CIDADE DAS PEDRAS - Draco & Hermione escrita por AppleFran


Capítulo 17
Capítulo 16


Notas iniciais do capítulo

Recomendação da Sam Evans! UAU! Muito obrigada! Adorei a forma com você conseguiu enxergar a importância de cada parte desde o começo! Muito obrigada mesmo! Não sei nem como agradecer! :)



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Capítulo 16

Hermione Malfoy

Hermione bateu na porta e esperou. Quem abriu foi Luna e assim que a loira a viu abriu um sorriso e a deixou passar para o lado de dentro. Whitehall continuava exatamente como ela se lembrava, a única diferença era que Luna havia feito do lugar uma zona bastante habitável. Os dois caldeirões próximos a fachada de vidro ficavam sempre a fogo baixo, as janelas sempre abertas para o pátio leste e papéis e livros espalhados por cima da mesa eram reflexo do intenso trabalho que Hermione lhe passava.

– Que bom que veio, tenho cinzas pela lareira inteira e não sei como limpar isso sem uma varinha. – Luna sorriu, fechando a porta as suas costas – Ninguém colocou uma elfa a minha disposição como fizeram com você. – brincou a loira. – Tento manter tudo em bom estado, mas fica difícil quando não se pode usar magia. Meu pai sempre me tirava a varinha alguns finais de semana para mostrar o quanto eu havia me tornado dependente dela. Ele sempre tinha razão. – Hermione agitou sua varinha contra a lareira e em um instante tudo estava limpo. Virou-se para a loira e elas se encararam em silêncio até que Luna percebesse que havia algo de errado com o motivo da visita que recebia. – O que houve?

– Voldemort está me chamando para ir até seu gabinete. – Hermione soltou de uma vez – Agora. – mostrou a marca em seu braço, mais clara do que nunca.

Luna desfez o sorriso que tinha no rosto com rapidez. Apressou-se na direção de Hermione e olhou a marca mais de perto.

– Não pode ir até ele. Nott não está te liberando dos seus serviços já faz quase um mês. Sua posse será semana que vem. Tem muito que fazer.

– Luna, você se esqueceu de quem Voldemort é aqui dentro?

As duas se calaram.

– Tem que avisar a Draco. – Luna colocou.

– Draco deixará Brampton Fort hoje à noite com a zona sete. Está trancado com eles no quartel desde ontem. Sabe que isso é quase a religião dele. Ninguém lhe passaria essa informação e mesmo que lhe passassem, ele pouco se importaria. Draco pode ser meu marido, Luna, mas isso não faz dele meu herói. Cada um por si aqui dentro, se esqueceu?

– Você está grávida dele! Como ele não se importaria?

– Ele não se importa! – Hermione findou o caso. – E quantas vezes eu terei que pedir, por favor, para não tocar no assunto da minha gravidez.

– Não pode fugir disso para sempre, Hermione!

– Sei disso! – deu um ponto final.

Luna mostrou as mãos, em sinal de paz, pela tom agressivo de Hermione.

– Precisa manter a calma. – disse a loira – Você não é do tipo que tem medo, Hermione. Está hesitando em subir ao gabinete dele?

– Ser corajosa não me faz ter menos medo, Luna. – disse Hermione

– Por que não vai até lá e simplesmente o mata? Eles te deram uma varinha!

– Não sou eu quem deve matá-lo, sabe disso. A profecia pela qual lutamos na Ordem não diz respeito a nós. – Aproximou-se mais da amiga – Eu vou até lá, Luna. Conhece-me e sabe bem como eu entrarei naquela sala, mas não sei o que pode acontecer ali e Voldemort pode ser bem imprevisível. Apenas quero que fique claro que independente do que acontecer, você não deixará de ir à torre de Draco hoje à noite. Precisa chegar até aquele documento. É a chave que precisamos para ganharmos a sua passagem para fora daqui. É a nossa última chance. A nova secretária de Draco começará semana que vem assim que ele voltar, portanto precisa fazer isso funcionar hoje.

Luna assentiu.

– Já tenho polissuco suficiente preparada. – disse ela.

Hermione sorriu.

– Ótimo. – o calor em seu braço a alertou mais uma vez – Tenho que ir. – Luna assentiu – Não se esqueça de ir à torre de Draco. Isso é muito importante. Não pode falhar. Não dessa vez...

– Hermione! – Luna a cortou – Não vou me esquecer, e precisa acreditar que dará tudo certo.

Hermione lançou para Luna um olhar muito significativo de que podia dar tudo errado, e que se desse errado, ela não tinha nenhum plano B. Passou pela amiga e deixou Whitehall. Seguiu seu caminho sentindo a dor em seu braço se agravar mais a cada passo.

Às vezes Hermione se sentia como Harry carregando aquela marca em seu braço. Voldemort sempre fazia doer mais nela do que em qualquer outro comensal. Querendo ou não, ela se sentia bem. Fazia-lhe se lembrar da posição a qual realmente pertencia ali dentro, embora tivesse muito poder.

Teve que passar por todo o sistema de segurança quando chegou à torre do gabinete do mestre. Sua varinha fora confiscada e o processo de reconhecimento a cansou como da primeira vez que esteve ali. Mal se lembrava direito dela. Parecia ter sido há muito tempo atrás e a realidade de Brampton Fort ainda não havia lhe caído inteiramente.

Seguiu seu destino quando foi finalmente liberada e antes de entrar na sala, encarou aquela porta como se estivesse prestes a passar a corda da forca em torno do pescoço com as próprias mãos. Respirou fundo e resolveu entrar de vez debaixo da chuva, quando passou para o lado de dentro.

Era luxuoso, escuro, intimidador, muito bem arrumado e quase glorioso. Encontrou Voldemort sentado em um sofá próximo a sua suntuosa mesa de mogno belamente talhada e quando se viu ainda mais intimidada pela presença dele, a figura de Bellatrix entrou em seu campo de visão parando atrás de Voldemort e colocando sua mão sobre o ombro dele com bastante intimidade.

Hermione pensou no sobrenome que carregava para manter seus pés firmes no chão, enquanto avançava e parava a uma distância considerável deles com a melhor pose que um Malfoy poderia ter. O silêncio predominou enquanto o olhar dos dois caía sobre ela, que tentava revidar com o máximo de confiança que lhe cabia.

– Está atrasada. – Voldemort se manifestou.

– O que ela faz aqui? – Hermione usou do seu desprezo para perguntar diretamente a Voldemort, enquanto mantinha o olhar sobre Bellatrix.

– Merecia uma maldição por ser tão abusada, Sangue Ruim! – Bellatrix revidou – Reverencie seu mestre.

– Ele não é meu mestre. – Hermione se fez clara.

– Está errada quanto a isso. – Voldemort respondeu – A marca em seu braço é minha.

Hermione estreitou os olhos e deu apenas mais um passo a frente.

– Fez com que eu fosse uma de suas escravas, me obrigou a casar com Draco Malfoy e conseguiu fazer com que eu o chamasse de mestre. Esse é o mais longe que conseguirá chegar. Não faço reverências, nunca fiz, nunca precisei e não será agora.

O sorriso que Voldemort abriu, fez com que Hermione sentisse seu estômago revirar.

– Gosto de ver como esta acrescentando algumas características sonserinas a sua alma grifinória, Hermione, mas ninguém me põe limites. Não pedirei que faça sua reverência agora porque ainda não tenho as armas certas para lhe exigir isso, mas o dia em que eu as tiver, quero que se lembre desse exato momento, enquanto se ajoelha diante de mim e saiba o quanto eu vou adorar te ver me reconhecendo como seu verdadeiro mestre.

– Não se preocupe, vou me lembrar disso um dia também quando encarar seu corpo morto. – Hermione disse e ele riu. – Para que me chamou, afinal?

– Eu pediria para que se sentasse, mas sei que não gostaria de se fazer confortável na minha presença, então vou permitir faça o que bem...

– Vá direto ao ponto. – Hermione o cortou.

– Cuidado com a boca, Sangue Ruim! – Bellatrix se sentiu mais ofendida que seu próprio mestre.

– Bella, o que eu te disse sobre abrir a boca quando não permitido? – Voldemort tornou a se manifestar. – Está grávida finalmente. – ele tornou a se dirigir a Hermione, ignorando sua rebeldia – Sabia que não conseguiria adiar isso por muito tempo, embora tenha demorado mais do que eu gostaria que tivesse. Não pode jogar joguinhos fajutos e mal pensados comigo, Hermione. Draco me contou que estava tomando poções trazidas da enfermaria da Catedral e ordenei que mudassem a fórmula de fabricação para que não tivessem mais efeitos. Sua amiguinha ladra não sabia disso e eu precisei apenas esperar. O resultado não me decepcionou.

Ela tinha alguma idéia de que Draco sabia sobre o fato de estar tomando poções que poderiam a proteger da gravidez, mas por que ele contaria isso a Voldemort?

– Isso era tudo que queria? – ela tentou manter-se no descaso.

– Na verdade não. – disse o mestre – Apenas te mostrei que quando jogar comigo, deve usar um pouco mais de sua inteligência Hermione. Senti-me ofendido por achar que conseguiria manter-se estéril com algumas poções da enfermaria para não cumprir a ordem que eu lhe dei. - Ela também sabia que não conseguiria, mas que outro caminho tinha? – De qualquer forma, não foi exatamente para isso que quis que viesse até aqui.

– Então vá direto ao ponto, de uma vez por todas.

– Sangue Ruim...

– Bella! – Voldemort dirigiu-se a mulher novamente para calá-la e ela assim o fez, o que o possibilitou ao Lord se direcionar novamente a Hermione. – Está aqui porque precisa saber claramente como funcionará todo o processo. O documento que chegou as minhas mãos disse que está com três meses, isso foi há algumas semanas atrás o que provavelmente já deve te colocar no quarto mês, não é?

– Estou entrando no quarto mês pelas minhas contas. – acrescentou Hermione.

– Onde está sua barriga? – perguntou ele.

– Primeira gravidez. Fica mais notável quando se chega ao quinto mês. Ao menos foi o que me informaram.

– Ótimo. – o ofídico soltou – Não quero que isso se torne público. Seguraremos o máximo que puder. – ele se levantou e Hermione recuou um passo involuntariamente – Marcarei todas as suas visitas à enfermaria. Bella e eu estaremos com você em todas elas. Todos os laudos passarão pela minha mão antes da sua. Quando a criança nascer terá o direito de ficar com ela um ano porque ela precisará do seu corpo ainda. Depois de um ano eu a marcarei e você a entregará para Bellatrix. A criança crescerá aos meus cuidados e aos de Bella. Sei que será impossível fazer com que meu herdeiro não saiba que você foi a mulher que o gerou, portanto ele terá noção da sua existência, mas não passará disso. Não será a mãe dele e não terá contato algum com ele. Fui claro?

Hermione absorveu tudo aquilo com frieza. Deixou que ele esperasse pela resposta por um tempo, até finalmente dizer:

– Eu poderia matar essa criança, se quer saber.

Voldemort riu.

– Mas não mataria.

– O que te faz pensar que não? Está dentro de mim. Eu quem tenho controle sobre o meu corpo.

– Você é Hermione. – O Lord se aproximou dela - Tem coração demais para não ser capaz de matar essa criança, mesmo sabendo do futuro ao qual estará a condenando fazendo com que ela venha ao mundo. – e ele tinha razão – Fui claro quanto a como tudo isso funcionará?

Hermione sentia todo o seu ódio acumulado por dentro, mas mesmo assim ainda respondeu:

– Sim.

O sorriso que Voldemort abriu fez seu estômago revirar mais uma vez. Bellatrix se aproximou e Hermione sentiu que se não se livrasse daquela pressão com rapidez, teria sérios problemas de saúde.

– Não gosto da idéia de que o herdeiro veio de você. – ela começou colocando-se ao lado de Voldemort novamente com uma intimidade irritante, como se quisesse mostrar que quem ele queria era ela e mais ninguém. – Mas então eu imagino o quanto deve te matar por dentro saber que serei a mamãezinha dele e isso já me faz contente o suficiente para aceitar toda a situação.

O sorriso vitorioso de Bellatrix provocava tonturas em Hermione. Ela preferiu ignorar a existência da mulher na sala e se voltou para Voldemort.

– Estou livre para ir? – perguntou.

Ele assentiu.

– A verei em sua posse semana que vem. – foi a despedida dele.

Hermione fez uma careta e deixou a sala. Sair dali foi como ter a corda da forca retirada de seu pescoço, mas uma pressão em seu peito fazia com que não tivesse o alívio completo. Desceu da torre sabendo que deveria voltar para o departamento de Theodoro, mas parou no meio do caminho quando percebeu que sua respiração estava rápida e não era de seu cansaço. A pressão em seu peito encheu seus olhos e ela mal conseguiu ver o degrau a sua frente, colocou a mão sobre seu estomago como se isso tivesse o efeito de amenizar a náusea que sentia. Fechou os olhos e percebeu que se derramaria em lágrimas se não fosse forte para se recompor e foi com a motivação de que alguém a encontraria naquele estado, que puxou o ar e tentou refazer sua postura sem derrubar uma gota sequer pelos olhos. Foi assim que o ódio lhe subiu e ele todo estava destinado a uma única pessoa. Hermione tinha certeza de que Theodoro poderia aguentar um pouco mais sua ausência.

Avançou para o quartel a passos firmes. Não precisava nem mesmo passar pela segurança mais. Deixou que o som de seu salto contra o chão a estimulasse a seguir em frente. Em sua cabeça ela remoia a razão do ódio que sentia. Cruzou toda a nave central de distribuição até entrar pelo corredor, onde sabia que daria para o subsolo que era inteiramente destinado a zona sete.

– Preciso passar. – Hermione disse ao chegar à rampa de segurança.

– Precisarei de sua varinha, seu cartão da zona sete e se não for parte do exército ou do departamento, precisarei de sua carta de acesso. – O segurança disse de maneira entediada, sem sequer levantar os olhos para Hermione.

– Não sei se me entendeu bem. – ela começou novamente, colocando a sua mão esquerda sobre o balcão de modo que o anel em seu dedo ficasse bem visível. – Eu disse que preciso passar.

O homem finalmente levantou o olhar e refez toda sua postura quase que imediatamente.


– Sra. Malfoy. – ele pareceu surpreso e ao mesmo tempo em um grande impasse – Tenho ordens de não deixar que ninguém passe sem autorização.

– Acha mesmo que deveria seguir essa ordem comigo? – Hermione deixou que soasse quase como uma ameaça e bastou para que ele abrisse espaço para ela passar.

Hermione desceu com toda a sua determinação e agradeceu pela sempre excelente organização do departamento, conseguindo tomar a direção certa apenas pela rápida análise de espaço e as indicações.

– Sra. Malfoy? – foi chamada pela primeira alma que cruzou seu caminho. – Não pode estar aqui.

– Me diga onde está Draco, Rice. – ela disse com firmeza.

– No último ginásio do corredor, mas sabe que ele ficaria furioso se o interrompesse. Não deveria nem mesmo estar aqui. O subsolo é restrito para a Zona Sete e pessoas autorizadas. Temo que eu terei que pedir para se retirar. – Rice foi claro.

– Não perca seu tempo fazendo isso. – ela foi rude, deu as costas e continuou seu caminho.

– Sra. Malfoy! – ele exclamou a seguindo – Não me force a chamar a segurança!

– Fique á vontade, Rice. Sei que nunca me viu em um campo de batalha, mas tenho certeza de que já escutou muito sobre isso. – Hermione disse e aquilo foi o suficiente para deixar o homem para trás.

O último ginásio de corredor era uma longa caminhada por entre colunas altas de mármore e paredes de pedra cinzenta. Hermione escutava o som do próprio salto contra o piso, mas dessa vez o vazio fazia com que o barulho ecoasse pelo espaço. Quando viu a porta dupla a sua frente, apenas agitou a varinha para que ela se abrisse e seu salto continuasse no mesmo ritmo para dentro da ampla sala, onde foi recepcionada por uma série de olhares sob o silêncio de uma discussão que havia sido interrompida.

Draco estava logo à frente com sua varinha em mãos e rodeado por mapas abertos em todas as direções. Ele tinha o olhar surpreso e ao mesmo tempo irritado, enquanto Hermione continuava seu passo firme em direção a ele sentindo os olhares daqueles que ela mesma já havia enfrentado em campo de batalha. Não se sentia ameaçada ali. Cada um daqueles rostos ela conhecia e todos eles sabiam quem ela era, o quão forte era e o quanto a temiam.

Parou frente à Draco e seu primeiro movimento foi levantar a mão e acertá-la sem dó contra o rosto dele. O som da batida foi seguido do som da respiração surpresa dos demais. Ele já não parecia estar muito contente por ter sido interrompido, mas depois do presente que recebera a fúria cresceu dentro do olhar cinzento e intimidador que ele naturalmente tinha. Hermione começou:

– Espero que tenha uma boa razão para...

– Cale a boca! – a voz de Draco foi profundamente ríspida, grossa, rude e fria quando ele a segurou pelo pulso e a trouxe para si com tanta brutalidade que a fez se lembrar de que não deveria medir forças com um homem como aquele, nunca.

Por mais que Draco estivesse tentando fazer com que ela perdesse a postura, lutou para se livrar dos dedos fortes que ele tinha.

– Vai me responder o porquê ...

– Eu disse para calar a boca! – dessa vez, sua voz severa soou pela sala inteira com o poder de fazer o músculo de qualquer alma ali se retrair. – O que diabos, você pensa que está fazendo invadindo meu departamento? Isso é uma reunião privada, Hermione!

– Realmente acha que eu me importo? – ela tentou desvencilhar-se dele mais uma vez, o que o fez encarar o pulso da mulher.

Talvez, foi ali, quando Draco viu a marca bem visível em seu braço, que ele tenha se interessado pelo que Hermione tinha a dizer, porque a expressão furiosa que havia em seu rosto se complementou com um olhar curioso. Quando ele tornou a olhá-la nos olhos, embora a vontade de matá-la já parecesse um pouco distante, Draco mostrou que ainda não havia esquecido o tapa que levara.

– Cinco minutos! – ele disse alto para o grupo de comensais da zona sete e a arrastou pelo braço até uma extremidade do salão, onde passaram pela entrada de uma câmara. Draco a soltou e fechou a porta, agitando a varinha para isolar o ambiente em que estavam. – Você tem cinco minutos.

Aquilo soara como se ele quisesse ter feito uma pergunta. Como se quisesse ter reclamado por não ter sido avisado de que Hermione fora chamada por Voldemort e que fora até ele. Mas obviamente Draco também tinha consciência que não gostaria de ter sido interrompido em sua reunião, por isso engolira o próprio questionamento.

– Por que disse a Voldemort que eu estava tomando poções para não engravidar?

Draco rolou os olhos.

– Quantas vezes eu tenho que pedir para não dizer o nome dele?! – ele pareceu extremamente aborrecido com aquilo.

Hermione ignorou.

– Eu nunca o questionei o porquê faz pouco caso do fato de eu estar grávida de um filho seu, nem nunca exigi que desse qualquer atenção. Fez-se bem claro quando se mostrou indiferente à informação. Sei que nunca quis mais alguém com o seu sangue caminhando por aí na terra por sua culpa, então por que infernos você disse a Voldemort que eu estava tomando poções?! – Ela não estava nenhum pouco contente também.

Draco suspirou, soltando o ar com calma, como se já soubesse que algum dia iria ter que encarar essa discussão.

– Ordens são ordens. - foi tudo que ele disse.

Hermione cerrou os olhos não entendendo o que o marido queria dizer. Aquilo não se encaixava com toda a visão que ela tinha desenvolvido sobre Draco no pouco tempo em que haviam convivido debaixo do mesmo teto.

– Ordens são ordens? – ela repetiu desconfiada – Acha que eu sou estúpida?

Ele revirou os olhos novamente.

– Sei muito bem quem é, Hermione.

– Então não me trate como se eu fosse uma! Sei do joguinho frágil que mantém com Voldemort! – foi rígida - Em troca de quê disse a ele que eu estava tomando poções? Em troca de fazer com que o Lorde continue acreditando que você é um servo fiel quando na verdade odeia ordens, odeia estar preso, odeia prestar contas a ele, odeia ter que servi-lo, odeia estar marcado com a marca dele? Sei que quer destruí-lo!

Draco suspirou mais calmo do que Hermione esperava que ele estivesse. O silêncio durou entre eles, enquanto ele caminhava com as mãos no bolso, encostava-se numa das mesas de frente a ela e cruzava os braços.

– Quanto tempo demorou a perceber isso? – a voz dele saiu macia, uniforme e indiferente.

Hermione o olhou com desconfiança. Não era aquela reação que estava esperando. Suas certezas se abalaram por alguns segundos.

– Não muito. – ela respondeu.

Draco ergueu e abaixou uma das sobrancelhas como se aquela resposta fosse a que ele estivesse esperando.

– Então, espero que não esteja sendo ingênua ao ponto de acreditar que o Lorde já não sabe de tudo isso que disse. – fez sua voz soar de modo pacífico - Por que acha que eu comando um exército? Ele acredita que sabe me comprar, que sabe me usar, que sabe me fazer andar na linha e é nisso que eu quero que ele continue acreditando. Quero que o mestre continue acreditando que me conhece realmente, que sabe quem eu verdadeiramente sou. – Draco soltou - A ordem foi bem clara, Hermione. Ele quer um herdeiro e queria que nós fizéssemos isso. Você estava apenas fazendo seu papel de rebelde inconformada tomando poções e nos trazendo mais dor de cabeça. Eu nos fiz o favor de adiantar as coisas. Primeiro, porque preciso sempre provar que ainda estou jogando do lado dele, segundo, porque eu não seria capaz de te fazer parar de tomar as poções por minhas próprias mãos. Não seria nada confortável para mim te levar para cama sabendo que estava completamente desprotegida, eu sempre soube que estava correndo atrás de se proteger desde a primeira vez que fizemos sexo.

O silêncio veio sobre eles novamente. Hermione escutava sua própria respiração, baixa e ritmada, enquanto encarava o mar de metal derretido que eram os olhos dele.

– É sua culpa. – sua voz saiu quase que rouca. Pausou enquanto sentia seus olhos arderem. Engoliu a saliva com dificuldade. – É sua culpa. – repetiu - Nunca deveria ter dito a ele!

– O Lorde descobriria de qualquer outro jeito...

– Então por que não deixou que ele descobrisse de outro? – sua voz forte sobressaiu a dele.

– Está se sentindo traída? – Draco levantou uma das sobrancelhas.

– Sim! – ela não tinha dúvidas disso – Você não queria isso, eu também não, e quem disse a Voldemort que eu estava tomando poções foi você! Apenas para fazê-lo acreditar que ainda continua do lado dele, porque não cansa de ser um comensal cheio de vontade própria! – Hermione terminou ofegante, não de cansaço, mas de revolta. Ainda não conseguia acreditar que Draco podia ser tão indiferente. – Eu estou trazendo uma vida para o mundo! – saiu mais alto do que ela planejava – Como foi incapaz de pensar no quanto isso é forte?

– Eu tenho meu próprio jogo aqui dentro, Hermione. – Draco descruzou os braços e foi até ela - Não tem idéia do quão difícil é mantê-lo, quando se é um comensal porque ainda está muito ocupada querendo ser a grifinória leal, corajosa e rebelde, quando na verdade deveria estar sendo esperta! – ele ficou tão próximo que Hermione sentiu a necessidade de recuar, mas seus pés continuaram plantados exatamente no mesmo lugar, como se os olhos de Draco conseguissem a tragar – A guerra aqui de dentro é mais importante que a guerra lá fora. Pare de tentar lutar a guerra lá de fora aqui dentro, você não está mais na Ordem da Fênix. Comece a abrir o seu próprio caminho.

– Tudo que você consegue ser é leal a si mesmo. – ela soltou com desgosto. - Eu não preciso pisar em ninguém para conseguir as coisas que quero.

– Bem, isso é o que me faz um sonserino e é você uma grifinória. – disse ele – A lei aqui dentro é clara: ou pisa ou será pisada. Pensei que já soubesse disso. Tenho interesses próprios e não pode julgar as coisas que faço em troca daquilo que quero, mesmo que isso envolva a sua desgraça. Não pode bater o pé como uma criança esperando por justiça. Isso é Brampton Fort. Está dentro do ciclo de comensais agora.

– Eu deveria me vingar? É isso que um sonserino faria? – sua voz saiu cheia de desgosto. Será que ele mesmo não percebia o valor sujo daquelas palavras?

– Deveria fazer aquilo que quiser fazer, Hermione. – Draco segurou seu queixo e precisou aproximar-se apenas mais um pouco, os olhos de ambos continuaram fixos um no outro e ele selou seus lábios nos dela. Afastou-se e colocou sua boca bem próxima ao ouvido dela. – Esse filho é fardo seu. Sabe que não brincamos mais daquele jogo de adolescentes que éramos acostumados em Hogwarts. Agora, sim, estamos numa guerra real. Sabia disso desde o começo e a próxima vez que invadir uma das minhas reuniões privadas, farei com que perca o cargo que está assumindo com Theodoro e não pense que não tenho suspeitas sobre o quanto ele é importante para os seus interesses. – por um rápido segundo, Hermione pôde perceber que Draco inalou seu perfume antes de se afastar – Seu tempo terminou. – ele deu as costas e foi em direção porta.

Hermione girou a varinha e trancou a maçaneta quando ele a girou. Sua boca formigava onde ele havia tocado com os lábios, mas ela sentia que dos seus olhos ainda saiam faíscas.

– Nós não terminamos. – ela tentou continuar firme.

Draco soltou o ar impaciente, usou sua varinha para reabrir a porta.

– Sim, nós terminamos. – passou por ela e a fechou.

Hermione soltou um grunhido de frustração. Às vezes ela sentia que nunca seria boa ou inteligente o suficiente para sobreviver àquele lugar. Parecia outro mundo.

Narcisa Malfoy

Observou quando Pansy tocou o colar que sempre usava, enquanto falava esnobemente sobre umas das suas concorrentes no ramo de organização de festas. Narcisa admirava Pansy pela paixão que ela tinha por tudo aquilo que gostava, ela era persistente e estava sempre de cabeça erguida. Queria que ela tivesse sido uma Malfoy e se não fosse pela sua personalidade vulgar, talvez até tivesse sido uma candidata vencedora. Ela e Draco tinham muito em comum e por um tempo Narcisa até pensou que Pansy conseguiria fazer Draco amá-la, mas obviamente seu filho tinha herdado muito do pai.

Narcisa nunca quis que Draco tivesse o mesmo destino que o pai. Sempre esperou que um dia ele fosse encontrar uma boa garota, pela qual se apaixonaria e se casaria. Ela não queria que nenhuma mulher no mundo, independente de quem fosse, tivesse que passar pelo mesmo que ela passava todos os dias. Chegou até mesmo a incentivar o filho durante Hogwarts, o que o fez enxergar Astoria. Deu todo o seu apoio, mas a natureza de Draco nunca o segurou em uma garota só. Pansy havia sido a única que o filho nunca se cansara e, por esse motivo, chegou a esperar pelo dia em que ele fosse perceber que Pansy, talvez, fosse a mulher de sua vida.

Mas Parkinson amava Draco desde que se entendia por gente e por esse motivo, sempre quando a olhava dava graças aos deuses por ter sido Hermione o destino de seu filho. Pelo menos Hermione o odiava e, por isso, nunca sofreria para lidar com a natureza dele.

– ... e até mesmo pensei que fosse uma ótima idéia, mas não durou por muito tempo. Tenho experiência e sei que esse tipo de coisa nunca chega a se concretizar sem ser seguida de um grande desastre. – Pansy terminou e tomou um gole do chá em sua mão, com a elegância de uma verdadeira Malfoy. Narcisa às vezes percebia o quanto a elegante mulher a sua frente, se esforçava em mostrar toda a sua educação próxima a ela ou a Lúcio, mesmo depois de seu filho ter se casado. – Por isso mesmo sou bem seletiva, não basta ter muito dinheiro para me pagar, precisa no mínimo ter um bom ciclo social e ser bem influente.

Narcisa sorriu.

– Faz bem, querida. – ela disse colocando sua xícara sobre a mesa de centro e se levantando. – Fico feliz que tenha vindo. – ela começou outro tópico. – Sei que está sempre muito ocupada.

– É sempre um prazer, Cissa. – Pansy fazia questão de se mostrar íntima, principalmente quando Draco estava por perto. – Sei que queria se encontrar comigo. Bella comentou comigo faz um tempo.

– Queria que tivéssemos ido ao centro, mas a impressa está cheia de perguntas devido às novas mudanças do Ministério e fiquei com receio de que alguém poderia estragar o nosso passeio. – disse, enquanto caminhava pela sua sala privada na mansão Malfoy.

– Entendo. – Pansy sorriu compreensivamente. – Sei que ser a mulher do Primeiro Ministro pode ser um pouco cansativo.

Ela não tinha nem idéia.

– Bem, a verdade é que além de não nos falarmos já faz um bom tempo, gostaria de saber o porquê cortou Hermione da lista de convidados do jantar dos Martin. – Narcisa foi direta.

Pansy pareceu surpresa com o que havia escutado. Ficou confusa por alguns segundos, como se não soubesse o que responder e então disse:

– Bem, a Sra. Martin não estava muito convencida de que Hermione se sentiria confortável já que boa parte dos convidados não fazem parte do ciclo social limitado que ela tem.

– A Sra. Martin não estava muito convencida ou você a convenceu de que Hermione não se sentiria confortável? – Perguntou Narcisa, apoiando as mãos no encosto do sofá onde antes estava sentada.

Pansy puxou o ar como se estivesse pensando em como justificar e se esquivar educadamente da sutil acusação a quão estava sendo exposta. Narcisa sabia que a última coisa que ela gostaria de ficar é com alguma imagem ruim para a mãe de Draco Malfoy.

– Eu não precisei convencê-la de nada, Hermione nunca foi uma figura muito pública entre nossas famílias. Ela sempre está ocupada com os afazeres da Catedral. – Parkinson disse, usando um sorriso bastante amigável. – Pelo menos ela e Draco têm algo em comum.

– Eu fui a primeira a ver a lista de convidados de Emilliana Martin, Pansy. Hermione era um dos primeiros nomes e ela me disse que estava animada em ter uma figura tão cobiçada em seu jantar.

– Ela não parecia assim tão animada quando me passou a lista de convidados.

– E se aproveitou disso para convencê-la a tirar Hermione?

Pansy se calou. Dessa vez a direta havia sido menos sutil e a outra começara a se sentir coagida.

– Cissa, não creio que seja um problema muito grande não ter Hermione nesse jantar. Ela não conhece ninguém, ficaria sozinha e sabe que ter convidados isolados em um evento, pode cair em cima do organizador. Eu tenho uma reputação para zelar.

– Eu sei que tipo de reputação gosta de zelar, Pansy. – com as roupas que vestia e o jeito que se atirava em cima de qualquer homem, Narcisa realmente sabia de que reputação ela realmente gostava – Lívia Jackson, Bell Harvey, Kendra Collins e Jenna Thompson são nomes que estavam na lista, que adorariam ver e conversar com Hermione novamente. Elas foram apresentadas na cerimônia de inverno do ano passado e se animaram bastante com a eloquência e o conhecimento extenso de Hermione.

Pansy revirou os olhos.

– Ela é perfeita, não é?

– Não, ela não é. – Narcisa tornou a se sentar. – Eu não me importo se Hermione iria ou não se sentir deslocada no jantar. Queria apenas saber se foi você quem convenceu Emilliana de tirá-la da lista.

– Nós duas concordamos que não seria uma boa idéia...

– Não tente omitir nada, Pansy. Eu a conheço bem.

Pansy espremeu os lábios em uma linha fina, enquanto se ajeitava em sua poltrona tentando encontrar uma posição mais confortável.

– Hermione nem sabe que Emilliana gostaria de tê-la lá. Por que se preocupa com ela?

Narcisa puxou o ar, cansada.

– Foi você ou não foi, Pansy?

Pansy soltou o ar e desviou o olhar.

– Eu ajudei. – soltou de uma vez. – Mas Emilliana também não estava tão convencida de que seria uma boa idéia.

– Porque você disse que não seria. – Narcisa não queria se mostrar irritada e era muito boa em esconder emoções – É a organizadora do jantar e se disse que algo não vai dar certo, pela sua experiência sabemos que não irá. Por que pediu que a tirasse da lista?

– Já expliquei que Hermione ficaria isolada.

– E eu já te dei o nome de todas àquelas que não deixariam isso acontecer.

– Não temos certeza disso.

– Eu tenho certeza disso. – Narcisa conhecia bem o interesse que aquelas mulheres tinham em estreitar laços com os Malfoy e com as atenções todas em cima da nova Sra. Malfoy, esse seria um bom momento para aparecerem em sua companhia – Sei que tem ciúmes de Hermione.

Pansy recebeu aquilo como uma ofensa.

– Nunca precisei ter ciúmes de uma Sangue-Ruim!

Narcisa tentou sorrir de forma amigável.

– Então pare de agir como se precisasse.

Pansy abriu a boca para retrucar, mas de lá não saiu som nenhum. Uma veia pulsou em sua têmpora e quando ela abriu a boca novamente, Narcisa soube que ela nunca teria dado certo como uma Malfoy.

– Eu não a quero lá! Todas as atenções estão nela! Depois daquela revista estúpida, parece que Hermione usa um chapéu e todos estão usando o mesmo no outro dia. Ela dá um discurso sobre segregação social e no outro dia, de repente, todos nós estamos comentando sobre isso! – Pansy soltou um riso fraco - Segregação social! Um ciclo de comensais discutindo segregação social como se fosse um assunto de extrema importância! Hipocrisia!

– Todos nós temos um lado humano. Hermione fez bem em tocar em um assunto como aquele. Ela preza pelas leias fundamentais da justiça e nada mais plausível do que justiça em meio a uma guerra.

– Nós não estamos em guerra do lado de dentro das muralhas!

– Nós estamos do lado de dentro das muralhas por causa de uma guerra, Pansy!

– Por que a defende tanto?!

– Porque ela é minha família agora e você já deveria saber disso. Escute, sei que Hermione e você nunca se deram bem, mas precisa superar isso. Ninguém se importa mais com o sangue que ela tem e todos nós sabemos que até mesmo o mestre é mestiço. Agora, por favor, pare de pensar que Hermione te roubou Draco. Sabe que eles dois receberam o destino de se odiarem para o resto da vida.

– Ela não me roubou ninguém! Eu sei que o dia em que Draco se cansar dela, ele voltará para mim como das outras dezenas de vezes que fez isso. Hermione me roubou o lugar que eu iria ocupar na sua família. Você sabe melhor do que ninguém que eu deveria ter sido a Sra. Malfoy, ao invés dela! Vocês nos obrigariam a casar em algum momento, precisam de um herdeiro legítimo!

– Nós nunca dissemos a você que era a candidata para Draco. – interviu Narcisa. – Deixamos claro que ele poderia escolher, mas que tinha um prazo para isso.

– E sabiam que ele escolheria a mim. Acha que esse colar com a pedra da família Malfoy veio por que motivo?

– Pelo de te manter na espera se caso ele não encontrasse nada melhor? - Pansy se levantou revoltada de uma vez. Narcisa revirou os olhos – Por favor, Pansy! Você conhece Draco tão bem quanto eu, sabe que ele faria isso.

– Não comigo! – ela estava definitivamente irritada – Ele me ama, apenas não sabe ainda. Ele sempre foi confuso com relação as coisas que sente... – Pansy precisou se calar quando a porta foi aberta.

– Hei. – cumprimentou Lúcio, assim que passou pela porta mudando de expressão ao ver que as duas não estavam tendo uma conversa muito agradável. – Desculpe se interrompi algo. Narcisa, você está tratando mal nossa convidada? Pansy não me parece muito contente.

– Estamos apenas discutindo algumas questões desconfortáveis para nós duas, querido. – Narcisa disse se levantando para alcançar o marido.

Lúcio desviou-se dela antes que fosse alcançado.

– Pansy, não a vejo faz um bom tempo. – ele foi em direção mulher – Espero que minha esposa não esteja a perturbando com futilidade. E sinto muito por interrompê-la, mas precisava dar um aviso importante. – ele colocou uma das mãos no ombro da mulher, mas a deixou ali por pouco tempo, fazendo com que ela descesse até a lombar das costas nuas de Pansy. – Narcisa, espero que não se importe, mas convidei Hermione para o jantar.

Pansy puxou o ar, incomodada, e Narcisa não soube dizer se era pelo toque do homem ou pela menção de Hermione.

– Lúcio, pensei que hoje iríamos receber os Collins para o jantar.

– Sim, os receberemos, por isso a convidei. Ted tem estado no meu pé há um bom tempo no Ministério. Quer conhecer Hermione e já que somos duas famílias muito próximas, não seria justo que a apresentássemos em um evento público qualquer. Sei que Draco não está na cidade, mas essa é uma ótima oportunidade.

Draco odiaria aquilo quando ficasse sabendo, mas Narcisa não poderia discordar.

– Tem razão. – disse e escutou Pansy limpar a garganta, como se estivesse farta de escutar o nome Hermione.

– Estou de saída. – ela anunciou esquivando-se de Lúcio e colocando sua xícara de chá sobre a mesinha de centro.

– De forma alguma! – Lucio se pronunciou – Nós adoraríamos que também ficasse para o jantar. Não é mesmo, querida?

Pansy pulou seus olhos verdes de Narcisa para ele. Ela os estreitou.

– Com a sua adorável nora? – soou extremamente irônica e fez uma careta de desgosto – Só pode estar brincando!

Passou por ele e Narcisa, indo em direção a porta.

– Espere, Pansy. Talvez não tenha sido uma boa idéia – Lúcio tentou alcançar o passo da moça – Podemos fazer outro jantar... – a porta bateu quando ela os deixou.

Narcisa permanecia intacta em seu lugar. Lúcio alisou seu terno limpando a garganta. Ela se aproximou.

– Você a mima como se ela fosse uma de suas amantes. – disse da maneira mais neutra que conseguiu e apressou-se para alcançar Pansy antes que ela deixasse sua casa.

Draco Malfoy

A verdade era que ele gostaria de ter pegado a barraca principal, mas escolheu permanecer na mesma ala em que a zona sete havia sido destinada a se instalar. Era importante mostrar contato e cumplicidade, a cada dia que se passava Draco sentia que finalmente estava perto de alcançar o nível que lutara para chegar há anos.

Todas as suas coisas já estavam lá, quando passou cansado para o lado de dentro de sua barraca. Era simples, mas tinha uma lareira, uma boa cama, uma mesa e um espaço até confortável. Poderia fazer aquele sacrifício por alguns dias. Tirou sua capa e acendeu a lareira, quando abriu seu malão foi presenteado com a visão de uma mulher entrando em sua barraca. Seu corpo era delineado pelo macacão de couro preto justo, os cabelos vermelhos vivo eram volumosos, macios e ondulados que lhe desciam até a cintura, olhos escuros e brilhosos, boca macia e sempre coberta pelo batom vermelho. Draco sorriu. Por que será que não estava surpreso em vê-la?!

– Olá, treinador. – ela desceu os degraus.

– Sam. – ele a cumprimentou pelo nome – Como conseguiu passar a segurança?

– A segurança aqui é feita pela zona dois. Idiotas. Basta observá-los por cinco minutos. – disse ela e parou em uma pose com as mãos na cintura. – Sei que, costumeiramente, pede para que chamem uma mulher para sua barraca algumas noites. Bem, vim antes que me chamassem. – e riu.

– Essa é uma das noites que terei que me dedicar aos papéis, Sam. – Draco disse puxando um rolo de pergaminhos.

– Então tenho certeza de que podemos adiantar logo as coisas. – ela sorriu, aproximou-se mais e puxou o zíper da frente de seu macacão até em baixo.

Draco deixou seus olhos caírem para o colo perfeito da mulher, o volume dos dois seios, a respiração fazendo seu peito se mover. Ele sorriu, mas hesitou e foi quando hesitou que se lembrou que em situações como aquela ele nunca hesitava.

– Tenho uma pilha de pergaminhos para ler até amanhã de manhã. Eu não tinha idéia de que as coisas por aqui estavam chegando a esse ponto. – ele desviou-se dela, passando a vasculhar seu malão.

– Foi tão sexy vê-lo furioso quando descobriu que estavam omitindo nosso caso para a Catedral. – o tom da voz de Sam denunciou que estava achando estranho ele a ignorar. O que realmente era bastante. Ela deu a volta e encostou-se na mesa, apoiando as mãos de cada lado da madeira lisa ainda com o zíper de sua roupa aberta. – Soube que se casou. – ela trouxe o comentário. – Com Hermione Granger. – acrescentou.

O nome de Hermione soava estranho com aquele sobrenome agora.

– Sim, me casei. – Draco disse em resposta ao comentário da mulher.

– A última vez que a vi, ela estava ao lado de Harry Potter recuando toda a linha de frente da zona cinco. – ela continuou.

– Ela era uma agente dupla. – Draco havia perdido a conta das vezes que havia dito aquilo para as pessoas que comentavam sobre seu casamento.

– Gosta dela? – Sam pareceu despretensiosa, mas Draco bem sabia o valor daquela resposta.

Ele ponderou com as mãos em seu malão, se deveria ou não, responder aquela resposta conforme a história que contavam nos jornais.

– Não. – respondeu antes que pudesse concluir seus pensamentos.

– Então porque está me ignorando? – ela perguntou – Se não me quisesse já teria me mandado embora a muito tempo. – Draco sentiu a aproximação dela por trás. – Eles estão pensando em fazer minha transferência para zona seis, não precisa mais ficar envergonhado por fazer sexo com alguém da zona cinco.

Draco sentiu um sorriso puxar o canto de seu lábio.

– Dormi com você quando estava na zona três, Sam. – ele disse e sentiu os braços dela ao redor de seu tronco.

A mulher ficou na ponta dos pés e alcançou o pé de seu ouvido.

– E você era meu treinador. – sussurrou e ambos riram. Os dedos dela se moveram por ele e seguraram o fim de sua blusa. Samantha a puxou para cima e Draco ergueu os braços para se livrar dela também. Virou-se para ela e encontrou com aquele sorriso de satisfação. Sam deslizou os dedos pelo seu peitoral e abdômen com um olhar cheio de desejo. – Você nunca desaponta, Draco. – ele sabia que não. Sam ficou na ponta dos pés novamente com a boca a centímetros da sua. – Tire minha roupa. – pediu, num sussurro pausado e ousado.

Draco não hesitou dessa vez. Suas mãos a livraram das mangas do macacão tão rápido, quanto sua boca foi de encontro à dela, e foi naquele beijo que ele se desconcentrou em terminar de livrá-la do couro por inteiro. Foi naquele beijo que ele percebeu que não beijava nenhuma mulher que não fosse Hermione há um bom tempo, porque no momento em que sua boca se encontrou com a da mulher, Draco esperou pelo movimento familiar da boca de Hermione, mas ele não veio. A beijou com mais intensidade e esperou pelas reações de Hermione, mas nenhuma delas apareceu. Sam era tão entregue a ele como qualquer outra mulher. Sentia que sua boca ficava no vácuo a cada movimento que fazia. Afastou-se frustrado e ela estava ofegante.

– Wow, o que foi isso? – ela ofegou, rindo - Eu nunca pensei que pudesse ficar melhor do que já era, mas você melhorou seu beijo, Draco!

O canto de sua boca se esticou num sorriso inconsciente e antes que pudesse se afastar, Sam começou a lhe beijar o pescoço. Draco estava pronto para segurá-la pelos ombros quando ela o tocou entre as pernas e ele percebeu que não fazia sexo há um bom tempo. A gravidez de Hermione os havia afastado e Draco estava tão comprometido com problemas em seu departamento, que sequer, percebera a falta que sentia.

Samantha fora sutil, como se estivesse tocando algum tipo de pedra rara e quebrável. Ou talvez ele estivesse muito acostumado com o toque vigoroso de Hermione. Deslizou sua mão para os cabelos vermelhos da mulher.

– Vamos lá, Sam. Eu sei que pode fazer melhor do que isso. – ele disse e foi o suficiente para fazer com que ela parasse de brincar com aquele joguinho ruim de sedução. Funcionava com Hermione porque ele gostava de vê-la se render.

A mulher abaixou-se, o livrou do cinto, abriu sua calça e a abaixou. O resto foi o serviço que ela já sabia fazer. Draco apoiou-se numa das pilastras de madeira e deixou-se apreciar o desejo crescer. Sim, ele sentia muita falta de sexo, mas não estava gostando da forma como sua mente o lembrava constantemente que Hermione poderia fazer aquilo dez vezes melhor do que Sam ou mesmo que não pudesse, com Hermione era melhor porque era diferente. Diferente de qualquer outro diferente que já havia provado.

O que estava acontecendo, afinal? Sam era um dos melhores sexos que já havia tido. Nada podia se comparar ao apertado do armário de equipamentos do ginásio da zona três nos intervalos dos aulões de domingo. Por que agora parecia que toda aquela emoção não era nada?

Samantha parou no momento que não deveria e se ergueu. Seu sorriso sedutor carregava um orgulho de que havia feito um excelente trabalho. Draco a segurou pelo braço e percebeu que fora rude. A verdade é que estava se irritando com sua mente lhe jogando o nome de Hermione numa frequência doentia. Colocou a mulher contra a pilastra. Ela gemeu e não havia sido de prazer. Arrancou-lhe a roupa. Ele queria acabar logo com aquilo. Talvez assim, o fantasma de Hermione o deixasse em paz.

Abrir espaço para entrar em Sam fora mais complicado do que ele se lembrava. Ela não estava pronta para recebê-lo e, na verdade, Draco não se importava nem um pouco. Faria aquilo acabar logo. Investiu contra ela e o gemido da mulher era de puro prazer, mas ele sabia que estava a machucando.

Sam estava mentindo com aquele gemido falso. Se estivesse com Hermione ela já teria o empurrado e com certeza estaria o fazendo pagar pela tentativa de usá-la como um animal. Comparar o fazia ter ainda mais raiva. A tirou daquela posição e a colocou de costas. Não queria olhar para aquela boca emitindo sons nada verdadeiros. A empurrou contra a mesa e a fez deitar sem dó. Investiu, sabendo que a posição estava completamente desconfortável para a mulher e que até mesmo o móvel a machucava. Ficou ali, até finalmente se livrar da agonia do desejo, fora dela para não lhe dar a chance de atingir qualquer orgasmo insignificante.

A primeira coisa que ela fez foi sair da posição que estava quando Draco lhe deu espaço. Ele sentia que talvez os gemidos insuportavelmente animados e falsos dela, haviam lhe provocado dor de cabeça. Sam virou-se para ficar de frente pra ele o deixando poder ver o sorriso em seu rosto.

– É bom ser sua mais uma vez. – ela passou o dedo na borda dos lábios, como se tentasse limpar o batom manchado. Draco sabia que até mesmo Pansy, que o deixava fazer o que quisesse com ela, teria sido honesta.

– Saia, Sam. – ele não teve medo algum em ser direto. – E nunca apareça sem ser chamada.

O sorriso dela murchou e uniu as sobrancelhas finalmente intrigada.

– Pensei que estivéssemos apenas começando.

– Já disse que tenho muito que fazer. – Draco deu as costas e recolocou sua calça. Céus, ele odiava sexo ruim!

– O que há de errado com você?

– Eu disse para sair! – ele não queria aumentar o tom de voz, mas o fez antes mesmo que notasse.

Sam não protestou mais. Vestiu a roupa na mesma velocidade em que foi tirada e saiu sem abrir a boca. Ele a viu sair para ter certeza de que estava sozinho. Fechou o botão da calça e puxou o zíper. Passou a mãos pelos cabelos e se jogou na cama, fitando o tecido da barraca a alguns metros acima. O nome Hermione ainda latejava em seu cérebro e Draco tinha vontade de colocar fogo em cada pedaço de matéria.




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Notas finais do capítulo

Não odeiem o Draco! haha Tudo que acontece na fic é para um bem maior! Entendam que essa fanfic não é sobre um casal que se juntou em nome da paixão e do desejo e está enfrentando tudo e todos que desejam separá-los, essa fanfic é sobre um casal que não se quer juntos, afinal Draco e Hermione se odeiam. A beleza vai estar na transição disso. haha
Até domingo! :)
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