanhava a retirada dos seus companheiros quando viu os guardiões a compartilhar um momento bastante sublime. Estava com Heimdall desde ele chegara ao reino e sabia o quanto era preciso aquele abraço.... Sorriu, feliz com a evolução.

Acordou da sua contemplação, quando sentiu um toque suave em seu braço.

– Shigurd?

O rapaz de cabelos longos prateados, como de seu rei, voltou-se para quem o chamava. Era Marín, que ajudava na partida.

– Precisamos chamar o mestre...Não?

Ele olhou novamente para os dois, e viu Heimdall acariciar o rosto do companheiro. Não poderia atrapalhá-los. Sem virar-se para a bela moça, disse:

– Não podemos interferir... Vamos para o reino, eles ficarão bem.

Olhou para os belos olhos negros de Marín, e estampou um sorriso. Ela logo o compreendeu. E então, partiram juntando-se aos seus companheiros.

De mãos dadas, Zeenon e Heimdall caminharam para a floresta. Não sabiam muito bem o porquê tomaram aquela decisão, depois dos ataques. Talvez, sentissem vontade de estarem juntos, sozinhos. Seguiam calados, as mãos ainda unidas. Trocavam olhares por alguns instantes, procurando encaixar palavras para aquele momento.

Zeenon parou subitamente ao avistar um pequeno lago iluminado pela luz prateada da lua.

– Vamos repousar ali.

Puxou seu companheiro em direção ao lago. Assim que desceu as pequenas pedras que levavam às mediações do lago, sentou-se sobre a neve fofa. A água cristalina do lago refletia a luz prateada da grande lua cheia, majestosa sobre o céu negro coberto de estrelas.

Heimdall também sentou-se sobre a neve, e direcionou o seu olhar para a beleza lua. Estava ao lado de alguém muito amado e queria muito mais do que a companhia dele. Queria-o dentro de si, coexistindo, amando-se com todas as forças que eles poderiam ter. E, tinha certeza que ele queria o mesmo. Nenhum dos dois sabia muito bem como prosseguir. Os dedos encostavam-se por alguns instantes, os corações pulavam de tamanha ansiedade – era o momento oportuno para os dois. Zeenon observou a beleza do olhar do rei da luz e quis desabafar tudo o que guardava. Estava ansioso, não queria mais esperar. Começava a suar, por todo o seu corpo. Os olhos marejaram de lágrimas, mas conteve-se.. Percebendo o desconforto do rei, Heimdall retribuiu o olhar e acariciou-o levemente, queria vê-lo bem com seus sentimentos.

– Você não tem ideia do quanto eu te amo. – Disse, afavelmente.

Branda, a voz de Heimdall carregava todo o seu sentimento. Retraindo seus lábios, o rei das trevas tentou conter-se novamente.

– Desculpe-me Heimdall... Eu... – queria responder, mas não encontrava as palavras certas para dizer tudo o que subjugava.

Sentiu uma lágrima rolar pelo seu rosto.

Heimdall encostou a sua testa na cabeça do outro e olhou fixamente os olhos vermelhos do rei.

– Não há problema algum em chorar, Zeenon.

Sem mais esconder seus anseios, as lágrimas começaram a rolar, desenfreadas, pelo rosto do rei. Tentava lançar todos os seus sentimentos. Queria abraçar, agarrar Heimdall e esquecer tudo o que fez antes. Aquelas lágrimas soltavam todo o seu sofrimento guardado nos últimos anos. Ali, Heimdall percebeu que Zeenon estava verdadeiramente arrependido de tudo que fizera.

Soluçando, Zeenon disparou:

– Eu sinto muito, Heimdall. – voz entrecortada, pelos soluços. – Depois de tudo eu percebi que você nunca quis ser meu inimigo, apenas queria me proteger, amansar-me. Eu também te amo... Você nunca teve culpa do mal que fizeram a mim.

– Eu já te perdoei. Não importa o que você faça, eu sempre te perdoarei. Você foi apenas vítima de uma escolha que não foi sua.

Zeenon deitou a cabeça no colo de Heimdall, procurando conforto. As mãos delicadas do rei da luz deslizaram pelos cabelos negros do companheiro e, ali permaneceram, passando todo o carinho que ele precisava. Olhava o guardião chorar, pondo para fora toda a sua tristeza.

Fomos escolhidos desde bebês. Não é sua culpa. – Sussurrou, com carinho.

– Doía tanto, tanto Heimdall... Até hoje dói! Aqueles olhares, as palavras repugnantes, só por que fui escolhido pela escuridão... Mas, eu guardava tudo para mim e não rebatia. Acabou que tudo se tornou ódio, e eu descontei toda a minha ira latente em você. Eu via que você era tratado de uma forma melhor, eu me sentia inferior, um estranho! Desculpe-me. Desculpe-me. – Ele repetia “desculpe-me” várias vezes com sussurros, dizer aquilo para o rei da luz era como uma libertação.

– Eu entendo Zeenon. Porém, agora eu sei que posso ter você ao meu lado, que posso confiar ainda mais em você. – Abaixou a cabeça e beijou o rosto de Zeenon de leve. – Somos apenas guardiões, nossa missão é controlar essas duas forças. Não precisamos ser opostos como elas... Afinal, – Heimdall estabilizou sua aura e pôs sua forma humana. – Somos iguais... Não é?

Zeenon fez o mesmo, depois levantou a cabeça e acariciou o rosto de Heimdall. Dois pares de olhos verde-esmeralda, naquele momento, entreolhavam-se emanando vibrações fraternas. O vento batia forte em seus fios negros, enquanto os dois compartilhavam seus sentimentos reprimidos pelo tempo. Sentiam uma branda nostalgia dos seus tempos de infância... Corriam e brincavam pelas florestas, sempre estavam juntos protegendo-se. A inocência dos sorrisos, toda a pureza de criança que fora corrompida pelo ódio. Eram crianças belas, cheias de vida. Foram escolhidos pelo estranho acaso do cosmos e viveram sua infância juntos, separados aos trinta anos de idade, para a concessão de poderes. Eram “OS” escolhidos, tinham que assumir seus postos.

Zeenon acariciou o rosto do outro, eles eram totalmente iguais na aparência. O rosto triangular, os olhos curvados e atentos, o brilho esverdeado e encantador; a pele branca, que se confundia com a neve. Estavam em lados opostos, mas eram totalmente semelhantes.

– Isso é um pouco nostálgico. – sorriu, iluminado.

– Os gêmeos escolhidos... Lembra? Nunca conseguíamos ficar na vila... Então sempre nos escondíamos na floresta para brincarmos em paz. Era tão bom... – Heimdall sentia bastante falta dos momentos felizes ao lado dele.

É... Mas... Aquele maldito colar... – Disse Zeenon, um tom amargo em sua voz.

– Ele nos diferenciava. Eu sei... Mas, nossa infância... Lembre-se da nossa amizade, nosso amor. – segurou o rosto do irmão, usando ambas as mãos.

– Mas, depois que foram definitivamente concedidos, eu resolvi destruir tudo...

O olhar manso do rei da luz tornou-se firme ao ouvir aquelas palavras. Não queria que ele continuasse a corroer sofrimentos. Estavam ali, juntos e tinham viver aquele momento. O passado era apenas uma mancha que deveria ser extinta.

Você se arrependeu e mudou! Já passou! – Heimdall pegou a mão de Zeenon e a apertou – E agora... Veja... Estamos aqui, juntos novamente, como dois irmãos. – ele sabia que a lacuna no coração do irmão era grande, demoraria um bom tempo para curar.

– Eu estou me esforçando. Tantos anos passei escondido, vivi terrores... Terrores. – ele agarrou sua própria cabeça com força, lembrando-se de tantos pensamentos insanos que o aterrorizaram.

Heimdall o abraçou. Agora, debruçado em lágrimas. Encostou a cabeça no ombro dele, escutando cada soluço pesado, sentia as lágrimas quentes misturarem-se às suas. Era tudo que podia fazer no momento, mas queria transportar aquelas dores para si, ter o seu irmãozinho inocente e alegre de volta.

– Nós, juntos... – ele encostou a testa na do irmão, choravam juntos – vamos superar tudo isso. Sim?

Zeenon balançou a cabeça. Fixou-se nos olhos verdes do seu irmão, iguaizinhos aos seus. Agora, sentia-se igual a ele. Estavam frente a frente. Enfrentavam a mesma dor juntos. A sua aura vibrava, sentia diversos espasmos em todo o corpo, não queria deixar aquele momento morrer. Lutaria, cada vez mais contra seus próprios medos. Ainda estava no início mas, com toda a certeza, conseguiria superar. Quando cessou as batalhas, passou muito tempo acreditando que, algum dia, aqueles monstros sumiriam de vez. Escondia-se no castelo, sonhava com dias melhores, porém uma forte tristeza apossou-se de seu corpo. Chorava nos braços de Loki, um fiel escudeiro, enquanto as lembranças dolorosas vinham de vez e atacavam-no por todos os lados. Os momentos os quais fora chamado de “aberração”, monstro, os dias que sofreu agressões físicas e psicológicas simplesmente por uma escolha que não teve culpa alguma – seu irmão estava correto. Heimdall, quando presenciava esses tristes momentos, protegia o irmão e acalentava-o com doces palavras, entretanto, Zeenon, em sua tenra idade, não entendia o porquê era tratado com tanto desprezo. Quando tornou-se mais forte, independente, aprendendo magia entre os feiticeiros, a dor transformou-se em ódio. E, o lado mais fraco e manso, sofreu sem piedade.

Enquanto permanecia abraçado ao seu irmão, Heimdall viu flashes dourados passarem do outro lado do lago, passeado entre as árvores. Sentia uma força estranha e desconhecido vindo de lá, curioso, perguntou a Zeenon:

– Irmão, sabe o que é aquilo ali? – Ele apontou o lado oposto do lago onde os flashes ficavam cada vez mais claros e brilhantes.

– Não sei... Será alguma magia?

– Muito estranho...

Os flashes desapareceram rápido ao adentrar na floresta. Os gêmeos entreolhavam-se sem entender o que era aquilo. Os dois voltaram às suas formas de guardião e se levantaram. Em seu longo abraço, eles selavam o verdadeiro amor e carinho de irmão, há tempos guardado.

– Vou te levar para o castelo. Incomoda-se de ir sobre o dorso de um dragão? – sorriu e, apertando Heimdall contra si, beijou-lhe a testa.

– Sem problemas... Pode ser bom!

Animado, Heimdall se desprendeu dos braços de Zeenon e se afastou alguns metros para que ele pudesse dar vida ao grande dragão da meia-noite.

Com cuidado, Heimdall escalou o dorso do Dragão e sentou perto do seu pescoço, segurou-se firme nas escamas. Nunca experimentou aquela viagem.

– Estou pronto, podemos ir.

A fera levantou voo e seguiu, rumo ao castelo Endymion. Heimdall queria permanecer o resto da noite sobre o dorso do dragão, adorou aquele vento forte bater em seu rosto. Era bom ter a companheira do seu irmão.

Os seres de luz ficaram espantados, quando viram seu mestre descendo das costas de um Dragão, extremamente feliz. Saudou Zeenon com um “Obrigado” e, durante alguns instantes, observou o dragão fundir-se à beleza descomunal daquela noite tão única.



Notas finais do capítulo

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