Challenges of The Love escrita por Liz Rider, Kiera Collins


Capítulo 22
Mudando respostas




Depois que Elly saiu de perto da gente, fiquei conversando com Branca por uns minutos. Senti a minha barriga roncando e percebi que estava com fome.
– Eu vou ali, naquela mesa. - disse, apontando para a mesa no outro lado da sala, onde se encontravam doces, salgados, bolinhos e vários outros tipo de comida.
– Vai comer de novo? - perguntou Branca. Quase respondi "Não, vou no banheiro, aquela mesa é um sanitário disfarçado" mas eu não sou tão louca assim.
– É. Aqueles pedaçinhos de maçã não encheram nem a metade da minha barriga. - disse, com um sorriso. Tinha certeza que Branca achava que eu era a pessoa mais mal-educada do mundo, ela e seus modos de princesa.
Me encostei na mesa, peguei um bolinho e mordi, enquanto observava as pessoas da festa. Meu olhar parou em Hans. Quer dizer, Hans e as garotas que conversavam animadamente com ele. De repente, ele olhou para mim. Desviei o olhar rapidamente, mas esse "rapidamente" foi devagar demais. Logo Hans vinha andando, quase correndo, em minha direção.
– Oi, ruivinha! - disse ele. Parei de brigar com ele por causa desse apelido, acho que quanto mais eu brigo, mais ele me chama assim, apenas para me irritar.
– Por que você não volta para as suas amiguinhas? - disse, revirando os olhos. Um sorriso malicioso apareceu no rosto de Hans.
– Ciúmes, ruivinha? - perguntou ele.
– Ciúmes? - forçei uma risada. - Você está louco. - disse, mordendo o bolinho mais uma vez. Meu lábio superior ficou sujo de glacê.
– Posso lamber? - disse Hans, com o mesmo sorriso malicioso. Peguei o bolinho e passei ele na bochecha de Hans, sujando-a de glacê.
– Pronto. Agora pode lamber. - disse, retribuindo o sorriso.
– Você é muito chata! - falou ele, limpando a bochecha com um guardanapo.
– Igual a você! - respondi. Nesse momento, uma música lenta começou a tocar.
– Não, eu sou muito pior. - disse ele, segurando o meu braço. A luz diminuiu um pouco e casais foram para o meio da sala, para dançar. - Hum... quer dançar?
– Com você? Não. - respondi.
– E com quem você dançaria?
– Josh Hutcherson.
– Então finge que eu sou ele. - disse Hans, me conduzindo para o meio da sala.
– Isso é meio impossível. - respondi, rindo.
– Usa a imaginação, mulher.
– Nem a melhor imaginação te transformaria no Josh.
– Seu novo apelido: chatinha. Vou começar a te chamar de chatinha.
– Gosto mais de "chatinha" do que de "ruivinha".
– Então vou te chamar de "ruivinha" - respondeu ele. Ele olhou nos meus olhos. Aquele olhos verdes. Olhos muito bonitos.
– Terra chamando Merida. Merida? - disse ele. Percebi que estava olhando fixamente para o rosto dele e enrubesci instantaneamente.
– Oi. Oi. - respondi.
– A gente está só indo pra lá e pra cá, vamos dançar direito! - disse Hans, se aproximando. Ele colocou minhas mãos nos seus ombros e colocou as suas mãos na minha cintura. Eu já estava vermelhinha, mas depois daquilo... eu fiquei vermelha como um tomate maduro. Mais por causa dos arrepios que eu senti do que por qualquer outra coisa.
– Ei. O que foi? - disse Hans, diminuindo ainda mais a distância entre o rosto dele e o meu. Ele ainda estava com aquele sorriso bobo no rosto. Maldito Hans, só fazia sorrir. Maldito sorriso, malditos olhos, maldita música.
– Ai Hans... me deixa em paz. - disse, enquanto empurrava ele. Hans fez uma cara de quem não estava entendendo nada, mas eu também não estava entendendo nada, apenas fiquei com vontade de ficar sozinha. Saí da da sala apressada e não me despedi das minha amigas, apenas dei um aceno para Elsa e Astrid, que me olharam com a mesma confusão de Hans.
Passei por Gustavo, que estava conversando com dois meninos e uma menina. Não conhecia nenhum deles e também não parei para falar com Gustavo. Desde do dia em que desmaiei, tenho tentado evitar ele e Hans mas, hoje eu fiz tudo, menos evitar Hans.
Saí da casa de Vanessa e fui andando. Era um noite de lua cheia, era ótimo caminhar com aquele vento geladinho batendo no seu rosto. A rua estava deserta, o que podia ser perigoso, mas o silêncio me acalmava. Andei por uns 10 minutos, então começou a chover. Gostei da ideia de tomar banho de chuva, porém, a minha mãe não ia gostar de me ver chegar em casa encharcada, então corri para o abrigo mais próximo. Um táxi passou e eu o parei. Entrei dentro do carro e disse meu endereço, depois encostei a cabeça no banco, tomada por uma estranha sensação de felicidade.

Toquei a campainha da minha casa e esperei. Após dois minutos, a porta foi aberta.
– Merida? Que roupa é essa? Por que você está molhada? Onde está o meu vestido? - disse Elinour. No início, eu fiquei confusa. Como assim, que roupa é essa? Então notei que eu não estava com a mesma roupa de quando saí de casa, não estava com o vestido da minha mãe, estava toda molhada, maquiagem borrada, penteado destruido e com grama dentro do sapato. "Como que eu fiquei assim", pensei.
– Ahn... Sei lá. Desculpe. É que eu sou meio tapada. - respondi, com as mãos na boca para conter o riso. Infelizmente, não consegui. E a estranha sensação de felicidade ataca novamente.
Depois de tomar um bom banho, fui dormir. Deitada na cama, tudo parecia lembrar Hans. Tudo parecia lembrar o que ele falou. As suas brincadeiras, o seu jeito. E eu não parava de achar graça em tudo. Me senti muito boba. Peguei um travesseiro e pressionei ele contra o meu rosto.
– Para... De... Ser... Boba... - sussurrei para mim mesma. Mas isso não surtiu efeito. Continuei relembrando a festa até que o cansaço venceu e eu dormi feito uma pedra.

Estou deitada e meu pai me chama, dizendo para eu levantar. Ele fala, fala e fala, até grita, mas eu continuo deitada. Então Fergus chama a minha mãe. Ela me chama e desiste de tentar me acordar gritando. Elinour puxa o meu lençol e eu me encolho.
– Levanta daí! - diz ela.
Minha mãe começa a puxar os meu pés, mas eu seguro na cabeceira da cama.
– Le...van...ta! - repete ela. Mas eu continuo deitada.
– Só mais cinco minutinhos...
– Ah é? Meninos! Venham cá! - responde Elinour, e meus irmãos chegam fazendo algazarra.
Cada um pega uma almofada e começa a jogar em mim.
– Me deixem em paz! - falei.
E então eles começam a jogar mais almofadas e até a minha mãe entra na brincadeira.
– Parem! Ah! - digo, levantando e tirando o cabelo do rosto. Pego duas almofadas e jogo em Hamish antes que ele ataque.
– Toma essa! - jogo uma almofada em Harris, que cai no chão. O último em pé é Hubert, que cai pelas mãos de Elinour. Os três levantam e saem do meu quarto correndo e dando risadinhas.
– Agora que você está acordada, vá tomar um banho! - minha mãe fala, apontando para o banheiro no corredor.
– Ah, nãão. - respondo, me jogando da cama.
– Vou chamar os seus irmãos. - ameaça ela. Faço uma cara de raiva e me levanto. Pego uma toalhe e entro no banheiro.
– Por que eu tenho que tomar banho? A gente vai sair pra onde? - pergunto, fechando a porta do banheiro.
– E você só toma banho quando vai sair? - responde Elinour.
– Pai! Onde nós vamos? - pergunto para Fergus, enquanto vou para debaixo do chuveiro.
– Almoçar fora. - responde ele.
– Onde? - grito.
– Não faz diferença para você. Só tome banho. - responde minha mãe. Suspiro.

Saio do banheiro enrolada na toalha. Entro no meu quarto, fecho a porta e olho para a minha cama. Lá estão um vestido vermelho, com mangas curtas e na altura do joelho, um tiara e um par de sapatos com salto.
– Mãããe! O que é isso? - grito, apontando para as roupas. Elinour chega na porta e diz:
– Vista. - e vai embora.
Olho para o sapato. "Não mesmo", penso. Visto a roupa, coloco o sapato e vou andando pelo corredor. Desço as escadas e sigo para a cozinha:
– Que tal? - pergunto.
– Está linda. - responde Elinour.
– Oh! Obrigada. - digo. Dobro os joelhos e abro as pernas um pouco. Começo a andar assim. - Ah... esqueçi a tiara!
– Por que você está andando assim? - pergunta ela, me seguindo. Paro e seguro no corrimão da escada.
– Assim como? - respondo e volto a subir a escada. Entro no meu quarto e deu uma risadinha. Pego a tiara e coloco. Saio do quarto e desço as escadas. Elinour ainda está no mesmo lugar.
– Assim. Desse jeito. - diz ela, apontando para mim.
– Não sei do que você está falando. - começo a andar mais rápido que ela e passo a ficar na sua frente. Tombo o pé para o lado e me desequilibro, tudo de propósito. - Opa.
Minha mãe me observa andar até a cozinha, sentar e tomar o meu café. Depois de terminar de comer o café, levantei. Só faltava uma última coisa para meu plano dar certo: tombei o meu pé para o lado e, dessa vez, caí.
– Chega, Merida.

Paramos na frente de uma casa. Abri a porta e saí do carro, de braços cruzados. Minha mãe me obrigou a ir com o sapato de salto e eu quase caí umas duas vezes, de verdade. Apertamos a campainha e esperamos. Uma mulher sorridente abriu a porta. Uma mulher sorridente familiar. Pensei um pouco.
Eu conhecia ela... porque ela era a mãe de Gustavo e nós estamos na casa dele. Dei meia-volta e ia voltar para dentro do carro, se minha mãe não tivesse segurado meu braço. Ela me olha de um jeito que dizia para eu me comportar.
Entro na casa e fico olhando o ambiente. A casa deve ser de só um andar, porque não vejo nenhuma escada. Minha mãe se senta no sofá junto com a mãe de Gustavo, acho que o seu nome é Bella.
Minha mãe e Bella começam a conversar. Meus irmãos vão brincar fora da casa e meu pai foi com eles. Sento no sofá e fico olhando para a televisão, que mostrava propagandas de maquiagem.
– Merida. - chama Bella. - O Gustavo está lá no quarto.
Olho para ela e sorrio. Na verdade, não estou interessada na companhia de Gustavo, só quero sair daquela sala. Levanto do sofá e vou procurar o quarto.
– É na segunda porta do corredor, querida. - diz Bella.
– Obrigado. - respondo. Ando até lá e bato na porta. Espero e nada acontece, então bato de novo. Ninguém abre a porta, mas entro assim mesmo.
Olho ao redor. Fora os porta-retratos, os adesivos e alguns desenhos colados na parede, o quarto não tem decoração. Fecho a porta e sento na cama. Ao lado dela há um criado-mudo, com porta-retratos, um despertador, um lápis e uma pequena agenda. Pego um dos porta-retratos. Ele exibe a foto de um garotinho baguela imitando a pose de um boneco do Hulk. Os cabelos lisos e pretos e os olhos denunciam que o garotinho era Gustavo. Pego outro porta-retrato que estava virado. Este exibe uma foto de Gustavo agora, com um arco. Seguro as duas na minha frente e fiquei comparando-as. De repente, a porta atrás de mim abre e eu me assusto. Levanto da cama rápido, derrubando os porta-retratos. Olho para trás e me deparo com Gustavo. Sem camisa. Com uma toalha enrolada na cintura.
– Ahhh! - cubro os olhos com as mãos. Não sei quem está mais vermelho, se é meu rosto ou meu cabelo. Ou Gustavo. Ele segura a toalha.
– Ninguém te ensinou a bater na porta? - diz ele, enquanto abre o seu guarda-roupa com a mão que não está segurando a toalha.
– Eu bati, ué. Mas ninguém abriu, aí eu entrei. - explico, ainda cobrindo os olhos com as mãos. Mas abri uma brechinha entre os dedos.
– Afe. Você tem cada uma, Merida. - fala ele, fechando o guarda-roupa com uma bermuda e uma cueca na mão. Solto uma risadinha por causa da cueca. Gustavo entra no banheiro e tranca a porta.
Após um minuto e meio, Gustavo sai do banheiro, sem camisa. Ele abre o guarda-roupa novamente e tira uma camisa polo de lá:
– Esqueci de pegar. - diz ele, mas eu sei que ele não esqueceu de coisa alguma. Ele começa a colocar a camisa leeeeentamente.
– Dá pra você fazer isso no banheiro? - pergunto.
– Aí você não poderia apreciar a paisagem.
– Que paisagem o quê, você nem tem tanquinho!
– Mas eu tenho uma barriguinha sexy. - diz ele, segurando uma ponta da camisa com a boca e passando a mão pela barriga. Eu hein.
– Deixa de ser ridículo! - digo, jogando um travesseiro em Gustavo e rindo. O travesseiro bate na cara dele e cai no chão, ele pega e joga em mim. Ele senta na cama, rindo muito. Depois de ter engasgado, Gustavo para e olha para mim.
– Tá olhando o quê, Senhor Risadinha? - pergunto.
– Você. - responde ele. Depois disso, o silêncio é constrangedor.

Voltando para casa, repriso o que aconteceu nos últimos dois dias. Lembro-me do que Elsa me perguntou no dia em que desmaiei. Acho que se ela me perguntasse agora, responderia algo diferente.



Notas finais do capítulo

Não tenho ideia do que falar ("minha criatividade, ninguém sai."), então vou ficar calada. Não, na verdade eu tenho sim. Que vocês tenham um feliz natal, ano novo e muita paciência para aguentar o especial do Roberto Carlos. É isso, beijinhos da pessoa que mais odeia esse especial, Kiera.
P.S.: OBRIGADO PESSOAS QUE RECOMENDARAM A FIC, WE LOVE VOCÊS!



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