Criminal Scene escrita por Scamander


Capítulo 25
25. Uma caixa cheia de segredos


Notas iniciais do capítulo

Oeee povinho! Aqui é a RR de novo, postando para a Scamander. Ela me mandou dois capitulos (ebaaa) antes de viajar (ela viajou hoje) para eu postar pra vocês, porque sim.
Ah, e ela mandou agradecer pelos 105 (VOCÊS OUVIRAM ISSO? CENTO E CINCO!) leitores. Eu sou um deles gente, então de nada migs. É um prazer ler a sua história sensacional e ainda poder agir como sua agente postando alguns capitulos para você.
Mas enfim, chega de conversa. Porque o show da Luna vai começar...



— E ele disse isso pra você?! – Annabeth arfou.

Do outro lado da linha, Thalia revirou-se na cama, encarando o teto.

— Sim, e ainda pediu desculpas por ter falado dos meus peitos, o bastardo. – ela grunhiu, alto o suficiente para que o som chegasse ao corredor. A Grace olhou para os lados, encarando a porta por tempo o suficiente para ter certeza de que ninguém apareceria ali àquela hora da manhã.

— Eu ainda não acredito! – Annabeth chiava. Thalia maneou a cabeça. Aquilo era um absurdo, não era?! Onde já se viu, falar se seus peitos e— Você teve a chance de perguntar pra ele e não fez nada, Thalia, que porra!

A cara da garota foi ao chão. O quê?! Thalia ligava para Annabeth, às duas da manhã, dizendo que um bastardo havia falado sobre seus peitos e a loira resolvia ignorar 99% do que ela falava para se focar em um “e se”?! (Olha que irônico).

— Ah, claro, porque eu iria perguntar, no meio da rua, se aquela menina morta com quem ele por acaso tinha um caso era ameaçada por sua ex. Nossa, Annie, que genial da sua parte. O que você espera mais, que eu pergunte ao detetive onde ele colocou às filmagens do hospital? – Thalia ironizou. Com sono, seu filtro ficava ainda pior.

— Sem ironia, Thalia. Por favor. – Annabeth massageava as têmporas. Ela endireitou a coluna, sentindo suas articulações estalarem. Estava sentada na cadeira, vendo as anotações de Reyna e tentando terminar um dever de Cálculo, e olhando para sua cama, era como se os lençóis se tornassem fluorescente à noite, convidando-a para um cochilo.

Se não tivesse recebido o telefonema de Thalia, ela provavelmente já teria desistido de ficar acordada. Mas, ok, foco. Luke Castellan, certo? Falara com Thalia? Oh, sim. Sobre seus peitos? Continue. E praticamente gritara que tinha as respostas que elas precisavam? Porra.

— Você vai encontrar o Luke, então. Nesse sábado?

— Nem fodendo! – Thalia afinara a voz.

— Nem fodendo uma porra, Thalia, você tem que ir. – Annabeth respondera no mesmo tom. Ela sabia que, com sono, era impossível controlar seu palavreado. Às vezes aquilo ajudava, até. – Você não disse que ia continuar com isso?! Então, essa é a sua chance. Me prove que Percy estava errado e assim nós falamos com os outros.

E quando Annabeth dizia os outros, ela não estava se referindo à Silena. (Porque, imagine, uma cena onde Annie chega para a garota e “Olá, tudo bem? Como foi seu dia? Então, estamos pensando em te acusar pela morte da Calipso, topa?”).

— Você acha que o Jackson está errado, Annabeth, não negue. – Thalia dizia, encarando o abajur ao lado de sua cama. Ela apoiou os pés em cima de seu travesseiro, e sua cabeça pendeu para o lado de fora da cama. A Grace podia sentir o sangue descendo até sua cabeça.

— Mas foi você quem o Luke chamou.

Thalia resmungou. Ela não tinha resposta para aquilo.

— E o que você espera que eu faça? Peça para ele me contar sobre Calipso enquanto a gente como frango frito?

— Exatamente isso. – Annabeth afirmou. – Só seja um pouco mais sútil.

Thalia riu, revirando os olhos. Ela só não sabia se estava rindo do comentário de Annabeth, daquela ideia maluca ou porque, daqui há menos de quarenta e oito horas, estaria melecando seus dedos de óleo para saber sobre o assassinato da Menina Atlas. Que, até onde ela sabia, fora ela que cometera.

— Na melhor das hipóteses, eu vou acabar arrancando a cabeça do Luke no primeiro segundo. Eu não posso fazer isso sozinha. – a Grace escondeu os olhos com o braço, sentindo a cabeça esquentar por causa da posição. Talvez, se continuasse de cabeça para baixo, seu cérebro explodiria e ela não seria obrigada a lidar com Luke Castellan.

— Afinal, o que é isso que você tem com o Luke? – Annabeth perguntou, displicente. Estava encarando suas unhas roídas quando ouviu um barulho asfixiado do outro lado da linha. – Thalia?

A garota sentara-se de supetão, engasgando. Batia em seu próprio peito, recuperando a respiração, enquanto tentava falar. Aquilo estava dificultando um pouco a coisa toda.

— Nós não- procurou por ar, dividida em falar e olhar para sua porta, temendo ter acordado Jason. – A gente não tem nada. – garantiu.

Annie abriu um meio-sorriso.

— Oh, claro. Mas não foi isso que eu perguntei, Thals – dissera, fazendo-se de inocente. — Só quis saber o porquê da sua implicância com o Luke. – mas se a carapuça servira...

— Não é nada. – a Grace conseguira soar mais firme. – Aquele típico clichê de duas pessoas que se conhecem desde o útero e quando crescem se tornam estranhas. Ele virou jogador de basquete e eu tive aquela minha fase punk no Tumblr. Lembra, o lápis de olho e as roupas pretas?

Annabeth riu. Ela lembrava-se bastante.

— Você ainda tem um blog.

— Mas não fico reblogando coisas como “preto é a minha cor feliz”, obrigada. – a garota voltou a deitar, dessa vez com a cabeça no travesseiro.

— Não mude de assunto, esperta. – Annabeth falou de repente.

A Grace praguejou.

— Juro que não é nada. Não estamos num filme onde há toda uma história por traz do casal, envolvendo cadáveres e traições. – as duas garotas ficaram em silêncio por um momento, e Thalia acrescentou: — Não esse tipo de filme, pelo menos.

Porque o delas era claramente muito mais assustador.

Silena puxou ar, buscando por oxigênio. Ergueu-se de supetão, sentindo seu peito subir e descer e seus cabelos prenderem no rosto suado. Olhando para os lados, ela encontrou outras duas camas dispostas no quarto. Drew e Piper ressonavam graciosamente. Em seu novo quarto.

Ela literalmente pusera os pés em casa, exausta da escola, e Afrodite anunciara que ela deveria arrumar suas coisas, pois estariam se mudando “o quanto antes”. E depois saiu saltitando e batendo palmas pela casa, contagiando a tudo e a todos com sua felicidade.

Todos, menos Silena. Que ainda em choque, vira aqueles homens suados entrando e saindo de seu quarto, tirando sua cama, seu criado-mudo e até os adesivos fluorescentes que Piper e ela haviam colado na janela.

Ela apenas tivera tempo de arrumar parte de suas peças-íntimas dentro de uma mochila que Drew havia lhe entregado, antes de Afrodite reaparecer mandando que as filhas saíssem do quarto porque os “homens” haviam chegado. Drew, Piper e Silena encararam-se por breves segundos antes de começarem a socar suas coisas dentro das mochilas espalhadas pelas camas.

Já na casa nova, Afrodite lhes jogara a grande surpresa:

— Já que estamos algumas horas adiantadas dos garotos, vocês vão poder escolher seus quartos. Não é demais?! – Afrodite dizia, irradiando luz, arco-íris e unicórnios, enquanto rodopiava e batia palmas. Do jeitinho que ela sabia fazer. – E vejam, vejam: Agora que temos uma casa, vocês não precisam ficar nessa de dividir um quarto. Vamos, meninas, cada uma escolhe um quarto!!

Silena encarara Drew, e quase fora derrubada por dois dos homens que entravam carregando uma cama box. Ela resistiu a vontade de chorar, porque nos últimos dias, chorar era tudo o que ela vinha fazendo.

Enquanto Afrodite gritava ordens para os homens que faziam a mudança, Silena subira as escadas para o andar de cima, decidindo ficar com o último quarto do corredor. Estava mofado, mas ela não se importara muito.

Claro que quando soube disso, Afrodite se recusara a deixar que a filha dormisse lá até que todo o mofo tivesse sido tirado. Então, até que sua mãe conseguisse limpar todo o quarto, Silena estava dormindo junto com Drew e Piper, que eventualmente arrastara seu colchão para lá também.

A quantidade de segredos naquele quarto era sufocante. E no meio da noite, aquilo tornara-se demais para suportar. Ofegante, Silena estava se recuperando de um pesadelo, enquanto encarava suas mãos. Sem sangue, ok, ela estava limpa.

Sem vontade nenhuma de retornar ao pesadelo que estava tendo, a garota saiu da cama, fazendo o mínimo de barulho que pôde. Estava descalça, e o blusão que usava não passava de suas coxas; assim que saiu do quarto fechado, um vento frio atingiu-a, arrepiando sua epiderme.

Seguindo a direção da brisa gelada, ela encontrou-se na varanda. Estava para fechar a porta de vidro, mas como num típico clichê americano, uma luz chamou sua atenção. De início, pensou que fosse Leo lá dentro, fazendo o que quer que fosse. Mas Leo não tinha costas largas, nem cabelo raspado, e não estaria com um martelo na mão àquela hora da noite.

Aquele era Charles. O filho mais velho de Hefesto.

(E eu poderia até contar como fora o encontro de Leo e Silena naquela casa, mas ambos estavam cansados demais para toda aquela ceninha e metade da emoção fora tomada quando Drew acabou encontrando uma barata na cozinha).

— Você sabia que tem pessoas dormindo nessa casa? – a garota perguntou, entrando na varanda.

Charles erguera a cabeça, assustado. Silena temeu por sua vida por um momento, quando as juntas do garoto apertaram-se mais firmes no martelo. Por que diabos aquele garoto estaria com um martelo àquela hora da noite?!

— Eu não estava usando. – ele deu de ombros, apoiando o martelo na mesa de vidro em sua frente. Aquilo não tinha chances de cair, tinha?

Silena ficou encarando-o por um momento.

— Por que você tem um martelo?

Wow, Silena, parabéns. Que pergunta mais estúpida.

— Eu trabalho numa oficina. – Charles recostou-se a cadeira de ferro.

A casa nova possuía apenas uma varanda, e essa estava no andar de cima. Era estreita, mas larga, e Afrodite havia conseguido, a seu modo, colocar uma mesa e duas cadeiras espremidas numa das extremidades do espaço. Dali, eles conseguiriam ver um par de prédios na linha do horizonte, cobrindo o que um dia podia ter sido uma bela vista do amanhecer um dia.

— E por que você está com um martelo agora? – a garota reformulou sua pergunta.

— Estava tirando umas medidas para Hefesto. – apontou com a cabeça uma caixa de ferramentas recostada no pé da cadeira. – Não fui dormir ainda, na verdade. Essa casa é legal.

Oh, claro.

Silena ficou em silêncio. Não estava ciente do blusão que pouco cobria suas pernas, e aquilo era bom. Até para que ela encarasse Charlie nas próximas semanas, sem precisar lembra-se de que vestira apenas uma peça de roupa quando encontrou com ele aquela noite.

— Mas e você, querida, não tem que estar na escola daqui a pouco?

A garota não gostou da forma como o rapaz se referiu a ela. Soara bastante como um pedófilo, na verdade, e mesmo assim, ele ainda conseguiu trata-la como uma criancinha falando daquele jeito.

Ele não a trataria daquela forma se soubesse de metade da sua história.

— O quê? – Charles franziu o cenho.

Silena arregalou os olhos. Ela havia mesmo dito aquilo em voz alta?

— Por que eu não te trataria assim se soubesse da sua história? – ele repetiu exatamente o que ela havia falado. A garota estava dividida entre chacoalhar sua cabeça até que ele esquecesse, ou se atirar daquela varanda.

Silena aproximou-se da borda a varanda. Mas ao invés de se jogar, inclinou-se até seus braços estarem apoiados na grande, encarando o céu arroxeado e sentindo o olhar de Charles sob ela. Será que ele se importaria em tirar uma foto para a garota? Fazia tempo que não entrava em seu Instagram.

— Você não respondeu minha pergunta. – ela ouviu a voz do rapaz soar mais alta.

Girando para olhar para ele, ela quase pôde sentir-se um pouco como Drew quando sorriu, inocentemente dando de ombros. Era assim que a irmã se sentia controlando a situação? Era quase como atuar, para ser honesta. Silena nunca teve problemas com os palcos.

— Não tenho o que responder.

Charles entortou a cabeça.

— Você parece bastante como uma caixa cheia de segredos. – ele pareceu entrar em seu jogo.

— E isso era para ser um elogio?

— Não foi uma ofensa.

Mas diferente do que Charles esperava, ela não sorriu. Caminhou até ele e puxou a cadeira em sua frente, esticando as pernas. Agora, de perto, Beckendorf conseguia ver as olheiras abaixo de seus olhos, inchados por causa do sono.

— Você devia dormir. – sugeriu.

A garota deu de ombros.

— Não estou com sono, só estou cansada.

— Cansada de que, exatamente? – Charles sentia-se desconfortável com aquela conversa, carregada de drama e melancolia. Ele nunca gostara disso, e tinha quase certeza que Silena deveria ter quotado o Tumblr umas duas vezes.

— De muita coisa. – Silena viu-se falando. Gostava daquilo, da sensação de comandar uma conversa. De ser aquela personagem cheia de segredos. Poderiam repetir isso outro dia? — Dos segredos, principalmente. Às vezes eu penso em tomar o primeiro trem para a Filadélfia e desaparecer.

Os dois ficaram em silêncio. Charles estava desconfortável demais com todas aquelas confissões e, de repente, ele perguntou-se se ela estaria falando a verdade.

— Você faria isso? – questionou, um tempo depois.

O vento estava cada vez mais gelado e o sol começava a dar as caras entre todos aqueles prédios comerciais. Silena estava se coçando para não correr até seu quarto e bater uma foto daquilo. Quantas curtidas será que ela receberia numa foto sem efeito?

— Faria o quê?

— Sumir. Se você realmente pudesse, eu digo.

Os lábios da garota repuxaram, e ela apoiou as mãos no colo. Por que Charles entrara naquela conversa mesmo? Nem ele sabia.

— Sem pensar duas vezes.



Notas finais do capítulo

E ai, gostaram? Eu gostei, eu sempre gosto, ha.
Lembrem-se de que apesar de não estar podendo responder, a Luninha vai ler todos os comentários!! Então não deixem de comentar!
Two kisses, babies.