Where flowers grow wild escrita por Marie


Capítulo 26
Epílogo


Notas iniciais do capítulo

Bônus de despedida! Espero que gostem!



Dois dias depois de ter recuperado Nicole, Dorian recebeu de Victor a carta mais longa de sua vida contendo o pedido de desculpas mais extenso que ele julgava ser possível além de uma explicação detalhada de tudo que lady Margarete havia contado e ainda algo mais: a notícia de que Faith estava esperando um filho. Victor seria pai! E fora justamente por causa da gravidez de Faith que ele se viu obrigado a fugir às pressas e não teve outra opção a não ser a deixar um recado com Lady Margarete.

Infelizmente na carta o lorde afirmava que ainda não podia revelar o paradeiro dos dois e que a situação permaneceria assim por um tempo até que as coisas se tornassem mais seguras, mas exceto esse inconveniente Victor se sentia a pessoa mais feliz do mundo e fez questão de deixar claro que faria de Dorian e Nicole os padrinhos.

Edward por sua vez também escreveu uma carta ao amigo exigindo uma indenização pelos danos emocionais que toda aquela situação havia causado a ele, e como não sabia onde exatamente Victor estava para cobrar, iria pedir o valor integral ao outro amigo. É claro que Dorian negou o pedido absurdo, mas amistosamente convidou-o para vir a Kenwood sempre que desejasse para tirar férias da agitação de Londres. Agora foi Edward quem negou.

De resto, Dorian passou todo o período da recuperação do braço torcido determinado a fazer a corte a sua “nova” esposa cumprindo a rigor tudo que não teve a oportunidade de fazer a princípio e que no fim revelou-se algo realmente delicioso.

Passavam horas juntos em seus lugares favoritos da casa dedicados a aprender o máximo que podiam a respeito um do outro, roubando beijos, descobrindo que possuíam mais gostos em comum do que poderiam supor e que talvez se tivessem tentado antes poderiam ter sido bons amigos desde o começo.

É claro que nem tudo eram rosas, pois afinal o casal já havia descoberto que entre eles as flores tendiam a crescer selvagens. Discutiam como duas crianças, trocavam farpas, ela o chamava de ridículo e ele, malcriada e orgulhosa. Ela virava o rosto, irritada, e ele lhe dava as costas, cheio de zanga. No entanto, como também era de se esperar de um casal de “namorados” em pouco menos de um dia os ânimos inflamados convertiam-se em beijos ainda mais inflados. Bastou somente que se recuperasse totalmente da queda do cavalo para que Dorian a seduzisse por completo. Ou quem sabe foi Nicole quem seduziu a ele. Impossível dizer.

Depois disso, todas as manhãs começavam da mesma maneira: Dorian acordava com os fios de luz do sol penetrando a fresta da cortina e então ainda sem abrir os olhos, puxava contra o corpo uma esposa adormecida e cansada das atividades da noite anterior. O conde sorria satisfeito, aninhando-se a Nicole para voltar a dormir, sentindo-se tão cansado quanto ela e se dando conta de que desde que assumira o condado havia passado muitas noites em claro, mas nenhuma, nem de longe, haviam sido tão maravilhosas quanto aquelas.

Numa manhã, porém, o ritual foi quebrado. Após tatear em vão pela cama, Dorian se deu conta de que não haviam ninguém a seu lado e a estranheza de não encontrar a mulher ali foi suficiente para fazê-lo abrir os olhos, apreensivo, somente para encontra-la a poucos metros de distância.

Nicole estava de costas para ele, sentada na enorme penteadeira que ele havia mando trazer somente para ela, cantarolando enquanto deslizava a escova pelos cabelos escuros. A camisola branca de seda e algo mais transparente toda enfeitada com pequenas pérolas faziam-na parecer com uma fada e Dorian se permitiu admirar mais um pouco em deleite silencioso. Infelizmente não demorou muito para que ela notasse que ele a encarava com um sorriso preguiçoso.

―Bom dia...

―Acordei você?

Dorian balançou a cabeça em negativa e aprumou-se melhor na cama cuidando para se cobrir um pouco com os lençóis.

― Que camisola linda, lady Van Dorst. Que bom gosto a senhora tem...

―Foi você quem me deu ―ela respondeu torcendo o nariz numa expressão divertida fazendo Dorian rir.

―Nesse caso você tem que concordar que meu gosto é excelente. Para tudo ― ele sussurrou a última parte, cheio de presunção e com os olhos praticamente devorando-a sem qualquer pudor. Nicole não pode evitar ficar arrepiada da cabeça aos pés.

― Venha cá ― ele convidou batendo de leve com a mão ao seu lado na cama e ela o olhou corada e em dúvida ― Terei que levantar para buscá-la?

― Não! ― ela respondeu rápido demais denunciando o constrangimento que ainda sentia em vê-lo despido, ainda mais em plena luz do dia.

―Como você pode ser tão abusada e tímida ao mesmo tempo?

― é uma arte ― ela respondeu sentando-se ao lado do marido na cama ―Então, o que você quer me falar que não pode ser dito de longe?

― Talvez mostrar ou fazer sejam palavras mais adequadas para o que tenho em mente...

Antes que ela pudesse dar qualquer resposta foi surpreendida por um movimento rápido e em questão de segundos se viu presa sob o corpo do marido, rindo por causa do susto.

―Ora, que coisa! ―ela fingiu aborrecimento, ao que ele respondeu com um beijo na ponta de seu nariz.

Ainda era estranho para Dorian fazer aquelas coisas tolas e românticas, mas ele simplesmente não conseguia evitar e sinceramente achava que poderia se adequar perfeitamente a elas.

―Dorian ―Nicole chamou distraindo-o da missão de distribuir beijos por seu pescoço.

―sim?

―creio que terei que voltar para meu quarto hoje, não é?

― E por que você faria uma coisa dessas? ― ele perguntou apoiando o peso do corpo sobre os cotovelos para encará-la.

― Você sabe. Já se passaram duas semanas inteiras. Não se espera que o conde e a condessa partilhem a mesma cama todos os di...

― Essa é a convenção social mais tola que eu já vi.

―Sim, mas...

―Pense por esse ângulo ―ele respondeu ocupando-se de entrelaçar os dedos nas mechas do cabelo dela ― de que adianta você sair daqui se vou continuar a visita-la todas as noites? Ficando aqui comigo você me poupa do esforço de caminhar até o seu quarto.

―Está ficando preguiçoso, milorde. Desse jeito não vai demorar muito para que fique gordo ― ela o provocou com um sorriso maldoso.

― Eu não vou ficar gordo! Meu físico é e sempre será perfeito como você pode ver agora.

― Prepotente!

― Confiante ― ele corrigiu e ela se derreteu num sorriso apaixonado. Os olhos azuis traindo a felicidade que sentia.

―Você tem olhos lindos, Nicole.

― Você me disse isso ontem a noite e ontem pela manhã e em todos os dias antes deste desde que foi atrás de mim naquele dia. Vai me deixar mal acostumada.

―Não me importo de ficar repetindo isso para sempre, afinal é a mais pura verdade. Você tem mesmo os olhos mais bonitos do mundo.

Nicole corou violentamente com aquela resposta. Sentia como se o corpo inteiro estivesse flutuando sobre uma nuvem.

― Achei que os libertinos tivessem medo da rotina.

― A rotina é isso? ― ele perguntou acariciando lentamente toda a lateral do corpo da mulher com uma das mãos causando nela outro arrepio que só poderia ser uma afronta a decência ―então eu acho que não tenho o que temer, não é? ―ele completou beijando-a com vontade, unindo-lhes os corpos numa dança apaixonada que ele tinha certeza que, se fosse com ela, nunca cansaria de repetir.

Se a rotina era mesmo aquilo, estar nos braços de quem se ama, então a rotina era a felicidade e ele faria disso a prioridade da sua vida.

Todos os dias, enquanto vivessem.





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