Garota de Maresia escrita por Mermaid Queen


Capítulo 3
Can't Remember To Forget You - Shakira feat. Rihanna


Notas iniciais do capítulo

amei amei amei esse cap!
Luke



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– Está animada, é? – Jack perguntou, deslizando a faca cheia de manteiga pela fatia de pão de forma.

– Claro que sim – Alice respondeu, revirando os olhos e mostrando o quão óbvio era seu entusiasmo.

– Está animada em aprender a surfar ou com o garoto que vai te ensinar?

Ela parou de mastigar e encarou o irmão, claramente chocada.

– Que quer dizer?

Jack soltou uma risada e Alice baixou os olhos, um pouco irritada.

– Calma, Alice – disse ele, ainda rindo. – Não disse que está apaixonada. Mas aposto que gostou um pouquinho dele.

Ela levantou-se e bateu a faca na mesa.

– Eu nem o conheço! – exclamou. – Vocês, meninos, são muito idiotas! Já estou atrasada. Tchau.

Alice saiu andando para o quarto, determinada a trocar de roupa e sair de perto do irmão que a estava envergonhando. E daí se Luke era bonito? Não queria dizer que ela gostava dele.

Ele era bem desastrado, e isso com certeza não combinava com ela. Qual seria o resultado de duas pessoas desastradas andando juntas? Terrível, com certeza.

É, ela não se deixaria levar.

Vestiu o biquíni, e por cima um short e camiseta. Não se deu o trabalho de pentear os cabelos, estavam até ajeitados.

Foi descalça para a praia, e ao sair olhou no relógio. Oito horas em ponto.

Alice resolveu correr.

Chegou ao ponto onde se encontraram no dia anterior, e saiu da calçada para de dirigir à areia. Ainda estava fria.

Ela sentou-se no chão e esperou. E esperou. E esperou.

Talvez ele fosse tão atrasado quanto ela tinha o costume de ser. Alice imaginou que ele deveria se esforçar um pouco para chegar na hora, já que era a primeira vez que se encontravam.

Depois de meia hora, ela foi nadar. A água também estava fria, mas como o dia estava bem quente Alice não se importou. Os turistas começavam a chegar. Alguns surfistas já estavam lá desde antes dela, e Alice pensou que talvez Luke fosse um deles. Conferiu, e não era.

E se ele tinha esquecido?

Ela saiu da água e observou um homem que relógio. Caminhou até ele.

– Com licença? Pode me dizer as horas, por favor? – pediu.

O homem sorriu e disse:

– Faltam vinte minutos para as dez.

Alice agradeceu e foi até o lugar onde estava sentada antes. Recolheu as roupas da areia e foi embora.

– Ah, droga – murmurou, enquanto andava batendo os pés.

Precisava pensar no que diria para Jack. Se contasse a verdade, ele riria até o dia seguinte. Não, ela não revelaria que Luke se esquecera dela.

Abriu a porta da frente sem fazer ruídos, esperando entrar despercebida. Seu plano falhou assim que olhou para o lado e viu Jack deitado no sofá jogando videogame.

– Já voltou? – perguntou, franzindo a testa. – Há quanto tempo estou jogando?

– Não, seu idiota – Alice cortou. – Deve ser dez horas agora. Luke precisou… voltar para casa. Teve um problema com a família.

– Está tudo bem? – Jack questionou, um pouco desconfiado.

– Ah, sim – disse Alice com um ar despreocupado. – Só uma pequena emergência. Vamos marcar outro dia.

Jack riu e, mostrando que não estava mais interessado na conversa, recolocou os headphones e voltou a jogar seus jogos de tiro.

Alice voltou para o quarto e sentou-se no chão. Colocou os fones de ouvido e pôs música para tocar. Por que estava tão irritada se ela e o garoto nem tinham nada?

Eles não se conheciam!

A música a relaxava, e logo ela já estava tentando esquecer. Mas não conseguia.

Enquanto assistia a um filme em seu quarto, lembrava-se dos olhos verdes dele encarando-a insistentemente. Os cabelos dele eram cacheados, e Luke parecia tão angelical que por algum motivo ela sentia vontade de abraçá-lo.

Mas o que ele fizera foi realmente uma mancada. Das grandes.

Alice almoçou. Mais tarde, Ellis perguntou se ela não queria ir dar uma volta na cidade. Alice aceitou, por não ter nada melhor para fazer.

E elas foram. E passearam por várias lojas. Ellis comprou maiôs, por não ter nenhuma roupa de banho e estar na praia.

– Quer escolher um biquíni? – sugeriu para Alice.

Alice fez que sim, e acabou comprando um. Estava satisfeita porque o biquíni era bonito.

Quando saíram da loja, Alice assustou-se porque Ellis deu um grito.

– Não acredito! – exclamou, e Alice notou que estava indo abraçar uma mulher. – Há quanto tempo que não nos vemos?

A mulher era mais alta que a mãe de Alice, e ao lado dela estava um menino. Eram ambos loiros e tinham olhos azuis gélidos.

– Ellis, que saudade! – disse a mulher. – Aquela ali é Alice?

Ellis confirmou e Alice sorriu.

– Eu já ia comentar sobre Alex. Está tão bonito – A mãe de Alice elogiou. – Summer, faz uns treze anos desde a última vez em que nos vimos!

– Alice, não consigo acreditar no quanto você cresceu! – Summer disse, e Alice sorriu mais uma vez. – Alex vai a uma festa essa noite, por que não a leva junto? – sugeriu para o filho.

– É, você pode ir se quiser – o garoto disse. Alex sorriu, e Alice não tinha certeza se queria ir.

Talvez fosse bom para fazer amigos.

– Ah, Alice vai – Ellis disse antes que Alice abrisse a boca.

– Obrigada – Alice murmurou, irritada com a mãe.

Deveria passar das sete da noite. O céu estava escurecendo, e logo todos se despediram. Alex deu a Alice o endereço da festa. Disse que seria uma festa na piscina.

Ellis levou Alice para o carro e estava radiante.

– Ah, querida, não acredito! – disse enquanto girava a chave. – Ele gostou de você, tenho certeza!

O motor roncou.

– É, ele parece legal – Alice disse, meio contrariada.

– Claro que sim – respondeu a mãe. – Você vai usar o biquíni novo, certo?

Alice ficou surpresa com a determinação da mãe. Provavelmente seria obrigada a ir até a droga da festa, querendo ou não.

O carro encostou na porta da casa e Alice desceu.

Tomou banho e colocou o biquíni novo. Escolheu um dos vestidos e colocou-o. Calçou os chinelos.

– Precisa de carona? – Ellis perguntou.

– Para onde ela está indo? – Nicholas interviu.

– Alice vai a uma festa – Ellis anunciou.

– Por que eu também não vou à festa? – Jack surgiu na porta da cozinha onde estava ocorrendo a conversa.

– Foi um amigo da sua irmã quem a convidou – disse a mãe.

– Foi Luke? – indagou Jack.

– Quem é Luke? – perguntaram Ellis e Nicholas ao mesmo tempo.

Alice bateu a mão na testa.

– Já estou atrasada – falou, tentando interromper a reunião familiar catastrófica que se formava.

– Não volte tarde. Quero você aqui à uma da manhã – determinou Nicholas. – E não beba.

Alice assentiu e saiu da cozinha. Passou pela sala e fechou a porta atrás de si.

Ela seguiu pelo caminho que seguira no dia anterior e na mesma manhã. Caminhou em direção à festa pela calçada que dava de frente com a praia. Apesar de aquele lugar deixá-la um pouco irritada, era ainda mais belo banhado pelo luar.

Alice apertou o passo, mas parou ao ver uma silhueta sentada na areia.

Tinha cabelos cacheados, vestia roupa de surf e ao seu lado estava uma prancha.

Mas ela não tinha certeza. Estava escuro. E se fosse um estuprador? Ela definitivamente não queria ser estuprada. Resolveu chamá-lo, e caso ele se virasse e não fosse Luke, ela sairia correndo.

Ótimo plano, Alice.

– Luke!

A cabeça virou-se em sua direção quase imediatamente, e, para o alívio de Alice, mesmo sob a iluminação fraca da lua o rosto era familiar.

Ela andou até lá, esquecendo completamente da raiva que sentira de manhã.

– Você está bonita – ele disse conforme ela se aproximava, meio gaguejando.

Ainda bem que não tinha luzes acesas, porque o rosto dela estava vermelho.

– Obrigada – Alice respondeu, ajeitando a barra do vestido.

– Eu pensei que chegaria aqui e você já estaria esperando. Saí de casa e já eram oito e dez. Mas você também está atrasada, então não tem problema.

Luke falava u pouco rápido. Ela imaginou que estivesse nervoso, e não entendeu o que ele queria dizer.

Espera. Ele dissera que saiu de casa às oito e dez, e…

– Não entendo por que você se arrumou – ele disse, mas não havia maldade em sua voz. – Esse não parece um vestido de praia.

Tudo fazia sentido! Quando ele marcou às oito, quis dizer oito da noite!

Alice sentiu-se envergonhada por ter ficado tão irritada com Luke sem que ele tivesse muita culpa. E também por não ter pensado na possibilidade de ser oito da noite.

– Minha mãe não sabe que eu estou aqui – admitiu ela. – Ela pensa que fui a uma festa.

Luke sorriu.

– Entendi – falou. – Então vamos começar logo. Quem sabe no final ainda dá tempo de você ir a essa festa?

Ela balançou a cabeça, concordando. Não estava mesmo com a mínima vontade de ir a festa, mas não falaria disso agora.

Tirou o vestido e deixou-o cair na areia. Ficou com vergonha de Luke, mas não disse nada. Esperou que ele desse alguma instrução.

– Primeiro nós temos que fazer alongamento – falou, coçando a cabeça.

Ele a ensinou a alongar os músculos superiores, e também os inferiores. Deu conselhos antes de entrarem no mar. E finalmente estavam se dirigindo para a água quando ele segurou o pulso dela e sua voz assumiu um tom sério.

– Alice, caso a corrente te puxe e você não consiga voltar, não entre em pânico. – Ele olhava fundo nos olhos dela. A voz continha genuína preocupação. – Tente nadar de volta à costa paralela à corrente. Não nade contra ela, e sim paralelamente. Entendeu?

Alice disse que entendera. Essa história a deixara com medo.

– Não se assuste – Luke acrescentou. – Eu estarei ao seu lado o tempo todo.

Alice sorriu com a doçura dele. Aquilo a deixou mais tranquila. Ela continuou andando pela água, e uma onda estourou pouco acima de seus joelhos. Alice não recuou, a temperatura estava agradável.

Luke instruiu que ela deitasse sobre a prancha e remasse com os braços em velocidade constante. Ela o fez, e também aprendeu a como ficar em pé sobre a prancha.

A teoria, porque na prática não estava dando muito certo.

– Ajoelha e depois pula! – gritava Luke, e quando ela caía ele ria.

– Pare de rir! – Alice brigava, mas de brincadeira. – Isso é muito frustrante!

Pela décima terceira vez, Alice conseguiu pegar uma onda. Ajoelhou-se na prancha e, com um salto, colocou-se de pé.

– Luke, eu consegui! – gritou em êxtase. – Não acredito!

A sua felicidade durou pouco, pois não se manteve de pé por muito tempo. O sorriso de Luke se desfez no momento em que Alice tombou em cima dele.

– Tudo bem? – ele perguntou, erguendo a cabeça dela da água. – Você só parece leve. Doeu.

Alice abriu um sorriso divertido.

– Foi mal, Luke.

– Ah, tudo bem – ele respondeu. – Já chega por hoje?

Alice assentiu e eles saíram da água. Já na areia, Luke ofereceu uma toalha a ela.

– Obrigada – murmurou Alice, aceitando a toalha para vestir a roupa depois.

Eles andaram lado a lado até a calçada.

– Eu te acompanho até a sua festa – Luke se ofereceu, e isso fez com que Alice sorrisse.

Ela não queria ir à festa, mas queria a companhia dele por mais algum tempo. Então concordou. Ela o guiou até o local e foram conversando durante o caminho todo. Mas, quando chegaram, o sorriso de Luke sumiu.

– Essa é a casa do Oliver – resmungou, assumindo um tom que surpreendia Alice.

– Não sei. É? – ela perguntou. – Foi Alex quem me chamou. Você o conhece?

– Conheço – respondeu, novamente com a voz seca. Ele começou a virar-se para ir embora.

– Hmm, entendi... – disse Alice. – Não vai entrar comigo?

– Não, eu vou para casa – Luke falou, deixando-a desanimada. – Até mais, Alice.

– Eu me diverti muito – ela disse.

Luke virou-se e sorriu.

– Saber disso me deixa feliz.

Com isso, ele continuou seu caminho e ela entrou na festa. Conversou com Alex, conheceu pessoas, até nadou na piscina.

Finalmente deu a hora de ir para casa, e à uma hora da manhã estava em casa. Tomou banho e deitou-se na cama.

Tudo o que conseguia fazer era pensar em Luke. Só queria vê-lo de novo.


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Notas finais do capítulo

ficou um pouquinho grande, mas está aí! Espero que gostem!



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