O Espírito do Estripador escrita por MarcosFLuder


Capítulo 2
Capítulo 2


Notas iniciais do capítulo

Aqui está o segundo capítulo. Quarta-feira que vem eu posto os outros dois e encerro a história. Espero que quem leia fique satisfeito.



Este capítulo também está disponível no +Fiction: plusfiction.com/book/564516/chapter/2

Ela sentia um torpor tomar conta do seu corpo enquanto a morte chegava cada vez mais perto, a lâmina afiada da navalha aproximava-se de sua garganta e ela nada podia fazer, pois seu corpo jazia imobilizado numa cama em um quarto escuro com um vulto próximo a ela. Phoebe queria gritar, mas não conseguia e um terror apoderou-se dela ao ver o sangue espalhando-se por seu corpo.

– Não, meu Deus não – os gritos de Phoebe acabam acordando Mulder.

– É só um pesadelo Phoebe calma – a muito custo ele consegue fazê-la acordar

– Oh meu Deus, Fox – ela mal conseguia respirar enquanto abraçava-se nele.

– Que pesadelo foi esse Phoebe?

– Eu... os venho tendo desde que esse maldito caso começou...deixa pra lá Fox – eles vão para a sala, Mulder dá algo para ela beber e aos poucos Phoebe vai acalmando-se.

– Algumas coisas que você disse durante o pesadelo chamaram a minha atenção Phoebe , eu...– ele ouve uma batida na porta e vai atender, Scully entra e vê Phoebe vestida apenas com uma camisa pertencente a Mulder

– Eu vim acordar você, mas parece que não era preciso.

– Como se fosse a mãezinha dele? Que fofo – Phoebe já estava mais calma.

– Quer ficar quieta Phoebe – Mulder parecia constrangido por Scully vê-lo naquela situação – Scully eu...

– Está tudo bem Mulder, você não precisa explicar nada – ela evita olhar para Phoebe – eu vou procurar aquele especialista que você...que a Phoebe indicou, mais tarde nos vemos – ela sai meio apressada e sem olhar para trás, Mulder pensa em ir atrás dela mas desiste, Phoebe nota o constrangimento dele

– Por acaso existe alguma coisa entre você e a Scully, Fox?

– Nada do que você está pensando Phoebe – ele aproxima-se dela muito sério – eu acho melhor falar sobre esses pesadelos que você tem tido.

– Eu não quero falar sobre isso Fox – ela fez menção de sair mas Mulder a segurou.

– Porque não Phoebe? Eu vi o seu pavor agora a pouco, esses pesadelos tem haver com os crimes não é?

– Eu disse que não quero falar sobre isso Fox – ela grita enquanto desvencilha-se dele e vai até o quarto trocar de roupa. Mulder ainda pensa em insistir, mas resolve não fazê-lo, pois está mais preocupado com o que Scully estaria pensando nesse momento.

XXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXX

O endereço que Scully procurava ficava num bonito bairro de casas antigas, mas muito bem conservadas que ela não pode deixar de admirar principalmente depois que resolveu não se preocupar com o que estaria acontecendo entre Mulder e Phoebe. Ela tocou a campainha da casa e foi atendida por uma senhora de idade que a fez entrar e foi chamar o patrão enquanto Scully esperava na sala. Adam S. Parker não demorou a chegar e Scully, que esperava encontrar um senhor de idade, surpreendeu-se ao ver-se de frente com um homem alto e muito bonito, só um pouco mais velho que ela. Ele a cumprimentou no melhor estilo inglês, beijando as suas mãos delicadamente ao mesmo tempo que a presenteava com um sorriso cativante, ela não pôde evitar um certo encantamento com a situação

– Com quem estou tendo o prazer de falar?

– Er...Scully...Dana Scully, o prazer é todo meu – ele faz um gesto convidando-a a sentar-se.

– O que deseja de mim Senhorita? – ela mostra a insígnia do FBI e conta para ele como foi convocada pela Scotland Yard para ajudar nas investigações de uma série de crimes.

– Eu li sobre esses crimes em alguns jornais, mas me pareciam exageros sensacionalistas.

– O sensacionalismo existe sim, mas é fato que os crimes repetem em detalhes os cometidos pelo Estripador.

– A Phoe...hã...agente Green já havia me procurado em busca de auxilio quando os crimes começaram.

– O senhor é considerado um dos maiores especialistas em Jack, o Estripador

– Obrigado, mas pode me chamar de Adam, agente Scully, ao contrário da maioria dos ingleses eu não me sinto bem com esse excesso de formalidade – ele diz isso sorrindo e Scully acaba fazendo o mesmo.

– Como quiser Adam – eles olham-se por uns instantes – toda ajuda é bem vinda para evitar uma quinta morte.

– Que deve acontecer no dia 9 de novembro se o padrão das mortes continuar seguindo os crimes do Estripador.

– É verdade, mas tem uma coisa que eu gostaria de esclarecer.

– E o que seria?

– É que quando examinei as duas últimas vítimas eu descobri que elas foram mortas por assassinos diferentes e o meu parceiro sugeriu que os crimes atribuídos a Jack, o Estripador também poderiam ter sido cometidos por mais de um assassino.

– Eu gostaria de mostrar-lhe uma coisa – ele se levanta e pega um livro na estante entregando a ela – eu mesmo escrevi após anos de estudos e pesquisas.

– Imagino que aqui estejam todas as suas idéias a respeito de Jack, o Estripador – ela folheia o livro, mas fica especialmente interessada no título – “As identidades do Estripador”? não vai me dizer que você também acredita que havia mais de um assassino?

– Eu não tenho nenhuma dúvida quanto a isso agente Scully – ele acomoda-se na cadeira bem de frente para Scully – Stride Elizabeth foi a terceira vítima de Jack, o Estripador, mas na minha opinião ela não foi morta pelo mesmo assassino de Catharine Eddowes. As duas foram mortas na mesma noite, mas Elizabeth, ao contrário das outras, não foi mutilada.

– E quanto as duas primeiras vítimas de Jack, o Estripador?

– Polly Nichols e Chapman de Annie eu acredito que foram mortas pelo mesmo assassino de Catharine, a minha dúvida é quanto a última vítima, eu não sei se foi por ter sido o mais brutal dos cinco crimes mas a morte de Marie Jeanette sempre me intrigou.

– Um terceiro assassino?

– Você conhece a história de Edward Albert Victor?

– O sobrinho da Rainha Vitória? Ele foi um dos mais conhecidos suspeitos de ter sido Jack, o Estripador.

– Ele era uma espécie de ovelha negra da família Real, vivia metido em confusões e havia fortes suspeitas sobre a sua sanidade mental, gostava de envolver-se com mulheres...por assim dizer...inadequadas para alguém na sua posição.

– E o que tem ele?

– Eu não sei se você sabe, mas está comprovado que pelo menos 3% da população sofre do que foi classificado como personalidade psicopática.

– Eu sei disso – disse Scully – também sei que pessoas assim podem desenvolver um comportamento violento se forem expostas a determinados tipos de traumas, na verdade são esses tipos de pessoas que costumam dar origem aos chamados Seriais Killer.

– Pois eu acredito que se o Príncipe Edward vivesse nos dias de hoje certamente seria classificado como alguém que sofre de personalidade psicopática.

– E o que isso tem a ver com Jack , o Estripador?

– Eu acredito que o mito de Jack, o Estripador foi criado pelas autoridades da época para ocultar os crimes que o Príncipe Albert cometeu e evitar que a família real fosse atingida por um escândalo.

– Acho que o meu parceiro vai gostar de conhecer você – ela sorri ao dizer isso.

– Como vocês vieram solicitar a minha ajuda eu sugiro que procurem outras vítimas além das oficiais.

– O que quer dizer com isso?

– A história registrou apenas cinco mulheres como sendo as vítimas oficiais de Jack, o Estripador mas é sabido que existem pelo menos doze outras possíveis vítimas que nunca foram reconhecidas como tal.

– E porque elas nunca foram reconhecidas.

– Nunca se soube ao certo, existem várias teorias a respeito disso, mas nenhuma delas jamais foi comprovada.

– Talvez elas não tivessem qualquer ligação com Jack, o Estripador.

– Pode ser agente Scully, embora eu acredite que tenha a ver com a trama criada para proteger o sobrinho da Rainha Vitória – Scully dá um novo sorriso ao ouvi-lo dizer isso – diga-me agente Scully o que eu disse de tão engraçado para merecer a dádiva de um sorriso tão lindo? – ele sorri ao mesmo tempo em que perde-se no azul dos olhos dela, Scully sentia-se a vontade com ele como a muito tempo não acontecia

– Desculpe é que eu... – ela trata de recompor-se enquanto o seu celular toca – Scully! Eu estou com o sujeito que você indicou Mulder.

– Ótimo Scully , eu estou na sede da Scotland Yard – Mulder fala no celular enquanto vê Phoebe conversando com o Inspetor-chefe Spencer e notando uma certa animosidade entre eles – nós estamos esperando o resultado dos novos exames nas vítimas , por que você não o convida para vir até aqui?

– Eu vou perguntar se ele gostaria de ir até aí – ela nem precisa, pois Adam faz um sinal de positivo com as mãos – ele aceitou Mulder , logo estaremos aí.

XXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXX

Mulder esperava a chegada de Scully e Adam enquanto reparava de longe que a discussão entre Phoebe e o Inspetor-chefe Spencer parecia mais séria do que ele imaginava a princípio. Ele pensou em intervir, mas resolveu não o fez, sem imaginar que ele próprio era a razão daquela briga.

– Onde você esteve a noite toda Phoebe?

– Isso não é da sua conta Nigel.

– Como assim não é da minha conta?

– Quando é que você vai entender que nós não temos mais nada um com o outro Nigel? Eu não devo satisfações a você. Vamos deixar essa discussão de lado pois estamos em nosso local de trabalho.

– Pois saiba que você não vai fugir dessa nossa conversa Phoebe – Nigel saiu da sala e deu de cara com Mulder e ao olhar para ele teve a confirmação de suas desconfianças. Mulder desviou o olhar e ficou aliviado quando o viu indo embora sem cobrar nada dele, mas não conseguiu evitar o incômodo ao deparar-se com Phoebe

– Algum problema Fox?

– Fico imaginando o que te faz magoar pessoas que gostam de você.

– Está com pena do Nigel?

– Digamos que estou solidário, afinal eu já passei pela mesma situação.

– Se faz você sentir-se melhor eu posso garantir que já não havia mais nada entre nós quando eu fui ao seu apartamento ontem a noite.

– Não era o que parecia pelo modo como ele me olhou.

– Podemos discutir isso outra hora, quem sabe num jantar? – ela mostra um relatório para ele – eu fiz nossos peritos virarem a noite para ter esse resultado e parece que a sua parceira estava certa.

– Então existem mesmo dois assassinos agindo – ele lia o relatório enquanto formulava as suas idéias.

– O comissário Benson vai convocar uma coletiva para a tarde de hoje. Ele vai anunciar essa descoberta e acabar com qualquer vinculação do caso com os crimes de Jack, o Estripador. O seu nome e da Scully não serão citados é claro, mas ele garantiu que irá mandar um relatório ao FBI elogiando a ajuda de vocês no caso.

– Parece que eu e a Scully estamos sendo dispensados.

– Não há mais razão para a permanência de vocês, estamos lidando com dois assassinos diferentes e não com um imitador de Jack, o Estripador.

– E se eu disser que os crimes do Estripador também foram cometidos por assassinos diferentes.

– Do que você está falando Fox?

– Estou falando que Jack, o Estripador está totalmente ligado aos crimes atuais e a descoberta da Scully apenas lançou um pouco de luz sobre o que aconteceu no século passado.

– Pelo amor de Deus, Fox...

– Escute Phoebe! Você sabe muito bem que esses crimes estão imitando os que foram cometidos pelo Estripador e que se não achar-mos os responsáveis por eles até o dia 9 de novembro uma quinta mulher vai ser literalmente despedaçada.

– O que você quer que eu faça?

– Tudo bem que o comissário queira evitar um clima de histeria na cidade, mas não deixe que ele mude a linha de investigação desse caso – ela ficou olhando para Mulder sem saber o que fazer até ter a sua atenção despertada para a chegada de Scully, ela estava acompanhada de Adam.

– Algum problema Mulder? – ela perguntou enquanto notava o olhar dele pousando sobre Adam – Ah desculpe, esse é Adam S. Parker

– Muito prazer – Adam estende a mão e Mulder retribui o cumprimento.

– Parece que o Comissário que dispensar a nossa colaboração Scully.

– Porque Mulder? – ela parece incrédula com a situação.

– A sua descoberta na autopsia foi confirmada e ele acha que isso desvincula totalmente o caso dos crimes cometidos por Jack, o Estripador.

– Desculpe me intrometer, mas ele comete um grave erro ao pensar assim – diz Adam.

– Porque você acha isso Adam?

– Olha...Phoebe, eu já sugeri a agente Scully que a investigação desse caso não pode restringir-se apenas as vítimas oficiais de Jack, o Estripador.

– Imagino que você está falando das doze mulheres que nunca foram reconhecidas como vítimas do Estripador – disse Mulder – acha por acaso que existem mais vítimas nesse caso além das 4 conhecidas?

– Para saber isso agente Mulder seria necessário investigar todas a mulheres que foram enterradas como indigentes nas últimas semanas.

– Eu acho que não foi uma boa idéia recomendar você para esse caso Adam – Phoebe continuava falando como se o conhecesse muito bem e isso não passou desapercebido por Scully – só falta agora você vir com aquela sua teoria de que uma trama foi armada para proteger o sobrinho da Rainha Vitória, e o pior é que eu sei de alguém que estaria propenso a concordar com ela – ela e Scully olham ao mesmo tempo para Mulder, que apenas sorri – tudo bem, tudo bem, eu vou falar com o Comissário e convencê-lo a manter os dois no caso.

– E quanto a lista de mulheres enterradas como indigentes? – Pergunta Mulder.

– Depois de falar com o comissário eu cuido disso também.

NECROTÉRIO DE LONDRES

5 DE OUTUBRO

Os corpos de 6 mulheres estavam prontos para o exame, Scully e o legista da Scotland Yard estavam preparando-se para o trabalho. Ambos eram profissionais experientes, já acostumados com corpos putrefatos, e outras visões desagradáveis, muito comuns na profissão que escolheram. No entanto, esse era um caso muito macabro, e a visão do que restava daquelas mulheres deixava Scully muito deprimida. Mais que a morte, elas foram vítimas do esquecimento. Ali estavam imigrantes ilegais, prostitutas ou mendigas, gente invisível e sem importância, daí terem sido enterradas como indigentes, e ninguém ter se preocupado em descobrir quem as matou...até agora.

– Todas elas foram mortas do mesmo modo que Edith Craig – Scully tinha o ar cansado que não passou desapercebido por Mulder.

– Está tudo bem com você Scully? – ele coloca a mão no ombro dela.

– Tudo bem Mulder eu...só fiquei um pouco deprimida por ver aquelas mulheres – ela pega no braço dele, cuja a mão permanece no seu ombro, e ficam assim em silêncio sem perceber a chegada de Phoebe e Adam.

– Estamos atrapalhando? – Phoebe não perde a chance de usar o seu sarcasmo.

– É claro que não Phoebe – ele retira a mão do ombro dela – Scully tinham acabado de me dizer que todas as mulheres que ela e o Dr. Salisbury examinaram foram mortas do mesmo modo que Edith Craig , isso significa que outras mulheres como elas também correm perigo.

– Essas mulheres poderiam ter sido mortas por um cafetão ou um traficante Fox.

– Os cortes eram idênticos aos encontrados em Edith Craig e os exames que eu e o Dr. Salisbury fizemos não deixam dúvidas de que foram feitos por alguém que não está acostumado a usar a mão direita.

– Adam nós vamos precisar da sua ajuda – Mulder tinha aquele brilho nos olhos que Scully conhecia bem – eu preciso que você reuna tudo o que sabe sobre as vítimas não reconhecidas do Estripador.

– Há muito pouca coisa a respeito delas agente Mulder.

– Eu até imagino o porquê disso, afinal que melhor maneira de encobrir os crimes do Príncipe Albert do que imputá-los aos de um outro assassino ainda mais cruel.

– Do que está falando Mulder?

– Mas é tão óbvio agente Scully – Adam resolveu intervir – Albert matou as doze mulheres e mais Stride Elizabeth; como era preciso evitar o escândalo as autoridades da época resolveram aproveitar os crimes cometidos por outro assassino criando o mito de Jack, o Estripador.

– Sem falar na possibilidade da última vítima ter sido morta por um terceiro assassino – completa Mulder.

– Chega pelo amor de Deus, dois eu não agüento – Mulder e Adam acabam rindo enquanto Scully sai.

– Falando sério Adam – Mulder trata de se recompor – eu tenho um plano para pegar o assassino e vou precisar dos seus conhecimentos para isso.

– Você acredita que mais 6 mulheres vão ser mortas da mesma forma que as vítimas não reconhecidas do Estripador não é mesmo?

– Pode apostar nisso Adam – Mulder dirige-se a Phoebe – você vai ter que mobilizar o seu pessoal Phoebe.

– Mobilizar como Fox?

– Temos que verificar as datas em que as vítimas do Estripador foram mortas bem como os locais e fazer uma vigilância constante para pegar o nosso assassino.

– Você acha que é tão simples assim Fox? Já foi um custo para convencer o Comissário a manter você e a Scully no caso e agora você quer que eu mobilize toda a Scotland Yard nessa caçada insana.

– É a nossa melhor chance de pegar esse assassino Phoebe, o que não podemos é ficar parados esperando ele cometer outro crime – Mulder mal acabou de falar e viu Scully voltar com uma expressão séria no rosto que Mulder logo notou – o que foi Scully?

– O corpo de uma mulher acaba de dar entrada Mulder. Eu fiz um exame superficial, mas não tenho dúvida de que é a sétima vítima.

PERIFERIA DE LONDRES

17 DE OUTUBRO

11:32 Pm

As noites de vigília eram terrivelmente monótonas e ainda não haviam dado em nada, não só não pegaram o assassino como ele matou outra mulher 5 noites antes, e sem que fosse visto pelos vários policiais que vigiavam a área. Tal situação acabou resultando numa dura conversa com o Comissário Benson. Ele estava cada vez mais inclinado a cancelar a vigília, pois achava que não daria em nada. Mulder estava cansado de tudo aquilo, sentia falta de investigar um verdadeiro Arquivo-X, pois tudo indicava que era mesmo um caso de imitadores. Ainda ainda havia Phoebe. Eles voltaram a encontrar-se mais duas vezes desde aquela noite e embora não quisesse retomar o caso que tiveram não conseguia resistir ao apelo que ela ainda exercia sobre ele. Talvez fosse carência, só que ele estava farto daquela situação, pois sabia o quanto Phoebe era volúvel e que não havia futuro para os dois. Por outro lado, ela parecia estranha, como se escondesse algo dele, algo que devia ter relação com os pesadelos constantes que ela vinha tendo mas dos quais recusava-se a falar. Scully cochilava ao seu lado e ele ficou imaginando o que ela pensaria de tudo isso. Gostaria de falar com ela, pedir conselhos, mas sentia-se inibido de falar nesses assuntos com sua parceira embora tivesse certeza que ela seria uma boa ouvinte e poderia ajudá-lo, mas não queria envolvê-la nisso. Tratou de deixar seus devaneios de lado quando percebeu que ela estava acordando

– Desculpe Mulder eu acabei cochilando – ela se espreguiça esticando o corpo.

– Tudo bem Scully, não aconteceu nada de interessante enquanto você dormia – mal ele terminou de falar e uma voz ouviu-se através do rádio.

– Atenção todas as viaturas, suspeito seguindo pela Rua 43.

– Estamos bem próximos a ela Mulder – eles saem do carro e correm em direção a Rua 43, ao chegar na esquina eles vêem um homem entrar por um bueiro ao mesmo tempo que outros policiais chegam.

– Ele atacou uma mulher duas quadras atrás – disse um dos policiais – ela está bem, só sofreu uns cortes.

– Ele entrou no bueiro – disse Mulder enquanto se dirigia aos policiais – mandem fechar todos os acessos no lugar para encurralá-lo.

– Pode deixar senhor – os policiais foram transmitir as ordens enquanto Mulder levanta a tampa do bueiro e volta-se para Scully.

– Damas primeiro? – ele sorri para ela.

– Não começa Mulder – ele entra primeiro sendo acompanhado por ela.

XXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXX

O cheiro era horrível, mas isso era o de menos em se tratando de onde estavam, o impressionante mesmo era a sensação de retorno ao passado que aquele lugar causava, como se nada tivesse mudado desde os tempos de Jack , o Estripador. A luz das lanternas iluminava a escuridão que os envolvia, junto com um misto de medo e angustia que só não era maior porque um dava ao outro uma sensação de segurança que não tinham com mais ninguém. Eles pararam um instante para ouvir o barulho de pés correndo apressados por sobre a água e foram na direção de onde ouviam isso bem a tempo de vislumbrar um vulto correndo em direção a uma saída mas recuando ao perceber que estava cercado. Ele voltou-se para onde estavam Mulder e Scully, ambos apontaram suas armas. As lanternas iluminaram o rosto de um homem; ele parecia ter em torno do 40 anos e segurava uma navalha.

– Você não tem para onde ir – disse Mulder – fique onde está e ponha as mãos na cabeça – o homem levantou as mãos, sem soltar a navalha, atrás dele vinham os policiais cujas lanternas iluminavam o local e fazendo com que o homem visse Mulder mais claramente, bem como a mulher que vinha logo atrás dele. Os olhos do homem pousaram em Scully fazendo seu rosto contrair-se num esgar de ódio, e com um grito tenebroso ele parte pra cima dela de navalha em punho sendo detido por um tiro disparado da arma de Mulder.


Não quer ver anúncios?

Com uma contribuição de R$29,90 você deixa de ver anúncios no Nyah e em seu sucessor, o +Fiction, durante 1 ano!

Seu apoio é fundamental. Torne-se um herói!




Hey! Que tal deixar um comentário na história?
Por não receberem novos comentários em suas histórias, muitos autores desanimam e param de postar. Não deixe a história "O Espírito do Estripador" morrer!
Para comentar e incentivar o autor, cadastre-se ou entre em sua conta.