Alone escrita por Lukealgumacoisa


Capítulo 4
Capítulo 4 - Heartbreaker


Notas iniciais do capítulo

This especial love i had for you



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ANTES

O grupo caminhava rumo aos dois carros estacionados à uma quadra de distância dali.

– Você tem certeza de que quer ir tão longe assim? Luke perguntou para Mapa. – Quer dizer, nós estamos em Porto Alegre. Isso seriam horas, dependendo do que aparecesse no caminho poderiam ser até dias dentro de um maldito carro.

– Bem, é lá ou para o Rio de Janeiro, que demoraria mais.

– Tá, Guarulhos serve. Mas pra que você quer ir pro Alasca?

– Bem, nós “ouvimos rumores” que no Alasca não existe infecção. Dizem que o vírus não resiste ao frio, ou seja: Lá é seguro.

– E de onde você ouviu isso?

– Nós havíamos invadido um centro de pesquisa de doenças. Bem na parede em frente à entrada estava escrito em preto uma mensagem: “EVACUEM PARA O ALASCA! O VÍRUS NÃO RESISTE AO FRIO. LÁ É SEGURO! LÁ É SEGURO!”

– Hm... Não sei se isso é biologicamente possível, mas não sou nenhum doutor pra julgar.
Mapa riu levemente.

– Nós não julgamos, nós só vamos para a salvação. Capiche?

– Antes de tudo, quem foi que te tornou a líder do grupo mesmo?

– Eu mesma. Algum problema? Porque, se tiver, podemos resolver isso. Minha gangue contra seu grupinho de merda.

– Não acha que seria mais justo um mano-a-mano?

– Eu sou uma garota!

– Meu grupo só tem três pessoas. E não menospreze tanto seu gênero, garota.

– Nós poderíamos dividir a liderança. – Ela sugeriu.

– Isso não funciona para mim. Eu sou o líder dessa merda e ponto.

Ela puxou seu facão de sua cintura e o posicionou no pescoço de Luke

– Ou o que?

Nesse momento, os quatro que os seguiam pararam de andar. David e Lipe aproximaram suas mãos de suas armas. Luke engoliu em seco.

– Ou eu mato você e seus amiguinhos antes mesmo de você dizer “pipoca”.

– Pipoca. – Ela esperou alguns segundos. – Bem, pelo jeito ainda estou viva.

Luke fez uma expressão de raiva. A garota guardou seu facão e o grupo voltou à andar.

DEPOIS

Sabs, Mama e os outros dois garotos se moviam juntos para o telhado de um estabelecimento dois andares maior do que estavam. Pelo que Buzz havia dito, era lá onde os outros dois membros do grupo estavam.

Só restava para garota rezar, torcendo que aquilo não fosse uma grande armadilha. Se juntar à um grupo aumentaria radicalmente suas chances de sobreviver. E aumentariam as chances de seu amor sobreviver também, o que só deixava tudo melhor.

Sabs e Mama se conheciam desde seus 13 anos, quando acabaram na mesma sala da escola. Sempre foram grandes amigas, uma ajudando a outra, uma contando seus segredos para a outra e essas coisas que melhores amigas fazem.

Porém no fundo Sabs sempre soube que queria algo além disso. Ela queria todo o amor possível de Mama. O amor que vai além da amizade.

No aniversário de 15 anos da Sabs, as duas acabaram sentadas no parapeito do 2º andar da casa desta. Elas conversaram sobre a vida por horas e horas, até que a garota resolveu soltar tudo que sentia.

“Mama, eu... tenho que te dizer algo meio... estranho.”

“Você pode me contar tudo, Sabs. Vá em frente.”

“É que... Ai, eu não sei como dizer isso.”

“Solta tudo de uma vez.”

“Ok... Bem, isso vem do fundo do meu coração. Eu guardei isso por anos, pro momento certo, e pra pessoa certa. E chegou a hora. Maria Cecília, eu te amo com todas as minhas forças. Mas não um amor de amizade, um amor superior a isso.

Eu quero te dar todo o carinho que você precisa. Quero ficar com você pelo resto da minha vida. Quero envelhecer ao seu lado. Mama, você aceita namorar comigo?”

Mama estava boquiaberta, vermelha como um pimentão. Ela não conseguia tirar seus olhos de Sabs.

“Não...” Foi um não seco, mortal. “Desculpa, é que... Eu sinto atração especificamente por homens, sabe? Até agora eles me agradam muito bem e... Não consigo desejar uma garota do jeito que você me deseja. Me perdoa, Sabs.”

Sabs sentiu como se colocassem seu coração dentro de um liquidificador.

“Ah... Tudo bem, eu entendo. Já esperava por algo desse tipo. Acho que não gosto realmente de você, na verdade. Provavelmente só estou um pouco confusa.”
Mama soltou todo ar contido em seu pulmão.

“Ufa! Pensei que isso fosse realmente uma paixão” Ela sorriu, o que fez com que Sabs sorrisse. “Espero que tudo isso não atrapalhe nossa amizade... Não vai, certo?”

Sabs sorriu com todos os dentes para fora e baixou sua cabeça.

“Com certeza, não.”

No final de tudo, não era uma simples confusão. Ela continuou apaixonada pela amiga por todos os meses que passaram juntas, e os sentimentos ainda viviam secretamente dentro de si.

Mas não podia expressá-los de jeito nenhum. A amiga não aguentaria sem problemas uma segunda vez.

Quando o fim do mundo começou, a pior perda de Sabs foi Mama. Ela a procurou por todos os lados mas não a achava. No fim, creu que a garota estava morta.

Tempo passou, parceiros passaram. Começou a namorar um tal de Bobby para que conseguisse esquecer Mama. Até fugiram juntos de um amigo deles, roubando as armas e suprimentos do garoto.

No fim, Bobby foi assassinado em frente à Sabs. A casa em que estavam hospedados foi invadida por uma gangue de rebeldes. Sabs pode ver o símbolo na jaqueta da garota que ela supôs ser a líder. Um machado e uma Shotgun cruzados.

Em baixo do símbolo, haviam palavras escritas, mas a garota não conseguiu ler.

Eles levaram todos os suprimentos e armas que Sabs havia roubado.

Sabs viveu sozinha por alguns dias, mas então teve seu momento feliz enquanto saqueava um hotel de estrada. Encontrou dentro de um dos quartos sua amada, dormindo dentro da banheira cheia de água.

Para que a garota conseguisse dormir em meio à aquilo tudo, Sabs supôs que a água estivesse quente.

Ela se aproximou de Mama, que estava completamente nua.

“Minha Lilith do inferno. Que perfeita.” A garota disse, em voz baixa.

Mas foi o suficiente para acordar Mama. Ela olhou para Sabs e um sorriso nasceu em seu rosto.

“Sabs! Meu Deus, como é bom ver um rosto amigo!” Mama pulou para fora da banheira e abraçou sua melhor amiga. “Que saudades eu senti! Você não sabe o que eu daria pra te ver de novo”

Sabrina sorriu, exibindo todos os dentes. Ela retribuiu o abraço e repousou sua cabeça no ombro de Mama. Elas ficaram nesta posição por longos e magníficos minutos. Aquele foi o melhor momento de toda a vida de Sabs.

Mama estalou os dedos na frente dos olhos de Sabs.

– Ei? Acorda pra vida! – Ela disse, com um sorriso estampado no rosto. – Não é uma armadilha! Eles realmente vão nos ajudar! Não é ótimo?

ANTES

Ao chegarem no quarteirão onde os carros esperavam, Campe, Natalia e Luke ficaram boquiabertos. No meio da rua estavam estacionados dois carros Humvee's de cores diferentes, cheios de equipamentos contra zumbis.

No canto inferior dos lados dos carros se encontravam arame farpado. Em cada porta do carro se encontravam lanças atravessadas nestas. Na parte da frente do carro verde escuro se encontrava uma carabina automática, já na do carro azul bebê, estava um machado duplo conectado a algumas molas.

Luke imaginou que, quando ativado, o machado faria arcos repetitivos no ar, cortando tudo que aparecesse pela frente.

Já na parte de trás, era possível encontrar um lança-chamas acoplado em cada um dos carros. Ao se aproximar mais um pouco, Luke também conseguiu avistar uma pequena arma de água, daquelas em que você pode comprar em qualquer Hi-Raqqy, a loja de brinquedos. O garoto pensou por alguns segundos e finalmente conectou os pontos.

A gangue foi no bar roubar bebidas para abastecer a arma de água, que seria usada para molhar zumbis, carros, pessoas ou até o chão com bebidas... Bebidas que contém álcool... Álcool que é inflamável... Ótimo ponto de ignição para um grande incêndio no meio da rua, que começou graças ao lança-chamas mirando no álcool. Genial! E isso mostra o por que de terem poupado Luke, Campe e Natália.

Eles não matam pessoas por diversão, são uma gangue que destrói por diversão e tem um bom armamento de defesa.

Luke, Lipe e David entraram no banco de trás do Humvee azul-bebê enquanto Campe, Natalia e Mapa foram para o banco de trás do verde escuro.

O motorista do carro em que Luke entrou era um garoto asiático que deveria ter, pelo menos, 17 anos.

– Ei! Você deve ser o Yokota.

– Eu mesmo! E você é...?

– Mitchell.

– É um prazer, Mitchell! – Ele estendeu a mão para Luke. O garoto expirou aliviado e apertou a mão de Yokota.

– Bem, nós vamos direto para Guarulhos ou teremos paradas antes?

– De acordo com a Mapa, vamos parar só quando imprevistos ocorrerem, precisarmos de gasolina, suprimentos, armas, remédios ou quando formos descansar.

– Pelo jeito a viagem vai ser longa...

DEPOIS

– E esse é o Wade. Nós o encontramos acampando em um ônibus, lá na Paulista. – Buzz disse.

– Olá. – Wade levantou a mão e acenou, desviando o olhar rapidamente.

– Ele é um pouco tímido, não? – Mama perguntou, sorrindo para Buzz. A garota sempre fora uma menina animada.

– Só com pessoas novas. – Dudu respondeu. – Mas então. Estávamos começando a traçar nosso caminho até o cinema. Decidimos que será lá em que nos estabeleceremos.

– Vocês querem ficar lá, tipo... Até o apocalipse acabar? Isso se acabar algum dia.

– Pretendemos ficar lá até algum grupo de resgate do exército resolver agir.

– Eles não vão agir. – Sabs disse instantaneamente.

– Bom, EU acredito que vão. – Dudu retrucou.

– Alguma hora um grupo mal intencionado vai invadir o cinema. – Disse Sabs.

– E garanto que isso vai acontecer antes do grupo de resgate chegar.

– Nós temos armamento o suficiente para bater de frente com toda a polícia estadual. – Dudu replicou.

– Não exagera, Eduardo. – Marea interrompeu a discussão.

– Tá. Desculpa.

– Que tal fazermos assim: Ficarmos no cinema até um dos dois vir primeiro.

Um grupo de rebeldes ou o exército. – Mama deu uma ideia que agradou a todos.

– Acho que isso pode funcionar.

Wade olhou para o céu por alguns instantes.

– Já é quase noite.

– Nós deveríamos acampar aqui até amanhã de manhã. – Buzz sugeriu. – Dividiremos os turnos para montar a guarda. Vocês duas podem dormir a noite toda. Acabamos de conhecê-las, então não confiamos totalmente em cada uma.

– Ok. Obrigado à vocês, é muito bom estar em um grupo novamente. – Sabs disse.

– Sem problema. – Dudu respondeu.

A noite já havia chegado. De dentro da bolsa que Dudu carregava, eles tiraram 4 cobertores e algumas velas. Todos juntaram em um círculo e colocaram três destas em pé bem no meio.

– Esperem um pouco, eu tenho fogo. – Sabs disse, tirando de seu bolso de trás um isqueiro azul da Bic.

– Não dava pra ser mais pobre não? – Wade falou enquanto ria levemente. Todos ficaram quietos e o garoto se retraiu.

Aquelas três velas eram perfeitas. Não fazia luz o suficiente para chamar atenção, mas fazia o suficiente para iluminar todo o pequeno terraço em que estavam.

– Então, duas pessoas vão ter que formar a guarda pois só temos quatro cobertores. Quem se voluntaria para passar as primeiras duas horas acordado? – Dudu perguntou.

– Eu. – Sabs falou. – Vocês nos acolheram, não há nada mais nobre à se fazer.

– Você não ouviu o que eu acabei de dizer? Deus! – Buzz falou.

– Eu fico de vigia com ela. – Dudu se voluntariou. – Assim fico de olho nela enquanto cuido das costas de vocês.

– Hm, ok então. – Buzz, se decidiu. – Boa noite para vocês.

Todos foram se deitar, exceto Sabs e Eduardo, que ficaram sentados no centro do terraço, um apoiando as costas no outro.


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Notas finais do capítulo

My baby blue



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