Com Amor não se Brinca escrita por Bubees


Capítulo 49
Como se esquecer um amor?


Notas iniciais do capítulo

http://www.youtube.com/watch?v=LvetJ9U_tVY



- Pamela?! – Brian se aproximava, incrédulo. – Por que você fez isso?!

- Estou te protegendo, Syn. – Pamela encarava Letícia como se a moça fosse um monstro.

- Ele já está bem grandinho, mãe. – Letícia encarava Pamela.

- Eu pelo menos não fico fazendo ele sofrer. – Pamela encarava a moça, com ódio.

Brian olhava aquela cena sem saber o que fazer.

- Eu não vou ficar deixando o Brian se torturar.

- Quem você pensa que é para deixar ou não o Brian fazer alguma coisa? – Letícia

cruzava os braços, irritada.

- Alguém muito melhor do que você.

- Gostaria de ver isso. – Letícia encarou a moça sem se intimidar um único instante se quer, apanhando outro copo de vodka em cima da estante no quarto de Brian, arremessando o conteúdo por cima da cabeça de Pamela lentamente. – Cuidado com o que você faz, garota.

- SUA IDIOTA! – Pamela praticamente se esgoelava.

- Ei! Parem! – Brian segurava os braços de Letícia, impedindo uma talvez interessante briga entre duas mulheres com direito a puxadas de cabelo e tudo. – Pamela, eu já estou bem crescidinho, eu não preciso que você fique tentando me defender.

Pamela simplesmente abaixou a cabeça, respirou fundo, tentando se conter.

- Me desculpe, Syn. – Dizia a moça. – É que depois de tudo que você me contou, eu fiquei angustiada demais... – Pamela se aproximava lentamente do rapaz, ignorando completamente o fato de que Letícia estava sendo impedida de se aproximar pelas mãos duras do rapaz. – Você é muito legal, Syn, de verdade... Você não merece sofrer dessa forma... Vocês dois... – Pamela de repente dirigiu os olhos para Letícia. – Vocês dois estão sofrendo...

- E o que você tem a ver com isso? – Letícia perguntava, friamente.

- Eu só estou tentando ajudar, Letícia... – Pamela respirava fundo. – Eu não me importo de comprar a briga dos outros, só faço o que acredito ser certo.

Brian estava boquiaberto, sem saber o que falar, sem saber para onde olhar e muito menos sem saber o que fazer.

- Syn... – Pamela, porém, continuava a falar. – Você merece ser feliz... Vocês dois, na verdade...

- Preciso ir. – Dizia Letícia, se soltando bruscamente das mãos de Brian.

- Não Letí...

- Não digo EU! – A moça parecia estar realmente irritada. – Eu não vim aqui para ficar ouvindo lição de moral de ninguém... Se você confiou nela o bastante para ficar dividindo suas dores com ela, faça bom proveito. Ela parece estar bem inspirada hoje.

- Letícia, por favor... – Brian pedia, fitando os belos olhos castanhos nos olhos esverdeados da moça. – Fique.

- Eu já disse. – Letícia o encarava, séria. – Eu não vim aqui pra ficar ouvindo lições de moral... Ninguém sabe o que eu estou sentindo, Syn... E eu me recuso a ficar me expondo, eu não sou como você.

- O que?! – Brian perguntava, incrédulo, sentindo seu coração acelerar de repente. Não podia brigar com Letícia, simplesmente não podia.

Letícia simplesmente aproximou as mãos dos olhos, retirando o excesso de vodka que havia em suas pálpebras. Encarou Pamela que estava com um estranho sorriso escondido entre os lábios que eram obrigados a se manter rígidos.

- A gente se vê. – Dizia a moça, passando por Pamela, trombando-lhe impiedosamente com o ombro.

- LETÍCIA! – Brian gritava de dentro do quarto, tentando correr até a moça.

- Não Syn... – Dizia Pamela.

- POR QUE VOCÊ FEZ ISSO?! – Brian se jogava da cama, abaixando a cabeça, com uma entonação de raiva cobrindo sua voz.

- Syn... – Pamela se aproximava do rapaz, sentando-se ao seu lado. – Eu sei que eu não devia ficar me metendo...

- É, VOCÊ NÃO DEVIA! – Brian parecia ter uma batata enorme entalada na garganta. – Caramba, Pamela! Pra quê ficar irritando a Letícia assim?

- Ela que se irrita fácil demais. – Pamela dava de ombros.

- Não! – Brian erguia a cabeça, com lágrimas retidas em seus olhos, prontas para caírem. – Você sabe o quando ela é importante pra mim... Você sabe.

Pamela respirou fundo, completamente irritada.

- Tudo bem, masoquista! – Resmungava.

- Pamela...

- Tudo bem, Syn! Eu paro de falar. – Pamela o interrompia. – Desculpa! Eu só estou tentando te ajudar... Você é muito legal.

- Você também é legal. – Brian estendia um sorriso para Pamela, parecendo mais calmo.

Pamela, já havia vencido aquela batalha. Letícia não iria voltar mais para a festa. A moça simplesmente foi embora, quase que correndo atravessando o hall e se trancando no quarto. Precisava pensar... Precisava encontrar um jeito para que eles não se machucassem mais.

- POSSO SABER QUE BARULHEIRA É AQUELA NO APARTAMENTO DO BRIAN?! – Carmen de repente abria a porta do quarto de Letícia.

- Obrigada por bater. – Ironizou a jovem. – Se está tão incomodada com o barulho... Por que não sai? – Letícia erguia uma das sobrancelhas, desafiando a madrasta.

- Olha aqui garota, eu já estou farta desse seu jeitinho...

- Como eu disse... – Letícia interrompia a mulher novamente. – Os incomodados que se mudem.

Carmen simplesmente encarou a moça, demonstrando todo seu ódio através de seu olhar, e então entrou no quarto da moça, fechando a porta.

- É o que eu tenho feito. – Carmen dizia, séria. – Toda vez que você vem, eu saio... Ou não notou a minha presença?

Letícia simplesmente disparou uma risada irônica, se erguendo da cama, encarando a madrasta de dentro dos olhos.

- Sinceramente? Pra mim você não faz diferença alguma! – A jovem sorria, sinicamente.

- Escuta aqui! O seu pai não está feliz com essa situação e você não está ajudando em nada!

- Você deveria ter pensado nisso antes de destruir a minha família. – Letícia continuava encarando Carmen de igual para igual, sem temer qualquer reação da mulher. – Eu não tenho medo de você e muito menos me importo com o que você está sentindo ou com o que você está pensando... Se acabou, pode se retirar... Se está tão incomodada com o apartamento do Syn, vá lá você mesma e reclame.

- Mas você estava lá...

- ESTAVA! Estou pouco me importando se isso está incomodando você.

- Ah é? – Carmen adiantou um passo, encarando Letícia. – Vou sair mesmo...

- Que bom...

- Só que com o seu querido papaizinho.

Letícia simplesmente respirou fundo, fincando as unhas na palma da mão, e encarando Carmen com ódio.

- Ele já está grandinho. – Dizia a jovem. – Se ele quer sair com uma bruxa como você... Azar dele.

Carmen simplesmente esboçou um sorriso satisfeito para Letícia, virou-se de costas e finalmente saiu do quarto.

Letícia respirou fundo, segurando-se completamente para não voar no pescoço da madrasta. Imaginava a mulher como uma clássica bruxa de cabelos armados e verrugas horrendas e peludas próximo ao busto. Como queria arremessá-la em uma fogueira. Uma grande fogueira!

A moça simplesmente encostou-se à porta, fechou os olhos, pensativa, desejando que o mundo parasse de girar pelo menos por um instante. Quando de repente, ouviu seu pai berrar ao longe.

- Filha! Vou sair para jantar com a Carmen, quer ir?

- NÃO MESMO! – Berrou a moça, disparando um forte soco contra a porta.

O silêncio novamente se instaurou na casa, até ouvir o som da porta de fechando.

Letícia saiu do quarto, nas pontas dos pés, vasculhando os cantos da casa, se certificando que realmente não tinha ninguém ali.

Respirou fundo, tentando se acalmar novamente. Caminhou até a sala, ligou a TV, se sentou no sofá, e ficou parada pensando no que havia acontecido entre Brian e ela, alguns minutos antes.

Ficou tão pensativa que perdeu completamente a noção do tempo ali, quando de repente, ouviu batidas frenéticas contra a porta.

A moça levantou-se, abrindo a porta logo de cara.

- Mariana? – perguntou, franzindo o cenho. – Que cara é essa menina? Cadê a Bianca?

- Está lá com o... Patrício...

- Patrício?

- Caio? – Mariana gargalhava, e as palavras saíam de seus lábios lentamente, como se estivesse sendo arrastadas.

- Você bebeu demais! Entra! – Dizia Letícia, puxando a amiga para dentro do apartamento. – Depois que essa Pamela surgiu, parece que meu trabalho agora é cuidar de bêbados. – a moça murmurava para si mesma.

- O que?! – Mariana perguntava aos berros, como se ainda estivesse na festa em meio de música alta.

- Não grita! – Letícia resmungava, arrastando a amiga para o banheiro, que mal conseguia andar sozinha, arremessando-a dentro do Box, ligando o chuveiro.

- VOU ME AFOGAR! – Berrava a moça, se debatendo desesperada.

- CALMA! CALMA! – Dizia Letícia, tentando se esquivar dos golpes. – Você está tomando banho, não tem ninguém te afogando... Sou eu que estou aqui com você.

- Letíííciaaaaaaa! – Mariana choramingava.

- Calma...

Mariana simplesmente fechava os olhos, deixando a água quente do chuveiro cair sobre seu rosto.

Assim que o difícil banho terminava, Letícia enrolava a amiga na toalha, penteando-lhe os cabelos, colocando-a sentada no sofá.

- Está melhor? Vou te fazer um café e pedir pro Syn diminuir o som, já são duas da manhã, não sei como não apareceram vizinhos revoltados ainda.

- Está bem... – Dizia a amiga de modo tristonho, deitando-se no sofá.

- Fica aí. – Letícia alertava, antes de se retirar do apartamento.

Letícia atravessava o hall, abrindo sem se intimidar a porta do apartamento de Brian.

Estava uma bagunça que só.

A cozinha estava vazia, porém parecia ter sido atingida com um tsunami, na sala, Jimmy estava dormindo no chão com três garrafas de cachaça pura ao seu redor, João estava dormindo também, porém deitado no sofá.

Letícia se aproximou do rádio, abaixando o volume.

- Syn?! – Gritou ela.

Quando de repente, começou a ouvir gargalhadas altas ao final do corredor.

- Syn?! – A jovem gritou mais alto, se aproximando do quarto de fundo. O quarto dos pais de Brian.

Brian e Pamela estavam pulando na cama, rindo sem motivo.

- LETÍCIA! – Brian berrava assim que via a moça.

- Syn, o que é isso?! – A jovem perguntava, incrédula. – Para com isso! Você viu que horas já são?

- Ah, para de ser chata! – Dizia Pamela.

- CALA A SUA BOCA QUE EU NÃO ESTOU FALANDO COM VOCÊ! – Letícia se estourava, aproximando-se da cama, e arrastando Pamela pelas orelhas. – Eu já falei pra você parar de se meter! Agindo desse jeito nem parece uma produtora que se preze! – Letícia soltava as orelhas de Pamela, bruscamente, deixando-a cair no chão. – Você está um nojo! – A jovem dizia enojada.

- Letícia... – Brian parava de saltitar da cama, se aproximando da moça, e lhe dando um peteleco no centro da testa.

Brian simplesmente começou a gargalhar, e se jogou na cama.

- Eu não mereço isso! – A jovem resmungava. – Syn, logo seus pais vão voltar e...

- Blá blá blá... – Brian revirava os olhos. – Sua voz parece que entrou no meu cérebro. – O rapaz tornava a gargalhar. – Seus pais vão chegar... Blá blá.

- Vai se foder! – Letícia resmungava, se retirando do local, e se deparando com Fernando dançando no meio do corredor, animado e sorridente, enquanto Ivan dormia abraçado com a privada e Caio dentro do Box dormindo, e totalmente ensopado.

Letícia revirou os olhos, completamente irritada.

- BIANCA! – A moça berrava, indo até a varanda, para resgatar a amiga, que estava encostada à parede, dormindo de boca aberta. – BIANCA! PARA A CASA!

- O que?! – A amiga abria os olhos, lentamente. – Ai, apaga essa luz pelo amor de Deus...

- O QUE VOCÊS FIZERAM AQUI?! – Letícia dizia, completamente irritada, olhando ao redor. – Está todo mundo MUITO bêbado, eu não vou deixar você aqui sozinha! Vamos para a casa.

- Parece até minha mãe falando...

- Bianca, eu estou falando sério! – Letícia dizia, autoritária.

- Me ajuda... – Bianca estendia a mão.

Letícia, irritada, se aproximou da amiga para ajudá-la a se levantar.

As horas se passavam e Letícia se encarregou de cuidar das meninas.

Bianca e Mariana dormiam, sem cheiro de vômito ou qualquer coisa do tipo.

Nada de Carmen voltar do suposto jantar com Diego.

Aquela noite tinha de tudo para ser divertida, mas no final, se tornou uma noite completamente estressante.

Letícia sentia seus músculos doloridos por ter que ficar carregando a duas pinguças de um lado para o outro. Tinham exagerado demais! Nunca tinha visto as duas daquela forma.

No único instante que a moça acreditou poder finalmente descansar, exatamente cinco e meia da manhã, a porta começou a palpitar, novamente.

- Quem é? – A moça resmungava, sonolenta.

- Letícia, sou eu! – Dizia Brian.

A moça simplesmente revirou os olhos, abrindo a porta de má vontade.

- O que você quer? – Dizia ela, friamente.

Brian estava com o rosto completamente abatido. Olheiras profundas contornavam seus olhos, estava pálido e a face não negava o cansaço.

- Let...

- Fala logo. – A moça cruzava os braços.

- Meus pais vão chegar daqui uma hora.

- E daí? – A moça perguntava, ainda o encarando friamente.

- A casa está uma zona e...

- Eu não vou te ajudar com NADA! – A moça dizia, quase que aos berros.

Brian se afastou alguns passos, colocando a mão sobre os ouvidos.

- Não grita, por favor. – pediu ele.

- Pede pra sua amiguinha Pamela. – Dizia Letícia. – Ou ela já entrou em coma alcoólico?

- Você está falando o que? Você também bebe...

- Mas não desse jeito... Seu idiota! – A moça revirava os olhos. – Olha, você mudou demais com essa coisa de ficar bebendo desde que começou a sair com a Pamela... Eu não tenho mais nada a ver com isso. Se vira!

- Letícia, por favor! Está todo mundo caído...

- Tchau! – Dizia a moça, irritada, empurrando o rapaz para trás e fechando a porta.

Estava furiosa! Brian realmente estava exagerando demais. Sempre que saía para beber com Pamela, passava do estágio de bêbado engraçado para um bêbado fumante. Com certeza, ela estaria se aproveitando disso para fazer mais discursos. QUE ÓDIO! QUE ÓDIO!

Voltou para a sala, onde suas amigas dormiam tranquilamente, deitando-se no colchão estendido no chão, querendo dormir.

Sua cabeça estava pesada, e seu coração batia fortemente, como se estivesse cheio de adrenalina, e uma batata enorme estivesse entalada em sua garganta. Não conseguia parar de questionar para si mesma... Onde é que aqueles dois iriam chegar.

Letícia estava tão pensativa que acabou pegando no sono sem nem ao menos perceber.

Acordou na manhã seguinte, com Diego, cutucando-lhe o ombro.

- Filha?

A moça abria os olhos lentamente, encarando a barba vermelha do pai.

- Que horas são? – Resmungou.

- Uma da tarde. – Diego sorriu. – Quer almoçar? Fiquei sabendo que deu uma baita briga no apartamento do Syn agora de manhã.

- Ah pai, me poupe, não quero saber do Syn. – A moça resmungava, colocando a coberta por cima da cabeça, e virando-se de costas.

- Brigaram de novo, foi? – Diego franziu o cenho.

- Não. – A moça respondia, sem virar para o pai.

- Bom, vou deixar o almoço de vocês dentro do microondas, parece que as suas amigas também estão no milésimo sono.

- Tá... Tá...

Diego então simplesmente se levantou, deixando que a filha dormisse por mais alguns instantes.

Letícia, porém, não voltou a dormir. Ficou pensando que baita briga teria acontecido no apartamento de Brian. Será que o Brian pai descobriu sobre a festa? Poderia até ficar com peso na consciência por não ter ajudado o rapaz quando ele foi lhe pedir ajuda, mas também ele bem que mereceu. Poderia saber exatamente que briga foi aquela que não fosse tão cabeça dura e deixasse seu pai contar os fatos.

Não conseguindo mais ser vencida pelo sono, sentou-se, descobrindo-se, indo até as amigas de ressaca, cutucando-lhes levemente nas costas.

- Meninas! Acordem! – Dizia, sonolenta. – Meu pai já até saiu para trabalhar e deixou nosso almoço aqui.

Bianca abriu os olhos lentamente, emitindo alguns gemidos enquanto se espreguiçava pelo sofá.

- Que horas são? – murmurou a jovem.

- Quase uma e meia da tarde.

- CARAMBA! JÁ?! – Bianca se erguia do sofá, assustada. – Nossa... Nunca acordei tarde desse jeito.

- Tem hora pra voltar para a casa? – Letícia perguntava, rindo do desespero da amiga.

- Não... – Bianca respirava fundo. – Nossa, minha cabeça parece que vai explodir... Você poderia fechar a cortina, por favor?

Letícia revirou os olhos, porém não hesitou ao pedido da amiga. Ergueu-se do colchão, caminhando até a janela, fechando a cortina.

- Está melhor? – perguntou.

- Muito. – Bianca sorria, se espatifando no sofá novamente.

Letícia, lentamente, se aproximava do sofá onde Bianca estava deitada, se sentando ao seu lado, como se esperasse que a amiga começasse a tagarelar sobre a festa.

- O que você quer saber? – Bianca perguntava, resmungando. – Minha cabeça vai explodir...

- Nada, deixa pra lá, você não está em condições...

-Não, o Syn e a Pamela não ficaram juntos. – Dizia Bianca, gargalhando. – Eu te conheço.

- Não?! – Letícia perguntava, parecendo aliviada com a notícia. – Digo... Ah... Por que você está me falando isso? – A jovem tentava um teatro barato de se fingir indiferente.

- Eu já disse... Eu te conheço. – Bianca sorria, orgulhosa de si. – Eu sei que isso te interessa... Queria saber por que você foi embora do nada... Desculpa não ter ido atrás de você é que eu e o Caio começamos a beber demais, ele passou mal depois... Daí eu passei mal... Nunca bebi tanto na minha vida!

- Percebi amiga... Eu percebi. – Letícia respirava fundo, parecendo irritada. – Mas enfim... – A jovem fechava os olhos, abaixando a cabeça, lembrando-se do ocorrido da noite passada. Assim que abriu os lábios para começar a falar...

- Eu vi você e o Syn juntos. – Bianca a interrompia. – Vocês voltaram?

Letícia rapidamente fechou os lábios, relaxou os ombros, ergueu a cabeça e encarou a amiga com tristeza.

- Acho que quase... Se não fosse pelas...

- Pelas...?

De repente a conversa foi cortada por um rosnado profundo que Mariana emitia enquanto dormia, fazendo Letícia e Bianca rirem brevemente.

Assim que pararam de rir, Bianca continuou encarando a amiga, esperando por alguma resposta.

- E então?

- As alianças.

- Aquelas prateadas com caveirinhas em cima? – Bianca sorria, ao se lembrar das belezas.

- As próprias. – Letícia suspirava, também se lembrando do belíssimo par. – Syn ainda às usa.

- Como assim? Eu não vi nada na mão dele. – Bianca franzia o cenho.

- Ele usa as duas como pingente em uma corrente prateada. – Os olhos de Letícia de repente se encheram de lágrimas e a jovem rapidamente fechou os olhos, inclinando a cabeça para o alto, a fim de expulsar as lágrimas intrusas.

- Sério? – Bianca parecia tão triste quanto. – Ele não quer se esquecer de você, amiga...

- Eu sei. – Letícia sorria de modo tristonho, voltando o olhar para Bianca. – Mas é tão triste... Não podemos mais ficar juntos...

- Por quê?! – Bianca perguntava, incrédula, disparando um timbre agudo pela voz. – Como assim? Você fumou, foi?

- EU não. – Letícia revirava os olhos, abandonando a feição triste, para uma de raiva. – Ai, você sabe muito bem por que não podemos mais ficar juntos, Bianca.

- Por causa da Ju? – Bianca se aproximava da amiga, pousando as mãos levemente pelos ombros tensos de Letícia. – Le, o que aconteceu com a Juliana foi terrível, mas você não pode viver infeliz por causa disso.

- Bia...

- Não, deixa eu falar agora. – Bianca sorria para a amiga. – O Syn te ama! E eu te juro que nunca na minha vida vi duas pessoas se amarem tanto... E eu sinceramente acho que é por causa desse amor tão intenso que vocês dois sentem um pelo outro que vocês sofrem tanto. Não adianta vocês quererem se afastar... Vocês não vão conseguir... Amor verdadeiro a gente nunca esquece, não importa quando os anos passem, você pode até achar que está feliz com outra pessoa... Mas a sua felicidade verdadeira sempre vai estar com o Syn...

Letícia baixava a cabeça, respirava fundo, tentando conter novamente as lágrimas.

- Você sinceramente consegue se imaginar com outra pessoa além do Syn?

- Não... – Letícia respondia com sinceridade. – Nem antes de conhecê-lo eu me imaginava de forma estável com ninguém... Foi só com ele... Tentar tirar ele da minha vida assim, parece que eu to arrancando algo muito profundo dentro de mim, Bia... Eu não sei o que fazer! – De repente, a moça preferiu se entregar às lágrimas.

- Letícia... Eu nunca ouvi você falar assim... – Bianca falava baixinho, parecendo estar refletindo consigo mesma. Realmente, nunca tinha visto Letícia agir daquela forma.

Letícia era uma garota que parecia ser muito durona, e é por isso que ao amar de verdade, aquele sentimento encontrou-se de maneira tão intensa. Era muito difícil ver a amiga daquele jeito, era terrível. Letícia nunca chorou feito criança por garoto algum. Quem diria ainda, por Brian Elwin Haner Júnior, o metido, o garanhão, o mesquinho que também de repente se transformou em um homem apaixonado, que sofria tanto quando sua amiga, Letícia.

- Para com isso... Você só vai ser feliz quando voltar com ele...

- Não Bia! – Letícia insistia em sua teimosia, secando as lágrimas rapidamente e se erguendo do sofá. – Todas as vezes que a gente tentou ficar junto, algo terrível aconteceu!

- Para de ser covarde, Letícia! Você tem que continuar tentando! Vocês dois eram muito imaturos... Principalmente o Syn... Acha que se fosse hoje... Do jeitinho e tudo o que ele mudou por você, ele iria apostar de novo?!

- Ele continua um imaturo. – Letícia respirava fundo, erguendo a cabeça. – Deu de ficar bebendo e fumando agora.

- Letícia, ele está fazendo isso pra escapar da dor... Qualquer idiota sabe disso.

- Mas eu não estou fazendo isso...

- É o jeito dele lhe dar com isso... E se eu fosse você ficasse mais esperta, por que é obvio que aquela produtora está dando em cima dele.

- Eu não sou dona dele... Ele faz o que quiser.

- Letícia! Como você é cabeça dura! – Bianca também se erguia do sofá, irritada. – Você vai esperar acontecer o que pra vocês decidirem ficar juntos?!

- Bianca... Vou falar com o Syn.

- Vai? – Bianca estendia um sorriso largo.

- Vou falar que é melhor começarmos a agir apenas como dois amigos sem esperança de que um dia voltaremos.

- O QUE?! – Bianca dizia incrédula, púrpura de raiva da amiga. – Letícia! Você está me irritando!

- Bianca! Agora tem essa Pamela! Está quase dando pra ele!

- Se você não fizer nada... É capaz que ela consiga mesmo! – Bianca alterava o tom de voz. – Eu não sei mais o que dizer pra você mudar de opinião! Você é a menina mais cabeça dura que eu já vi na minha vida! Você tem é que sofrer mesmo pra largar a mão de ser besta e perceber que não é afastando o Brian que você vai se sentir bem... Muito pelo contrário! Vai se sentir pior ainda!

Letícia bufou irritada.

- Eu não consigo voltar pra ele... Eu sinto como se estivesse traindo a Juliana... Você não sabe o que está acontecendo dentro de mim agora... Ninguém sabe, só estando na minha pele mesmo para saber.

Bianca respirava fundo, tornando a se sentar no sofá, vencida. Letícia não iria mudar, algo extremamente grave devia acontecer para mudar o rumo daquela história. Algo intenso, uma perda maior... Letícia só iria perceber o que está perdendo, se a morte resolvesse levar Brian, quando ela visse que não teria mais volta, quando ela visse que ele não iria esperá-la por toda a vida.

Letícia então, girou o corpo para o lado da porta, andando apressadamente.

- Pra onde você vai? – Bianca perguntava. – Vai mesmo destruir as esperanças do Syn?

- Estou fazendo o melhor para nós dois. – Letícia abria a porta, sem se virar para Bianca, e finalmente atravessava o hall, indo até o apartamento de Brian.

Era um desafio e tanto. Iria realmente destroçar as esperanças de Brian, iria acabar com tudo.

Não era fácil para ela também. Como havia dito, era como arrancar algo de si, ficaria incompleta, iria se quebrar.

- Letícia? – Brian finalmente abria a porta. Estava com olheiras ao redor dos olhos, a expressão do rosto era cansada, os lábios estavam pálidos e secos.

- Syn? Você está bem? – Letícia perguntava, examinando a feição abatida do rapaz.

Brian, porém, nada disse, simplesmente adiantou um passo, abraçando Letícia com força.

De imediato, Letícia se assustou com o gesto do rapaz, porém, logo relaxou os músculos, passando os braços ao redor das costas largas do garoto.

- Você está brava comigo? – Brian sussurrava em seus ouvidos. – Me desculpe pelo que a Pamela disse...

- Tudo bem. – Letícia respondia, se afastando do abraço. – Você está bem? Meu pai disse que teve uma discussão aqui...

- Meus pais descobriram da festa. – Brian dava de ombros. – Disseram que eu estou de castigo, mas fala sério né? Olha meu tamanho.

- Syn, eu pensei que vocês iam entrar em coma alcoólico! Seus pais tem razão de te deixar de castigo.

- Como se eu fosse respeitar o tal castigo. – Brian sorria. – Entra.

Letícia simplesmente fez um sim com a cabeça, entrando timidamente no apartamento do rapaz.

Toda a bagunça da noite passada, tinha desaparecido. O apartamento estava novamente organizado, como se festa alguma tivesse passado por ali.

- Não dormi ainda. – Brian se explicava. – Meus pais me fizeram arrumar tudo.

- Desculpa não querer te ajudar...

- Tudo bem. – Brian dizia, se sentando no sofá. – Eu entendo que você estava aborrecida comigo, não é pra menos... Eu sei que bebi demais...

- Você anda fazendo muito disso ultimamente. – Letícia se aproximava, sentando-se ao lado de Brian.

- É eu sei... – Brian suspirava, encarando Letícia. – E a Mariana e a Bianca? Não as vi.

- Estão na minha casa... Eu vim buscá-las, não sei se você se lembra... Você me deu um peteleco na testa e ficou rindo de tudo que eu falava. – Letícia revirava os olhos. – Acho que nunca tive tanta vontade de arrancar seus olhos. – A moça sorria ironicamente.

- Ah... – Brian ria sem graça. – Desculpa, quando eu fico bêbado eu não sei o que eu faço.

- Jura? Espero que você se lembre das coisas que você costuma fazer...

- Até agora pelo que eu saiba, eu não me esqueci de nada. – Brian gracejava, mostrando a língua para a moça.

- E a Pamela? – Letícia perguntava. Queria se certificar que Bianca estivesse certa.

- Meu pai ficou muito bravo, ela estava passando muito mal... Fernando era o mais sóbrio de todos, pelo menos no momento em que meus pais chegaram...

- Vocês estavam se divertindo bastante. – Letícia ainda tentava dar indiretas a fim de recolher respostas.

- Eu fiquei preocupado com você. – Brian agora estava sério, fitando a jovem dentro dos olhos. – Ela não me deixou ir atrás de você, ficou falando um monte de coisa e eu comecei a beber sem parar... Queria esquecer um pouco, mas Pamela não ajuda muito, às vezes ela começa a falar e não para mais.

- Entendo. – Dizia Letícia, respirando fundo, como se estivesse se preparando psicologicamente. – Syn, eu queria falar com você...

- Pode falar. – O rapaz olhava, de modo atencioso.

- Não podemos mais agir um com o outro na esperança de que vamos voltar um dia. – Letícia dizia diretamente. Queria se livrar logo daquele sentimento.

- O que?! – Brian perguntava sussurrando, incrédulo com aquelas palavras frias. – E você diz assim tão tranqüila?

- Eu conversei com a Bianca, ela está com raiva de mim... Não vou culpá-lo se sentir o mesmo...

- Por que eu sentiria raiva de você?

- Já disse... Não quero mais que tenha esperanças de que um dia voltaremos a ficar juntos... Esquece isso.

Brian respirou fundo, se erguendo cambaleando do sofá, e indo até a janela. Ficou tempo demais parado ali, deixando Letícia, assustada.

- Por favor... – A jovem se erguia do sofá, indo até o rapaz, pousando a mão sobre os ombros largos de Brian. – Fala alguma coisa.

- Letícia... – Brian se virava para ela com os olhos brilhantes. Letícia sentiu seu coração acelerar imediatamente. Por um momento quis desistir de toda aquela loucura e abraçá-lo com muita força. – Peça o que quiser, menos pra te esquecer... Você sempre vai ser a minha pequena... – Brian colocava as mãos na maça do rosto da moça, segurando-o com firmeza. – Eu te amo...

- Syn, por favor... – A moça se afastava de imediato. Ninguém havia dito que a tarefa seria simples. – Eu não posso mais com isso... Toda vez que nos beijamos, que nos tocamos, assim que eu volto para a realidade eu me sinto péssima! Eu não posso continuar me ferindo dessa forma... Talvez aquela estúpida esteja certa...

- Pamela? – Brian franzia o cenho. – Letícia...

- Syn! – A moça o interrompia. – Não preciso que você torne tudo isso mais difícil. – Letícia suspirava, se afastando ainda mais. – Acha que eu também não estou tão mal quanto você?!

- Eu sei que está, eu não disse isso! – Brian a olhava dentro dos olhos.

Letícia não podia mais suportar aquilo. Aquele olhar tristonho, aqueles lábios rígidos, aquele rosto perfeito que se despedaçava em linhas finas, formando um rosto infeliz.

- Syn... É melhor para nós dois. – A moça tornava a se sentar no sofá. – Eu preciso de um tempo, mas eu não vou conseguir se toda a hora que eu chegar perto de você a gente se beije... Nós quase...

- Seria maravilhoso se tivesse acontecido ontem. – Brian sorria levemente, se aproximando da moça. – Eu sentia sua falta.

- Eu também, Syn... – A moça o fitava com seu par de esmeraldas que cintilavam brilhantemente. – Mas eu preciso tirar essa idéia da minha cabeça... Assim eu vou poder raciocinar melhor.

- Eu entendo. – Brian dizia, surpreendendo a moça. – Eu também sofro demais cada vez que ficamos juntos e logo nos deparamos com a nossa realidade... Se você precisa de um tempo, vamos fazer isso direito, quem sabe quando toda essa sombra passar... Não ficaremos juntos de novo?

Letícia o olhava, boquiaberta. Brian estava cedendo? Brian a entendia! Aquela conversa não poderia ter rumo melhor.

- Obrigada. – a moça sorria. – É a única forma de pararmos de sofrer.

- Eu não quero que se sinta pressionada... Não mesmo. – Brian dizia com tranqüilidade, aproximando-se da moça, entendendo a mão.

- O que foi? – Letícia perguntava sem entender.

Brian então, inclinava o corpo, segurando as mãos pequenas de Letícia entre suas mãos grandes de dedos cumpridos e finos.

- Syn? – Letícia perguntava com um sorriso misterioso entre os lábios, enquanto Brian a fazia se erguer do sofá.

Brian porém, nada dizia, simplesmente a olhava com uma face abatida, porém tranqüila, colocava as mãos em volta da cintura da jovem, aproximando-a de seu corpo, balançando-o de um lado para o outro em ritmo lento, como de uma dança.

Letícia não precisava mais de palavras para entender o que estava acontecendo ali. Brian queria aproveitar seus últimos instantes de uma pequena liberdade que tinha. A partir de então, teriam de se esforçar ao máximo até que o tempo secasse todas as feridas abertas e sangrentas.

Lentamente, o rapaz ia se aproximando do rádio, ligando-o, enquanto o mesmo já sincronizava a sua rádio preferida. Parecia que o mundo conspirava para que eles se lembrassem de sua própria dor. Seria aquilo um erro? Deveriam realmente continuar tentando se afastar ainda mais? “Vermillion PT 2” tocava novamente na rádio, e justo naquele instante tão agonizante que estavam passando.

Aquela música golpeava Brian no peito, enquanto ele admirava o rosto triste de Letícia fitando os seus. Aquele pele tão branca, aqueles lábios tão vermelhos, aqueles cabelos tão macios, aquele sorriso tão cativante, aquela pele tão macia. Como iria sentir falta daquilo. Sentiria falta de exatamente tudo aquilo. Tinha que aproveitar até o último instante.

Letícia não via motivos para não retribuir os gestos carinhosos do rapaz. Dançava com os pés por cima dos dele, lentamente, ao ritmo daquela massacrante música. Aquelas pobres almas choravam, estavam se despedindo.

Brian colocou as mãos sobre o rosto da jovem, aproximando seus lábios dos dela. Letícia nada fez, apenas permitiu que ele a beijasse, fechando os olhos.

Seria aquela realmente uma despedida?



Notas finais do capítulo

Pessoal! Espero que gostem do capítulo novo. *o*

Queria agradecer a todo mundo que apesar dos contratempos ai que eu tive para postar, ainda continuam lendo! HÁÁÁ! Briigada mesmo. o/

Historinha chegando aos capítulos finais! Ai ai ai ui ui ui. ;D

Aguardo os reviews.

bejos



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