Memórias herdadas escrita por MarcosFLuder


Capítulo 2
Capítulo 2


Notas iniciais do capítulo

Conclusão da fanfic. Espero que quem leu tenha gostado.



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NECROTÉRIO DE RICHMOND

DIA SEGUINTE

11:43 Pm

Dana Scully guardou os instrumentos de trabalho e foi lavar-se enquanto pensava no quanto sua vida tinha mudado. Até pouco tempo atrás ela jamais veria qualquer problema em ficar horas diante de corpos e restos mortais; entranhas abertas, carne putrefata, ossos a muito enterrados, o mal cheiro resultante disso tudo. Nada abalava a determinação e eficiência com que fazia o seu trabalho, mas ultimamente ela vinha pensando sobre tudo isso. Grávida e sozinha, ela sabia que teria de dar um rumo novo para sua vida, mas algo ainda a mantinha presa ao Arquivo-X, as lembranças talvez. Era um sentimento de lealdade do qual não conseguia livrar-se mas que em poucos meses seria confrontado com uma nova realidade.

Monica Reyes caminhava pelos corredores do necrotério, ela já tinha o resultado dos exames nos restos mortais encontrados e queria discuti-los com Scully. Ao abrir a porta da sala de autopsia, e entrar, não conseguiu evitar um ligeiro arrepio percorrendo sua espinha ao ver-se sozinha naquele lugar. Era uma mulher corajosa, mas não acreditava que fosse capaz de trabalhar ali, ainda mais naquela hora da noite.

– Agente Reyes? – Monica toma um susto ao ouvir a voz de Scully atrás dela – desculpe Monica eu... não quis assustá-la... desculpe agente Reyes.

– Tudo bem Dana eu... – um ligeiro silêncio surge entre elas e Monica trata de quebrá-lo com um sorriso ligeiramente forçado – Deus do céu como consegue trabalhar sozinha num lugar desses?

– Estou acostumada, está com o resultado dos exames?

– Jeremias Weltmam era o nome dele, desaparecido em outubro de 1946.

– Qual a ligação com Jake Farmer?

– Não foi encontrado nenhum parentesco oficial entre os dois, mas ele e o avô de Jake Farmer estiveram em um campo de concentração na Alemanha.

– Em Terblinka pra ser mais exato – a entrada de John Doggett chama a atenção das duas mulheres – os dois homens que Jake Farmer matou serviram lá.

– Billy Grayson e Harry Anderson eram mesmo nazistas foragidos então.

– Na verdade Scully eles chamavam-se Arnold Muller e Thomas Berger, ambos eram soldados que serviram em Terblinka e participaram de várias atrocidades no local. Uma delas em especial foi o espancamento de uma mulher grávida até a morte.

– Jake Farmer falou sobre isso quando ligou para o parceiro.

– Essa mulher era a primeira esposa do avô dele e irmã de Jeremias – ele mostra o relatório para suas parceiras e continua o seu relato – a coitada morreu por causa do espancamento. Após o fim da guerra sete homens foram acusados desse crime, mas apenas dois deles foram julgados em Nuremberg e enforcados.

– Os outros cinco fugiram para cá, assumiram novas identidades e tentaram matar as duas testemunhas de seus crimes que poderiam reconhecê-las.

– Calma agente Reyes, por enquanto nós estamos apenas trabalhando em cima de hipóteses.

– Eu sei Dana, mas acho que essas descobertas corroboram tudo o que Jake disse em sua denúncia.

– O único jeito de comprovar isso é encontrar Jake Farmer – disse Doggett – o problema é saber onde ele pode estar agora.

– Talvez seja o caso de falar com alguém próximo a ele – disse Scully.

– E quem seria essa pessoa? – pergunta Doggett.

– Ele era casado – disse Monica – a esposa o abandonou recentemente mas talvez ele tenha tentado fazer contato com ela.

ASILO LAR FELIZ

DALLAS

1:15 Am

Alfred Stone acordou com o acesso de tosse habitual da noite, ele resolveu chamar o enfermeiro de plantão para lhe dar o seu xarope. Sabia o quanto o homem detestava atendê-lo aquela hora da noite e sentia até um certo prazer em irritá-lo, basicamente era o único que restara e tratou de apertar a campainha para chamá-lo. Fez isso várias vezes até ouvir o som de passos no corredor, um sorriso surgiu em sua face ao ouvir o barulho de pisadas fortes indicando a irritação do enfermeiro. O sorriso desapareceu ao ouvir um barulho em frente a sua porta, por alguns instantes ele não ouviu mais nada até que o enfermeiro entrou.

– Que barulho foi esse lá fora? – o enfermeiro nada disse, Alfred gelou a notar o bastão de beisebol na sua mão e mais ainda quando a luz foi acesa e viu que não era a pessoa que esperava – o que você faz aqui?

– Hora de pagar por seus crimes Alfred Stone ou devo chamá-lo de cabo Franz Schmit? – Alfred estremece ao ouvir aquilo – o que foi cabo? Ninguém lhe chama assim a muito tempo? Nem seus amigos nazistas?

– Vá embora daqui – Alfred move-se para apertar a campainha quando Jake joga o retrato em que aparece com seus colegas – como sabe tudo isso? – A resposta veio em forma de golpes violentos na cabeça de Alfred até que esta tornou-se uma mancha de carne e sangue na cama.

FALLS CHURCH

VIRGÍNIA

Amanda Farmer era uma mulher bonita, mas era evidente que os últimos dias não foram nada generosos com ela. As olheiras indicavam as noites sem dormir, também foi possível notar que ela vinha chorando muito, Scully e Reyes perceberam o drama dessa mulher assim que entraram naquela casa.

– Já faz muito tempo que eu não falo com o Jake – disse ela.

– Nós achamos que ele pudesse ter tentado entrar em contato com você.

– Eu garanto que não agente Reyes.

– Eu sei que é uma situação desagradável senhora Farmer, mas nós precisamos que nos ajude a encontrá-lo antes que ele mate mais alguém.

– Eu gostaria de ajudar agente Scully, sinceramente.

– O agente Farmer falou com você sobre as imagens que ele estava vendo?

– As malditas imagens – o rancor na voz dela era visível – tudo começou a ir pro inferno por causa delas.

– Elas tinham haver com o avô dele não é?

– Eu não sei agente Reyes, só sei que a vida com o Jake ficou insuportável, até com o nosso filho ele ficou agressivo – ela começa a chorar – a coisa chegou num ponto que só me restou deixá-lo.

– Pense bem senhora Farmer, talvez ele tenha falado algo significativo.

– Ele falou sobre um tal de Billy Grayson e como podia ser tudo culpa dele – Scully e Reyes olharam uma para outra enquanto Amanda Farmer. Ela se levanta bruscamente e vai em direção ao banheiro.

– Será que ela está passando mal por nossa causa? – pergunta Reyes

– Não é isso agente Reyes – ela espera Amanda Farmer voltar – a senhora está grávida?

– Eu... descobri isso na semana passada.

– Ele sabe? – Scully pergunta. Amanda limita-se a mover a cabeça negativamente enquanto volta a chorar, Scully segura em sua mão.

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Scully e Reyes despedem-se de Amanda e entram no carro, Monica percebe claramente o quanto Scully ficou abalada com a entrevista com a ex-esposa de Jake.

– Você se identificou com ela não foi Dana?

– Só porque ela está grávida, sozinha e o homem que ela... o pai do filho dela está desaparecido sem saber de nada disso? – ela coloca a mão no rosto e evita as lágrimas de caírem – na verdade a minha situação é um pouco diferente dela.

– Porque é tão difícil pra você Dana?

– Difícil? Difícil o que?

– Demonstrar sentimentos, entender que isso não é um sinal de fraqueza da sua parte.

– Olha agente Reyes eu... esse não é um assunto que eu...

– Tudo bem Dana, tudo bem, talvez eu não seja a pessoa certa pra isso.

– Não queria ser indelicada com você, desculpe.

– Não se preocupe com isso Dana, eu só acho que você tem muita coisa dentro de si que precisa botar pra fora.

– Eu sei Mo...nica , eu sei.

– Nós nos conhecemos a pouco tempo, talvez você deva procurar a sua mãe, seu Padre confessor, ou seu terapeuta, sei lá, mas acho que você deve procurar alguém pra desabafar – um silêncio surgiu entre elas até ser quebrado pelo toque do celular de Scully.

– Agente Doggett, o que houve? – ela olhou de imediato para Reyes – encontraremos com você no local.

– O que foi?

– Jake Farmer matou outra pessoa.

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Um grande número de pessoas idosas aglomeravam-se próximas ao quarto de Alfred. Lá dentro fotos eram tiradas enquanto policiais afastavam as pessoas, abrindo passagem para Scully , Doggett e Reyes entrarem.

– Que horas encontraram o corpo? – Doggett falava com o agente Masters enquanto Scully examinava a vítima, e Reyes andava pelo quarto.

– O enfermeiro foi agredido durante a noite quando dirigia-se ao quarto da vítima, ele deu o alarme assim que acordou.

– Olhem pra isso – Monica Reyes mostra o retrato dos cinco homens, Doggett vira-se para o agente Masters.

– Um desses era Alfred Stone? – Larry Masters confirma a informação – do grupo então só sobraram Paul Hoover e mais esse outro.

– O nome dele é Robert Graves e está internado num hospital – disse o agente Masters.

– É melhor colocar alguém para vigiá-lo – disse Doggett , o agente Masters faz uma ligação em seu celular.

– Será que temos um padrão aqui? – pergunta Scully.

– Eu diria que sim Dana, com certeza esses dois ainda vivos estão correndo perigo.

– Há um detalhe nessa história que ainda não foi discutido.

– Do que está falando Monica?

– Esses dois homens que ainda estão vivos são, provavelmente , criminosos de guerra John.

– Não creio que isso tenha importância nesse caso agente Reyes – disse o agente Masters.

– Como assim não tem importância? São assassinos.

– Eles vivem aqui a mais de 50 anos, gostemos ou não eles têm status de cidadãos americanos.

– Ele tem razão agente Reyes – disse Scully – duvido que nosso governo concorde em extraditá-los.

– Nossa chance de pegá-los era através da investigação que estávamos fazendo e que meu parceiro estragou.

– E quanto ao assassinato de Jeremias Weltmam?

– Não podemos acusá-los com base nas visões de um agente que perdeu o controle Monica – disse Doggett.

– Eu não concordo com o que Jake Farmer está fazendo – Reyes era indignação pura – só que essa gente não pode mais ficar impune.

– Eu concordo com você agente Reyes – a indignação de Scully não era menor – esses homens eram assassinos e duvido que tenham deixado de ser durante o tempo em que viveram aqui.

– O que quer dizer com isso agente Scully?

– Você viu a ficha deles agente Masters, aquela pobre mulher em Terblinka não fora a única vítima deles.

– Entendo o que quer dizer Dana, aqueles homens adoravam matar e Jeremias Weltmam não deve ter sido a única vítima deles depois que chegaram ao país – John Doggett acompanhava a progressão de idéias entre as duas mulheres, difícil dizer qual das duas ele admirava mais, virou-se para o agente Masters

– Acha que poderia nos dar acesso aos arquivos de crimes de morte ocorridos nessa região entre os anos 50 e 70 agente Masters? Seria bom também examinar desaparecimento de pessoas no mesmo período.

– Acha que pode ajudar em alguma coisa?

– Quem sabe? Talvez encontremos alguma coisa.

HOSPITAL GERAL DE DALLAS

18:45 Pm

Ele sentia os dias passarem sem qualquer entusiasmo. O pior de tudo era ter de ficar ali naquela cama pois só restava a ele pensar na sua vida. Poderia ser uma boa coisa, lembrar de bons momentos, tentar recriar a felicidade que já sentiu. Mas toda vez que sua mente não estava entorpecida pelos medicamentos, que as dores constantes não tomavam conta de seu corpo , toda lembrança que surgia tinha a ver com suas infâmias, o seu passado vergonhoso. “Tarde demais para arrependimentos”, ele pensava. Nunca fora um homem religioso, sempre acreditou que depois da morte só havia esquecimento, e até preferia que fosse assim. Não adiantava mesmo pensar no que foi feito, tudo o que restava era esperar pelo inevitável e torcer pra que viesse logo, livrando-o de todas essas dores. Seus pensamentos são deixados de lado quando vê alguém conhecido entrar no quarto.

– Como está indo Bob?

– Estou morrendo não vê?

– Isso não está acontecendo por minha causa pra você falar desse jeito comigo.

– Parte da culpa é sua sim, não sei porque aceitei ir naquela reunião idiota.

– Deixe de bobagens que você já estava doente a muito tempo.

– Logo vão saber quem nós somos e o que fizemos Heinrich.

– Não me chame desse jeito – ele gritou.

– Não adianta mais esconder o que será revelado meu caro.

– Minha maior preocupação agora é com a investigação do FBI.

– Você devia preocupar-se também é com a reação do partido quando descobrirem que estávamos usando os campos de treinamento para encobrir o nosso negócio.

– É por isso que estou aqui.

– Está com medo que eu fale alguma coisa? Se é isso pode ir sossegado, tudo o que eu quero é esperar a minha morte em paz.

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“Os dois homens foram arrastados até a cela, lágrimas misturadas ao sangue que escorria abundante em ambas as faces enquanto eram jogados sem qualquer cuidado no chão frio e úmido do pequeno compartimento. Um deles levanta e vê pela janela da cela o corpo da mulher que era sua esposa sendo arrastado, tudo o que ele podia fazer era gritar”.

Jake Farmer quase soltou um grito quando voltou a si, ele não suportava mais aquelas imagens surgindo a todo momento na sua mente. As lembranças não eram dele, mas que insistiam em atormentá-lo com cada vez mais freqüência. Ele estava decidido a acabar de vez com isso enquanto vestia uma roupa de médico roubada no almoxarifado do hospital. Agora era esperar até de noite pra fazer o que deveria ser feito.

Pouca coisa irritava mais o policial James Landis do que ser nomeado para vigiar pessoas ameaçadas em hospitais. Era um serviço maçante que parecia não terminar nunca. As vezes chegava quase a desejar que uma quadrilha invadisse o lugar e o salvasse daquela pasmaceira que já durava horas. Não era pra isso que tinha entrado na polícia. Ele viu um médico vindo em sua direção, o rosto abaixado olhando uma prancheta. James levantou-se num gesto automático, mesmo assim foi pego de surpresa com o golpe que o derrubou no chão. Jake Farmer não perdeu tempo e pegou-lhe a arma, ele abriu a porta do quarto e entrou, arrastando o policial desacordado com ele.

SEDE REGIONAL DO FBI

DIA SEGUINTE

Larry Masters suspirou ao ver aqueles três de novo na sua frente. A idéia de seu parceiro estar enlouquecido por aí, matando pessoas, já era suficientemente embaraçosa, e ele ainda tinha que aturar aquela teoria de memória genética para explicar toda aquela confusão. Na cabeça dele era tudo muito simples, Jake não suportou a pressão e pronto. Ele só precisava ser detido para por um fim naquilo, nada de teorias malucas que só serviam pra atrapalhar o caso, mas não havia como livrar-se deles agora e o jeito era aturá-los.

– Vocês estão com uma cara horrível – ele disse ao vê-los com um aspecto cansado.

– Dê uma olhada nisso agente Masters – Scully entrega a ele várias pastas antigas.

– O que é isso?

– Isso agente Masters são processos de pessoas desaparecidas nos anos 50 – disse Doggett – são doze ao todo, e os corpos nunca foram encontrados.

– O que isso tem haver com o caso?

– Todos esses desaparecimentos ocorreram na mesma área onde está localizada a fazenda de Paul Hoover, ou melhor, Heinrich Schneider.

– Está querendo dizer que ele é o responsável por esses desaparecimentos agente Reyes?

– Praticamente não foi feita nenhuma investigação a respeito desses desaparecimentos – disse Scully – creio que isso teve haver com as características étnicas das vítimas.

– Dez negros e dois Judeus – completou Reyes.

– Escutem aqui agentes; eu quero botar esse cara na cadeia tanto quanto vocês mas não posso acusá-los de crimes ocorridos há 50 anos.

– Esses corpos devem estar na fazenda dele agente Masters.

– Uma equipe inteira esteve lá e não achou nenhum vestígio disso.

– Eles não precisaram fazer nada – disse Doggett – a agente Reyes me disse que os restos mortais de Jeremias Weltmam já estavam parcialmente desenterrados e não foi preciso escavar em outros lugares.

– As atividades da Klu Klux Kan foram muitos intensas naquela região nos anos 50, não é preciso pensar muito para chegar a conclusão que Paul Hoover e seus parceiros de nazismo participaram ativamente delas.

– Você está sugerindo agente Scully que o FBI escave aquela fazenda inteira a procura de corpos?

– Eu entendo a sua posição agente Masters, mas diante do acontecido com o agente Farmer essa é a única maneira de pegar aqueles caras.

– O Jake arruinou mesmo o caso do contrabando de armas agente Doggett – Larry dá um suspiro – só que nós precisamos de algo mais consistente pra poder conseguir uma ordem judicial e entrar lá.

Uma pessoa avisa ao agente Masters que algo aconteceu no hospital. Os quatro agentes saem correndo para lá. Eles chegam bem rápido, entrando no quarto de Robert Graves. Estavam esperando encontrar um homem morto, mas ele estava vivo, e sem qualquer ferimento. Apenas o policial James Landis é que estava com um galo na cabeça.

– O que aconteceu aqui? – pergunta o agente Masters.

– Seu parceiro esteve aqui comigo meu caro – disse Robert.

– Sabe porque ele não o matou como aos outros senhor Graves? – pergunta Scully.

– Creio que ele achou mais conveniente me deixar agonizando minha cara – Scully leu a papeleta médica dele.

– Pelo que leio aqui o senhor está com câncer num estagio bem avançado.

– É isso mesmo.

– Tem idéia de onde o agente Farmer possa ter ido? – pergunta Doggett.

– Ele foi atrás do Paul.

– É de Heinrich Schneider que está falando não é? – pergunta Reyes.

– Pelo visto vocês já sabem de tudo.

– Exatamente soldado Hermam, sabemos do passado nazista de vocês e também disso – John Doggett resolveu fazer um jogo com ele jogando as pastas com os casos de pessoas desaparecidas – sabemos que vocês participaram de atividades da Klu Klux Klan nos anos 50.

– Sabemos que vocês foram responsáveis por esses desaparecimentos – Scully percebeu o jogo de Doggett, e tratou de ajudá-lo, numa sintonia quase tão perfeita quanto a que tinha com Mulder.

– Sabemos também que os corpos estão na fazenda de Paul Hoover, o mesmo lugar onde enterraram o corpo de Jeremias Weltmam – Monica Reyes também entrou no jogo.

O agente Larry Masters não pôde deixar de ficar admirado como aqueles três conduziram a situação. Quando deu a eles total acesso aos arquivos sobre os crimes ocorridos nessa região era apenas para mantê-los afastados enquanto tentava achar Jake e resolver esse caso a sua maneira. Nunca achou que pudesse sair alguma coisa daí. No entanto, a maneira como jogaram todas aquelas interrogações em cima de Robert Graves, sem que ele tivesse tempo de respirar, foi impressionante. Eles demonstraram uma segurança que não deixava margem para o homem deitado na cama pudesse duvidar de que eles sabiam toda a verdade. Larry Masters viu no rosto de Robert Graves a angústia por ter todos os seus crimes revelados. Talvez a proximidade da morte mudasse seus pontos de vista, fazendo-o ver seus atos de outra maneira. O que era motivo de orgulho antes, talvez agora fosse algo que devesse ficar escondido, enterrado no passado, esquecido. Tudo o que ele queria era ser deixado em paz para morrer. Foi com esse pensamento em mente que ele contou tudo de um fôlego só, confirmando todas as suspeitas, só para ter o direito de ser deixado em paz.

– Creio que é o suficiente agente Masters – disse Doggett.

– Vou reunir uma equipe agora mesmo – ele disse – mas e quanto ao meu parceiro?

– Acha que ele vai mesmo atrás de Paul Hoover?

– Não é o que ele tem feito agente Reyes?

– Não vai ser tão fácil pegá-lo como os outros agente Masters – disse Scully – tenho quase certeza que ele deve estar com uma segurança pessoal a resguardá-lo , não foi atou-a que ele rejeitou a proteção do FBI.

– Por isso mesmo eu digo que temos de encontrá-lo, o mais rápido possível.

FAZENDA CAVALO BRANCO

4:20 Pm

Jake Farmer chegou a fazenda sem qualquer dificuldade. O problema mesmo era entrar na casa grande sem ser visto. Haviam muitos homens guardando o local, o que fazia-o desconfiar que devia ter muito mais naquele lugar do que se imaginava. Felizmente ele já estava lá dentro, tendo entrado durante a madrugada. Ele sabia que Paul Hoover só usava o local de vez em quando, e que ninguém ficava ali quando ele não estava. Seria fácil ficar escondido, esperar sua presa vir até ele em vez de tentar pegá-lo, sabendo que ele tinha quase um exército a protegê-lo. Ele começou a explorar o lugar e foi até o porão, iluminou o lugar com uma pequena lanterna para não correr o risco de alertar ninguém do lado de fora. As muitas caixas no local chamam a sua atenção e ele começa a abri-las, encontrando várias armas de grosso calibre. “Então era aqui que ele estocava as armas contrabandeadas”. Jake pensava nisso enquanto abria outras caixas, onde viu várias bombas de tempo privativas do exército.

Do lado de fora da casa os homens que a vigiam juntam-se ao avistar o veículo vindo em alta velocidade. Eles logo reconhecem que é o carro de Paul Hoover. O antigo soldado nazista salta junto de seu neto, e mais três guarda-costas, dirigindo-se ao chefe dos vigias.

– Precisamos retirar todo o armamento que ainda ficou no porão – ele disse.

– O que houve senhor Hoover?

– Um informante meu disse que o FBI conseguiu uma ordem judicial para revistar a casa, junto com toda a fazenda. Eles devem chegar daqui a pouco.

– Acho que não vai dar tempo vovô.

– Então vamos explodir tudo o que não puder ser levado – vira-se para o chefe dos vigias – reúna todos os homens e vamos para o porão pegar o que der.

Jake ouviu o barulho de várias passadas vindo em direção ao porão, ele esperava pegar Paul Hoover sozinho, ou com um ou dois guarda-costas, mas pelo barulho deviam ser uns vinte homens que estavam vindo até o porão. Eles com certeza iriam levar as armas. Sabia que não tinha chance enfrentando-os sozinho. Um sentimento de resignação tomou conta dele, não esperava sair bem mesmo dessa história. Olhou para as bombas de tempo à sua frente já sabendo o que fazer.

Os carros dos agentes do FBI chegaram a toda velocidade na fazenda. Eles não precisaram saltar para ouvir os tiros que vinham de dentro da casa. Todos se posicionaram. Larry Masters estava pedindo reforços quando a primeira explosão veio. Os agentes refugiaram-se nos carros, esquivando-se dos destroços. Várias outras explosões seguiram-se, e uma imensa bola de fogo engolfou a casa em estilo colonial de Paul Hoover. Em poucas horas os bombeiros estariam fazendo o trabalho de rescaldo.

– Pelo tamanho da explosão eu diria que havia bombas de alta potência naquela casa – disse Doggett.

– As armas contrabandeadas que nós investigávamos deviam estar lá dentro – respondeu o agente Masters.

– Será que ocorreu um acidente enquanto tentavam tirar as armas de lá? – Reyes perguntava enquanto olhava os corpos sendo retirados pelos bombeiros.

– Eu creio que não agente Reyes – Scully chegou até eles com um objeto na mão, era uma pequena medalha com a foto de uma mulher e uma criança, Reyes reconhece a mulher.

– São a mulher e o filho do Jake – ela respondeu.

– Estava num dos corpos resgatados, estão quase todos irreconhecíveis.

– Exames de DNA neles, minha cara – disse o agente Masters, passando por eles e rapidamente se afastando.

– O pessoal que cuida dessa parte vai ter muito trabalho – disse Scully.

– A equipe de escavação já encontrou algum corpo? – pergunta Reyes.

– Até agora os restos mortais de 6 pessoas já foram encontrados – disse Scully.

– Com Jake Farmer morto não vai ser possível provar se era mesmo um caso de memória genética – disse Reyes.

– Bem vinda ao Arquivo-X agente Reyes – disse uma sorridente Scully – muitos casos sem uma conclusão satisfatória, provas que somem, ou que são inconclusivas, pouco respeito por parte dos colegas, mas você sempre vai ter alguém para quem confiar a sua retaguarda.

– Obrigada Dana – Monica devolveu o sorriso enquanto John Doggett limitou-se a ficar entre as duas mulheres. Com um silêncio respeitoso os três observavam o trabalho dos bombeiros.

FIM.


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