Escola de Guardiões escrita por Tynn


Capítulo 19
Especial: Zeca




A missão era simples: localizar o portal e fechá-lo antes que alguma criatura entrasse nesse mundo. Zeca estava acostumado a fazer isso junto com Natália e Jorge, seus parceiros de equipe. Eles seguiram o GPS do celular para localizar o portal, chegando a um estreito corredor no centro da cidade do Recife. O problema era que a criatura do outro mundo já estava aqui e queria devorar um menino fedorento.

Geralmente, lagartos-come-lixo não são agressivos. Aquele parecia estar sobre efeito de drogas ou muita pressão. O fato é que a equipe 4 não estava preparada para lidar com algo assim, e o pobre Zeca foi arremessado para outro mundo, caindo em um lugar tenebroso.

O rapaz embolou no chão ao passar pelo portal. Ele demorou alguns segundos para se recuperar, sentindo a luz do sol forte em seus olhos. Zeca levantou-se, reparando que estava cercado por soldados de espada. Existiam cinco homens mal encarados apontando lâminas para ele, enquanto outro, um pouco mais magro e de tatuagens, alisava o lagarto-come-lixo.

– Muito bem, criaturinha. Quem é o queridinho do papai, hein? Quem vai ganhar ovo podre como sobremesa do almoço de hoje?

Zeca ficou com nojo da cena, mas resolveu não interferir aquela relação tão íntima. O manipulador puxou um par de adagas, girando o corpo para analisar a situação. Estava em uma estrada de areia, com florestas densas ao redor. O local não parecia muito diferente da terra, a não ser pelas carruagens e as armaduras antigas. Talvez fosse uma época mais antiga.

– Guardas, peguem essa menino asqueroso e levem-no para o castelo. A rainha vai adorar a surpresa! – O mais magro, que usava uma calça preta colada e camiseta cinza, andou até Zeca. – Só para constar a minha vitória, você é o menino do portal?

– Eu sou Zeca. Você deve estar me confundindo com outra pessoa.

– Raios! Não era esse o nome que a rainha tinha me dito! – O rapaz virou-se furioso para o lagarto-come-lixo, que fez uma expressão de medo. – Seu estrupício! Não serve para nada mesmo! Oras, me trouxe o humano errado! Maldito... Guardas, levem ele assim mesmo!

Os soldados começaram a se aproximar de Zeca, com as espadas em mãos, entretanto o garoto não deu nem um passo para trás.

– Vocês não irão querer me levar... – Disse, com paciência. – Eu sinto que a energia daqui é muita pesada, vocês parecem estar cansados de toda essa vida como guerreiros. Devem estar com saudade de um bom descanso, não é? Por que vocês não me contam como vivem, para que eu possa ajudar? A violência não é a solução.

Os soldados assentiram para Zeca, alguns parecendo confusos com a troca de valores que passaram a ter. Eles olharam um para o outro e tiraram o elmo de guerra, contando sobre suas vidas. Um tinha uma esposa muito nova e sentia falta de não poder passar mais tempo com ela. Desde que a rainha resolveu ser mais severa, o tempo de trabalho aumentou muito. Outro guerreiro concordou, sentindo falta da sua mãe. E, aos poucos, todos pareciam bons amigos. O mais magro olhou para tudo atônico.

– Idiotas! Idiotas! – Gritou, puxando a orelha de cada um. – Vocês estão sendo manipulados por esse esquisitão aí! Se liguem, parem de ser tão cabeça oca!

– Eles não vão te escutar. – Zeca falou, triunfante. – Aposto que você também gostaria...

– Eu não gostaria de nada! Eu sei como manipular animais asquerosos e conheço os truques. Se eles mesmos não vão te levar, eu farei o trabalho sujo.

O rapaz puxou a espada da bainha nas costas e atacou Zeca furiosamente. O manipulador defendeu o golpe com a adaga, e logo teve que defender de novo. Zeca percebeu que um grupo grande de lagartos começa a se aproximar, mirando aquela luta que parecia empatada. O inimigo sorriu repentinamente e deu uma rasteira em Zeca. Ao cair no chão, o manipulador sentiu seu braço ficar preso embaixo do corpo do lagarto-come-lixo. Aqueles bichos fediam!

Vários daqueles animais passaram a ir para cima de Zeca, que nada podia fazer deitado no chão. A manipulação do soldado começava a passar e eles voltaram a ter uma posição agressiva, puxando a espada e encarando o menino. O mais magro ficou na frente de Zeca, colocou os braços na cintura.

– Só para você saber, docinho, meu nome é Tronky.

Com um golpe firme na cabeça, Zeca foi nocauteado e viu só uma imensidão negra.

Ele acordou preso em uma cela. As mãos estavam amarradas a uma corrente na parede, os pés estavam descalços. Eles não conseguiram tirar a pulseira da escola de guardiões, mas o menino não sentia mais o celular no bolso. Ele viu que existiam outras celas com prisioneiros, apesar de não existir mais ninguém na cela de Zeca. Dois guardas vigiavam o lugar.

– Ei! – Zeca gritou, cansado. O garoto estava com medo do andamento das coisas, mas acreditava que tudo iria dar certo, portanto que fizesse a sua parte. Ele sempre acreditou nas forças da natureza e em como poderia usá-las para sair de situações difíceis. Era assim que conseguia forças para manipular: com a ajuda dos cosmos. O menino apelou. – Eu estou com um pouco de sede, será que você poderia me dar água. Eu posso morrer aqui...

– Não escute ele! – Um dos guardas disse. – Eu soube que ele é um bruxo. Parece que pode fazer você de marionete.

– Eu posso ouvir vocês! Por favor, não estou pedindo muito. Vocês devem ter piedade de prisioneiros como eu. Na verdade, aposto que nunca quiseram trabalhar aqui, devem estar sendo forçados.

Um guarda olhou para Zeca e isso foi o suficiente para que o garoto pudesse usar a sua manipulação. Com uma troca de palavras, o guarda já estava andando até o molho de chaves e tentando abrir a cela de Zeca.

– Você está sendo enfeitiçado! – Gritou o outro, puxando a chave. – Acorda! Acorda!

Disse ao dar tapas na cara do companheiro. Zeca tentou o tempo todo encontrar os olhos do carcerário, apelando intimamente para que conseguisse encarar os olhos do outro guarda por um segundo. Ele conseguiu e assim podia manipular os dois soldados.

– Vocês devem querer me soltar daqui, já que eu sou uma pessoa boa. Terá recompensa para quem fizer o bem, sempre. A natureza agradece.

Eles abriram a cela e deixaram Zeca livre para fazer o que quisesse. A primeira coisa que o rapaz fez foi olhar para o redor. Ele sempre se importou muito com as outras pessoas e quando dizia que a violência não era a solução, realmente acreditava nisso. Nunca quis lutar, fazia isso porque algumas vezes era necessário. E por Pâmela, já que o sonho dela era ser uma guardiã.

O rapaz pediu para que o guarda abrisse as celas, mas deveria começar com uma cela em especial. Existia uma velhinha presa dentro dela, mas a senhora tinha algo de especial. Era como se estivesse sendo manipulada, ou pudesse manipular. Zeca não conseguia entender muito bem, mas aquela velhinha não era uma velhinha qualquer.

– Por favor, soltem aquela prisioneira e caminhem com ela para fora daqui. Assegurem-se que ela poderá ser livre, pois uma senhora daquela idade não merece passar os últimos dias numa prisão. Sejam bondosos.

Eles tiraram a idosa da cela, que parecia não entender o que estava acontecendo. Entretanto, Zeca não teve tempo de conversar porque precisava descobrir onde estava o seu celular, para ligar para Lulu e pedir um resgate. Ele precisava ser rápido porque Tronky poderia chegar a qualquer momento. O manipulador encontrou um armário com várias armas medievais e com sorte o seu celular estaria ali. Ele escutou o barulho da porta se abrindo.

– Já soltaram a senhora em segurança? Que bom, pois agora vocês terão outros prisioneiros para libertar!

Ele disse ao pensar que fosse os guardas de antes. Ao virar-se, contudo, Zeca foi surpreendido com um murro de Tronky, que o atingiu bem no rosto, e depois foi arremessado para a cela novamente. O garoto cambaleou e ralou o braço no chão. Antes que pudesse se levanta, Troky o chutou e prendeu as mãos de Zeca.

– Fique sabendo que eu conheço todos os seus truques e sei como vencê-lo! – O inimigo disse, até que virou para o lado e ficou pálido. – O que aconteceu com aquela velhinha?

– Eu a libertei! Você também não quer...

– O QUE VOCÊ FEZ?

O espanto de Tronky era tanto que até Zeca ficou preocupado. O rival começou a olhar para os lados, desesperado, e depois fitou furiosamente o rosto de Zeca. Uma veia na testa de Tronky saltou.

– A rainha não ficará feliz com isso. Não mesmo!

Ele pegou um pano e colocou sobre os olhos de Zeca, deixando-o sem enxergar nada além da escuridão.

Dali em diante Zeca percebeu que tinha feito a coisa certa ao libertar a idosa, porque alguém apareceu lá bastante furioso. Ele escutou uma voz feminina esbravejar ao ver a cela vazia. Tronky deu uma gargalhada ao sugerir o castigo que Zeca deveria merecer. A voz feminina, que deveria ser da rainha Samyra, concordou com a ideia e a escuridão nos olhos de Zeca passou a fazer parte de sua vida, depois que um vapor forte atingiu seus olhos. Ele não conseguiu enxergar quem fazia isso, mas não importava. Zeca não guardava rancor das pessoas e se sentia bem por ter salvo uma velhinha que incomodava tanto seus rivais. Principalmente porque ela tinha um colar de safira preso ao pescoço.



Notas finais do capítulo

Lulu entrevista Tynn!

(Lulu está sentado no seu laboratório. Tynn entra embaixo de aplausos gravados. Ele se senta perto de Lulu.)

Lulu: Estamos aqui com Tynn, o escrito dessa história interessantíssima!

Tynn: Er... Oi!

Lulu: Então, os leitores querem saber, você abandonou a história? Por que fez isso?

Tynn: Eu não abandonei, eu estava muito ocupado com a faculdade. E acho que tive uma espécie de bloqueio criativo. Quero pedir desculpa a todos os leitores por isso.

Lulu: Mas agora você vai voltar a escrever?

Tynn: Pode apostar!

Lulu: E como surgiu a ideia de escrever uma história tão louca?

Tynn: Faz muito tempo que eu criei o universo da Escola de Guardiões, mas não tinha ideia de como criar um roteiro com aquilo, uma aventura com começo, meio e fim. Até que eu procurei na internet e estudei um pouco sobre a jornada do herói e como seria uma narrativa nesse estilo.

Lulu: Que legal. E você só vai escrever esse livro?

Tynn: Não, a ideia é escrever uma trilogia, com algumas spin-off...

Lulu: Algo sobre mim?

Tynn (risos): Não, Lulu. Mas estou pensando em escrever uma história centrada em Pâmela. Eu realmente acho que ela tem potencial.

Lulu: E como eles derrotarão a feiticeira malvada? Marcelo é do mal? A escola vai acabar? Eu vou morrer?

Tynn: Eu não posso contar essa coisas...

Lulu (puxando a manga da camisa de Tynn): MAS VOCÊ TEM QUE CONTAR! POR FAVOR!

Tynn: Isso é tudo por hoje. Desculpa...

Lulu: Está bem... Bom, até mais pessoal!!