Na Melodia do Amor escrita por J R Mamede


Capítulo 6
Capítulo VI




Eu estava em meu armário para fazer as trocas costumeiras de materiais de uma aula para outra, quando notei a presença de uma pessoa mexendo em um armário perto do meu.

Olhei de soslaio, para ver quem era. Ao perceber que era Castiel, fingi que não havia percebido que ele estava ali, continuando a procurar um livro de Matemática que sumira no ambiente apertado e escuro.

Nunca tinha percebido que o armário do Castiel ficava perto do meu, com apenas dois armários fazendo barreira entre nós.

Já estava ficando impaciente com o livro que teimava em não aparecer, quando Castiel dirigiu a palavra a mim:

– Lysandre gostou de você. – comentou.

Virei o rosto para a sua direção. Ele me encarava com firmeza e um sorriso malicioso nos lábios.

– Também gostei muito dele. – afirmei. – É um rapaz educado.

– Ele gostou de você, - continuou o ruivo, sem dar importância a minha resposta. – pois conversou com você. Ele não é de falar muito com as pessoas, principalmente quando não as conhece. Mas você conseguiu fazer com que meu amigo falasse mais do que frases monossilábicas.

Eu o fitei, sem saber o que dizer. Era difícil saber o que dizer na presença de Castiel, pois qualquer deslize, ele se enfezava e virava as costas.

Também não compreendia o porquê dele estar me falando sobre Lysandre. Será que ele estava servindo de cupido? Ou era pelo simples fato de me deixar com a pulga atrás da orelha? Eu sentia que Castiel tinha prazer em atormentar as pessoas e, a vítima da vez, era eu.

– Não fique iludida de que ele está afim de você. – zombou. – Apenas disse isso, porque achei... Interessante a forma que você conseguiu arrancar palavras do Lysandre. Ele é o meu melhor amigo... Quando nos conhecemos, ele mal falava uma frase.

– Ele é um rapaz especial. – consegui falar. – Eu também sei o quanto é difícil conversar com as pessoas, então, talvez, ele tenha sentido essa semelhança entre nós dois, e se sentiu mais seguro para conversar.

Castiel me observava, absorvendo aquele argumento que eu utilizei. Ele fez um maneio com a cabeça, parecendo concordar com o que eu dissera.

Voltei à atenção para o meu armário, conseguindo, finalmente, achar o meu livro de Matemática.

Ao olhar para a direção de Castiel, levei um susto ao perceber que ele estava bem perto de mim.

O ruivo endireitou o meu corpo para frente do dele, colocou as duas mãos em meu rosto e foi aproximando a sua cabeça da minha.

Ele ia me beijar e o mais estranho era que eu estava permitindo.

Mas não beijou.

Quando os seus lábios já estavam a poucos centímetros dos meus, Castiel se afastou rapidamente.

– Você achou mesmo que eu ia te beijar? – riu sarcasticamente. – Minha nossa! Como você é tolinha mesmo.

Fiquei perplexa, sentindo o rosto arder e o coração disparar.

Definitivamente, eu nunca saberia o que se passava na mente insana daquele ruivo cretino.

– Não precisa ficar vermelha. – continuou rindo. – Se você ficou assim agora, imagina quando eu a beijar.

A fúria tomou conta de mim.

Fechei a porta do meu armário com força, bati os pés e disse para o rapaz que se divertia as minhas custas:

– Vá para o inferno!

Peguei as minhas coisas, virei as costas para o ruivo e o deixei no corredor de Sweet Amoris, se deliciando com aquela cena patética que ele arranjara.

***

Quando o fim da aula foi anunciado pelo sinal, eu saí da sala acompanhada de Ken e Alexy. Ken iria para a casa, enquanto Alexy e eu iríamos ao shopping.

O meu amigo tímido não quis nos acompanhar, pois dissera que não agradava muito a ideia de ficar em lojas de roupas e, além do mais, tinha que voltar o quanto antes para a casa, porquanto o seu pai queria conversar.

Confesso que eu também não queria ir, mas Alexy insistiu tanto, que acabei cedendo. Por outro lado, um passeio com o meu novo amigo seria legal; eu via uma oportunidade de conhecê-lo melhor.

Antes de sairmos de Sweet Amoris, os dois rapazes me deixaram no pátio para esperá-los enquanto eles iam ao banheiro.

Não fiquei sozinha por muito tempo.

Ambre, Li e Charlotte, infelizmente, se aproximavam de mim. Respirei fundo, preparando-me para mais um ataque de insultos gratuitos.

– Você ai! – falou a loura, apontando para mim.

– O que é? – respondi secamente.

Ambre chegou mais perto, encarando-me olho a olho.

– Fique longe do meu Castiel! – ameaçou.

– Seu Castiel? – ri. – Até onde eu sei você e ele são solteiros, então, como ele pode ser “seu”?

– Não banque a engraçadinha comigo, sua coisinha! – vociferou a garota. – Fique longe dele, para o seu próprio bem.

Após mais uma ameaça, Ambre me empurrou para eu sair da frente dela, sendo imitada por Li e Charlotte.

Os empurrões não foram fortes o bastante para me fazerem cair, porém, foram fortes o bastante para me irritarem.

Como se não bastasse tudo isso, o diabo ruivo apareceu logo depois. Vendo-me brava, não deixou de me provocar.

– O que foi? – simulou preocupação. – A mamãezinha brigou com você, foi?

Escutar Castiel fazendo deboches de mim usando a minha mãe, deixou-me completamente irada.

Eu o fuzilei com os olhos e apontei o dedo bem no meio da sua face.

– Nunca mais fale da minha mãe.

Após essa mensagem, saí em direção à rua.





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