Papo Calcinha escrita por Arisusagi


Capítulo 1
Capítulo Único


Notas iniciais do capítulo

Eu não consegui tirar a ideia de fazer um TadoMaki universo alternativo Genderbend/ Rule 63.Comecei a escrever essa fanfic desde o dia primeiro de janeiro e terminei agora(com a segunda fase da fuvest e uma viagem no meio), levei mais tempo que o normal porque queria que ficasse tudo ~*~Lindo e Perfeito~*~, e acho que ficou bom. Observação: Tadokoro mora na padaria da família, tipo a Nagisa de Clannad.



Tadokoro estava ansiosa, muito ansiosa, e ela sabia que não tinha motivo para estar assim.

Era só uma tarde de estudos com a sua melhor amiga― não era nem a primeira vez que ela viria a sua casa― mas ela sentia que ia desmaiar só de imaginar que Makishima estaria ali dentro de alguns minutos.

Ela se arrumou tanto que nem parecia que ia ficar dentro da própria casa. Tadokoro nunca tinha passado tanto tempo escolhendo a roupa que ia vestir ― no fim ficou com sua camiseta preferida do ursinho Pooh e uma bermuda de ciclismo preta― e ela estava até mesmo usando sutiã (!!!) e desodorante.

O quarto estava arrumado ― aquela pilha de roupas que estava entre a cama e o armário há alguns meses desapareceu tão rápido que ela se sentiu meio otária por não ter feito isso antes―, e a sala também, mas ela tinha a sensação de que nenhuma faxina deixaria sua casa limpa o suficiente para receber alguém como Maki.

Makishima era uma menina fina, poderia até ser uma princesa, se não fosse pela sua falta de habilidades sociais. Ela estava sempre arrumada, maquiada, bem vestida (se bem que o seu gosto para roupas não era lá essas coisas) e sempre muito perfumada, mesmo depois de uma corrida― era como se ela suasse perfume ou coisa do tipo.

Tadokoro nunca se importou muito com a sua aparência. Ela sempre foi grande, sempre gostou de comer, e nunca viu nenhum motivo para mudar seu corpo. Seu cabelo era curto, porque cabelo comprido embaraçava demais e a deixava com calor no verão. Ela tentou usar maquiagem uma vez, mas o resultado não a agradou tanto assim e o rímel fez seus olhos coçarem.

Os meninos sempre zombaram dela na escola, mas nada que alguns socos não resolvessem. Ela não tinha a mínima vontade de chamar a atenção deles mesmo. Ela também não ligava para os boatos que corriam por aí de que ela era lésbica, até porque eles não eram tão falsos assim.

É claro que essa quedinha (inha?) por Makishima a deixou meio insegura. Ela não tinha certeza da orientação sexual de Maki, mas sabia que ela tinha uma coleção de revistas de modelos masculinos e falava abertamente sobre isso. E mesmo que gostasse de meninas, ela com certeza preferiria aquela magrela da Hakone que a telefonava pelo menos três vezes por dia.

Kinjou era a única pessoa que sabia sobre isso ― se bem que Naruko estava fazendo muitas insinuações ultimamente, talvez ela tivesse percebido. A capitã fazia o possível para ajudá-la, embora Tadokoro não soubesse falar sobre sentimentos. Ela queria muito se declarar, mas nunca encontrava o momento certo para isso (na verdade, ela já tinha quase certeza de que seria rejeitada).

―Jin!― sua mãe gritou do andar de baixo. ―Sua amiga chegou!

Tadokoro pulou da cama e desceu as escadas correndo. Ela tinha que chegar lá antes que sua mãe começasse a oferecer comida.

―Pega um, Maki-chan! ― Tarde demais. Ela estava com uma bandeja de anpan, tentando convencê-la a comer alguma coisa. Era por isso que Tadokoro não gostava de trazer suas amigas em casa.

―Não, obrigada, eu acabei de almoçar...

―Mãe, isso é pros clientes! ― Tadokoro se apressou para tirá-la de lá antes que sua mãe arrumasse outro lanche. ―Nós vamos estudar no meu quarto, tá?

Makishima estava muito bonita (como se ela precisasse se esforçar pra ficar assim). A regata listrada de laranja de rosa não combinava nem um pouco com o short verde de estampa tropical, mas aquelas roupas ficavam incrivelmente bem nela.

―Você não acabou de almoçar, né?― Tadokoro fechou a porta do quarto.

―Não mesmo ― ela riu, colocando a bolsa roxa sobre a cama. ―, só não estou com fome.

Por isso que Tadokoro preferia estudar na casa de Makishima. Primeiro porque ela morava em uma mansão, e sua geladeira estava sempre cheia daquelas comidas chiques de gente rica. E segundo porque os pais dela estavam sempre fora― num período de três anos, Tadokoro podia contar nas mãos quantas vezes ela os viu, e eles não pareciam ser muito simpáticos.

―Você precisa das anotações de inglês, não é?― Elas espalharam os livros e cadernos pela mesinha. ―Daquela aula que o professor te colocou pra fora por dormir.

―É, e essa aqui é a tarefa de matemática. ―Tadokoro circulou uma série de números no canto da página com sua lapiseira. ― Eu tentei fazer, mas acho que fiz errado.

Elas ficaram em silêncio. Tadokoro tentava decifrar a caligrafia confusa de sua amiga, que mais parecia um monte de rabiscos coloridos. Makishima tinha um monte de canetas, talvez mais de 20, e Tadokoro nunca entendeu pra que ela precisava de tantas. Mas até que suas anotações ficavam bonitinhas assim, coloridas e cheias de glitter.

―Que letra é essa?

―É um o.

―Tem certeza? Parece um d.

―Fui eu que escrevi isso aí, é um o.

Depois de copiar duas páginas, Tadokoro se cansou e começou a divagar, pensando em qualquer outra coisa que não fosse inglês. Ela começou a pensar sobre sua bicicleta, e como a marcha da direita estava fazendo um barulho esquisito, e que talvez ela precisasse passar na loja dos Kanzaki para ver o que era.

E aí seus olhos pararam na menina sentada na sua frente.

Makishima encarava o livro de matemática com mais desprezo que o normal, fazendo contas bagunçadas nos cantinhos das páginas. Ela não estava usando muita maquiagem hoje, então aquelas duas pintinhas em seu rosto estavam bem visíveis, normalmente elas quase sumiam debaixo de corretivo e base. Makishima ficava bonita com ou sem maquiagem, mas aquelas pintinhas podiam ficar descobertas com mais frequência.

Ela também tinha uma postura horrível, estava sentada com as costas curvadas e os cotovelos apoiados na mesa. Daquele ângulo dava para ver dentro de sua blusa.

Makishima sempre usava sutiãs ridiculamente coloridos. O de hoje tinha estampa de zebra azul e vermelha e rendas amarelas fluorescentes ― onde ela comprava essas coisas?

Seus seios não eram muito grandes, deviam ser do tamanho A, no máximo B. Eles eram branquinhos, e tinha uma pinta no esquerdo. Não que Tadokoro estivesse olhando. Bem, na verdade ela estava olhando, mas como não olhar?

Eles também pareciam ser macios e, porra, ela não devia pensar sobre isso.

―Tadokorocchi?― Ah não, ela percebeu e puxou a gola regata para cima. ― O que foi?

Agora Maki achava que ela era uma pervertida, que legal.

―Nada! Não foi nada! É só que... ― Eu tava olhando pros seus peitos ― Eu tava pensando que... Deve ser fácil achar sutiãs coloridos do seu tamanho.

Mas que ótima desculpa, Tadokoro!

―É, porque no meu tamanho eu só acho bege e preto... ― Tadokoro não dava a mínima para a cor de seus sutiãs, até porque, ela odiava usá-los. Assim, era legal ter peitos, mas ter que usar aquele negócio apertado o dia inteiro era um saco, ainda mais durante o verão.

―Ah, é. A maioria dos sutiãs do meu tamanho são coloridos ― Makishima não parecia estar realmente acreditando no que ela disse. ―, é difícil achar algum que não apareça demais debaixo de camisa branca.

Disso Tadokoro sabia. Não era raro Makishima aparecer com uma sombra verde limão na camisa do uniforme. Era até engraçado ver por quantos dias seguidos ela usava o mesmo sutiã (no máximo, três dias).

Agora elas estavam em um silêncio desconfortável. Makishima olhava para o seu livro de matemática, mas não parecia estar lendo. Talvez ela estivesse incomodada com o que aconteceu, mas estava com vergonha de reclamar. Suas bochechas também estavam meio rosadas, e Tadokoro não tinha certeza se elas já estavam assim quando ela chegou (será que era blush?). Ela pensou em perguntar, mas achou melhor calar a boca e copiar aquelas anotações de inglês de uma vez.

―Jin!― Sua mãe berrou do andar debaixo. ―Vem cá!

―Já volto. ― ela murmurou, fechando o caderno.

Sua mãe estava na padaria, embalando um rocambole para um cliente.

―Tem uns pães no forno, acho que estão quase prontos, você pode dar uma olhada?

―Tá. ―Tadokoro foi para a cozinha e abriu o forno. Os pães ainda estavam muito claros, podiam ficar lá por mais alguns minutos. ― Cadê o pai?

―Foi no mercado. ― Ela entrou na cozinha e pegou um bolo decorado que estava sobre o balcão. ―Põe esses biscoitos nas bandejas, por favor?

Tadokoro pegou uma espátula e começou a desgrudar os biscoitos da forma. Seria mais fácil se a folha antiaderente estivesse no fundo da assadeira, mas sua mãe provavelmente se esqueceu de colocá-la.

Os biscoitos eram de chocolate com nozes e gotas de chocolate branco, seu preferido. Ela teve o cuidado de quebrar alguns “acidentalmente” para poder pegar os pedaços.

Ela os arrumou na bandeja e levou para o balcão expositor. O único cliente que estava ali já estava guardando seu troco e se preparando para ir embora.

―Eu posso cuidar dos pães agora, pode voltar para lá. ― disse sua mãe, tirando as luvas de plástico que usava.

―Ah é, alguns biscoitos quebraram, posso levar lá pra cima?

―Claro! Aproveita e leva um chá para a Maki-chan, também tem torta e bomba de chocolate.

―Não ― Era um lanche e não um banquete, caramba.― ,só o chá já tá bom.

Tadokoro passou os biscoitos quebrados para um prato e pegou uma garrafa na geladeira, e dois copos. Chegando à porta do quarto, ela pôde ouvir a voz de Makishima.

―Não!... Não vou... ― Ela devia estar no telefone com a Toudou. ― Não vou falar!

Era errado querer ouvir o que ela falava com aquela menina? Tadokoro decidiu ficar parada ali por mais algum tempo, só para descobrir o assunto da conversa.

―Por quê? Porque eu não quero!... Porque não, sho...Eu sei, mas eu não vou me declarar, deixa isso quieto que uma hora passa. ― Espera aí, então a Maki gostava de alguém que não era a escaladora da Hakogaku?― E o que a minha alimentação tem a ver com isso?!... Você não é minha mãe!

Tadokoro já sabia que rumo aquela conversa tomaria, então decidiu abrir a porta. Makishima soltou um gritinho e derrubou seu celular no chão. Tomara que não tenha quebrado.

―Tá tudo bem?― Ela pôs a bandeja sobre a mesinha.

―Claro que tá!― Maki parecia estar um pouco desconcertada. Ela pegou seu celular e o colocou em cima do livro de matemática. A bateria havia saído, mas ela não se preocupou em encaixá-la de volta. ― Eu só estava falando com a Toudou.

―Você não vai colocar a bateria?

―Melhor não, ela estava falando sobre o fã clube dela e provavelmente vai me ligar pra terminar a história. ― Ela deu uma risada desconfortável. ― Enfim, sua mãe mandou trazer isso?

­―Não, eu que quis trazer. ― Tadokoro se sentou ao seu lado. Ela percebeu que Maki estava mentindo sobre a conversa com Toudou, mas decidiu não perguntar. ― Pega um aí.

Elas comeram em silêncio. Makishima parecia estar incomodada. Ela batia as unhas ―pintadas de azul com estrelinhas douradas― contra a mesa freneticamente, e mantinha seu olhar fixo na parede à sua frente.

Tadokoro não conseguia parar de pensar no que Makishima havia dito a Toudou. Ela queria muito saber de quem Maki gostava, mas não dava para perguntar sem deixar óbvio que ela havia ouvido a conversa das duas. Ela podia confessar seus sentimentos e ver qual seria a reação dela― embora tivesse quase certeza de que não seria correspondida.

―Você... ―Ela estava tão focada em seus pensamentos que mal percebeu que Maki estava falando. ―Você ouviu a conversa, né?

­―Sim... ― Bem, se ela estava perguntando, não tinha problema falar a verdade. ― Você tá gostando de alguém?

Makishima balançou a cabeça afirmativamente, olhando para o marca-texto que rolava entre sua mão e a mesa. Tadokoro se segurou para não perguntar quem era, ela não queria parecer desesperada. Talvez Maki falasse espontaneamente, afinal, elas eram melhores amigas, não eram?

Mas ela não disse nada. Só ficou ali, rolando aquela caneta para frente e para trás. Ok, ela não ia falar nada se Tadokoro não perguntasse.

―Tudo bem se não quiser me falar quem é...

―É você. ― ela abaixou a cabeça e se escondeu atrás de seus cabelos. ― Eu gosto de você.

Ela o quê?

Tadokoro precisou de algum tempo para entender o que acabara de acontecer. Então Makishima gostava dela? Por quê?

Bom, aquele não era o melhor momento para autodepreciação, Maki precisava saber que seus sentimentos eram correspondidos.

―Eu também gosto de você. ― Ela segurou sua mão, pensando se deveria falar mais alguma coisa.

As mãos de Tadokoro estavam suadas― era nojento quando elas ficavam assim― e as de Maki estavam geladas. Apesar de ter alguns calos, elas eram incrivelmente macias. Seus dedos eram longos e finos, e Tadokoro gostou de senti-los entre os seus.

Makishima levantou a cabeça e sorriu. Não era aquele sorriso esquisito que aparecia toda vez que ela tentava sorrir, era um verdadeiro, um que escapava sem ela perceber.

E agora Tadokoro estava morrendo de vontade de beijá-la― era normal ela ter essas vontades em momentos aleatórios, mas agora ela tinha certeza de que Maki-chan também gostava dela e, puta merda, isso era bom demais pra ser verdade.

Ela lambeu os lábios. Eles estavam ressecados e rachados, já que ela não cuidava deles tanto assim ― seu hidratante labial passava meses abandonado em um bolsinho de sua mochila― e provavelmente seria um pouco desagradável beijá-la com eles assim mas, cacete, ela queria muito beijar a Maki-chan.

―Posso te beijar? ―Era melhor perguntar antes de fazer qualquer coisa. Vai que ela ainda não está confortável com isso.

―Pode.

Tadokoro afastou os cabelos dela, colocando as mechas verdes atrás de sua orelha. Ela já havia imaginado aquele momento de tantas maneiras diferentes que não tinha ideia do que fazer, e as borboletas em seu estômago não estavam ajudando.

Ela segurou seu ombro e olhou em seus olhos. Makishima parecia estar se esforçando para não desviar o olhar, e sua respiração estava um pouco irregular. O coração de Tadokoro estava a mil por hora, e ela tinha certeza de que o de Maki estava assim também.

Tadokoro respirou fundo e fechou os olhos. Depois de quase dois anos lidando com aqueles sentimentos, aquilo finalmente ia acontecer. Ela inclinou a cabeça um pouco para a esquerda e aproximou seu rosto do dela.

Foi um beijo calmo. As mãos de Tadokoro estavam ainda mais suadas, e seu corpo inteiro formigava. Os lábios de Maki eram tão macios e suaves, e tinham o gosto dos biscoitos que elas haviam acabado de comer.

Elas se afastaram quando Makishima segurou seus ombros e a empurrou levemente. Ela tentou sorrir, mas dessa vez saiu um daqueles sorrisos estranhos.

Tadokoro beijou sua bochecha e sua testa, rindo de seu rosto corado. Ela a puxou para um abraço, envolvendo sua cintura com os braços e sentindo o cheiro de seus cabelos. Makishima não gostava muito de contato físico, mas a abraçou de volta mesmo assim.

Mal dava pra acreditar que aquilo acabara de acontecer, deve ser um sonho ou uma alucinação, sei lá. Mas não era, Tadokoro sabia que não era, e por isso ela estava tão feliz.

―Jin!― sua mãe chamou mais uma vez. ― Acabei de assar um daqueles bolos americanos de chocolate! A Maki-chan não quer um pedaço?

―Acho que sua mãe fez brownies... ― Makishima a soltou, passando a mão pelos cabelos (que, aliás, estavam começando a desbotar).

―Deve ser isso mesmo ― Ela riu. ―, quer?

―Sim.

Tadokoro ficou de pé e estendeu a mão para ajuda-la a se levantar, e aproveitou para beijá-la mais uma vez.

Até que valeu a pena se arrumar tanto daquele jeito.



Notas finais do capítulo

É isso aí.



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