Terapia escrita por Kori Hime


Capítulo 1
Terapia para o grupo





    Terapia




Segurou a pasta com força, não estava mais aguentando aquela dor. Fechou os olhos sem querer que percebessem o sofrimento. Mas era tarde demais. Todos já estavam com olhos fixos no homem sentado na ponta da mesa.
Olhares de preocupação fora lançados, mas nenhum teve coragem de dizer algo.
Claro! Aquele era House. Poderia até estar fingindo. Mas depois de uma tentativa frustrada de se levantar e sair caminhando, todos viram que não era uma pegadinha.


– House! Eu o ajudo. – Foreman segurou-o no braço, tentando levantar o corpo do homem.

– Eu... eu estou bem. – Ele gaguejou fazendo com que todos ficassem ainda mais nervosos. – Preciso... preciso de água.

– Eu vou pegar. – Thirteen correu para buscar o copo de água. Enquanto Chase ajudava Foreman a colocar House na cadeira.

– Já estou melhor, preciso só de um tempo para me recuperar. – Ninguém iria dizer nada, sabiam da situação do médico, e da falta que o vicodin lhe fazia. A dor deveria ser impiedosa.


Saíram todos da sala, e quando percebeu que estava fora de perigo, relaxou na cadeira, puxando um saco de balas do bolso.



– Esta vendo? Ele anda com essas pegadinhas, eu disse para vocês. – Do outro lado do corredor os três médicos falavam sobre o estranho, ou nem tanto, comportamento do chefe. – Ontem ele sentiu dor de cabeça e chorou, houve aquele dia que ele caiu da escada. E também disse que foi envenenado por nazistas disfarçados. Não sei se essa alta no hospital psiquiátrico foi uma boa idéia. – Foreman mantinha a voz um pouco baixa, mas alta o suficiente para que alguém próximo ouvisse. Propositalmente.




Fazia malabares com as balas coloridas, quando foi surpreendido. Tentou novamente a mesma cara de dor, mas quando viu que se tratava de Wilson, voltou a relaxar.


– O que está aprontando dessa vez com seus insubordinados?

– Falando difícil agora?

– Não, só quero saber porque eles estão la fora dizendo que você é um maluco.

– Eu? – Segurou as balas, colocando-as todas na boca. – Maluco? – falou com a boca cheia de balas coloridas.

– House! Porque está querendo enlouquecer todos nós? Já não basta você mesmo?

– Não estou tentando nada dessa vez. Eles que estão cheios de cuidados especiais comigo, acham que posso voltar ao manicômio.

– E pode, se não mostrar melhorar. Você é um médico e …


House mexia as mãos como se fizesse a vez da boca de Wilson, assim como marionete.


– Quieto, la vem eles. – Largou-se novamente na cadeira, resmungando de dor. – Se você acha que eu preciso me consultar com um outro médico, então eu faço James.


Todos continuaram com a farsa, sabiam que ele já sabia, e House sabia que todos sabiam da verdade, mas ninguém falou nada. Wilson olhou incrédulo aquilo. Era loucura demais para ele, pediu licença e disse que haviam coisas mais sérias para resolver.

Entre um exame e outro de algum paciente com uma doença terrivelmente conflitante, era notável a lucidez esvair no meio do grupo. Seria todos ali futuros companheiros de House no hospital psiquiátrico?

Cuddy preferia não se meter na relação extravagante que os funcionários daquela ala mantinham, mas quando fora avisada de que o médico passou mal dentro do quarto do paciente, foi a gota d'água.
Entrou na sala batendo a porta, todos estavam sentados a mesa de vidro, aparentemente trabalhando no caso do paciente com manchas e dor nos olhos.


– Preciso de um minuto. – Falou cruzando os braços. – Com todos vocês.

– Cronometrando a partir de agora … – House apertou o pequeno botão do relógio e marcou o tempo.

– Todos deverão passar por uma análise. Convidei um amigo meu para fazer o trabalho. Quero que cada um aqui faça tudo o que ele disser. E eu não quero mais ter que ouvir reclamações de ninguém no prédio porque não podem usar esse andar, já que há um nazista disfarçado por aqui. – Ela saiu da mesma forma, trombando com Wilson no corredor. – James, você tem algo para fazer amanhã de manhã?

– Uma paciente as dez, porque?

– Ótimo, será então o primeiro a falar com o Dr. Ross. – Wilson a viu caminhar até o elevador sem entender nada.