The woman I love escrita por luud-chan


Capítulo 4
✩ Inacreditável


Notas iniciais do capítulo

Acho que ninguém achou que eu ainda ia aparecer por aqui, não é? KKKKKKKKKKKKKK eu também não, me batam.

Na época eu atrasei, e acabei deixando e deixando, e quando vi, já tinha passado semanas e meio que desanimei e perdi a inspiração para o que eu estava escrevendo. x_x Mas voltei. Prometi pra mim mesma que iria finalizar esta fanfic antes do ano acabar e aqui estou eu.

Juntei 3 prompts em uma oneshot só, que eram Confissão + Primeiro beijo + Futuro.

Ficou simples, mas espero que gostem. Boa leitura e até as notas finais.



The Woman I Love

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Inacreditável

Os olhos escuros permaneciam atentos ao corpo inerte da mulher na cama a sua frente. O cabelo longo e ruivo estava espalhado pelo travesseiro, os lábios entreabertos, o rosto mais pálido que o normal e a expressão calma, que só estava ali por um único motivo: ela dormia.

O silêncio além de anormal, era esmagador. E isso fazia com que Luffy se sentisse ainda mais culpado por não ter conseguido proteger sua preciosa amiga e navegadora. Sentia falta das gritarias, até mesmo das pancadas e ameaças, de quando ela aparecia atrasada na hora do jantar com os dedos sujos de tinta — por ter ficado desenhando mapas demais por muito tempo —, das vezes em que ela acordava cedo para regar os pés de laranja, e ele fingia estar dormindo no meio do convés, apenas para escutá-la cantarolar uma música de forma desafinada — mas que realmente não se importava, porque gostava do som da voz dela —, pois sabia que ela não cantava na frente de ninguém.

Monkey D. Luffy sentia falta de Nami e amaldiçoava cada minuto em que ela ficava naquela cama. Chopper dissera que ela ficaria boa logo e o que melhor a fazer, era deixá-la em coma induzido para que pudesse se recuperar da pancada na cabeça.

E isso já fazia um mês.

E todos os dias ele sentava ali, perto da borda da cama, e ficava por horas, protegendo o seu leito, já que não conseguia fazer isso quando ela ainda estava acordada. Sua preocupação era notável e tudo que ele queria, era que Nami ficasse bem.

Seus pensamentos foram interrompidos quando Chopper irrompeu no cômodo e a porta rangeu.

— Aqui de novo — começou com um suspiro. — Não se preocupe, ela vai ficar bem. O inchaço já está diminuindo, logo ela irá acordar e ser a assustadora de sempre.

— Logo quando? — perguntou, as sobrancelhas franzidas.

— Em uma semana com sorte, duas... — informou com sua atitude de médico sério. — Vou examiná-la agora.

Luffy entendeu o que ele quis dizer e se retirou da sala em silêncio. Tudo que queria, era que Nami acordasse logo.

| L&N |

— Ele está completamente deprimido — Usopp notou, parando de remexer em uma das suas invenções para poder olhar para Luffy, que estava parado em uma das extremidades do convés, calado. — Faz semanas que ele não dá um sorriso.

— Tem muita carne sobrando na geladeira — Sanji acrescentou em voz baixa, os braços cruzados, enquanto também observava seu capitão. — Isso é mau. Nossa Mellorine está daquele jeito... — Calou-se.

Sanji estava igualmente preocupado, mas Chopper tinha dito que ela ficaria bem, então tinha que acreditar nele. Desde que Nami ficou em coma, a aura em volta do Thousand Sunny ficou bem mais densa, o ânimo para as atividades comuns tinha desaparecido, as brincadeiras eram raras, e tudo parecia deprimente demais. Até Zoro não resmungava mais, a ruiva era um demônio, mas também era sua companheira. A preocupação era evidente em todos, principalmente no capitão, que vivia se culpando pelo que tinha ocorrido.

Eles ficaram em silêncio e não tiveram outra opção a não ser voltar aos seus afazeres. Robin, que estava sendo a responsável por dar banho na navegadora, tinha acabado de sair do quarto dela, quando o olhar de Luffy voltou-se para si. Ela lhe ofereceu um sorriso, esperando que talvez, conseguisse arrancar um dele também — o que não aconteceu. Vê-lo naquele estado machucava.

Luffy sem sorrisos não era Luffy.

Ele se aproximou dela, as mãos enfiadas no bolso do calção desgastado.

— Bom dia, Capitão — Robin desejou de forma sincera.

— Bom dia — murmurou, cabisbaixo.

— ... quer conversar? — foi direta, normalmente não faria isso, mas assim como os outros, estava preocupada também.

O moreno suspirou e levantou os olhos escuros para ela e assentiu, devagar. Robin andou até a borda do convés, e apoiou os braços ali, observando o vasto mar azul, que se perdia no horizonte daquela manhã ensolarada — que não combinava com completamente nada no que se dizia ao clima do Thousand Sunny. Parecia até que alguém estava zombando deles.

Ficaram em silêncio por alguns minutos, a morena esperou pacientemente até que ele estivesse pronto para começar a falar.

— Eu sou fraco — Luffy declarou, quebrando o silêncio. Estava sério demais, o que era muito assustador. — Parece que não importa o quanto eu tente ficar forte, nunca é o suficiente. Não pude proteger meu irmão, e ele morreu. Prometi que não iria deixar nenhum dos meus nakamas voltarem a se machucar, mas não consegui cumprir minha promessa. E agora, Nami está em coma.

— Isso não foi culpa sua, Capitão — Robin tentou tirar o peso desnecessário que ele insistia em carregar nos ombros. — Fez tudo que podia, e a Navegadora-san lutou bravamente, até derrotar o inimigo. Então, não se culpe.

— Mas eu sou o Capitão. É o meu dever proteger vocês — insistiu, determinado. Encarou-a. — E eu falhei.

— Você está errado. — Raspou o dedo em uma afiada farpa, o que fez o sangue sair, só um pouco. — Está vendo? Não pode nos proteger de tudo. — Pausa. — Por acaso, já parou para pensar que, talvez, você esteja se culpando demais e se preocupando... Por outros motivos? — sugeriu com cuidado.

— Por... Outros motivos? — replicou, confuso.

Ela sorriu um pouco e uma forte rajada de vento passou por eles. Robin colocou uma mecha do cabelo longo e negro atrás da orelha, antes de voltar a falar:

— Sim. — Assentiu com a cabeça. — Algo como a vontade de ficar sempre por perto, apenas para ficar na presença dela. Ou ouvir sua voz, mesmo que esteja falando coisas inapropriadas. Apenas... Ficar perto.

Luffy parou para pensar. A historiadora estava completamente certa. Ele se sentia justamente assim a respeito de Nami: queria ficar por perto, sempre, mesmo que ela o maltratasse e gritasse; queria ouvi-la cantando, desafinada mesmo, não tinha problema. Só queria estar com ela.

— Acho que entendi — pontuou, receoso.

A morena arqueou as sobrancelhas levemente, porém, optou por ficar em silêncio.

— Certo. Capitão.

E mais nada a dizer, Luffy voltou para ficar ao lado da sua preciosa navegadora.

| L&N |

Como Chopper tinha dito, quase duas semanas depois, Nami acordou. Sua aparência era frágil e fraca, muito diferente do que costumava ser. Tinha emagrecido uns bons quilos durante o tempo que ficara inconsciente, e na primeira vez que tentou falar, não conseguiu, já que a garganta estava seca demais pela falta de uso.

O médico pediu que tivessem paciência, e que deixaria que os outros entrassem assim que tivesse a certeza que estava tudo bem com ela. Luffy não conseguia conter sua ansiedade, e ficava andando de um lado para o outro na frente da porta do quarto. Até mesmo Sanji, que era tão excitado sobre tudo, estava quieto, aguardando com paciência. O que fazia parecer que o Capitão do Thousand Sunny estava prestes a ter um troço.

— Acalme-se, Luffy. Assim você vai abrir um buraco no navio! — Usopp tentou acalmá-lo. Tarefa que mostrou-se inútil.

— Eu quero entraaaaaaaaaaar! — reclamou, inflando as bochechas.

— Você vai, tenha paciência — Zoro disse, os braços cruzados sobre o peito.

Chopper saiu do quarto vinte minutos depois, e os olhares de todos se voltaram para ele, com expectativa.

— Está tudo bem com ela — anunciou, sorrindo. E foi só nesse momento que houve suspiros de alívio, vindos de Robin, Zoro e Franky, e berros de Usopp, Brook e Sanji. Estranhamente, Luffy ficou em silêncio. — Vocês vão poder entrar, mas só depois da Robin arrumá-la.

— Aaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaah! — Com exceção de Zoro, todos reclamaram.

— Por que? — o Capitão quis saber.

— Ela quem pediu. Dizendo coisas sobre o cabelo estar horrível, essas coisas — Chopper explicou, ainda na sua pose de médico.

— Estou indo — Robin anunciou, passando por eles com facilidade. Lançou um olhar para Luffy no meio do caminho, que a olhou de volta, como se soubesse o que ela pensava.

Foi uma longa hora para o moreno. Por que elas tinham que demorar tanto com aquilo? Tomar banho nem era tão difícil! E se vestir, muito menos. Ele mesmo costumava fazer isso em uns cinco minutos — as duas coisas! Blergh. Depois de uma hora e pouco, foi a historiadora que veio lhe chamar.

— Ela está esperando por você, Capitão — anunciou, calma, como sempre.

Ele se levantou em um supetão, estivera a tarde toda sentado ali no chão. Inclusive, o sol começava a se pôr.

Sem dizer uma palavra, dirigiu-se para o quarto, e abriu a porta de uma vez.

— Luffy! Você me assustou! — Nami teria gritado se pudesse. Colocou a mão no peito, recuperando-se do susto. — Pra que essa violência com a porta? Sinceramente...

Foi surpreendida quando ele a abraçou. E não foi um simples abraço. Era forte, quente, e cheio de saudade, de sentimentos tão intensos, que somente aquele ato fez com que ela tremesse entre seus braços fortes. Ele rodeava sua cintura, e afundava o rosto na curva do seu pescoço, e por um momento, Nami pensou que ele estava chorando.

E bem, estava certa.

— Luffy...? — chamou baixinho, abraçando-o de volta quando finalmente se recuperou do choque. Os dedos se enrolaram nos fios escuros, começando a alisar seu cabelo devagar. — Está tudo bem?

O moreno fungou um pouco antes de levantar o rosto para encará-la. Os olhos negros ainda brilhavam um pouco por conta das lágrimas não derramadas, e o cabelo um pouco bagunçado, já que ela mexia nele há poucos segundos. Ele sorriu, depois de semanas. Um sorriso daqueles que mostra todos os dentes, tão sincero, que era impossível que ela não sorrisse de volta.

— Estou agora — respondeu, feliz. — E eu consegui entender uma coisa.

Algo no olhar dele, fez com que a navegadora corasse efusivamente. Mas Nami não desviou os olhos. Não era necessário palavras, porque naquele momento, percebeu que seu Capitão se sentia da mesma forma que ela. E Luffy ainda estava muito perto, e sorria, como nunca. E ele teve a mesma realização que ela, e foi só por isso que diminuiu a distância restante que os separava, e beijou-lhe.

Primeiro o canto dos lábios, e só depois a boca rosada e carnuda. Nami fechou os olhos, sentindo-o pressionar os lábios contra os seus. Era um gesto inocente, mas cheio de sentimentos, cheio de amor. E isso quase trouxe lágrimas aos olhos dela. Não passou disso, entretanto era um momento tão precioso, que ela queria guardar para sempre.

— Eu também — Nami disse quando se separaram.

| L&N |

Nami estava voltando para o navio, segurando um monte de sacolas. Tinha sido um ótimo dia de compras! Aaaaah, como era bom ter um marido rico. Riu internamente. Ainda com um sorriso, adentrou sem demoras o convés, e achou esquisito quando não viu ninguém.

Desconfiada, continuou o caminho até a parte de cima do navio. E o que ela viu, fez com que soltasse todas as sacolas que carregava.

Havia papéis jogados para todos os lados, e tinta, e frutas(?). Parecia que um furacão tinha passado por ali. Ou melhor: dois furacões.

— LUFFYYYYYYYYYYYYYYYYYYYYYYYYYYY! — gritou, uma veia saltava em sua testa, e o lábio tremia.

O Rei dos Piratas levantou do chão, e encarou-a, com a cara toda rabiscada, a garotinha, que possuía o cabelo tão preto quanto o do pai, fez o mesmo, e o estado dela não era muito melhor. Além da cara manchada de tinta preta, o vestido estava muito pior. Os olhos eram tão castanhos quanto os da mãe, e sua estatura pequena enganava quem via, achando que ela era inocente. Porque era uma tremenda pestinha!

— Vish, ferrou — ele murmurou para a filha. — É hora de fugir!

— Vamos lá, papai! — ela gritou, animada, antes dele colocá-la nos ombros, e sair correndo.

— VOLTEM AQUI AGORA MESMO! MISAKIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIII! LUFFYYYYYYYYY! VOCÊS ESTÃO MORTOS! — Nami gritou, pondo-se a correr atrás deles. — MINHAS TINTAS! VOCÊS ACHAM QUE DINHEIRO CAI DO CÉU?!

— Vai, vai, papai! — Misaki puxou o cabelo dele, para que ele corresse mais rápido. — Mamãe vai nos mataaaaaaaar!

— SHISHISHISHISHSISHI.



Notas finais do capítulo

Quando eu escrevi isso, fiquei imaginando que seria interessante tentar explorar mais o lado do Luffy, do que o da Nami. Quero dizer, ele é sempre tão inocente, sabe? E foi um pouco difícil mostrar a visão dele sobre "amor" sem deixá-lo OOC. Então usei do típico clichê de quase-morte/acidente, pra que a preocupação e a culpa fosse tão exagerada, que isso pudesse florescer sem parecer muito forçado. Ao menos eu tentei, né? x_x Espero que tenha funcionado. E não coloquei um "te amo", porque aqui, as ações valem mais que as palavras. Tentei deixar isso claro, também.

Gostei muito de escrever isso. E espero que tenham gostado de ler. Peço perdão pela demora em finalizá-la, hehehe /apanha/.

Obrigada para quem me acompanhou. Agradecimentos especiais para a Akemi e para a Bats, que me incentivaram a participar disso aqui. Em breve, estarei nessa categoria também! *-*

Beijão e até a próxima!