Escola de Guardiões escrita por Tynn


Capítulo 11
Especial: Enquanto isso na Escola de Guardiões - Equipe 5




Na Escola de Guardiões, Pâmela estava determinada a fazer algo pelo irmão. Ela teve uma séria conversa com o diretor, ao qual recebeu uma punição de um mês em que deveria lavar o banheiro feminino. Além disso, não poderia mais andar pela escola com o seu chakram. Lógico que ela era mais esperta e sabia como esconder bem a arma.

Depois de assistir as duas aulas matinais, a garota entrou no elevador e apertou o botão para o 9º andar. Era lá onde as pesquisas mais avançadas da escola são realizadas. A menina manteve-se calma, até que Mariana entrou no elevador.

– Bom dia.

– Bom dia – Pâmela respondeu, rispidamente.

– Está indo para alguma missão? – Mariana indagou. A menina era uma das mais novas da escola, com apenas 11 anos de idade, e sempre usava um vestido longo e branco, parecendo mais uma boneca. Entretanto, não se deve iludir com a sua aparente imaturidade, Mariana era uma das curandeiras mais poderosas da escola.

– Não. Eu vou falar com Lulu. Ele disse que tinha notícias sobre a missão de resgate do Zeca – A manipuladora inventou.

– Eu soube o que aconteceu. Meus pêsames.

A menininha saiu no andar que dava aos dormitórios e Pâmela respirou aliviada. Por sorte, não iria chamar a atenção de mais ninguém.

Quando chegou no andar nove, ela viu vários cientistas andando de um lado para o outro, quase sempre ocupados com inúmeros papeis e pranchetas em mãos. Eles conversavam pouco; pareciam não se importar com o mundo ao redor, além de seus cálculos e pesquisas. A manipuladora foi até a sala onde um duende verde, agitado, corria de um lado ao outro, monitorando vários computadores ao mesmo tempo.

– Bom dia, Lulu! – Pâmela forçou o bom humor.

– Bom dia, Pâmela! Vejo que a senhorita está mais alegre hoje. Desejou até bom dia! O que houve?

– Nada... Eu só queria saber como andam os sinais vitais da equipe 4. Sabe, de Natália, Jorge e... Marcelo. Você os monitora através da pulseira, certo?

– Você está corretíssima, Pâmela! Fico feliz por estar interessada no bem dos seus companheiros. Todos da escola precisam se unir para serem pessoas melhores.

O duende correu até um computador, onde digitou algumas letras rapidamente. Na tela, apareceu a foto de cada um dos membros, assim como vários dados ao lado da imagem. Pâmela pôde ver a temperatura do corpo, os batimentos cardíacos e a pulsação do coração, entre outros. Ela fingiu que estava interessada naquilo, enquanto via Lulu andar até outro computador, anotando vários números em uma planilha. A garota maquinava o seu plano na cabeça. De repente, voltou-se para o cientista.

– Está tudo bem com eles até o momento, correto?

– Corretíssimo! – Lulu adorava essa palavra. – Eles estão formando uma bela equipe, apesar do celular de Marcelo não estar funcionando mais. Deve ter se quebrado em alguma distração do rapaz. Coitado... Não se preocupe, eles vão salvar Zeca!

– Lulu, demora muito para abrir um portal até lá?

– Agora que eu já tenho as coordenadas, não mais do que um minuto! O primeiro portal sempre demora, por causa do número de variáveis que existem para ir a um mundo desconhecido. Mas o mundo onde a equipe 4 está deixou de ser desconhecido há um bom tempo! Você está preocupado com a volta deles à escola. Que legal!

A garota foi até a porta da sala e a fechou lentamente, sem chamar a atenção de Lulu. Depois, sentou-se em uma cadeira, esperando que a criaturinha verde parasse de correr, sempre monitorando milhares de equipamentos ao mesmo tempo. Lulu só reparou que Pâmela permanecia na sala quando a garota começou a agitar os braços, implorando sua atenção. O duende, pobrezinho, foi até ela sem saber no que ia se meter.

– Lulu, preste bem atenção no que eu vou dizer – e os olhos arroxeados de Pâmela ficaram ainda mais intensos. A pupila dela diminuiu, deixando a jovem ameaçadora. – Eu quero que você me diga o que sabe sobre Marcelo. Por que o diretor o escolheu para a missão em vez de mim?

– O diretor estava esperando Marcelo há muito tempo. Ele conversava comigo sobre o assunto, dizendo que um garoto muito poderoso estava perto de ingressar na escola, mas precisava ser cauteloso em relação ao tal garoto, pois tanto o mal supremo quanto o bem extremo vive dentro daquele rapaz. Ele pode mudar o mundo, para o melhor ou o pior. O diretor escolheu Marcelo porque este era o destino do menino. Foi em Nallük que a mãe dele nasceu e é lá que Marcelo precisa descobrir a verdade sobre seu destino.

O cérebro de Pâmela trabalhava sem parar. Tudo fazia sentido, apesar de não saber qual era o dom especial do garoto. Mas só pelo fato dele não ser afetado pela manipulação dela, aquilo já significava muita coisa. A garota continuou utilizando o seu dom no duende, que nada percebia.

– O que mais sabe sobre ele?

– Isso é tudo que eu sei.

– Ótimo. Agora, abra o portal para o mundo onde meu irmão foi enviado e deixe-me viajar até lá.

O duende correu para uma máquina e digitou vários comandos. Um dispositivo no meio da sala começou a brilhar, formando um portal esverdeado, que brilhava intensamente. Ela olhou para o duende, vendo que ele não parava de apertar botões.

– Você tem apenas dois minutos para ir – Lulu avisou.

Ela deu um passo à frente, certificando-se de que não teria ninguém além dos dois na sala. A garota abaixou-se e encarou o duende, utilizando a sua manipulação novamente.

– Esqueça-se de tudo o que aconteceu aqui.

– Corretíssimo, senhorita!

O portal quase chegava ao teto. A garota parou diante dele, pronta para pular, quando duas mãos de macaco puxaram a sua cintura e empurrou Pâmela para longe do portal. Ela esperneou e caiu em cima de várias cadeiras. Quando olhou para trás, encontrou Leandro encarando-a, o corpo parcialmente na forma de macaco.

– Me deixa em paz, Leandro! Eu vou salvar o meu irmão e você não tem nada a ver com isso!

– Eu tenho sim! Sou o seu parceiro, não deixarei você fazer essa loucura!

A garota deu um chute na barriga de Leandro, conseguindo caminhar novamente para o portal. Ele rapidamente se transformou em um pássaro e voou para frente dela, ficando entre Pâmela e o portal. Em seguida, voltou para a forma de humano, dessa vez tendo que ser forte para se esquivar dos murros da garota. A manipuladora olhou bem nos olhos de Leandro, pronta para usar a sua manipulação.

– Você não pode fazer isso. – Ele avisou. – Eu sou seu colega de equipe, isso é contra todas as regras da escola.

– Eu não tenho escolha, Leandro. Você não escutou o que Lulu disse. Marcelo é uma pessoa perigosa, ele trará o mal para a escola.

– Eu não acredito!

Leandro empurrou Pâmela, fazendo-a ficar vermelha de tanta raiva. Ela encarou o aliado e suas pupilas ficaram menores, o roxo dos olhos mais vivos do que nunca. O garoto a encarou, sem medo do que pudesse ocorrer em seguida.

– Leandro, você deve...

De repente, uma mão grande e pesada puxou Pâmela pela barriga e a ergueu do chão como se fosse uma boneca de pano. Ela começou a estapear o ombro musculoso do rapaz, em vão. O homem tinha mais de dois metros de altura e o corpo possuía várias cicatrizes. Ele saiu da sala, precisando se abaixar para passar pela porta, e andou no corredor com a garota sendo carregada como uma menina trelosa. Pâmela viu Leandro atrás dela, nitidamente abalado pela conversa, mas satisfeito por ter avisado a Betão o que iria fazer.

– Seu covarde! Não consegue fazer nada sozinho, né? – Pâmela berrou.

– Ele faz parte do nosso time e se preocupa muito com você. Agora vê se para de ser irritante!

– Você vai contar ao diretor?

– Não. Nós somos uma equipe e devemos agir como tal. Mesmo quando alguém faz algo incrivelmente estúpido. Né, não?

Betão entrou no elevador e colocou Pâmela no chão. Ela cruzou os braços, furiosa, encostando-se ao espelho do elevador. Leandro apertou o botão do 3º andar. Era lá onde o próximo treinamento iria começar e os três precisariam estar para o trabalho em equipe. Talvez Pâmela não fosse a garota mais legal do mundo, nem mesmo a mais feliz, mas sabia que possuía bons amigos naquela escola, capazes de ajudarem-na quando estava enrascada. A ideia de viajar para o outro mundo e salvar Zeca com as próprias mãos não havia sumido, mas por enquanto que estivesse na escola, faria o máximo para aproveitar os momentos juntos de Leandro e Betão, a equipe número 5 e talvez o trio mais desajustado da Escola de Guardiões.





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