Um amor inglês escrita por Marvin


Capítulo 9
Capitulo 9


Notas iniciais do capítulo

Hey... Yo... Hun, e ai?
Sorry, eu sei que sou um bastardo traidor e mentiroso que não consegue cumprir um prazo e que não tá nem aí pros sentimentos dos leitores (Pelo menos é o que me dizem). Não consegui pensar no que escrever e passei muito tempo sem inspiração e sem dar o minimo de satisfação (Gomen nasai?) '-'
Enfim, se ainda está com vontade de ler essa maldita historia sem graça, se acomode ai na sua cama ou poltrona, pegue seu lencinho para as lagrimas e curta esse estranho capitulo kkk
Não posso mais prometer que vou postar constantemente mas ao menos não pretendo cancelar a fic, por isso peço perdão mais uma vez e boa historia...



Há dias em que se acorda feliz, há dias em que você se sente calmo, como se a agitação cruel desse mundo não passasse de um sonho. Há dias em que os pássaros cantam mais baixo, com medo de assusta-lo. Os insetos resolvem deixa-lo em paz e vão à procura de outro para atormentar. Os raios de sol se tornam tímidos a sua presença. Tudo ao seu redor, dança conforme a sua musica...

Assim Andrew estava se sentindo, após ter experimentado o que notoriamente poderia chamar de a melhor sensação de sua vida. Nunca antes pudera sentir tanta felicidade e satisfação, nunca antes flutuara de prazer... E nunca antes caíra de tão alto.

Ele abriu seus olhos sonolentos e suas pupilas se dilataram com a claridade. Remexeu o pescoço, como que para confirmar que sua cabeça ainda estava ligada ao seu corpo. Respirou fundo e notou com uma humilde satisfação que seus pulmões ainda estavam inteiros. Um dos maiores medos que tinha, era ter algum ataque de asma durante essa hora delicada, não queria ter que ir parar no médico ou ainda morrer na cama de Emilly.

Ele notou uma pequena movimentação no lado direito de seu corpo. Ao voltar seus olhos ainda meio enevoados, avistou a pequena garota que se contorcia para poder levantar. Ele retirou o braço que circundava o corpo de Emy, que até então servira como um gesto protetor e ao mesmo tempo de apoio.

Quando remexeu seu corpo, notou a curiosa sensação de quando se tenciona todos os músculos para depois relaxa-los quase que repentinamente. Estava lerdo ainda, mas logo conseguiu se por em uma posição no meio termo entre sentado e deitado.

– Vou ao banheiro – Disse Emilly cuidadosamente, sua voz estava tensa e seu corpo bastante rígido.

Ele a observou se retirar para o cômodo que ficava logo ao lado do bastante clareado quarto da garota. O sol agora irradiava das frestas das cortinas e parecia tentar queimar seu obstáculo para que pudesse finalmente ver o que havia acontecido entre o casal.

Andy ainda estava surpreso com a sensação que sentia, mas afinal o quê se pode dizer da felicidade, além de que ela é absolutamente indescritível?

Porém, algo parecia incomoda-lo. Algo como se fosse uma coisa importante e que fosse esquecida e estaria constantemente pairando e atormentando o seu portador.

Uma torneira foi ligada da região que parecia vir de um cômodo proximo.

Andy se pôs sentado e começou a esfregar os olhos, sua calça estava jogada na parede e sua camisa devia se encontrar em algum canto ou debaixo da cama ou atrás do computador de Emilly.

Um pequeno soluço alcançou o ouvido de Andy fazendo-o congelar todos seus pensamentos e suas mãos que ainda estavam em seus olhos. O pequeno soluço progrediu para um choro bastante abafado por causa da agua corrente da torneira, era no banheiro, vinha da garota.

– Emy... – Andrew murmurou roucamente enquanto seu mundo começava a cair.

Quase que imediatamente o choro cessou e junto com ele a torneira. Um pequeno som de atrito de um rosto com a toalha surgiu e depois o da porta do banheiro se abrindo.

Andy fitava Emilly que saia com os olhos abaixados e fungando baixinho. Ele a viu se aproximar lentamente e abrir a cortina que cobria a janela, ela estava com a toalha enrolada no corpo.

– Acho melhor você ir – Ela falou sem retirar os olhos de algum ponto fixo no horizonte.

– Emy... Eu... – Andy tentou articular algo, agora uma sensação de frio e insegurança perpassava por seu estomago.

– Agora – Ela não chegou a gritar, mas para Andrew pareceu um tapa na cara.

Ele abaixou os olhos e catou a calça no chão para começar a bota-la. Sem dizer nada achou o uniforme da escola jogado curiosamente em cima do guarda roupa da menina. Calçou as meias e mal colocou os sapatos quando foi andando lentamente até a porta que dava para o meio externo,

– Tchau – Ele disse olhando para trás e sem ganhar resposta. Fechou a porta, que antes fora trancada, atrás de si.

– Tchau – A garota falou baixinho depois que ele saiu, mas sua voz não foi ouvida por ninguém, nem por ela mesma.

Quando alcançava as escadas Andy se apoiou na parede e sentiu que definitivamente chegara ao fundo do poço, ele segurou o próprio rosto com as mãos e tentou não gritar as esmurrar a parede às suas costas. Precisou de alguns momentos para se recompor e depois andar lentamente na direção de sua casa, em algum momento no caminho ele recordou que havia perdido aula na escola, mas isso não era muito relevante.

Fora um final de semana infeliz esse. Apenas no final da tarde de sábado que Andrew tomou coragem para ligar para sua namorada e não conseguiu resposta, nem mesmo parecia tocar. Puxou ainda mais coragem dentro de si e ligou para o telefone fixo da casa dela, esperando que pelo menos o pai atendesse, mas também não houve resposta. Ele se deitou na cama se perguntando como ele conseguia estragar tudo que tocava. Não sabia o que devia fazer agora, sem a garota ele voltava a ficar perdido, voltava a ficar sem orbita.

No domingo seu estado de animo conseguiu se afundar mais, pois o poço ainda podia ser escavado. Ele teve um ataque de asma sozinho em sua cama e se perguntou se seria razoável jogar a bombinha pela janela e esperar para ver o que acontecia. Felizmente, ou não, ele não conseguiu manter essa ideia e foi obrigado a fazer uso do aparelho. Mesmo assim o dia que se seguiu continuou doentio e doloroso.

Nesse dia Andrew repassou tudo que houvera no momento em que estavam juntos e foi levado a uma conclusão assombrosa. Ele fizera algo horrível, fizera algo que nunca mais se perdoaria por fazer. Ele fora um monstro.

Ele se lembrou do que ocorrera na hora que tirara a roupa da garota - sentiu bílis percorrer todo o caminho até sua garganta e pedir gentilmente para sair - Ele começara a ter relações com a garota, até aí tudo bem. Porém foi justamente por ele mesmo não cumprir suas regras que tudo dera mal. Em algum momento ele se deixou levar pelo momento e sua racionalidade fora totalmente apagada, nessa hora ele deixara de ouvir os apelos da garota para que fosse mais devagar e que parasse. Sim, ele fez isso. Ele foi um monstro e machucou a única garota que amara na vida.

Ele puxou o próprio cabelo e afundou a cara na cama, lagrimas escorriam dos seus olhos sem pedirem permissão. Como pudera fazer isso? Será que não poderia deixar de machucar alguém pelo menos uma vez na vida?

A sua noite foi uma confusão. Foi alternando em estados de semi-inconsciência e havia horas que não sabia se estava tendo pesadelos ou era só o manto de solidão e desespero que estava cobrindo-o.

Estaria afinal perdendo sua sanidade?

Acordou na segunda antes do despertador e seu olhar estava triste e miserável. Perguntou-se se deveria ir à aula nesse dia, apesar disso começou a fazer tudo mecanicamente. Foi para o banheiro e enquanto escovava seus dentes percebeu, no espelho, o quão mal ele parecia. Seu cabelo estava um amontoado e havia olheiras profundas em seu rosto. Jogou um pouco de agua no rosto e depois tomou uma grande quantidade de café para se manter acordado. Decidiu ir a qualquer custo para a aula e que tentaria de tudo para pedir desculpas para a garota. Sabia que talvez não aguentasse nem olha-la mais no rosto de tanta vergonha. Aceitaria se ela não quisesse mais olhar em sua cara, mesmo que ficasse em um estado de depressão profunda depois.

Arrumou sua farda e percebeu que esquecera sua mochila na casa de Emilly.

Droga – Pensou – Nunca conseguirei ir até a casa dela para pegar.

Ele sabia que a garota não lhe daria também, ela deveria estar furiosa. Andy pensou na possibilidade de deixar pra lá e comprar um material novo, afinal tinha um cartão de crédito. Ele realmente odiava ter de pensar dessa forma, mas tinha medo de falar com a garota. Pensou também que talvez seria melhor mudar de sala para não incomoda-la mais, seus pais não se importariam de qualquer jeito.

– Deixa disso seu idiota – Uma parte dele falou pra si mesmo – Você não pode largar tudo que tem só porque uma garota não quer mais te ver. Cresça! Larga de ser um bebe chorão.

– Mas – Outra parte dele rebateu – Eu devo isso a ela, eu a machuquei. Não tenho direito de pensar só em mim nesse caso.

Ele foi para a escola com essa discussão na cabeça.

Quando chegou à sua sala foi em direção ao seu lugar de costume. Enquanto passava viu alguns colegas que o cumprimentaram e ao se sentar no lugar avistou seu novo amigo, que se transferira recentemente e agora sempre falava com ele.

Ele percebeu o quanto Emilly o mudara. Não era mais um idiota antissocial e odiado por todos, pelo menos não era até o incidente de sábado...

– Oi – Disse Henrique, um garoto de cabelos loiros e curtos, usava óculos e parecia que estava sempre sorrindo – Você fez a tarefa de Quimica?

– Huh? Ah, sim... Quer dizer, não. Não tive tempo... – Falou ainda não sabendo o que dizer afinal ele virara um monstro. Nem ao menos falara com outra pessoa desde o que ocorrera.

– Como não? Você teve o final de semana todo pra fazer. O que você fez então nesse tempo todo? Aliás, você não veio no sábado também, né?

– Hum... Estive ocupado – Falou Andy sem a mínima vontade de contar o que acontecera para ninguém – Acabei esquecendo a tarefa, mas posso fazer agora. Hum... E porque você não fez também?

– Bem... Você sabe. Eu sou de humanas, eu fiz as de Português e de Geografia, que eu sei que você não dá à mínima. Além do mais eu estive na festa... Sabe, tentando achar alguma ruivinha...

– É mesmo? – Andy falou totalmente desligado, apenas para deixa-lo continuando a falar.

Nesse momento Emy entrava e caminhava em sua direção. Ele se ajeitou na cadeira e esperou que ela sentasse na cadeira ao lado que agora era fixa dela também. Mas surpreendentemente a garota sentou-se duas cadeiras à frente, parecia estar distraída.

O coração de Andy caiu quando viu a garota fazer isso. Agora sua teoria fora confirmada, a garota não queria mais falar com ele. Provavelmente o odiava nesse momento.

– Ué – Henrique falou quando percebeu que a garota não sentara no lugar de sempre – O que houve com Emilly? Vocês brigaram? HELLO EMILL...

Andrew calou o garoto no exato momento que este iria chamar a atenção de Emy. Não queria que a garota se sentisse mais constrangida ou com mais raiva do que estava.

– Shiu – Falou para Henry – Não fale com ela... Ela... Hum... Tá meio doente – Disse inventando algo para que o outro garoto não desconfiasse.

– Sério? Então você não deveria ir lá ajuda-la? Que tipo de namorado é você? Eu não deixaria uma garota daquela sozinha nunca.

Andy fitou o amigo e refletiu por um momento. Um impulso estranho, assim como da primeira vez, se instalou em seu estomago.

– Quer saber? – Disse ele – Você tem razão.

Ele acreditava que a garota o tinha mudado. Agora queria mostra-la que faria qualquer coisa por ela, mesmo que ela continuasse a odiá-lo. Ele pegou a folha e caneta, que Henrique o emprestara quando percebeu que ele estava sem a mochila, e levantou-se caminhando calmamente em direção à garota.

– Com licença – Disse para Emilly, o que a fez retirar as pernas do caminho para que ele pudesse entrar na fileira, em momento algum ela deixou de olhar para o chão, nem ao menos sabia quem estava passando.

Para a surpresa de todos da sala Andy sentou-se na carteira ao lado de Emilly. Pela primeira vez na historia ele se sentava na segunda carteira da terceira fileira. Pela primeira vez ele não sentava em seu lugar habitual.

Ele olhou para trás e seu amigo estava estupefato e com o queixo caído, até mesmo ele sendo novo na escola já conhecia a reputação de Andy de nunca sair do lugar, mesmo que não houvesse carteira nele.

Olhou para o lado e viu que Emy o percebera e seu olhar estava tão surpreso assim como de todos, ela estava com a tampa da caneta na boca e pareceu mais linda do que nunca para Andy que agora começava a sentir o constrangimento do que fizera.

A garota se recompôs então e voltou seu olhar rapidamente para o chão. Andrew não sabia se ela estava constrangida ou com um ódio imenso nesse momento. Sua personalidade pessimista optou pela segunda e ele ficou triste por isso.

As aulas decorreram meio estranhas depois disso, afinal era bizarro estar fora do lugar. A pessoa se sente deslocada, o ar, a pressão e até a temperatura parecem diferentes nesse novo lugar. Andy se questionou se todas as pessoas tinham que passar por isso todos os dias e teve pena destas, devia ser muito difícil.

Ele não deixava nunca de tirar os olhos da garota. Ele a vigiava com o canto dos olhos, é claro, para não parecer desesperado à menina. Também queria saber o que ela faria, mas a garota permanecia permutando sua atenção de algum ponto no chão para o quadro onde os professores faziam anotações.

Em algum momento entre a terceira e a quarta aula Andy se atentou há algo que o professor falara. Ele observou a garota, ele não tinha ensinado a ela sobre essa palavra e ficou preocupado se ela havia entendido. Obviamente ela não entendia muitas das palavras do português e devia usar o contexto da frase para compreender, por isso ele aproveitou a oportunidade parar estabelecer um contato com a garota.

– Abruptamente... – Ele sussurrou – Is like, “Suddenly”. Precipitado... “Rash”.

Ele aguardou alguma resposta dela, mas ela deu a parecer que não havia ouvido ou se importado. Contudo, quando Andy olhou para a mão da garota que estava segurando uma caneta, percebeu que estava cerrando o punho quase como se quisesse quebra-la.

Andy percebeu horrorizado que só estava atrapalhando a garota. Ela não queria sua presença, muito menos que ele falasse com ela. Andrew após isso ficou quieto, odiou a si mesmo por ser tão estupido e a parte de sua mente que pensava em deixar pra lá tudo isso começou a ganhar força.

Com o final das aulas todos se levantaram ávidos para descansar nessa tarde de Segunda. Andy não o fez. Emy também não. Ela ficou sentada algum tempo observando o caderno, depois começou a lentamente guardar suas coisas. Andy não viu nisso, uma chance para conversar com a garota, por isso deixou-a ir lentamente até que saísse pela porta.

– Você vai acampar aí? – Henrique falou, com a mochila nas costas e aguardando Andy – Gostou tanto do lugar que não quer mais sair?

Andrew despertou do transe após ouvir a piada do colega. Em uma situação normal ele responderia com algo irônico ou xingaria divertidamente a mãe dele e sairiam da sala sorrindo. Em uma situação normal Emy estaria do lado e faria alguma referência britânica ou chamaria os dois de algo indecente e arrastaria Andy pelo braço. Não era uma situação normal.

Ele se levantou e acompanhou o colega.

– Sabe. Se você fizesse uma coisa imperdoável a alguém e estivesse com remorso e confuso, o que você faria? – Andy questionou com uma voz miserável.

– Huh? Que aleatório, porque você sempre fala essas coisas depressivas? – Ele disse enquanto bebia agua no bebedouro – Bom... Se fosse uma pessoa que eu gostasse, eu provavelmente pediria desculpas e se ela não aceitasse eu colaria no pé dela até que ela aceitasse ir tomar um sorvete comigo. Você sabe como eu sou chato com isso, há há.

– Hum... Obrigado – Andy refletiu novamente, era a segunda vez que Henry o ajudava nesse dia. Teria que pagar um sorvete para ele depois se não estivesse muito triste – Tenho que ir agora, valeu.

Ele correu pelo corredor e pela rua que ele sempre passava quando levava Emilly para casa.

Já é a segunda ou terceira vez que corro atrás dessa garota assim – Ele pensou – Eu posso correr assim todo dia se você quiser, sua garota doida.

Novamente sua respiração começava a ficar pesada e ele praticamente ameaçou mentalmente os próprios pulmões se ousassem atrapalhar dessa vez.

Ele encontrou dessa vez a garota rapidamente, tendo em vista que ela praticamente nem estava se esforçando para ir rápido. Dessa vez não iria agarra-la, não queria mais machuca-la. Não queria fazer mais nada que ela não quisesse.

Ele adiantou-se um pouco e parou um pouco à frente da garota. O rosto da garota passou de surpresa, pra alivio e por fim ao anterior constrangimento, ou ódio.

Ele a olhou com uma postura determinada, como se dissesse – Ainda está surpresa por eu correr atrás de você? Se acostume.

– “Se a alguém causa inda pena a tua chaga, apedreja essa mão vil que te afaga, escarra nessa boca que te beija!”

Ela se surpreendeu com a fala do namorado. Não estava apenas citando a poesia que haviam lido juntos, mas também, uma forma meio nojenta de se condenar. A garota ficou confusa por algum momento.

– Hum... E se o corvo disser “Nunca mais”? – Ela respondeu entrando no jogo.

Andy sorriu meio triste. Ela não estava apenas respondendo, mas fazendo ironias com ele, assim como costumava fazer antes. Por outro lado sua citação do ‘O corvo’ podia também dizer que ela não queria mais ele. Ele tentou pensar rápido no que fazer.

– Talvez... “Eu possa me dizer do amor (que tive); que não seja imortal, posto que é chama; Mas que seja infinito enquanto dure.”

Emy novamente se surpreendeu. Ambos haviam lido o poema na aula anterior de literatura, ela havia amado o texto. Ela ficou quieta subitamente, olhando para o chão. Sabia que agora tudo dependia dela, que o garoto estava se esforçando ao máximo para não perde-la... Será que isso é amor?

Ela se aproximou do garoto e o beijou da mesma forma que ele fizera nesse mesmo lugar da outra vez. Dessa vez pelo menos as pessoas ao redor não comemoraram e nem nada, justamente ao contrario, eles os ignoraram, o que foi um alivio para a garota, que ficara constrangida na primeira vez.

Andy ficou imensamente feliz quando os lábios da garota se encontraram com os seus. Por um momento ele se permitiu relaxar e pensar que estava tudo bem. Só por um momento. Depois disso, um remorso crescente surgiu de seu coração. Isso é para indicar que está tudo bem, ou é um adeus?

Ele retirou cuidadosamente a face da garota de sua proximidade.

– Desculpa...

– Não... – Ela respondeu.

– Desculpa, eu fui um monstro...

– Cala a boca – Ela disse – Eu que peço desculpas. Eu acabei ficando com raiva de você por uma coisa tola... Depois eu fiquei constrangida e não consegui mais te olhar...

– O quê? Não – Andy rebateu – Eu que fui um monstro e não respeitei você. Eu te machuquei e isso é imperdoável.

– Você não fez nada de mais. Eu que fiquei meio ressentida e te expulsei de casa sem nenhuma razão... Depois tive vergonha de te atender quando você me ligou... Aí eu passei mal no Domingo, não teve nada a ver com você, mas tive fortes enxaquecas... Aí hoje eu fui pra escola meio tonta e fiquei com vergonha de sentar ao seu lado.

– And then – Ela continuou, sem saber como estava tagarelando – Quer dizer, depois você sentou ao meu lado e eu quase chorei por você ter feito uma coisa dessa logo por mim... Aí eu vi que você tinha esquecido sua bolsa em casa e fiquei pior, depois quando você me ajudou - aliás, obrigada - eu tive que me segurar para não pular em você, no bom sentido é claro... Aí agora...

– Hey. Calma – Andy segurou com o maior cuidado no braço da garota – Você não estava com raiva de mim esse tempo todo? Eu quase me matei com medo de te causar repulsa. Depois eu tentei fazer de tudo pra você me perdoar, mesmo que continuasse a me odiar.

– Mas, eu não te odeio – Ela disse com os olhos marejados – Por que eu faria tal coisa? Você é sempre um doce comigo.

– Não, eu sou um monstro. Eu não te escutei quando... Você pediu pra parar. Eu não estava nem pensando e acabei te machucando só para meu prazer.

– Peraí, não foi assim que aconteceu. Você não se lembra? – Ela disse confusa – Depois que você falou aquelas regras sem sentido e a gente... Bom, eu pedi pra ir mais devagar... Realmente doeu um pouco...

– Viu? Eu te machuquei e nem escutei quando você pediu pra parar.

– Cala a boca... Foi ao contrario... Eu pedi pra ficar... Em cima, pra ficar mais confortável... E você acatou na hora, murmurando algo sobre “não querer me machucar”... Você foi um doce – Disse ela agora já chorando.

Andy ficou tocado com o que ela dissera, tinha absoluta certeza de suas memorias. Perguntou-se se a garota estava fingindo para não magoa-lo, mas descartou a possibilidade, Emy estava chorando de verdade. Ele passou o braço sobre ela para acolhê-la entre si e deixou-a chorar sem que as outras pessoas pudessem ver.

Depois de algum tempo ela levantou a cabeça e seus olhos vermelhos ressaltando a íris castanha dela que agora parecia mel e os fios de cabelo em frente ao seu rosto deixaram Andy corando com a beleza da garota que não sabia mais como deveria se sentir.

Eles se beijaram novamente, dessa vez demorando mais até que a respiração, ou a falta dela, de Andrew falhasse. Eles se olharam.

– Mesmo assim, Emy. Eu ainda te machuquei, não foi?

Ela ficou relutante por um momento e depois confirmou devagar com a cabeça.

Um nó se formou no coração de Andy, no final era mesmo um monstro.

– Desculpe...

– Isso é natural. Praticamente todas sentem isso na primeira vez – Ela tentou conforta-lo.

Antes que pudesse objetar ela finalmente colocou o dedo na boca do garoto.

– Amor... – Emy Falou – Você realmente não se lembra de nada não é mesmo? Logo depois que terminamos... Eu disse “De todas as dores possíveis e que já senti, essa foi a que mais me fez feliz e a que mais valeu a pena”.



Notas finais do capítulo

Hum... Putz, eu tô virando craque em capitulos Awkward. Nem tô corando mais '-'
Enfim, está sendo um conteudo muito adulto? A historia está perdendo o foco? Eu esperava fazer algo adolescente e que retratasse o que realmente acontece (ou pelo menos acontece na minha mente kkk) e não aqueles romances vampirescos e lobisomescos (sem querer ofender à quem escreve)
Só estou com receio de fazer algo que seja chato e muito melodramatico, sabe? Já tenho a historia toda em mente e espero escrever do melhor modo possivel.
É isso? Até o proximo capitulo então e continuo sem previsões... Bye
PS - A poesia que Andy citou é o "Soneto de Fidelidade" de Vincius de Moraes
PS2 - A frase de Emy (Será que isso é amor?) foi uma brincadeira citando a musica "Eu poderia" de Supercombo, recomendo...



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