A Filha do Tordo escrita por Carol F


Capítulo 1
A despedida





Recomeçar nem sempre é tão fácil como parece. Às vezes penso que minha mãe nunca conseguiu. Afinal, como poderia? A menina que sempre batalhou para sustentar a família, se voluntariou para o tão temido Jogos Vorazes, viu tanta gente morrer sem poder fazer nada, teve que suportar muita coisa com um sorriso no rosto, não poderia simplesmente esquecer tudo para seguir em uma vida nova.

Sinceramente, eu acredito que mamãe nunca foi plenamente feliz depois da morte da tia Prim. Além do passado que já a assombrava, ela tinha pesadelos terríveis quase todas as noites que não a ajudavam nem um pouco.

"Aqui jaz Katniss Everdeen, a garota em chamas. Nosso eterno Tordo"

Foi tudo o que restou dela. Uma lápide. Só epsero que ela tenha encontrado a paz que não teve enquanto viveu. Que o ódio do pior presidente que a Capital já teve, Snow, e de Coin, antig comandante do distrito 13, que agia em seu próprio benefício, tenham morrido junto com ela.

- Temos que ir, irmã.

- Só mais um momento. - disse eu, relembrando todo o cortejo que houve em memória do símbolo da revolução.

- Pra que? Chorar não vi traze-la de volta. Nada vai traze-la de volta. - retrucou Patrick olhando fixamente para mim. Ele os olhos dela.

- Eu preciso me despedir! Sei que não faz mais diferença, mas eu preciso, ta legal? Se você não quiser mais ficar, tudo bem, pode ir, mas eu vou ficar o tempo que eu precisar!

- Ok, não vamos brigar. Ela não ia gostar disso. Ela queria que ficássemos juntos. Que fossemos fortes.

Isso era verdade. Ao contrário das outras mães que costumam dizer "boa noite" quando os filhos vão dormir ou "boa aula" quando os filhos vão para a escola, a minha mãe sempre dizia "seja forte".

- Eu juro que a gente já vai, espera só mais um pouquinho, por favor.

- Tudo bem. Eu te espero la fora.

Eu sabia que Patrick também estava triste e não queria magoá-lo mais. Sabia que aqueles olhos também já tinham chorado muito e que não aguentava mais ficar ali. Porém eu realmente não queria ir embora. Não queria deixá-la sozinha. Acho que queria ter ido com ela. Mas, infelizmente, preciso continuar vivendo.

Então, tirei do bolso uma carta que escrevi em despedida. Lá estava a música que ela cantava pra gente desde pequenos, com o último verso em destaque: Aqui é o lugar em que eu sempre te amarei.

Ao sair do memorial de uma coisa eu tinha certeza... meu coração tinha sido enterrado ali, junto com ela.

- Esta pronta? - perguntou Patrick.

- Acho que sim. - respondi ainda na dúvida.

- Eu posso esperar por uma hora ou mais, se quiser... - parecia até que estava se desculpando pelo que tinha dito ainda a pouco. Patrick nunca foi do tipo grosseiro.

- Não, você estava certo, esta tudo bem. Foi um ongo dia e nós precisamos descansar. - tentei acreditar no que eu tinha acabado de dizer, mas não deu certo.





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