Alone escrita por Lukealgumacoisa


Capítulo 3
Capítulo 3 - Lã




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ANTES

Natalia atravessou a rua correndo, porém abaixada, tentando se esconder nos carros mal estacionados em meio à rua. A garota temia que alguém pudesse vê-la e que acabasse matando-a. Ela não sabia manusear a faca que carregava, por isso tentava não fazer barulho ao se movimentar.

Quando chegou à frente da porta da loja de costura, Natalia bateu duas vezes na tranca da porta usando o cabo de sua faca, fazendo isso com esperança de quebrar a maçaneta, porém ela ouviu um barulho, olhou para os lados e viu que ninguém estava vindo.

Ela respirou fundo, se levantou e se afastou da entrada. Pensou em arrombar a porta com um chute na fechadura, porém deduziu que faria muito barulho. Apesar de não existir nenhum andarilho em suas proximidades, a garota reconhecia que estes monstros podiam ouvir coisas à metros de distância.

Pensou em fazer um lockpick, porém ela não sabia como isso funcionava e estava certa que não aprenderia em alguns minutos.

Então ela tentou a primeira coisa que deveria ter tentado. Ela se aproximou da porta, pôs sua mão em cima da maçaneta e a baixou, empurrando a porta. Esta estava destrancada.

– Pelo amor de... – Ela suspirou.

Após fechar a porta, Natalia assoviou com a intenção de chamar a atenção de todos no local. Após não haver nenhuma resposta, a garota pulou pelo balcão e procurou embaixo deste por alguma agulha ou algum rolo de linha. Felizmente, ela conseguiu achar um pote cheio de agulhas, agora só faltava à linha.

Pulou por cima do balcão novamente e começou a procurar por linha.

Depois de alguns minutos procurando, ela achou uma jaqueta costurada com lã. Foi o mais próximo de uma linha que chegou, então decidiu levar o objeto consigo e desfiar a linha quando estivesse dentro do bar.

Natalia sorriu, expressando sua felicidade por ter finalmente achado algo. A garota foi até a porta e a abriu rapidamente, traçando silenciosamente seu caminho de volta ao bar.

Ao entrar, sentiu uma grande dor vindo de sua nuca, caindo no chão em sequência. Ela não conseguiu mover seus braços e pernas, respirou fundo e, após alguns segundos, seu corpo voltou ao normal.

Mas não sua mente, para ela tudo ainda rodava e doía. Levantou a parte da frente do corpo usando os braços e olhou em volta. Primeiro viu de relance quatro pessoas perto do balcão, mas então sua visão foi direto para sua retaguarda.

Quando sua visão focalizou, olhou diretamente para a garota que havia à acertado na nuca. Ela tinha um olhar de incerteza, provavelmente se mataria ou não os três. Seus cabelos com formatos de ondas eram castanhos, da mesma cor que seus olhos.

Ela usava um batom vermelho e um delineador preto. Sua camisa dizia “Bitch in command” em uma cor branca sobre um rosa suave. A garota segurava com sua mão direita um grande facão com a palavra “Mapa” gravada na lâmina. Natalia supôs que este era o apelido da garota... ou do facão, dependendo da sanidade de tal. Na mão esquerda, a “Vadia no Comando” tinha uma pistola 9mm. Pelos conhecimentos de Natalia, parecia uma Beretta.

Depois disso, Natalia virou sua cabeça para frente, assim querendo analisar mais detalhadamente o resto do lugar.

Percebeu que atrás do balcão estavam Luke e Isabela, os dois sem camisa e de mãos levantadas. Também percebeu que, além dos dois, mais dois rapazes estavam perto do balcão, ambos de jaquetas de couro com o símbolo de um crânio alien soltando fogos de artifício pelos olhos atrás desta.

Tinham no máximo 2 anos de diferença entre os dois rapazes. Os dois tinham cabelos ao estilo militar, com alguns prolongamentos em certas partes, como no caso do mais novo que aparentava no mínimo ter 15 anos e tinha um topete caído pela testa. Já o mais velho tinha um cabelo raspado e arrepiado em alguns lugares.

O que aparentava ser mais novo segurava uma carabina antiga, alguns fios de pelos faciais cresciam em seu queixo, porém nada demais. Ele parecia ser o mais experiente em tudo aquilo. Tinha uma expressão neutra, o que trazia à Natalia certo medo.

Seus olhos azuis esverdeados fitavam a garota atrás de Natalia, a qual havia acertado sua cabeça. Aparentemente ele esperava por uma ordem.

Já o mais velho, que tinha a as bochechas com um pouco de ACNE, tinha uma certa expressão de segurança por estar em um trio. Ele tinha cara daquelas pessoas que se dão bem em grupos, mas não são muito boas sozinhas.

Segurava uma Uzi com suas duas mãos e tinha uma Sniper que repousava em suas costas.

Ele usava um óculos na frente de seus olhos castanho-claros, uma cor que Natalia sempre gostou. O garoto era um pouco mais alto que o parceiro, o que o fazia parecer o mais velho. Se não fosse por isso, ele poderia passar facilmente por um adolescente na puberdade. Olhava profundamente os olhos de Natalia.

– Eai. – A menina disse, cuspindo seu chiclete em Natalia.

– Ahn... Oi. – Natalia respondeu.

– Como foi seu dia? – Ela sorriu, deixando amostra seu belo sorriso.

– Realmente quer saber?

– Não. Só sou educada. Qual seu nome, garota? Quantos anos tem?

– Natalia. Tenho 16 anos, mas faço 17 ainda esse ano. – A informação da idade fez o garoto mais velho e a líder sorrirem.

– Hm... É um prazer. Sou Mariana, mas pode me chamar de Mapa.

– Tem quantos anos?

– 15. É, eu sou muito nova pra liderar um trio, e daí?– Ahn... Tá então.

DEPOIS

Os quatro estavam abaixados, cada um com as costas encostadas em algum objeto maior que eles, assim com a intenção de se esconderem de algo.

– Acha que elas ainda estão lá? – Marea sussurrou para Buzz, que estava deitado atrás de entradas de ar.

– Não sei. – Sussurrou de volta. – Alguém quer dar uma olhada pra ver?

Dudu e Wade fizeram um gesto de não com a cabeça. Marea apontou para Buzz e depois para cima.

– Tá, eu olho. – O garoto disse.

O garoto se levantou um pouco, botando seus olhos para fora. De pé estavam duas garotas. Ambas ruivas.

Uma delas, a de pele mais clara, tinha olhos que de longe pareciam verdes. Seu corpo parecia o de uma garota com 16 anos. Ela vestia uma regata laranja e tinha uma jaqueta cinza da GAP presa em sua cintura. Empunhava uma pistola de choque usando suas duas mãos.

A outra garota, de pele um pouco mais escura, aparentava ter olhos castanhos e um corpo de pelo menos 15 ou 16 anos, a mesma idade que a parceira aparentava ter. Vestia uma camisa de manga curta da banda Los Hermanos e tinha uma jaqueta de couro marrom presa em sua cintura. Ela não tinha nenhuma arma em mãos, porém Buzz conseguiu ver um enorme facão preso em um cinto que usava.

O objeto deveria ter o tamanho do antebraço da garota. Um lado de sua lâmina era uma cerra, o outro era fio. Sua ponta parecia pontiaguda o suficiente para fazer um buraco de parafuso.

Pelo jeito, as garotas haviam acabado de chegar ao terraço pelas escadas de emergência. A porta era pesada demais para que os andarilhos a quebrassem, então elas demonstravam expressões de alívio.

Conversavam com sussurros, o que não deixava que Buzz as ouvisse. O garoto olhou para Marea e sussurrou:

– As garotas não parecem hostis. Podemos mandar dois de nós para conversar com elas e os outros dois os cobrem.

– É uma boa ideia. Eu e Wade ficamos aqui em cima, você e Dudu descem.

– Certo. – Buzz replicou.

– Todos de acordo? – Ela perguntou aos outros dois, que permaneceram quietos desde que viram as duas garotas pela primeira vez.

– Sim. – Falaram Wade e Dudu em uníssono.


ANTES

– Não sei porque você não gosta do seu nome do meio, é lindo! – Natalia disse à líder do grupo. As duas sentavam na mesma mesa do bar enquanto Luke e o garoto de óculos conversavam em outra e Isabela com o garoto de olhos azuis se sentavam no balcão. – Seus dois sobrenomes são da Espanha! Isso é foda.

– Ah, para com isso. Seu sobrenome é minha fruta favorita! – A líder falou. Ela sorriu e olhou para os olhos de Natalia. – Mas então, Natalia. Você disse que você e a garota são irmãs. Então por que se refere aos pais de vocês duas como os pais dela?

– Eu meio que odeio eles, então não os considero meus pais. Tive o prazer de vê-los morrerem na minha frente, e a sensação foi maravilhosa.

– Hm, já passei por isso também, porém com meu primo mais novo e com meu cachorro. Pestes.

[…]

– Aaai! – Luke gritou de dor enquanto o garoto de óculos removia o primeiro caco de vidro de sua perna e fechava o ferimento com uma agulha e linha.

– Relaxa, garoto. Dói assim mesmo. – Ele falou, dando um nó na linha. – Mas então, qual é seu nome mesmo?

– Mitchell. – Luke respondeu com rapidez. – Mitchell Valahara. E você?

– Me chamo David Santana. Esse aqui é meu amigo, Filipe Muliterno... Ou Lipe, para os mais íntimos. A garota ali é a Mariana Pacheco. Ela não gosta de seus outros nomes, então não o fala para nós. Ela é a líder do nosso pequeno quinteto que um dia já fora uma gangue.

– Legal isso... Mas vocês só são três.

– Na verdade, tem mais dois de nós. Os nomes deles são Lucas Yokota e Luiza Sampaio. A ordem da Sra. Pacheco era para que eles ficassem no nosso carro, que está estacionado à uma quadra daqui para o caso de precisarmos fugir. Eles ainda devem estar lá esperando.

[…]

– Então... Lipe, né? – Campe falou, olhando para o garoto que enchia dois copos com Red Label. – Quantos anos você tem mesmo?

– 16. Ei, tá frio aqui, você não quer colocar sua camisa?

– Por acaso você é gay? – Ela falou, pegando sua camisa de manga comprida feita de lã lilás.

O garoto deu uma leve risada.

– Não, eu gosto de boceta mesmo. Só não te achei muito atraente.

– Vai se foder! – Isabela socou o peito de Lipe repetidamente.

– Calma, garota. – Ele pegou os pulsos dela e os juntou nas costas desta.

– Me larga! – Ela gritou, tirando seus pulsos das mãos de Lipe. Todos da sala olharam para eles dois.

– Lipe para de ser otário! – Mariana gritou.

– Perdão, senhora. – Ele replicou, depois pegou o copo de Red Label de Isabela e se afastou da garota.

Isabela suspirou e foi andando até Luke. O tornozelo do garoto já estava todo enfaixado e ele colocava seu tênis de novo.

– Não gostou dele, não é? – David perguntou para Isabela. – Ele age assim quando a pessoa começa com escrotice.

– Ei, olha como fala. – Ela respondeu.

– Ei, nem deu tempo de progredirmos atrás do balcão. – Luke falou, corando Isabela.

– Pois é.

De repente, Mariana levantou.

– Agora que nós já nos conhecemos e ficamos amiguinhos, podemos partir! Dois dos nossos motoristas esperam por nós lá fora... Então é melhor sairmos o mais cedo possível, já que é difícil enxergar a estrada à noite.

– Mas para onde vamos? – Luke perguntou.

– Para o Aeroporto Internacional de Guarulhos. Vamos roubar um avião e voar nosso caminho até o Alasca.

DEPOIS

– Não se aproximem! – Berrou a garota de pele mais esbranquiçada, que mirava sua pistola de choque para a cabeça de Dudu.

– Ei, ei! Nós não queremos briga, ok? Somos seus amigos. – Buzz disse com um tom de voz calmo, tentando fazer com que elas relaxassem.

– Fiquem longe de nós! – A outra garota disse, tirando de seu cinto o facão tamanho extra grande que ela possuía.

– Buzz, vou usar a agressividade se elas não se acalmarem. – Eduardo sussurrou ao ouvido do garoto.

– Calma aí. – Buzz sussurrou de volta. – Olhem, abaixem as armas, por favor. Nós só queremos conversar. Garanto que temos armas muito mais potentes que as de vocês, então se as quiséssemos mortas já teríamos agido.

– Merda. – A garota do casaco de couro reclamou.

Elas pareceram se acalmar. A mais esbranquiçada abaixou sua arma e a outra garota guardou seu facão.

– Meu nome é Alexandre, mas vocês podem me chamar de Buzz. Esse é o Eduardo, Dudu para os mais íntimos. Lá trás temos mais dois companheiros nos dando cobertura, se chamam Wade e Marea. E vocês são?

– Ehh... – A branquela hesitou por um momento, mas então respirou fundo e se apresentou. – Me chamo Maria Cecília, mas me chamem de Mama... É uma longa história o porquê do apelido.

– Certo, Mama. – Buzz moveu seu olhar para a garota do facão. – E você se chama...?

– Sabrina. Pode me chamar de Sabs se quiser.


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