Mistake escrita por Fidelity


Capítulo 2
Passei no meu teste... de gravidez


Notas iniciais do capítulo

Obrigadaaaaa de coração a todos que comentara, favoritaram, acompanharam... capitulo dedicado a todos vocês!



O que aconteceu comigo alguns dias depois pareceu cena de novela. Sentei para almoçar com meus pais, e minha mãe havia cozinhado um peixe com um cheiro fortíssimo. Dei algumas garfadas, mas não consegui comer mais. Saí da mesa dizendo que tinha comido muito no café da manhã.

Só que eu corri pro banheiro do meu quarto e vomitei ali mesmo. Já estava começando a pensar que aquele peixe fedorento da minha mãe tinha me dado intoxicação alimentar, quando me toquei de uma coisa.

Estava fazendo xixi quase de dez em dez minutos, estava sempre me sentindo cansada e com sono, me senti enjoada só com o cheiro daquela gororoba e...

Gritei a minha irmã.

– O que é? – Ela colocou a cabeça na porta do meu banheiro.

– Que dia é hoje? – Perguntei.

– Vinte e oito. – Caramba. Minha menstruação não estava atrasada, estava atrasadíssima. Levei a mão à boca. – O que foi?

– Tenho... que entregar um trabalho da escola amanhã. Tchau, maninha. – A empurrei pra fora do banheiro e apoiei as mãos na pia.

Amanda Miller. Você tem 16 anos. Não. Ai meu deus, isso não pode estar acontecendo comigo.

Saí do banheiro, peguei uma bolsa e corri para a farmácia.

***

Uma vez eu vi um filme que uma mulher foi fazer um teste de gravidez e chamou de “fazer xixi no palitinho”.

Bom, eu fiz xixi no palitinho. Sete vezes, de sete marcas diferentes. Não sei da onde surgiu tanto xixi, mas sei que minha mãe vai xingar quando ver a conta de água, por que deixe a torneira aberta por uma meia hora. Bom, isso se eu ainda estiver viva. E em todos apareceram duas listrinhas. Na verdade, em um apareceu uma cruz, mas segundo a caixa, significa “grávida”.

Muito bem, Amanda. Você já pode ligar pra MTV e participar de “16 and pregnant”.

Ah não, acho que tiraram esse programa do ar. Não tenho mais pra onde correr.

Eu estou muito encrencada. Nem terminei o ensino médio ainda... E Christian, meu deus. Eu não o vejo desde a festa. A carteira dele ainda está aqui. Ele deve ter ligado para a Michelle, mas ela não sabe que está comigo.

Numa escala de 0 a 10, eu estou encrencada no nível 15 e só subindo.

Como eu vou contar isso pra minha mãe? Ela vai me matar, e depois me reviver só pra me matar de novo!

Se bem que, apesar de estar realmente preocupada com isso, eu só consigo pensar em uma coisa agora: Que vontade de comer. Que vontade de comer McDonald’s, Kit Kat e tomar Milkshake.

Procurei dentro da minha gaveta a carteira de Christian, e peguei uma nota de 20 dólares.

O quê? Ele é o pai do meu filho, tem que começar a arcar com as consequências.

Peguei o carro da Michelle emprestado e dirigi até o shopping mais próximo.

***

Não me arrependi de ter comprado tanta comida. Me arrependi de ter comido a comida.

Depois de dois BigMac’s, eu comecei a ter enjoo de novo.

Entrei no banheiro correndo o mais rápido que pude, e vi minha mãe correndo atrás de mim. Enfiei a cabeça no vaso e coloquei tudo pra fora.

– Amanda, o que você tem? – Ela perguntou quando dei descarga no lanche que meu filho resolveu que não devia ficar ali.

Muito bem, quanto mais cedo você contar isso a alguém, melhor. Coragem. Você tem que tentar.

– Mãe... o que você acha melhor? Passar ou perder em um teste?

– Passar, é claro.

– Bom, você devia ficar orgulhosa de mim... eu passei no meu teste de gravidez.

Algo no olhar da minha mãe me disse que ela não tinha achado nem um pouco engraçado, então tentei salvar e dizer palavras sábias no meu provável último momento de vida:

– Olha, mãe, foi um acidente. – Falei – Sei que isso não é exatamente o que você gostaria de ouvir, mas, você sabe, eu sou engraçada de nascença. Eu sei que tenho 16 anos, mas antes que você me mate, pode por a culpa na Michelle, por que eu estava bêbada e ela poderia ter evitado e...

– Por favor, me diga que isso é mais uma brincadeira sua e da sua irmã...

– É... não é não.

– GEORGE!

Agora isso vai ficar sério. Meus pais vão fazer uma fogueira no quintal e me jogar lá. Não. Eles vão procurar algum tipo de tortura medieval na internet e vão fazer comigo. SOCORRO, EU NÃO QUERO MORRER!

Eles me colocaram pra sentar no sofá e minha mãe, Elisa, meu pai, George, e Michelle, que assim que abriu a boca papai mandou ela se calar. Eles faziam a mesma coisa quando eu era criança e aprontava alguma coisa, como quebrar alguma coisa da minha mãe e esconder, mentir sobre a escola, pular o muro do vizinho e entrar na casa dele... essas coisas de criança. Só que pelo olhar cheio de lágrimas da minha mãe, eu percebi que o que eu tinha feito era pior do que pular o muro do vizinho, ou quebrar um perfume caro. Muito pior.

Graças a Deus, Michelle me defendeu dizendo que ela tinha me dado vários copos de bebida, mas ficou bastante irritada quando minha mãe falou que eu disse que a culpa tinha sido dela.

– Quem é o pai? – Disse o meu pai. Sabia que ele sempre quis ser avô, mas não estava nem um pouco feliz por isso acontecer comigo, e com apenas 16 anos.

– Vocês conhecem ele. – Falei com a cabeça baixa, fitando meus cabelos castanhos – Se chama Christian Bell. Estudamos juntos.

Foi difícil fazer meu pai se lembrar, mas a minha mãe lembrou bem rápido. E acabou perguntando para a Michelle tudo que podia sobre a vida do garoto, e ela acabou deixando escapar algumas coisas que nenhuma sogra gostaria de ouvir.

– Não vou contar pra ele. Não gosto dele, nem preciso dele. – Falei pela primeira vez com convicção.

– Eu não acho que você deveria ter esse filho. – Meu pai falou e eu não se surpreendi. Sabia que em algum momento ele diria isso. Eu não estou completamente certa se devo ter esse filho ou não.

– GEORGE! Ela tem que decidir o que fará com o filho! – Disse minha mãe se intrometendo. Ao menos alguém está do meu lado. – Eu não estou do lado dela, mas acho que não tem que por coisas na cabeça da Amanda! – Ótimo, deixa pra lá.

– Se você não tivesse deixado essa menina ir pra tantas festas, ela não estaria grávida agora! – Ele respondeu no mesmo tom de voz.

– Eu nunca larguei ela para ir em festas! Não mude de assunto!

Os dois começaram a discutir tão alto que os vizinhos deveriam estar ouvindo. Vi minha irmã fechar a janela do sofá atrás dela e apontar para a minha. Levantei e fechei. Não aguentava mais ouvir gritos e xingamentos, então levantei e disfarçadamente saí da sala e comecei a subir as escadas para o meu quarto, e ri baixinho quando ouvi minha mãe chamar meu pai de “patife”. Minha irmã veio atrás de mim.

Entramos no meu quarto e pulamos na cama.

– O que é isso, menina? Vai montar um supermercado? – Ela falou, espalhando os doces que eu tinha jogado em cima da cama.

– Bom, eu estou grávida, meu filho... ou filha, vai ficar com fome. – Peguei um Kit Kat e abri – Quer?

– Como você foi se meter nessa encrenca, Amanda?

– Isso foi parcialmente culpa sua! Podia ter me impedido! – Ela riu.

– Bom, eu prometo que vou ser a tia mais legal do mundo. Vou levar para passear, dar brinquedos, e quando ele ou ela crescer, vou dar ingressos pra festas e claro, algumas bebidas... – Fiquei quieta na hora.

– Eu não sei se quero ter esse filho, Celly. – Lembrei do apelido de infância da minha irmã.

– Bom... eu li que o aborto pode ser feito até os três meses... – Olhei pra ela com os olhos marejados de lágrimas. – Não fique assustada. Uma colega minha fez. Os pais dela nem souberam que ela estava grávida. Mas você ainda tem mundo tempo para pensar. – Ela me abraçou.

– De qualquer maneira, você não vai comprar bebidas pro meu filho! – Falei, numa mistura de riso e choro.

– Tudo bem. E a escola?

– Não tive muito tempo de pensar nisso.

– Eu aposto dez dólares que o papai vai querer que você deixe de ir a escola.

– Não precisa apostar, ele vai querer mesmo. Mas acho que dá tempo de terminar esse ano, e aí eu decido o que farei... – Dei uma mordida no Kit Kat e comecei a chorar. – Estou com tanto medo!

– Hormônios... – Ouvi Michelle sussurrar e fiquei chorando e abraçando uma almofada como se fosse uma criança.





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