Mistake escrita por Fidelity


Capítulo 5
Eu sou meio precoce.


Notas iniciais do capítulo

FIQUEI CINCO MINUTOS PRA ESCOLHER O TÍTULO E FICOU MEIO: BOSTA. Ok, passou. Tô de férias, gentchy. o/ por isso demorei, SEMANA DE PROVAS NÃO É EASY. Bato um papo com vocês nas notas finais, vamos ao capítulo:



Entrei no trem para voltar para casa com lágrimas nos olhos. Tinha uma moça, de cerca de 25 anos, com um menininho de 2 anos ao lado, agarrado a um bichinho de pelúcia. Ela sorria e brincava com o filho.

Expressei um sorriso com o garotinho mostrando um sorriso de projetos de dentinhos.

Passei a mão na barriga, pensando na decisão que tomei.

“Está vivo. Está aqui dentro.” Pensei. “Não posso matá-lo. Sei que não posso tomar conta dele, mas simplesmente... não posso.”

Parei de chorar, pensando se hormônios não estavam me deixando mais emotiva. São só nove meses, certo?

***

São só nove meses que vão passar de camelo. Já estava beirando os três meses que passaram lentos como tartarugas, mas sem grandes mudanças. Enjoo aqui, colegas me perguntando por que eu estava faltando a educação física acolá.

E como os três meses estavam começando, minha barriga estava começando a aparecer também. Já tinha uma pequena saliência de alguém que comeu pizza demais. Em outras palavras: Uma barriga de cerveja.

Foi bem traumático contar ao meu pai que eu pretendia terminar a gravidez. Envolveu alguns pratos quebrados. E minha mãe falando que a barriga do meu pai estava maior do que a minha quando estivesse com nove meses.

Vamos só fingir que isso não aconteceu e passar por cima. Essa frase, na verdade, virou meu mantra diário.

Ah, minha vó ficou sabendo. E meu avô também. Mas eles vão esquecer, e eu vou ter que contar de novo e de novo.

Outro mantra diário: Por favor, não morra vomitando as suas tripas fora.

Tá barril.

Minha madrinha inventou de me mandar para um obstetra como um “presente”. Dinheiro pra médico cai do céu? Não, então aceitei.

Foi bem normal. Achei que pelo fato de ser adolescente, ia ter uma gravidez de risco e... morrer? Mas ele disse que estava tudo bem e eu fiz um ultrassom. Não posso saber o sexo por enquanto. Mas aconteceu algo bem assim:

– Eu acho que tem dois aqui. – Falou ele, mexendo aquela maquininha na minha barriga.

Eu comecei a suar frio. Socorro.

– Ah, não, é um só. Desculpe, Amanda.

“Faz isso de novo e você vai ter dois. Dois problemas: eu e o meu remédio de pressão, por que eu jurei que estava baixando e eu ia desmaiar”, pensei. Mas no momento, só agradeci.

Houve um feriado prolongado de uma semana na cidade e eu poderia jurar que barriga tinha dobrado de tamanho naqueles poucos dias.

Estava mais perceptível do que eu pensei que fosse estar.

– São seus olhos, Amanda. – Falou Morgana, assistindo alguma série no computador enquanto tomava sorvete em minha cama. – Espere mais mês, aí sim você conta para Deus e o mundo que você está esperando uma criança.

– Eu passei mal ontem. – Falei – Quase desmaiei. Estou com medo de desmaiar na escola.

– Desmaie e você encontrará uma brecha. – Falou, voltando a assistir sua série em paz.

Não é tão fácil, oras.

No final de tudo, eu nem precisei contar isso para toda a escola. Alguém contou por mim.

***

Na segunda-feira, entrei na escola com os livros tampando minha barriga, coisa que já estava acostumada a fazer. Mas senti diversos olhares sobre mim. Por que todos estavam olhando para mim?

Senti um puxão forte na mão e fui empurrada dentro do banheiro feminino por Morgana, que foi direta e rápida:

– Lembra quando eu disse que você estava esperando uma brecha para contar sobre a gravidez para a escola? Bom, alguém já fez isso por você.

Mau coração acelerou.

– Sabrina, eu acho – Continuou – Por que não me contou que tentou fazer um aborto?

– Por que eu não tentei! E eu não disse para ela que estava grávida!

– Então insinuou. A escola inteira parece saber disso agora. Sinto muito.

Saí do banheiro e ela saiu atrás de mim. Ouvi alguns comentários antes de conseguir chegar à sala.

“Amanda Miller está grávida” “Será que ela sabe quem é o pai?” “Coitada” “Amanda Miller, do segundo ano. É, ela tá grávida” “Por isso ela não fazia mais educação física?”

Entrei na sala e me sentei ao fundo jogando as coisas do lado da carteira de Morgana. Um colega, chamado Josh, veio falar comigo.

– Você conhece o pai, Amanda? – Ele e os amigos riram um pouco e minha prima mandou – os ir embora.

– Calem a boca, caras. – Falou um outro colega meu, chamado Edgar. Nós já namoramos e ele parecia não ter me superado. Morgana se levantou e foi falar com alguém ao vê-lo se aproximar. – Olha, Amanda, se você quiser que alguém assuma...

Quê? Não, obrigada. Não me levem a mal, mas ele era realmente obcecado por mim quando namoramos e eu realmente não gostava dele. Não vou me submeter a isso.

– Desculpe, Edgar, mas eu não posso aceitar isso...

– Que é o pai? Eu vou descer a porrada nele.

– Eu não falei ao meu pai. Não vou falar a você.

– Eu posso assumir, Amanda, eu...

– Nós terminamos a mais de um ano, criatura. Supere.

– Você disse que me amava!

– Eu estava bêbada!

– Nós namoramos por sete meses!

– Eu bebia muito.

– Mas a gente tinha 14 anos!

– Sou meio precoce, sabe. Olha a maior prova: Tenho 16 e estou grávida. – Gargalhei alto com essa. Não tinha mais volta nem para onde correr, então por que não fazer graça do assunto?

Ele me olhou assustado depois de eu mesma rir da minha desgraça, repetiu que se eu quisesse que ele assumisse era só falar com ele e eu recusei. Hum, não, obrigada.

Naquele mesmo dia, a diretora me pediu perdão pelo boato ter se espalhado. Boato não, né.

Acabei dizendo que estava tudo bem. Não era culpa dela eu ia ter que contar alguma hora.

Mas ouvi tantos comentários maldosos que acabei derramando algumas lágrimas. Vão se foder, seu filhos de uma mãe.

Algumas garotas mais novas se aproximaram de mim e começaram a passar a mão na minha barriga, falando coisas como: “Eu sempre quis ser mãe” “Eu também, é meu sonho!” “O bebê já chuta?” “Óbvio que não, amiga. Ela está com poucas semanas... não é?” “Você vai ficar linda grávida.” “Convida a gente para os chás, ok?”

Agradeci sem ao menos ter prestado atenção ao que elas tanto falavam, indo para a saída da escola.

Morgana veio falar comigo, após xingar um dos garotos da nossa sala.

– Anda logo. –Falei. – Eu quero ir para casa.

– Desculpa por tentar te defender deles, prima.

Um deles fez um “V” com os dedos e colocou a língua entre eles, apontando para nós. Virei a cabeça e continuei andando.

– Você já sabe disso, né?

– Disso o quê?

– Isso vai chegar nos ouvidos de Christian.

Droga. Meu mantra diário, meu mantra diário...

Não está funcionando.

Comecei a chorar assim que ela foi pra casa.



Notas finais do capítulo

UATI TAIME IS ITI? SAMERTAIM! Férias. Thanks, Jesus.
Vou tocar num recital de piano dia 4 (quinta) e do me cagando de medo. E também vou apresentá-lo, logo: umas quatro horas em pé. Tirando o fato que eu já toquei num antes e foi de boa, e meu vestido parece um urubu morto e vou ter dor nos pés, tá tudo bem. Me desejem sorte.
E falem comigo nas mensagens. Qualquer coisa, eu sou muito forever alone. BEIJUS



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