A garota da torre - Oneshot escrita por Leticia Bird


Capítulo 1
A 15º carta.


Notas iniciais do capítulo

Hey povo! Tudo bem? Sejam bem vindos! Essa é minha primeira fanfic/oneshot, nos encontramos lá nas notas finais, beijos e boa leitura! :D



12 de dezembro, 15º carta.

Não, você não leu errado. Esta é de fato a décima quinta carta que lhe escrevo, príncipe.

Príncipe. Será mesmo que posso te chamar assim? Será mesmo que posso chamar aquele cujo nome eu sequer sei se é o verdadeiro, que me fez estar onde estou agora, sofrendo, tendo como companhia apenas um velho caderno e tinta para escrever?

Suponho que nesse momento esteja se perguntando onde fora parar as outras quatorze cartas redigidas por mim, do momento que nunca vieram ao seu alcance. Provavelmente esta tampouco irá, mas isso não tem a menor importância. De certo modo, me ajuda escrevê-las, mesmo sabendo que irão para o lixo e serão esquecidas pelas areias do tempo, nelas posso despejar toda minha dor, minha raiva, por tudo o que tu me fizeras.

Lembro-me como se fosse hoje o dia em que aparecera na minha vila. Era um dia calmo, o sol mostrava seus primeiros raios sobre as montanhas cobertas de neve, enquanto todos ainda acordavam e faziam seus afazeres em um ritmo lento. Você chegara em um belíssimo cavalo branco, trajando as mais nobres roupas, fazendo com que todos acreditassem de antemão que tratava-se de alguém importante. Havia milhares de moradores a sua disposição para responder qualquer de suas dúvidas, mas seus olhos azuis se direcionaram a mim.

Lembro que você sorriu, foi um sorriso tão perfeito... aliás, tudo em você a princípio era perfeito: Suas roupas, seu cabelo negro como a noite, seus olhos e a barba crescendo em seu queixo, seus músculos aparentes mesmo sob os trajes bufantes da realeza... tudo. Somente seu sorriso já fora o suficiente para fazer minha perna bambear, meu coração acelerar. Parecia que finalmente os contos de fadas contados por minha mãe estavam para se tornar realidade. Você veio até mim, simplesmente para perguntar qual direção tomar para o castelo, e eu a apontei, ainda sem conseguir falar. Você beijou minha mão e céus! Era como se uma dose de energia percorresse meu corpo todo. E quando você foi embora, achei que meu conto de fadas havia chegado ao fim, que o meu momento de princesa acabaria ali.

Mas você voltou. Voltou só para me ver! Meu sorriso mal cabia no rosto quando te vi escondido no meio da floresta naquela noite, convidando-me para chegar mais perto. Conversamos muito, você me contou sobre suas aventuras, sobre como salvara diversas donzelas em perigo, e eu contei brevemente de minha vida de camponesa, sem nada a que pudesse ser comparado a sua vida.

Lembra do nosso primeiro beijo? Sim, fora naquele mesmo instante, sob a visão de todos os vagalumes, banhados pela luz das estrelas. Você pegou uma mecha de meu cabelo, ele era longo, mas de fato não tão longo como está agora. E após analisa-lo, se aproximou mais, e eu não recuei. Queria aquilo tanto quanto você, queria sentir seus lábios de encontro aos meus, e quando finalmente aconteceu, fora como mágica! Parecia que nos encaixávamos perfeitamente, que tudo ali estava perfeitamente certo, do jeito que devia estar. Em outros tempos, diria que aquele fora sem dúvida o melhor dia da minha vida.

Desde então, não paramos mais de nos ver. A gente sempre achava um jeito, e nos encontrávamos as escondidas na floresta, naquele mesmo local de sempre, Perto da cachoeira, onde podia-se ouvir o coaxar dos sapos...Nós nos deitávamos na grama... Olhávamos para o céu... Você acariciava meus cabelos. Você me pediu para que eu nunca mais cortá-los, lembra? E eu te amava tanto, mais tanto, que prometi sem pestanejar. Envergonho-me em dizer que de fato estou cumprindo minha promessa, mesmo que você não mereça, sou uma mulher de palavra.

E então, você me fez aquele pedido. O pedido que nunca mais irei esquecer.

Você veio dizendo-me que queria viver a vida inteira ao meu lado, porém seu reino jamais aprovaria o nosso romance. O único meio para que fossemos felizes juntos, seria que roubássemos do rei todo o ouro que pudéssemos carregar e fugíssemos para a felicidade sem limites. Eu não queria fazer aquilo. Roubar? Eu? Mas você a cada minuto ia me convencendo, me ludibriando, sua lábia fazia com que o plano todo parecesse infalível.

E eu, tola como fui, acreditei que era mesmo. Afinal de qualquer modo, eu passaria a vida inteira ao lado do homem que eu amo e o rei era tão rico, que nem sentiria falta daquele dinheiro.

Naquela mesma noite, nós demos início ao plano. Era simples e eficaz: eu, por ter nascido naquele reino e já ser da confiança de todos, entraria pelos portões dos empregados, e quando ninguém estivesse olhando, entraria na sala do cofre, pegaria todo o ouro que pudesse e fugiríamos em seu cavalo. O plano todo estava correndo bem, embora meu coração estivesse acelerado com a adrenalina de ser pega, mas eu sabia que se algo acontecesse a mim, você me resgataria.

Ou na verdade era isso que eu pensava.

Quando eu saíra da sala do cofre, um dos guarda me flagrou, e eu corri, mais do que eu jamais pensei que fosse possível. Cheguei até uma varanda, e ao olhar para baixo, pude ver sua silhueta e a de seu cavalo. Implorei para que me ajudasse. O medo corria por minhas veias e eu suava sem parar.

Eu joguei primeiramente a bolsa repleta de ouro até a borda para você, e vi quando você a amarrou em seu cavalo calmamente, ignorando o fato de eu estar prestes a ser capturada. E no último minuto, quando achei que viesses a meu resgate, o que você fez?

Nada.

Lembro-me perfeitamente quando você montou em seu cavalo e fugiu pelo horizonte sem fim, deixando-me ali, perplexa. O guarda que me perseguia logo me alcançou, e sei que meus gritos foram altos o suficiente para que o reino inteiro ouvisse. Para que você ouvisse.

E mesmo assim você não voltou.

Fui julgada e condenada a prisão eterna em uma torre no meio da floresta, de onde escrevo esta carta nesse momento. Porém nem mesmo a morte seria capaz de me livrar da dor, do arrependimento eterno que amargura meu peito. Sei que nem que eu redija um milhão de cartas, conseguirei por fim me sentir aliviada e calma. Não sou mais aquela garota meiga e ingênua que vivia em um vilarejo junto a sua família.

Agora eu sou Rapunzel, a ladra, a “Garota da torre”. E devo tudo isso a você, meu “príncipe”.

Muito. Obrigada.

Atenciosamente, Rapunzel.



Notas finais do capítulo

Olá de novo! Espero que tenham gostado, e que eu mereça reviews :D Beijos e muito obrigada por terem lido!