Escola de Guardiões escrita por Tynn


Capítulo 25
Especial: O novo reinado de Samyra




Samyra assistiu o duelo de Marcelo com bastante aflição: o surgimento de um novo portal, a fusão entre as duas mulheres, a explosão quando o anel foi partido... Aquilo era um presságio para alguma coisa muito ruim. Ela olhou para Natália para certificar-se que a curandeira estava bem. A bruxa que a estava atacando virou cinzas com um golpe da lança de Samyra, mas Natália ainda respirava com dificuldade.

– Ela estava me sufocando. – A garota disse finalmente. - Aquela feiticeira. Ela emanava uma energia negra que subia até o meu pescoço, me deixando sem ar. Mas eu já estou bem. – Ela apontou para Marcelo, desacordado. – Você precisa ajuda-lo.

– Eu farei isso, mas se sentir qualquer coisa, me chame.

A rainha correu até o garoto e ajoelhou-se ao seu lado. Ela colocou a mão no peito de Marcelo para averiguar as batidas do coração. Ele ainda está vivo! O próximo passo foi tentar acordá-lo de maneira suave, tocando em seu ombro, balançando-o de um lado ao outro. Nada fazia Marcelo acordar; ele estava inconsciente. Samyra iria ficar mais tempo ali, tentando qualquer coisa para ver se o menino reagia, se não visse um mago magrelo escorregando nos degraus e caindo no chão com um tombo. Atrás dele, Zeca pisava lentamente na pequena escadaria entre o portão principal do castelo e a área aberta onde a batalha ocorreu.

– O que essas escadas estão fazendo aqui? – Luc perguntou ao se levantar. – Venha, Zecus, eu o ajudarei a descer esses degraus traiçoeiros.

– Eu já disse, meu nome é Zeca... Por que você insiste em me chamar diferente? – O manipulador tinha a voz calma, apesar de estar aborrecido, e aceitou a ajuda do magrelo.

– Quem se chama Zeca? Zeca não é nome, eu nunca vi uma pessoa se chamando assim. O seu nome deveria ser Zecus, esse sim é legal. A partir de hoje, você se chamará Zecus.

Nem Samyra conseguiu segurar o riso ao escutar o diálogo dos dois. Ela foi ao encontro deles e segurou o braço esquerdo de Zeca, já que provavelmente o mago iria acabar derrubando o rapaz.

– Deixe que eu ajudo. – Ela anunciou.

– Muito obrigado, senhorita, mas não posso aceitar o auxílio de uma pessoa desconhecida. Sabe, existem muitos perigos aqui perto e você pode ser uma feiticeira disfarçada. Afaste-se ou eu terei que ataca-la com meu capuz!

– Você não está reconhecendo Samyra? – Dessa vez foi Zeca que falou. Ele reconheceu a voz da rainha, mas se fosse vê-la, realmente estaria tão confuso quanto o pobre mago. Samyra possuía os cabelos negros, lisos e volumosos, os olhos eram de um verde vivo e o rosto, afinalado. Ela deu uma risadinha.

– O feitiço da bruxa se desfez e agora vocês podem ver minha verdadeira aparência. Não precisa se preocupar, destemido mago. – Samyra deu uma pausa e conduziu os dois aliados até Marcelo. – Eu estou precisando de ajuda, Marcelo desmaiou depois da batalha.

Luc deu um grito de susto e levantou as mãos, alarmado. Em seguida, começou a gritar no ouvido de Marcelo, pedindo para que ele permanecesse calmo e não ficasse preso em um mundo sinistro que poderia ser criado na sua própria mente.

– Essas coisas de pesadelo, elas podem ser fatais. Caso veja um unicórnio branco em sua mente, corra! Unicórnios nunca são bons. – O mago puxou o seu capuz e começou a fazer movimentos circulares sobre o mesmo. – O mago Crispim me deu algumas coisas para usar durante a batalha. Pena que eu fiquei lá dentro com Zecus e esqueci que existia uma luta mortal aqui fora. Bem, achei alguma coisa.

Ele começou a fazer caretas enquanto puxava um objeto branco de dentro do capuz. Ele tinha o formato de uma esfera, mas bastante grande e ovalada. Só então Samyra percebeu que a esfera era um ovo gigante. O mago coçou a cabeça, tentando lembrar para que ele usaria um ovo. Até que virou-se para o manipulador.

– Zecus, você foi o guerreiro que perdeu a capacidade de enxergar. Se não me engano, devo dar isso a você. Eu acho que sim... Enfim, pegue o ovo e trate-o com carinho, você deve cuidar da criatura que irá nascer dele.

O jovem ficou apreensivo. Como iria cuidar de um animal se ele mesmo estava cego? O rapaz sentiu as mãos de Luc segurando as suas e posicionando-as em cima do ovo. Zeca levou um susto quando isso aconteceu. Ele sentiu uma energia diferente passar pelas suas mãos; conseguiu sentir o filhote que nascia ali dentro. Era capaz de perceber o coração da criatura batendo aceleradamente, os olhos tentando se abrir dentro daquela esfera, as patinhas arranhando as paredes do ovo.

– Muito obrigado, Luc. Eu cuidarei bem do animal.

– Certo. Agora vamos ver mais o que temos aqui dentro... – Luc enfiou a mão no capuz como se fosse uma bolsa e começou a agitar o braço para lá e para cá. Finalmente, tirou uma varinha bastante cumprida, com um furo em uma extremidade e uma pedra vermelha na outra. – Isso daqui deve ser usado quando o mal já não fizer presente e a maldição precisar ser quebrada. Hum... Eu acho que não tem nenhuma pessoa má aqui perto, não é?

Ele olhou ao redor e Samyra balançou a cabeça negativamente. Luc então girou a pedra vermelha e o objeto começou a irradiar uma luz forte. Em seguida, Samyra gritou desesperada porque o seu cabelo começou a ser puxado em direção a varinha, entrando no furo de um extremidade e se enrolando na madeira. Ela ficou toda troncha, berrando e batendo as mãos na varinha.

– Você quer me deixar careca?! Faça isso parar agora mesmo! – Ela gritou furiosa. Luc entrou em desespero instantaneamente, sem entender por que o mago Crispim lhe daria um aparelho para arrancar cabelos. Luc girou a pedra na outra direção e a varinha parou de funcionar.

– Sinto muito, majestosa rainha! Eu realmente não sabia que essa varinha iria fazer isso. – Ele ajudou Samyra a desenrolar o cabelo da varinha. Alguns fios ficaram presos no objeto, mas nada que fizesse a rainha precisar usar chapéu pelo resto da vida. – Eu não entendo. Para que o mago Crispim me daria isso? Será que ele queria ser o novo cabelereiro da corte?

Samyra alisou o cabelo, averiguando que estava tudo bem. Ela ficou irritada com o que aconteceu, mas respirou fundo. Precisava manter a compostura. A moça refletiu sobre a utilidade do objeto e finalmente percebeu para que ele iria servir.

– Você chegou tarde demais. Essa varinha seria útil para encontrar a joia que controlava a maldição. Provavelmente a feiticeira má tinha um fio de cabelo meu preso naquele anel. Eu fui até o aposento dela, mas não achei nada meu por lá porque ela guardava o anel no lugar mais seguro: seu próprio corpo.

– E o que aconteceu com o anel?

– Marcelo quebrou. Por isso que a maldição se desfez e eu poderei governar em paz. – Contudo, a expressão no rosto de Luc não era boa. Ele parecia que tinha engolido um sapo. – O que foi?

– Ele destruiu o anel? Como assim? Isso é terrível! O menino do portal não deveria fazer isso, com o que ele estava na cabeça?

O mago começou a andar em círculos, nitidamente perturbado. Ele encarou Marcelo durante algum tempo, como se tentasse encontrar uma resposta para suas perguntar no rosto babado do dorminhoco. Depois encarou Samyra.

– Você deveria ter controlado o garoto, ele fez a maior besteira da vida dele! Na verdade, a maior besteira da vida de todos! Eu preciso me encontrar com o mago Crispim, providências devem ser tomadas. Isso não é bom, não é bom... O jovem precisava ter pensado antes e não agir por impulso. Ai, ai, ai...

E o mago saiu correndo para a entrada principal do castelo, tropeçando na sua própria roupa e quase caindo. Ele olhou para trás para encarar Marcelo uma última vez e bateu a cabeça na porta do castelo. O magrelo massageou a testa ferida, depois conseguiu abrir a porta para partir.

A rainha Samyra ficou aflita com o mago. A reação dele não foi boa e ela tinha a mesma sensação ruim desde que a batalha terminou. Alguma coisa muito errada estava acontecendo, ela conseguia sentir isso. Os seus pensamentos foram interrompidos quando Natália se aproximou com Jorge apoiando-se em seu ombro.

– Rainha Samyra, eu estou muito grata por toda a ajuda que você nos deu. – A curandeira disse, sorridente. – As equipes 5 e 8 já foram levadas para a Escola de Guardiões. Guilherme e Pâmela, apesar de feridos, conseguiram me ajudar a levar os outros aliados em condições piores. Nós já estamos indo para casa.

– Eu que agradeço a ajuda. – Samyra falou com sinceridade. – Se não fosse por vocês, eu estaria sendo servida como jantar para uma tribo canibal. Muito obrigada!

As duas se abraçaram como antigas amigas. Samyra ajudou a carregar Marcelo até o portal, onde Pâmela esperava com uma expressão severa no rosto.

– Caramba, vocês são muito mole mesmo. Será que poderiam demorar mais? Eu nem estou cansada depois de quase cuspir as minhas tripas. E o que é isso nas mãos do meu irmão? Ele ganhou um ovo de avestruz como agradecimento por ter ficado cego para salvar vocês? Estão de brincadeira comigo, só podem...

Ela foi até Zeca e o ajudou a caminhar para o portal, partindo para o outro mundo. Jorge estendeu a mão para Samyra.

– Foi um prazer trabalhar com a senhora. – Ele apertou a mão da rainha.

– O prazer é todo meu. E tomem cuidado de Marcelo, ele parece bastante mal.

– Não se preocupe, esse dorminhoco aí vai direto para a enfermaria quando a gente chegar. – O bárbaro respondeu.

– Você não quer conhecer a Escola de Guardiões? Daria uma ótima manipuladora com as suas habilidades especiais. – Natália fez um pedido inusitado. Samyra sorriu, mas precisou recusar.

– Eu tenho todo um reino para colocar em ordem. Não posso ir agora, mas talvez faça uma visita algum dia.

– Você sempre será bem-vinda lá. – A curandeira ajeitou Marcelo em seu ombro. – Estamos indo. Adeus!

Eles se despediram e passaram para o outro mundo. Poucos minutos depois, o portal se fechou.

A rainha girou seu corpo na direção do castelo. Os passos eram firmes, seu olhar mudava de direção como um falcão analisando o terreno. Várias barracas estavam destruídas, havia mancha de sangue no chão e armaduras quebradas. A rainha subiu os degraus que dava para a entrada do castelo onde Therina aguardava-a com alegria.

– Boa noite, rainha Samyra! Todos os cidadãos já estão no salão principal esperando o seu pronunciamento. As cozinheiras prepararam o banquete de comemoração.

– Não temos tempo para festejar. O que aconteceu aqui, Therina, foi um presságio muito ruim. Eu não quero que meus cidadãos sofram novamente.

– Você está se referindo a temida guerra entre os mundos?

– Sim, esta é a única explicação. – Samyra admitiu, sentindo que algo mudara dentro de si. Ela não era mais a garota indefesa presa em corpo de velha; era sim uma rainha que precisava governar com sensatez. Ela prosseguiu. - Vamos fazer o banquete para as pessoas, comemorar a vitória, mas depois devemos começar a cuidar dos feridos e fortalecer o nosso exército. Quero que a idade mínima para ingressar nele seja de 14 anos. Devemos conversar com os estrategistas sobre novas táticas de guerra e ampliar nosso arsenal. Em breve, a temida guerra ocorrerá, trazendo desordem para todos os mundos. Precisamos estar preparados.

– Sim, senhora. Algo mais?

– Não, apenas diga aos cidadãos que o novo reinado de Samyra começou.



Notas finais do capítulo

E aí, curtindo Escola de Guardiões? Então você vai gostar da novidade!

Galera, eu criei uma história chamada Escola de Guardiões - Recrutamento, que retrata uma escola ambientada nos Estados Unidos. É uma spin-off de Escola de Guardiões e irá abordar outros personagens, com novas aventuras, desafios e vilões.

Sintam-sem à vontade para ler!

https://fanfiction.com.br/historia/667770/EscoladeGuardioes-Recrutamento/

PS: Escola de Guardiões - Recrutamento não terá ligação com a trama de Marcelo, Natália, Jorge e companhia. A fic é interativa, o que significa que os próprios leitores ajudaram na construção dos personagens, entretanto as vagas já estão fechadas para novas inscrições (infelizmente!). Boa leitura!