Challenges of The Love escrita por Liz Rider, Kiera Collins


Capítulo 46
Arrumando as coisas


Notas iniciais do capítulo

OLAAAAR PEOPLE! Eu andei dizendo por aí nos comentários que ia postar antes do dia 25, aí eu corri pra postar hoje eSURPRISE MODAFOCA! Aqui estou eu. Considerem esse capítulo como um presente de natal ♥ Aliás, um GRANDE presente. Porque esse capítulo tem 6.000 e poucas palavras, sos (Levei até um susto quando vi. Mas vou tentar fazer capítulos maiores, como este. Obg dnd)
Mas, como todo presente de natal, pode ser que vocês gostem ou não gostem. Se bem que eu nunca vi presente de natal destruindo sentimentos de ninguém, mas enfim... Boa leitura ~risada maligna~
P.S.: Cara, já é a segunda vez que eu desejo feliz natal pra vocês! São dois natais juntos agora, eu e vocês :') Estou emossionadan.
P.P.S.: Alguém conta quantas vezes eu disse "Gustavo" e "Bruno" nesse capítulo? Obrigada.



Quando cheguei a escola, pareciam que todos já sabiam da morte de Vanessa. Andando pelo corredor, vi o armário dela cheio de flores e outras homenagens. Pensei de onde vieram tantas coisas, quem as trouxe. Vanessa não era exatamente querida.

Mas eu, Merida, havia trazido uma flor do jardim lá de casa. Ideia da minha mãe. No começo eu achei estranho, mas eu começo a entender agora. Por que não? Nós sempre brigamos, mas agora... Ela está morta. Não há motivo para ódio.

Como no final do filme "Meninas Malvadas", quero remover o veneno do meu corpo. É bom começar por isso.

Deixo a flor branca no armário dela, sob olhares estranhos.

Não pessoas, não é como se eu dissesse "Te amo Vanessa, você era minha melhor amiga e estou muito triste". Eu digo "Tchau, Vanessa. Não tivemos uma boa relação, na verdade a gente se odiava, mas agora passou. Não sinto mais nada por você. Mas acho que todo mundo tem o direito de descansar em paz".

Me afasto do armário e vejo Astrid. Ela me encara, surpresa.

– Estava te procurando, e você está no local mais improvável. Flores para Vanessa, Merida? - Ela franze o cenho.

– É. Quando uma pessoa que você gosta morre é muito triste, mas quando uma que você não gosta, e brigava, morre, é bem estranho. - Ignoro a pergunta dela. - Você procura alguma compaixão dentro de você, é difícil encontrar. Pelo menos pra mim foi.

– Compaixão? Mas ela se matou.

– Por isso mesmo. Para ela ter se matado, ela devia estar muito triste, acabada. Tenho certeza que ela não morreu gritando que odiava todo mundo. Então por que eu deveria gritar que a odeio? Ah sei lá, minha mãe falou umas coisas que faziam muito sentido mas eu não tô conseguindo reproduzir. - Dou um sorriso triste.

– Entendo você. - Astrid entrelaça o braço com o meu. - Mas... Eu não quero parecer insensível, mas eu estou só com pena.

– Talvez eu também. - Fico com o olhar distante.

Depois nós andamos juntas para o refeitório, para aproveitar o intervalo.

Como de costume, sentei com as minhas amigas. Elsa depois saiu, para consolar Jack. O garoto estava realmente abalado, mas Elsa está lá e depois da aula eu converso com ele.

Fiquei na mesa conversando com a Anna sobre cabelos e xampu (nenhum assunto é mais apropriado para mim do que esse, não é mesmo?), quando Hans passou, não olhou pra mim e ainda por cima rindo com um de seus amigos. O seu queixo tinha uma marca, mas parece que ele tinha se recuperado muito bem do soco. Parece que ele não sente mais nada. Que bom.

Eu bem que gostaria de achar um lado positivo nisso. Que, sei lá, eu devia seguir em frente e não ligar para ele como ele não liga para mim. Mas não consigo.

Saio da mesa pisando duro, não queria olhar para a cara daquele idiota. Anna gritou meu nome mas eu saí correndo para o banheiro.

Abro a torneira e jogo água fria no meu rosto. As meninas ao meu lado se assustam. Uma garota ruiva chega violentamente no banheiro, abre a torneira com violência, joga a água no rosto com violência e agora enxuga o seu rosto violentamente. Não as culpo.

Olho para o meu reflexo no espelho. Meu rosto está vermelho, não sei se foi por causa do jeito que passei o papel toalha na minha pobre pele ou pela raiva. Porque eu estou puta. Muito puta.

Eu quero que ele sofra! Se sinta mal do jeito que eu me sinto!

Mas já que ele não liga mais, também não vou ligar.

Repito isso para mim mesma até o final da aula chegar.

– Você vai ficar para ver as finais? - Elsa me pergunta.

– Não. - Respondo, secamente.

– Merida, que cara é essa? - Elsa fala com um tom preocupado, observando minha cara emburrada. - Desde o intervalo você está assim, o que aconteceu?

– Uma palavra, quatro letras, vários sentimentos e muito ódio. H A N S. - Soletro.

– Ah. Só podia. O que ele fez?

– É mais para o lado do que ele não fez. - Suspiro, irritada. - Desculpa Els, mas eu não vou poder ver sua final.

Abraço ela, que está com uma cara meio de desânimo.

– Eu não tô com cabeça pra isso, tenho urgentemente que fazer uma coisa. Mas boa sorte. Ganhe o ouro!

Ela se despede e eu vou embora.

Ao chegar em casa, corro para o meu quarto. Abro a porta do guarda-roupa e lá está ele, o colar que Hans me deu. Tiro ele do saquinho e, com o colar nas mãos, vou até a janela. O pingente é tão bonito.

Mas eu não posso usar isso.

Abro bem as janelas e me afasto. Jogo o braço para trás e lanço o colar para fora do meu quarto.

Ponho a cabeça para fora e tento ver onde ele caiu, mas não consigo. Deve ter caído na grama. Olho para o jardim por mais algum tempo e fecho as janelas.

Adeus, Hans.

Quarta de manhã, eu me sentia melhor. Era cedo e alguns homens estavam cortando a grama do jardim. Eu aproveitei para pegar mais uma flor, desta vez para mim.

Segui para a sala de aula. É aula de história e eu já entro na sala bocejando. Depois de alguns minutos, o professor chega. No exato momento que ele fecha a porta, um aluno bate. Hans. O professor o deixa entrar, para a minha tristeza e ele senta bem longe de mim. Mas antes disso, observo cada passo que ele dá em direção ao seu lugar. Ele fica incomodado e abaixa a cabeça. Depois da interrupção, o professor volta ao assunto e aproveita para lembrar da entrega de medalhas que vai acontecer depois das aulas.

Depois desse desagradável encontro no início do dia, não vejo mais Hans. Já é a hora da cerimônia de entrega de medalhas e eu corro para o ginásio, ansiosa para receber a minha medalha dourada. No ginásio, as pessoas da equipe estão separadas. Gustavo e Bruno conversam com Elly. Eles brincam e riem, por enquanto tudo normal. Bruno e Gustavo estão sempre brincando e rindo entre si, quem se aproxima acaba entrando na vibe.

Aproveito para ir falar com Jack. Ontem eu disse para mim mesma que iria, mas acabei saindo muito cedo do colégio. Frost está no bebedouro e chego mais perto.

– E aí? Tudo bem com você? - Pergunto.

– Eu vou indo. E você? - Ele enxuga a boca com a manga da camisa.

– Tem certeza? Ontem você estava bem mal...

– Estava mesmo. Acho que foi o choque da morte dela, não sei. Mas hoje eu estou melhor. - Ele sorri. "Bom, pelo menos está sorrindo", penso. - Quer dizer, bem até agora. Só de pensar que eu vou ter que dar depoimento para a polícia e essas coisas...

– Olha, isso é necessário. Você tem que fazer, para ajudar no trabalho deles e esclarecer as coisas.

– Eu sei, eu sei. Mas não vai ser fácil.

– Qualquer coisa eu aqui. - Dou um sorriso triste. Ele fecha os punhos e toca no meu, dá um sorrisinho e vai embora. Volto para dentro do ginásio e vou para o lugar da equipe de tiro com arco. Todos estão lá, menos Gustavo.

– Merida, vai chamar o Gustavo, por favor. - Bruno me pede. Olho para ele e noto algo diferente.

– Bruno... Sua orelha! - Cubro minha boca com a mão. Um alargador. Ele colocou um alargador! É pequeno, mas assim que é bonito, pelo menos pra mim. Não acho legal aqueles de vinte e tantos centímetros, que cabe uma vaca dentro.

– Legal, não é? Coloquei ontem à noite. Meu pai vai odiar, adoro! - Diz ele, empolgado com o perigo.

– Tira todo o seu ar angelical.

– Amém. Não sou nenhum anjinho, para ter que parecer com um.

– Ok, ok. - Dou uma risada. - Vou procurar o Gustavo.

Gustavo está sentado num banco afastado do barulho que faziam os alunos ansiosos por suas medalhas. Me aproximo devagar, tomando cuidado para não fazer barulho, mas, mesmo de fone, ele se volta pra mim. Como se sentisse a minha presença.

– Ah, é você... Oi, Merida. - Ele me dirige um sorriso.

– Oi. - Sorrio de volta. - Então, porque está aqui sozinho? Não devia estar lá no ginásio? Já vai começar a cerimônia.

– Sim, e não, não vai começar já. Estão só enrolando, ainda vai demorar.

– Como sempre.

Nós sorrimos e ficamos em silêncio. Gustavo parece um pouco desconfortável. Abraço as minhas pernas.

– Merida... - Ele está com o olhar distante. - C-Como é estar... apaixonado?

– Quê? - Surpresa, olho para ele. Gustavo não retribui meu olhar, continua a fitar um ponto distante. - Que pergunta.

– Eu estou falando sério.

– Hm. Eu não sei se consigo explicar.

– Tente, pelo menos.

– Por que quer saber? - Pergunto. Espero pela resposta por algum tempo, mas Gustavo ignorou totalmente minha pergunta. - Okay, então.

Observo sua expressão, ele parece pensativo. Me assusta um pouco. Enfim, Dou de ombros.

– Cara, é... Pensar em alguém 24h por dia. Imaginar um futuro com esse alguém. Sentir saudade dele por ficar, sei lá, uns três dias sem a pessoa. Sentir medo de perdê-la. Ter uma vontade de nunca se separar da pessoa. Tipo, o tempo nunca é suficiente, pode-se passar horas e horas junto a ela, mas quando chega o momento de separar, foi pouco, você quer que ela fique.

Paro de falar subitamente e volto o meu olhar para Gustavo. As mãos dele estão fechadas entre as pernas, ele prestava atenção em cada palavra, com a boca entreaberta. Suspiro e finalizo meu discurso clichê:

– É uma droga. - Dou um sorriso triste. - Não faça isso.

Ele balança afirmativamente com cabeça e volta a observar o ponto distante. Um silêncio esquisito fica entre nós. Resolvo puxar assunto, também porque estou curiosa.

– Por que me perguntou isso? Por acaso está apaixonado, senhor Gustavo? - Com o dedo indicador, tento fazer cócegas na barriga do garoto. Ele se contorce todo e ri.

– Não sei. - Ele dá um sorriso de canto.

– O quê? Ah, não, agora que iniciou esse assunto, vai ter que terminar.

– Mas eu realmente não sei. Nunca namorei ninguém. Ok, eu já fiquei com umas garotas, mas nunca fiz mais que isso. E agora, eu tinha certeza de uma coisa, mas está tudo se embaralhando... - Ele passa as mãos pelo rosto, com a expressão cansada. Me aproximo dele e ponho a mão no seu ombro. Do quê ele está falando?

– Eu não estou entendendo. - Franzo o cenho.

– Nem eu.

Eu seguraria o outro ombro dele e perguntaria "o que é isso, rapaz? Está drogado?!", mas Gustavo realmente não parece bem. Ao invés de questionar se ele está sob efeito de drogas, me aproximo mais um pouco e encosto a cabeça em seu ombro.

– Você confia em mim, né? - Pergunto. Viro a cabeça um pouco para o lado, procurando os olhos de Gustavo. Com os olhos negros cheios de sinceridade, ele segura a minha mão e garante:

– Claro. Eu gosto muito de você. - Ele sorri. E, como se para reforçar o sentimento, ele repete a frase, deslizando as mãos para o meu rosto. - Eu gosto muito de você, Merida.

Já previa o que ia acontecer em seguida, mas, não faço nada para impedir. Talvez, eu precise disso. Afinal, tudo não seria melhor se eu ficasse com Gustavo? Ele gosta tanto de mim, me faria muito feliz. E eu, me esforçaria muito para nunca magoá-lo, porque ele não merece sofrer. Nunca.

Quando seus lábios tocam os meus... É uma sensação nova. Boa. Porém, uma imagem vem à minha mente: Hans. Jogo flechas e luto pra que ela suma, mas não dá. É impossível não comparar os beijos, o que sinto com cada um.

Gustavo. Por mais que eu queira, não consigo sentir nada... Especial, diferente. Ele é incrível, mas eu posso ser apenas amiga dele. E me odeio por isso.

Hans. Ah, Hans. De "garoto implicante" para "meu namorado". De "meu namorado" para "eu te odeio". Constante: ele não é. Não comigo. Durante o tempo que ficamos juntos, ele me levou para o céu, para depois me jogar direto no inferno. Durante o meu discurso clichê, falei cada maldita palavra pensando em como me sentia com esse maldito garoto.

Elsa ás vezes fala sobre as "Elsinhas" que moram dentro da cabeça dela, cada uma gritando algo diferente. É mais ou menos como estou. Uma Meridinha grita algo sobre como sou idiota, outra grita que preferia se apaixonar por Gustavo, outra grita que Hans é um babaca. E tem uma Meridinha que diz que eu gosto de Hans, a que grita mais alto, mas eu tento calar. Ela está certa. E, ah, como é uma droga gostar de alguém que não te faz bem. O odeio e gosto ao mesmo tempo. Mas eu vou conseguir matar esse sentimento. Eu sei que vou.

Delicadamente, empurro um pouquinho Gustavo e me solto do beijo. Ele abre os olhos devagar e eu viro o rosto. Eu vi o pequeno sorriso que surgia no seu rosto. Sem pensar direito na minha ação, tento me esconder nos meus cabelos. Gustavo dá uma risada e eu gelo. "É agora que ele vai se magoar. Ai, meu Deus", penso.

– Engraçado. - Ele ri. - O que você achou?

– N-Não sei. - Olho para os meus pés. - Fale você primeiro.

– Eu senti... - Ele faz uma pausa. Não vejo sua expressão porque não tenho coragem de olhar para ele. Torço para que ele diga que não sentiu nada. - Nada. Olho para ele na mesma hora.

– Nada? Nada, tipo nada?!

– Não foi ruim. Foi bom, mas eu esperava mais. Foi como beijar, sei lá, beijar minha irmã. - Ele dá de ombros. Gustavo me deu um fora. Mas foi o melhor fora da minha vida. Pulo no pescoço dele e afundo minha cabeça no seu ombro, sentido um leve cheiro de perfume.

– Você não sabe o quanto eu estou aliviada! - Sorrio. Ele põe o braço nas minhas costas e me abraça.

– Eu não. Agora está tudo mais difícil. - Ele diz, num tom tranquilo. Me solto do abraço e olho nos olhos dele.

– Como assim? O que aconteceu? - Pergunto, preocupada.

– Ah, Merida. Não precisa se preocupar, porque não foi nada... ruim.

Você me contaria se fosse? E eu posso ajudar com tudo.

– Contaria. Vou contar, aliás. Mas não agora.

Com esse ar misterioso, Gustavo beija a minha testa e me diz que quer ficar um pouco sozinho. Não tenho muito que fazer. Respeito o pedido dele e vou para o ginásio.

Hans

Andava apressado em direção ao ginásio. Passei correndo, mas vi um borrão laranja. Voltei devagar e o borrão laranja era Merida, sentada num canto com o amiguinho dela, Gustavo.

Os dois estavam de costas para mim, mas é muito fácil identificar os dois. Merida, eu nem tenho que explicar né? Os cachos ruivos e rebeldes são sua marca. E Gustavo provavelmente tem as madeixas mais hidratadas e sedosas de toda Olympic.

Rio com o meu próprio comentário e cubro a minha boca com a mão, para não fazer barulho. Observo os dois, muito quietos. A minha curiosidade é maior que o meu juízo e procuro um lugar para sentar, nem muito longe e nem muito perto, para tentar entender o que acontece ali.

Me escondo atrás de uma parede e tento assumir uma postura normal, por medo de que alguém passe e me veja espionando. Percebo que os estão muito juntos. Então, como se eles já não estivessem grudados, Merida se aproxima ainda mais e encosta a cabeça no ombro de Gustavo. Meu coração dá um pulo.

E a partir daí, não para de bater bem forte. Merida olha para ele e parece sussurrar alguma coisa. Ele segura na mão dela e fala tão devagar que consigo ler seus lábios: "Eu gosto de você". É o que ele diz. Ela não parece surpresa, nem triste, nem feliz. Não consigo decifrar a expressão dela. Mas ele, com o rosto dela nas mãos, sorri e a puxa para um beijo.

Minha respiração trava. Viro o rosto para frente, sem coragem para assistir a cena romântica. Ponho a mão no peito e concentro a atenção em desacelerar o meu coração, respirando devagar.

Encosto a cabeça na parede, fecho os olhos e respiro fundo.

Maldito Gustavo.

Nem esperou? Poxa, pensei que podia confiar nele para guardar o meu segredo até que contasse para Merida. Não só ele contou para ela, como a beija nesse momento.

Maldito Gustavo.

Ciúme. Raiva. Posso sentir explodindo dentro de mim. Aquela vontade, de bater nele até que o meu braço ou a cabeça dele caia, volta com tudo.

Um pouco masoquista, olho para trás. Mas Gustavo, o Maldito, está sozinho. Ué. Já acabou?

– Grande beijo, ein? - Sorrio, e ainda mais masoquista, vou até ele. Com os punhos fechados, cruzo os braços e sento no banco onde ele está. Gustavo nota a minha presença, mas não fala nada e também não se move.

– Olá, Hans. - Depois de alguns minutos, ele me cumprimenta.

– Olá, Gustavo. Qual é o sabor do batom que Merida está usando? - Olho para ele, com as sobrancelhas arqueadas e um sorriso sarcástico no rosto. É uma expressão confusa.

– Ela não usa batom com sabores. Mas a boca dela estava com um sabor de menta, olha, delicioso... - Ele sorri.

Filho da puta. Estou com raiva, de um jeito que eu nunca estive.

– Olha, desfaça essa carinha. Se quer ser sarcástico comigo, eu vou responder com sarcasmo. Seja direto. - Ele se levanta.

Pulo do banco, seguro a cola da sua camisa e empurro ele na parede:

– Ser direto, é? Pois bem, como você tem coragem de beijar a Merida? De ter contando meu segredo para ela?

– Ser direto não é ser violento. Me solte. - Ao invés de gritar em resposta ao meu grito, ele responde na maior tranquilidade possível.

Solto a gola. Parando para pensar, que merda eu estou fazendo? Falo de estar aqui, puto, atacando ele. Querendo ou não, a culpa é minha. E Gustavo não me deve nada. A verdade é que eu estou todo errado. Suspiro e volto para o banco onde estava, sentado com as mãos entre as pernas.

– A história da aposta é verdade, mas... eu desisti daquilo, quando eu comecei a gostar dela, eu desisti. – Falo o que estava entalado. Não sei direito por que disse isso agora, talvez só por estar cansado de tentar e não conseguir.

Gustavo arregala os olhos.

– Então, você não ganhou dinheiro nenhum?

– Não. É isso que eu venho tentando explicar. Eu sei que, mesmo não ganhando nada, foi uma atitude muito babaca, mas... - Suspiro e desisto de terminar a frase. Ia dizer que ficava "menos pior", só que não fica. Algo dentro de mim grita: "Com dinheiro, sem dinheiro, você continua sendo um idiota, Hans". Dou um sorriso triste. Está certo. Sou um idiota.

Gustavo cutuca meu ombro e eu olho para cima. (Sim, para cima. Ele é um pouco - um pouco! - maior do que eu).

– Eu não gosto do que você fez. Mas ela não sabe de toda a história e você realmente gosta dela. Eu não desistiria, no seu lugar.

– Por que está me dizendo isso? Você e a Merida... - Franzo o cenho.

– A gente decidiu que... Ah, você não tem que saber nada. - Ele me interrompe e depois dá de ombros. - Ela deve estar lá no ginásio. Corre atrás e explica tudo, depois deixa ela pensar. A Merida está magoada.

– Me sinto péssimo por isso. - Olho para Gustavo. Ele parece avaliar se estou sendo sincero, mas eu sei que estou! Por fim, ele afirma:

– Eu sei. Mas ela tem que pensar. O que você não pode fazer, é desistir. - Ele estende a sua mão. E eu a aperto. Sorrindo, a propósito.

– Obrigado. - Digo, sendo sincero mais uma vez. Gustavo sorri em resposta. Olhando para o chão, um pouco envergonhado de ter "agredido" Gustavo mas também feliz por ter recebido uma ajuda, me levanto do banco.

– Ei! - Gustavo me chama quando já estou alguns metros longe dele. Viro meu rosto em direção a ele. - Não fui eu que... "Contei seu segredo" para Merida.

– Er... Não? - Fico confuso. Mas depois percebo que ninguém havia me dito que Gustavo tinha contado. Eu apenas o culpei por isso.

– Não.

– Então, quem foi?

– Eu não sei. - Ele dá de ombros. Passo as mãos pelos cabelos, me sentindo envergonhado.

– Cara... Desculpa. Por te julgar. Te ameaçar. - Suspiro.

– Ah, tudo bem. Se eu fosse você, eu também suspeitaria de mim. E nunca fiquei com medo de suas ameaças. - Ele pisca e eu dou uma risada.

– Sei... Bom, eu vou para o ginásio. Obrigado de novo. - Dou um tapinha no ombro dele e vou embora, um pouco apressado.

O ginásio está cheio. Os alunos que participaram do campeonato estão sentado no chão do ginásio, em grupos divididos pelo esporte de cada um. Na arquibancada, estavam alguns poucos alunos que não participaram e alguns pais que vieram envergonhar seus filhos tirando um monte de fotos.

Merida está longe de mim, conversando com Bruno e uma garota da equipe de tiro com arco, obviamente. Merida e Bruno olham para trás a cada 5min, procurando Gustavo, imagino. Este chega só quando anunciam a entrega das medalhas da sua equipe.

Merida, Bruno, três garotas e dois garotos que não conheço e Gustavo formam uma fila nessa ordem e caminham até um pequeno palco no fim do ginásio. A diretora da escola, a Tooth, segura um microfone no centro do palco, aplaudindo a equipe que foi medalha de ouro. Em fila, eles vão até o centro, onde professores e treinadores do colégio colocam as medalhas neles. A equipe se junta e faz uma pose, para a fotógrafa.

A diretora os parabeniza, alunos e treinador, e pede para a capitã dizer algumas palavras. Merida arregala os olhos, surpresa. Ela vai até a diretora, para ao seu lado e Tooth empurra o microfone para ela.

– Ahn. É. Eu não preparei discurso como os outros, digamos que eu esqueci essa parte. - Alguma risadas. Merida sorri. - Nesses momentos que o Gustavo deveria ser o capitão, ele fala muito melhor do que eu. Quer o microfone, Gusta?

– Não, não, não! - Gustavo balança a cabeça e põe a mão no rosto. Merida ri e os alunos no ginásio acompanham.

– Srta. Merida, já vimos que você é uma boa comediante, pode falar da sua equipe. - Tooth puxa o microfone e dá o aviso. Os alunos dão risada. Olha, parece que a diretora também é boa comediante.

– Ok, ok. Bom, eu gosto muito de todos da equipe e do trabalho que fazemos juntos, afinal nós ganhamos o ouro, né? Não tem esse negócio de "melhor e pior" aqui, todos estamos no mesmo nível e nos respeitamos. É isso, quero dar os parabéns pra todo mundo. Vocês são fodas!

A diretora bate a mão na testa.

– Não pode falar palavrão, Merida... - Ela diz em tom de reprovação, mas está rindo. Merida pede desculpas e vai para o abraço coletivo, daquele tipo que junta todo mundo e ficam pulando. Ela e sua equipe gritam algo como "não é só atirar flechinhas", tirando sarro de quem tira sarro com o esporte deles. Eles descem e tiram mais algumas fotos, enquanto a equipe de futebol sobe para o palco. Depois vem a de hóquei e depois a de esgrima.

Observo Merida voltar para o lugar onde estava. Ela olha a medalha dourada e brilhante em seu pescoço, sorrindo de orelha a orelha. Merida parece verdadeiramente feliz, então não posso deixar de ficar feliz também.

– Sorrindo para o nada, Hans? - Viro bruscamente o pescoço para onde a voz vem. A voz de Jack Frost. Ele parece satisfeito com a minha reação. - E esse nada tem nome? - Ele sorri.

– Tem nome, cabelo, sorriso e medalha. - Apoio a cabeça e minha mãos, dando um suspiro apaixonado (De propósito, viu? De propósito). Jack cai na gargalhada.

– É mesmo. Cabelos cor de fogo, não é?

Dou um tapa, não muito forte, na lateral da cabeça dele.

– Cuida da tua vida, boneco de neve magrelo. - Rio.

– "Magrelo", o maromba disse. - Ele faz caretas. - Aliás, aposto que eu tô muito melhor que você.

– Não me fala de apostas. - Coloco as mãos no ouvido e aperto.

– Mudando de assunto, né? Nem adianta. - Ele devolve o tapa que dei alguns minutos atrás.

– Mudar de assunto...? - Franzo o cenho. Jack fica um tempo sem entender, depois o seu sorriso brincalhão some.

– Ah... Aquele negócio da aposta. Foi por isso que vocês brigaram? Ih, cara, foi mal, nem lembrei. - A diretora chama a equipe de hóquei. Os colegas de Jack se levantam e o chamam. Antes de ir, ele dá dois tapinhas no meu ombro. - Não esquenta não, vocês vão fazer as pazes. Olha a sua cara de otário, é óbvio que gosta da Meridinha.

– Idiota. - Sorrio de canto.

– Sou. - Ele mostra o polegar e vai para o fim da fila.

Observo eles subirem triunfantes para o palco, gritos de meninas para Jack Frost fazem a trilha sonora. Dou uma risada e apoio meu queixo na minha mão. As pessoas da minha equipe estão caladas, como sempre. Quando a diretora chama Jack para fazer um pequeno discurso, Shang faz um comentário.

– Não sei o que falar nessa hora. Alguém pode me ajudar?

– Se você quiser, eu falo. -Respondo, dou de ombros.

– Sério? Então o microfone é seu.

E eu tenho uma ideia. Falo baixo e rapidamente para Shang o quê quero fazer.

– Por mim tudo bem. Se a diretora não se opor, fala mesmo. - Ele sorri. - Pelo menos é mais interessante que falar sobre a nossa medalha de prata...

Quando ele termina de falar, chamam a equipe para subir no palco. Meu coração começa a bater acelerado e vou para a fila. Recebo minha medalha por um professor e me arrumo para tirar a foto. Depois disso, Tooth chama o Shang para falar. Educadamente, o capitão recusa e aponta para mim. A diretora passa o microfone para minhas mãos e eu vou para o centro do palco.

– Bom, eu queria dizer que eu estou feliz por ter participado da conquista da medalha e queria parabenizar a equipe, que é uma das mais fortes da Olympic. - Olho para trás, para Shang e ele faz um gesto para eu continuar. - E queria pedir desculpas. Não por nada que tenha acontecido nos jogos, mas por ter magoado uma pessoa muito, muito especial para mim.

Ouço alguns sons de confusão, surpresa e risadas. Procuro o rosto de Merida no meio daqueles alunos e a acho espantada, enquanto Gustavo, que está ao seu lado, sorri, surpreso. Respiro fundo e olho diretamente para ela. Agora não dá mais para desistir, cheguei longe demais para parar agora.

– É uma garota que eu conheço já há um tempo, mas fui conhecer de verdade só no início desse ano. E já faz um tempo que eu estou perdidamente apaixonado por ela. - Caminho para frente do palco e me sento lá. Ouço risadas mas a maioria dos sons são agudos, tipo gritinhos. Umas meninas na minha frente, com certeza mais novas que eu, gritam algo como "que fofo!", só que de um jeito muito longo e agudo. Sorrio.

– Hans, isso não é lugar para falar de assuntos pessoais! - A diretora reclama. Junto as mãos e peço mais um tempo.

– Eu vou ser rápido! Eu juro. Que só queria pedir que ela me ouça. Eu cometi um grande erro, mas eu não tenho chance de me defender, porque ela não me ouve. Agora, com esse microfone, ela não tem mais desculpa. - Sorrio. - Você me ouviu agora, não é garota?

Devolvo o microfone para a diretora, que esboça um sorriso e balança a cabeça. Vou até a escadinha para descer do palco mas volto porque me esqueci de dizer algo muito importante.

– Eu te amo, garota que não posso identificar! - Grito no microfone, assustando Tooth. - Me perdoa!

Então desço a escadinha triunfante acompanhado de aplausos, gritos de "perdoa ele" e a diretora dizendo que seus alunos são estranhos.

Quando procuro Merida em meio ao monte de alunos para ver qual é a reação dela, a vejo saindo de fininho e correndo para o banheiro.

Enquanto as pessoas da minha equipe voltam para os seus lugares, aproveito para ir atrás dela. Shang pergunta aonde eu vou e respondo que vou ao banheiro.

Ainda bem que o banheiro era um pouco escondido, assim ninguém me veria entrando no banheiro feminino. Abro a porta, torcendo para que o lugar esteja vazio, com apenas Merida lá dentro. Felizmente, ele está vazio. Ou infelizmente, porque eu acho que não há ninguém aqui dentro, nem Merida, apenas eu.

– Se sentindo bem no banheiro feminino, Hans? - Ouço uma voz, provando que eu estava errado.

– Com certeza, sim. Cheira muito melhor que o masculino. A partir de hoje, vou começar a mijar aqui.

Merida deixa escapar uma risada. Quase posso vê-la revirar os olhos. Mas ela está dentro de um dos "box" do banheiro. Abaixo a cabeça para tentar ver os pés dela, mas nenhum box tem pés. Deve estar sentada abraçando os joelhos.

– Então, ouviu o que eu disse? - Digo, enquanto abro a porta do primeiro dos quatro box do banheiro.

– Ouvi. Você é ridículo. - Ela demora para responder.

– Hum. Por quê? - Cruzo os braços.

– Vejamos. Você não só mentiu, como me... Magoou. - Ela faz uma pausa, respira fundo. Não queria admitir. - E vai fazer um discurssinho posando de garoto lindo e fofo, para me pressionar. Tá bom ou quer mais?

– Você entendeu tudo errado. Não é isso.

– Ah, claro que entendi mal. Você não apostou meus sentimentos e eu estou maluca?É isso?

Engulo em seco.

– Eu fiz essa maldita aposta sim. - Digo, abrindo o terceiro box e indo para o último. - Mas foi antes.

– A-Antes de quê?

– Antes de tudo. Antes de te conhecer. Antes de te pedir em namoro. Eu desisti daquela droga, não recebi dinheiro nenhum. - Estava com uma mão apoiada na parede que dividia os boxes e a outra na porta. Empurrei a porta mas Merida colocou o pé, trancou a porta e não me deixou abrir o que nos separava. - Eu não queria, queria só ficar com você.

– Eu não queria! Eu queria só ficar com você! Eu só quero ficar com você! - Repito, elevando o tom de voz e batendo na porta. Mas ela não responde. Fico lá parado, esperando uma resposta. Coloco o ouvido na porta, para tentar ouvir alguma coisa, mas nada. Ela não faz nenhum barulho.

Sento num banco de pedra, em frente aos boxes. Bato a minha mão contra meu rosto e a arrasto até o queixo, apoio com o braço.

– Desculpa. - Fito os meus pés e suspiro.

Ouço o barulho da porta destrancando e Merida abre a porta lentamente. Levanto a cabeça e ela me olha, séria.

Me levanto e me aproximo lentamente, ela não se move e não diz nada, abraçando o próprio corpo. Levo minha mão até a sua bochecha e ela move a cabeça em direção ao carinho. Seguro o seu queixo e a trago o rosto para mais perto do meu. Ela anda o restante do caminho.

Quando toco os lábios dela, me sinto vivo. Desço as mãos até a cintura dela, puxando-a para mim. Inconscientemente ou não, ela faz um carinho no meu rosto e pousa a mão no meu pescoço.

Merida

Fiz tudo errado.

Quando ele chegou mais perto, fiquei travada. Com medo. Mas ele me beijou e eu logo baixei as defesas. Fico tão fraca diante de seu toque, acho que Hans pode fazer qualquer coisa comigo. Mas ele não é... Digno de confiança. Não depois do que fez.

Apesar de tudo, aqui estou eu, Merida, beijando o mau caráter. Depois passando a mão no rosto desse mau caráter, segurando o rosto dele para que nunca se separe do meu. Mas eu, Merida, estou toda errada. Ele deve se separar de mim. Aliás, agora. Luto contra eu mesma para me desvencilhar dos lábios e mãos de Hans. Dos lábios eu consigo, mas ele aperta as mãos fechadas ao redor da minha cintura. Depois encosta a cabeça no meu pescoço, beijando-o, e eu me encolho. Tenho cócegas e ele sabe. Hans dá uma risada e puxa contra ele. Ao invés de beijar, ele só passa os lábios macios no meu pescoço e lá se vão minhas defesas novamente. A sensação é ótima e meu corpo amolece, acabo deitando minha cabeça no ombro dele e ele adora isso.

Está tão bom ficar ali, abraçada a ele. Mas está tão errado. Não estou preparada para que tudo volte ao normal entre nós. Perdi a confiança em Hans e isso me impede de ficar somente abraçada a ele, sem pensar que ele está mentindo por algum motivo.

Junto todas as minhas forças para me separar dele e vou embora sem olhar para trás. Ele se assusta com isso e me segue até a porta do banheiro.

– O que foi? - Ele pergunta, com o cenho franzido.

– Está perdoado. - Digo sem olhar para ele.

– É? - Hans sorri e aproxima a boca, tentando me beijar. Viro o rosto.

– Não. Saia de perto de mim, por favor. - Digo e coloco a mão na testa.

– Mas você não disse...

– Disse que você está perdoado e você está perdoado, Hans. Nunca disse que você podia me beijar. - Abro a porta e saio, deixando Hans para trás. Ele vê se tem alguém olhando e sai do banheiro feminino, totalmente confuso.

– Mas como assim? Pensei que estava tudo bem! - Ele me segue, enquanto ando até Gustavo e Bruno. Paro e olho para trás, esperando Hans me alcançar.

– Não estamos namorando, Hans. - Digo, olhando nos seus olhos, e começando a perder a paciência.

Ele abre a boca para dizer algo, mas fecha. E sorri.

– Veremos. - Ele acena e caminha para longe de mim, me deixando parada e espantada. Ele levou o que eu disse como um desafio? Esfrego os olhos e viro para trás, retomando o meu caminho. "Hans não tem jeito", penso e balanço a cabeça, um pequeno sorriso no rosto.

Encontro Gustavo e Bruno dividindo um fone, Bruno canta e Gustavo ri.

– But I hate you, I really hate you, so much, I think must be - Bruno grita, totalmente desafinado, fingindo que sua mão é um microfone e com o braço levantado, dando mais emoção a sua performance. - True love, truue love, it must be truue love, nothing else go break my heart like...

– True love, truue love! It must be truue love, no one else go break my heart like you! - Gustavo tapa a boca de Bruno e canta sozinho o refrão, melhorando consideravelmente o cover.

Eu estou quietinha encostada numa parede, observando os dois. Mas quando eles fazem a parte do "Whoa oh oh oh", não aguento e caio na gargalhada. Eles ainda começam a cantar a parte da Lily Allen antes de notar que eu estou ali e que eu estou rindo.

– Olha a Merida, oolha a Merida, rindo da gente oolha a Merida. - Bruno diz, cantando no ritmo de "True Love". Me arrasto até eles, com a mão na barriga.

– Parem, por favor, parem. Minha barriga está doendo. - Digo, enxugando uma lágrima que desceu enquanto eu ria. Eu respirei fundo para recuperar meu fôlego, enquanto eles ouviam sua música quietinhos. Gustavo batia os pés no ritmo e Bruno sussurrava a letra. Que bonitinho.

– E aí? Já tem ar no pulmão? - Bruno pergunta, de braços cruzados.

– Já.

– Então, me diga com muitos detalhes: Como foi com o Hans?

– Ah, foi... - De repente fico muito interessada nas minhas mãos. - Nós... - Faço outra pausa e suspiro. - Nos beijamos.

– Se beijaram? - Gustavo se surpreende.

– Isso não é "muitos detalhes", mas aceito. Se beijaram? - Bruno repete a pergunta.

– É! Vocês são surdos ou o quê? Eu não disse que sim?

– Mas se acertaram? - Gustavo pergunta.

– Não. Quer dizer, mais ou menos. A gente vai se falar, mas só isso.

– Mas você perdoou ele?

– Sim.

– Então porque "só vão se falar, só isso"? - Bruno se intromete.

– Porque eu não quero namorar ele.

– Mas gosta de complicar as coisas... Por que não quer, criatura?

– Porque não. - Cruzo os braços.

– "Porque não" não é resposta.

– É resposta sim.

– Não é.

– Então é porque eu não quero. Porque eu sou maluca, por isso! - Perco a paciência. Esses dois, principalmente o Bruno, me tiram do sério! Completamente malucos, os dois!

– Calma Merida. Quer um beijinho pra se acalmar? - Gustavo levanta uma sobrancelha e me dirige um sorriso malicioso.

– Pensei que nós já tivéssemos resolvido isso. - Retribuo o sorriso.

– Pera. Como assim, "resolvido isso"? - Bruno pergunta, ligeiramente irritado. Gustavo me olha de um jeito que diz "vamos provocá-lo?". Sorrio.

– Nada, esqueça. - Olho para o outro lado e começo a assoviar, Gustavo me imita.

– Não. Vocês não se pegaram não, né? E ficam paquerando comigo no meio... Ai, meu Deus! - Ele massageia as têmporas. - Ô garota, teu negócio não era com o Hans?

– Que negócio? Não tenho negócio. Com ninguém! Parem de tentar me arranjar um namorado, eu não preciso de um!

– Então deixa o Gustavo em paz, sim? Sim. - Ele abre os braços na frente de Gustavo, que está rindo muito com a cena, como uma mãe protege o filho, algo assim. Que bonitinho.

Chego a minha casa. Mando mensagem para Elsa perguntando se ela quer ir tomar um sorvete, porque mal falei com ela hoje e quero contar as novidades. Subo para o meu quarto para guardar minha mochila e troco de roupa.

Minha mãe vem até o meu quarto.

– Oi, filha. - Ela me abraça.

– Oi, mãe. - Entro no banheiro para lavar o rosto.

– Merida, os homens que estavam cortando a grama hoje de manhã acharam um colar seu.

– Colar?

– É, um colar na grama. Na grama! Cuidado com onde você deixa suas coisas. Dessa vez foi sorte, mas na próxima você pode perder pra sempre. Eu coloquei o colar no seu guarda-roupa, mas ainda está um pouco sujo de terra. - Ela diz e eu agradeço, pouco antes dela sair do quarto.

Vou até o meu guarda-roupa, enxugando meu rosto. Abro a porta e logo vejo o pingente. Vou até o banheiro com ele e jogo um pouco de água, tirando a terra e depois enxugando com a toalha. "Mas que sorte a sua, hein, Merida? Grande sorte. Maravilhosa sorte", penso, quando vejo o pingente brilhante e intacto.

É o colar que Hans me deu, o do pingente da deusa grega Ártemis com um arco.

O que eu joguei ontem pela janela.

É, parece que Hans não vai desistir.



Notas finais do capítulo

Estou IN LOVE com esse trio Merida + Gustavo + Bruno, é uma amizade tão fofa! Ele vai aparecer mais vezes



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