Between Bites And Kisses escrita por Isa Paçoquita


Capítulo 2
Tomo café com uma baixinha invocada


Notas iniciais do capítulo

Primeiro capitulo para vocês! Espero que gostem.

Bjs e boa leitura!!



P.O.V Tobias

Acordo meio dolorido e sendo observado por dois olhinhos azuis. Beatrice. Ela me observava com certo interesse e isso estava começando a me assustar. Me sentei meio sem jeito e a encarrei meio nervoso, com ela me encarando de volta.

Podia jurar que ela parecia determinada que aquele olhar dela fosse me fulminar, porque se pudesse iria. Levantei e me dirigi ate minha mochila de viajem, rezando para que ela não estivesse mais me olhando.

–Vamos sair em dez minutos, se arrume por favor– ela me olhou entediada e dobrou as cobertas que usei para dormir no sofá, colocando-os na mesa de centro.

O jeito de como executou as dobras e como se sentou no sofá me fez lembrar a minha mãe, sempre imponente e inalcançável. Ate mesmo as roupas delicadas e finas que ela estava usando a faziam parecer outra pessoa, comparado os trapos pretos e rasgados que usava quando a encontrei.

–Foi você que escolheu as roupas que estavam na mala?–perguntou e eu levantei uma sobrancelha para ela, que suspirou antes de perguntar de novo:

–Foi meu pai que te mandou, não é?

–Sim, foi ele. Foi ele também que arrumou a sua mala, levando em consideração que você não usa muitos panos, não é?

Ela riu um pouco, atirando a almofada em mim e saindo correndo pelo apartamento, em seguida. A louca iria tentar fugir, mas o pior era que ela era rápida pra cacete. A segurei antes que se jogasse da janela do sexto andar, coisa que tenho certeza que teria feito se não tivesse visto a tempo.

Amarrei ela de novo, jogando ela no ombro com uma mordaça por precaução, e sai do lugar o mais rápido possível, dando um aceno a Uriah e lembranças a família.

Ela era bastante forte para uma garotinha de um metro e meio vestida em roupas brancas e rosa. Como alguém poderia parecer tão diferente em questão de um banho. Quando a achei naquele boteco ontem ela estava com roupas inteiramente pretas, maquiagem pesada, cabelos coloridos, hoje estava parecendo a princesinha que pintaram para mim.

Como o silencio naquele carro estava de enlouquecer qualquer um, eu liguei o radio em ato de desespero. Pro meu azar estava passando 5 Seconds Of Summer, um insulto para os meus ouvidos acostumados ao punk.

Estava pronto para mudar de estação, quando ela me deu um tapa/soco, impedindo-me de escolher algo melhor. A fuzilei com o olhar, recebendo igual em troca. Em um movimento cômico, ela tentou cuspir a mordaça com aparente ódio. Tirei a mordaça dela e perguntei:

–Por que você me bateu?– ela pareceu meio triste um momento, mas se recompôs rapidamente antes de sibilar entre dentes.

–Eu curto esse tipo de musica e, já que foi você que sequestrou, acho justo eu pelo menos escutar a musica que quero.

Desgraçada. Era um bom argumento e fui obrigado a escutar aquele refrão triste, mas não tão triste quanto o olhar dela. Parecia como se todos os sentimentos dela fossem trocados pela mais pura tristeza, nas fotos que o Sr. Prior me mostrou ela parecia a pessoa mais feliz do mundo e...

–Porque meu pai mandou um caçador de recompensas atrás de mim, hein?– exclamou, me assustando e desviando minha atenção da estrada para aquela baixinha petulante– eu te fiz uma pergunta, custa tanto assim responder?

Eu ia responder a ela de forma mais mal-educada possível, mas a anta que vos fala soltou o volante, quase fazendo o carro sair da pista. E, naquele momento, tinha certeza que ela me achava um louco psicopata, por que uma risada involuntária veio da minha garganta e foi amplificada pela cara de desespero da loirinha.

–Não ri! Eu pensei que ia morrer!

Imagine você em seu carro, com a sua família, passeando tranquilamente, quando vê pelo retrovisor uma loirinha corada de raiva batendo no motorista com as duas mãos atadas enquanto ele ri descontroladamente. Era isso o que estava acontecendo, mas o pior era que eu vi uma menininha tirar foto de nós dois naquela situação.

Só paramos de atuar aquela cena degradante quando ouvi um ronco e vi ela apertar a barriga. Quase que automaticamente, entrei no primeiro retorno, como eu e meu pai fazíamos quando estávamos viajando.

–Onde estamos indo?

–É segredo

Podia sentir os olhinhos dela me fuzilando, mas eu já não estava mais lá. Estava pensando em como eu e meu pai saiamos para viajar pelo país, parando apenas para comer panquecas em um restaurante a beira da estrada. Só pensei nas consequências quando já estávamos estacionando, mas toda a minha preocupação já tinha ido embora quando vi aqueles olhinhos brilhando.

–Se você fugir eu vou te atropelar sem dó, feito?

Ela riu um pouquinho e estendeu as mãos para eu desamarra-la, fazendo uma careta quando teve que estender os pés. Abri sua porta torcendo para ela não fugir. E ELA NÃO FUGIU!

Ela simplesmente saiu com a mochila nas costas e me esperou trancar o carro, parecendo ate animada com a ideia ficar. Andamos lado a lado até uma das mesas ao fundo e pedimos um típico café da manhã americano, panquecas e um grande copo de cappuccino.

–Você ainda não me respondeu– franzi a testa para ela e tentei lembrar de qualquer coisa que disse, ou seja, nada– porque meu pai me quer de volta?

–Ele não me falou e eu não perguntei, mas ele não parecia muito feliz por você ter fugido.

–Meu pai nunca foi muito feliz na questão “ter que ser pai”–ela fez aspas com os dedos, conseguindo parecer a pessoa mais inocente da terra – por mim, esquartejava toda a raça dele. Cara, eu fui criada pelos empregados da casa porque, segundo ele, “ser pai” gasta muito tempo e como tempo é dinheiro, ele nunca ficava comigo.

–Então foi por isso que você fugiu, porque não tinha atenção?–ela me lançou mais um dos seus olhares fumegantes e deu um risinho.

–You know nothing, John Snow. Quando se é filha de políticos é necessário ser uma princesa perfeita, o que nunca fui.

Estava pronto para rebater quando a garçonete chegou e entregou nossos pedidos. Comemos num grande e gigantesco silencio, mas pelo jeito isso é uma questão de etiqueta.

Tínhamos acabado de pagar a conta, quando uma gangue de motoqueiros entrou, mas o mais estranho foi que a baixinha se encolheu todinha e se escondeu atrás de mim, como se eles mordessem. Deixei quieto ate entrarmos no carro e ela quase gritar:

–SAI DAQUI! SAI DAQUI!

Apenas olhei para ela e aqueles olhinhos arregalados. Não tinha como não dizer não para aquela assustada, mas fofa. Acelerei, deixando o restaurante para traz com as paranoias da pequena.



Notas finais do capítulo

E aí? O que acharam dele?
Não queria degradar a imagem dos motoqueiros, mas unicórnios entrando em uma lanchonete séria bem estranho, então coloquei eles e a pergunta é:
Quem são? De onde vem? O que fazem?

Bjss 4Ever's e até a próxima!



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